O líder que arruina a liderança

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Quem não sabe colocar vírgulas tem competência suficiente para governar o País? Infelizmente, esse não é o maior problema que a conta de Twitter de Rui Rio levanta. Ao ser um veículo de posicionamento e mediatização directa como líder partidário à mistura com ser um canal de expressão pessoal e espontânea para as mesmas temáticas, o resultado é uma imagem ingénua, amadora e ineficaz para a sua valorização como candidato a primeiro-ministro. Acima temos um exemplo – paradigmático – do nó cego que lhe está a tolher a dinâmica de afirmação e crescimento eleitoral.

A dimensão da Justiça é das mais importantes para a qualidade da democracia, para a segurança dos cidadãos e para o desenvolvimento económico. Por cima desta consensualidade à direita e à esquerda, temos desde 2009 a evidência de se estar a usar a Justiça como arma política. Os abusos e crimes cometidos no Ministério Público na perseguição a políticos do PS e ao próprio PS, em conluio com a escolha de Joana Marques Vidal para PGR e a campanha política que protagonizou e alimentou, ocorrem com a cumplicidade do regime; portanto e por tanto, do próprio PS que paradoxalmente consegue recolher benefícios internos do cerco externo. Este o quadro onde as proclamações de Rio a pedir menos corporativismo e mais democracia e soberania na conduta dos magistrados do Ministério Público são uma prova da sua coragem como líder dado o contexto onde a direita decadente e a indústria da calúnia triunfaram e perderam qualquer prurido na exibição do seu poder ilícito. Mas mais, e mais importante para a comunidade: é uma proposta que só se justifica existir por causa do interesse nacional, do bem comum, da defesa da liberdade.

Ora, como destruir a promessa de radical inovação na direita portuguesa, que recupera o melhor da tradição liberal e, de caminho, perder uma posição cimeira donde Rio poderia chamar a atenção para outras propostas políticas do seu PSD? Pois da maneira que acima pode ser desfrutada. Ao vir com a cassete de que o PS “arruinou” a economia e foi o responsável pela vinda da Troika e suas consequências fanática e violentamente penalizadoras dos pobres e da classe média, Rio não está apenas a mentir, nem está apenas a deturpar, nem está apenas a esconder o que o seu partido de braço dado com Cavaco escolheu fazer em 2011 e nos anos seguintes até ser corrido por um novo Parlamento. Acima e antes de tudo, o que ele está a fazer ao tuitar boçalidades típicas da chicana é a exibir a sua mediocridade política. Que não espante, então, encontrar a sua assinatura nesta inanidade:

6 thoughts on “O líder que arruina a liderança”

  1. Rui Rio é dos muito poucos que tem alguma autoridade para criticar políticas que aumentaram a vulnerabilidade das contas públicas em contexto de crise global. Foi voz rara no Parlamento, senão única, mesmo dentro do seu partido, reclamando cautela no ritmo de construção de infraestrutura e de expansão das despesas do Estado. Porque é que a coerência arruina a liderança?

  2. “Foi voz rara no Parlamento, senão única, mesmo dentro do seu partido, reclamando cautela no ritmo de construção de infraestrutura e de expansão das despesas do Estado.”

    quando não há factos, inventam-se. o rio largou o parlamento a meio do mandato, em 2001, para ir para a câmara do porto e depois disso nunca mais foi deputado.

  3. Ó vai dar banho ao cão, sim, os excessos no ritmo de construção de autoestradas e PPPs não começaram com Sócrates. Rio advertiu quando valia a pena discutir as decisões. Não depois das obras estarem feitas e a dívida a cair no orçamento.

  4. ah pois, estavamos em 1998 e quem desgovernava era o guterres. sobre os exemplares governos de cavaco nunca lhe ouvimos qualquer remoque, mas isso já sabíamos, merda da mesma etar. exclusivos desses é o que mais há na turma dos direitólas, nunca se passou nada com eles e a culpa é sempre dos outros, mas ainda há uns conas como tu que acreditam em sucedâneos do papai noel.

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