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heterotopia salicílica

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Temos um post, no Aspirina, agendado para um futuro incerto, data marcada. Já se falou em apagá-lo, mas eu quis preservar-lhe a presença. Com o sugestivo título «Desta não estava à espera», mantém-nos expectantes, mesmo sabendo que esta não chegará. A escrever direito por linhas tortas. Cada dia que passa, o futuro fica mais grávido. Gosto de assistir a este fenómeno: a vida a somar-se e o tempo que falta aumenta. Um devir a inflar, uma data prevista cada vez mais distante. Longevidade acrescida, esperança de vida eterna. Envelhecemos e o nosso tempo aproxima-se do infinito. Rica cenourinha.
Se mais provas faltassem para a sua existência, certificamo-nos, aqui, de que Deus anda pelo Aspirina B.

Balada para Fernanda à chuva

Chuva no fim de Maio
Gavetas de naftalina
Olha o tempo de soslaio
O seu olhar de menina
Fato de banho adiado
Fim-de-semana na sala
Outra banda, outro lado
Chuva em fato de gala
Teu cabelo já sem pontas
Está à espera do calor
Nos desenhos e nas contas
Há um erro do previsor
De quem espera este mês
Numa luz já de Verão
Perante o mar português
Um calor doutra estação
Assim a chuva limita
O prazer duma viagem
Numa tarde infinita
Para além da paisagem
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Vinte Linhas 263

O campeão «Nani» e o seu professor

Logo que terminou a transmissão televisiva do jogo Manchester United – Chelsea, o primeiro telefonema que fiz foi para o professor João Couto. Se alguém tinha sido decisivo na carreira de Luís Carlos Cunha (nome civil de «Nani») na passagem do Real para o Sporting Clube de Portugal, essa pessoa foi o professor João Couto. Contra tudo e contra todos, seguro, indiferente a desconfianças e a burocracias, respondeu sempre com esperança e convicção. João Couto tinha a vantagem de ser treinador e professor de «Nani» ao mesmo tempo. Conheceu Luís Carlos Cunha como atleta e como aluno. Conheceu a família, conheceu o seu envolvimento social, o seu bairro, as suas origens. Por isso mesmo teve artes de convencer a estrutura do futebol juvenil do Sporting a ter tempo e paciência (dois valores difíceis de obter no futebol); por isso durante largos meses «Nani» treinava mas não jogava. Foram problemas na obtenção da nacionalidade, foram dificuldades em juntar as assinaturas certas das pessoas certas, foram demoras na burocracia do Ministério da Administração Interna. Nessa altura «Nani» foi aos EUA numa viagem organizada pela jornalista Nélida Gomes exactamente porque estava mais livre de compromissos desportivos obrigatórios. Se João Couto não tivesse investido e acreditado nas qualidades de «Nani» não teríamos esta alegria pura e imensa de o ver levantar a Taça da Liga dos Campeões da Europa depois de, minutos antes, ter resgatado o falhanço de Cristiano Ronaldo com um remate certeiro no pontapé da marca de grande penalidade que não podia falhar. E não falhou. Tal como, anos atrás, o seu treinador e professor João Couto, não falhou na aposta. Eu sei, eu vi, eu estava lá, eu não esqueço.

Silvia Alberto

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Os Dodos são um duo formado por Meric Long (voz e guitarras) e Logan Kroeber (bateria e percussões) que produz uma sonoridade que se situa algures entre a psycho-folk dos Animal Collective (é já prá semana, malta) e um country-blues que tanto me faz lembrar os Wilco como os Led Zeppelin circa 1970. Também haveria algo a dizer sobre a batida afro-metal da banda e as descargas de adrenalina que me provoca ouvir aos berros esta musiquinha, mas, infelizmente, está a começar o Desafio Verde na RTP2 e a apresentadora (está-se mesmo a ver) não é rapariga para esperar por mim, seu incansável e dedicado fã. Portanto, fiquem lá com este super viciante «Walking / Red & Purple» que é o dois em um com que arranca aquele que é, para já, o melhor disco que ouvi este ano. Oh yeah.

fim de semana musical entre dois pólos

Consegue obter-se uma índice máximo de anuências gestuais num concerto de metal. Em nenhum outro género musical faz mais sentido a expressão «abanar a carola». O metaleiro deve ter boas vértebras cervicais para dançar como um verdadeiro strobe humano. A luz vem dos reflexos no cabelo. Há uma percentagem maior de cabelos compridos num concerto de dark metal do que no Maria Lisboa. Cheirando o ar, entre o fumo tabágico e a cerveja, detecta-se um perfume adocicado. Não, não é erva. Já sei: champô. Amaciadores. Mousse e gel wetlook. Alguns com aroma de frutas. Os metaleiros são fofinhos.
E a música? Muito boa. Não é a minha onda, mas gosto sempre de ouvir bons músicos. E o tom épico das melodias condiz muito bem com os rugidos à rei leão. O som estava fraquito, e agora quero poder assistir, em boas condições acústicas, a outro concerto dos Desire. Cheguei à conclusão de que o dark metal, e até o doom, são muito mais bonitos que o vulgar metal.

missa de sexta-feira à noite

A igreja de S. Domingos está em ruínas desde 1954. Ou será que o incêndio foi em 58? Alguns dizem mesmo que aconteceu em 59. Nos anos 90 trataram de pôr-lhe uma abóbada, agora esponjada com pigmentos naturais. Mas se pusermos a mão em pala sobre os olhos continuamos a ter as ruínas e tapamos a luz que se acende acima do coro, no altar, e que fere os olhos. Abaixo da mão, as paredes, fantasmagoria romântica, e os rostos. Testas, malares e cabelos iluminados pelo foco demasiado forte. Missa Tiburtina de Giles Swayne, peça difícil de executar. A missa cantada intercala com mensagens faladas, políticas. Não gostei dos textos. O coro grita protestos e sussurra lamentos, cantando. Estranho, belo. As mãos abertas recortadas sobre o negro dos livros de partituras, perdidas de quem pertencem, quando a luz se acende e a música recomeça. Uma família de músicos quase enche a igreja, entre actuantes e espectadores. Tanta família reunida numa igreja, parece um curioso casamento. Gostei de não gostar do que não gostei, por ter gostado tanto do que gostei.

Vinte Linhas 262

«Último minuete de Lisboa» de Fernando Venâncio

Este livro (subtítulo Nove desencontros literários) é dedicado a Fernão de Magalhães Gonçalves (1943-1988) e ao «Manifesto por uma literatura legível». Mas a sua referência é «O aprendiz de feiticeiro» de Carlos de Oliveira. Nesse livro de 1971 o autor de «Uma abelha na chuva» viaja à volta da obra de Afonso Duarte, Abel Botelho, Fernando Pessoa, Raul Brandão, Camilo, Alves Redol, Abelaira, José Gomes Ferreira, Irene Lisboa, Cesário Verde, Caldwell e Tchekov. Polémico, sábio, informado, Carlos de Oliveira afirma: «Começar outra vez a poesia portuguesa como se ela acabasse de nascer? Desculpem a imagem camponesa mas a enxertia faz-se na árvore que já existe.» Fernando Venâncio inventa cavaqueiras: Jorge de Sena e José Saramago, Camilo Castelo Branco e Almeida Faria, Florbela Espanca e Mário de Carvalho, Castilho e David Mourão-Ferreira, Eça de Queirós e José Cardoso Pires. Sobre «Mau tempo no canal» de Vitorino Nemésio escreve que ele «não é um dos grandes romances portugueses do século» embora a sua linguagem seja «enxuta e sem redundâncias.» Depois afirma: «chega, aqui e além, a ser luminosa.» Outros autores relidos são Pinheiro Chagas, Machado de Assis, Abelaira, José Cutileiro, Nuno Bragança, José Saramago, Alexandre Pinheiro Torres. E surge ficção sobre o Barão (Branquinho da Fonseca), o Grande Prémio APE de 92, o magala (Luiz Pacheco), o livro escrito na Ericeira e perdido porque o jump foi roubado e ao autor não fez o print. Espaço de desencontro, a literatura é o lugar onde a maioria dos prosadores e poetas não anda satisfeita mas isso é positivo: «Não há, sinceramente, melhor espectáculo do que a dor dos que sabem contá-la».

anarca 100 pitadas manco

Cada nica 100 porta mansa
Croma 100 a pinta cansada
Rosna, mata 100 pica, dança
Narcisa canta 100 pomada

100 mainada pancas troca
100 psico-drama na catana
Da anca dá sã trip 100 moca
Ponta 100 risca cá da mana

Casa 100 picada na montra
Dá post 100 ar, anima cancã
Ama 100 pisca, anda contra
Ansa 100 cinta, madraço Pã

100 cara capta na sina dom
Trinca a 100 mosca panada
Catarina, pancada 100 som
Cinco atrás mapa 100nada

Poema do centenário

Ainda reinavam os príncipes e os reis
Ainda sorriam as princesas e rainhas
Naquele ano de mil novecentos e seis
Tu Sporting sabias bem ao que vinhas

Vinhas do Campo Grande e de Belas
Para chegar à Europa e a todo o Mundo
Para dar ao Desporto as novas estrelas
Fazendo ouvir o teu grito tão profundo

Dum leão que saltou dos emblemas
Para correr nas pistas e nos relvados
A derrotar opositores e problemas
Que ficam vencidos e ultrapassados

Mesmo nos campeonatos pequeninos
Ouve-se na cabina uma suave melodia
É a música já eterna dos cinco violinos
Não morreu e nasce de novo a cada dia
Continuar a lerPoema do centenário

Vinte Linhas 260

Vidas de Sal – fotografias em Rio Maior

Álvaro Carvalheiro, Eduardo Mourato e Tiago Barata são os autores das 44 fotografias em exposição na Casa da Cultura «João Ferreira da Maia» em Rio Maior. A exposição pode ser vista até ao dia 31 de Maio no seguinte horário: aos sábados das 9 às 13h; de segunda a sexta-feira das 10 às 12,30h e das 14 às 18,30h. O edifício fica situado em pleno centro histórico de Rio Maior, perto da Igreja da Misericórdia. Poderia a exposição chamar-se «Cronologia da Paciência» pois nos vem mostrar 44 imagens das tarefas dos salineiros, os pacientes e obscuros administradores do trabalho do sol e do tempo sobre a água salgada. Há nestas fotos das salinas de Rio Maior, Tavira, Castro Marim e Figueira da Foz, o registo sensível do cansaço dos salineiros, o modo como as suas mãos sábias dividem os diversos tipos de sal, as casas e os armazéns com as suas tão especiais fechaduras com chaves de madeira, os seus rodos, baldes, pás e picotas. E também o insólito de um casal de noivos que quis celebrar o seu casamento numa paisagem de sal – quem sabe se à procura de uma inspiração de perenidade (que o sal sempre teve ao longo do tempo) contra as ameaças do terrível efémero que, também nas relações humanas, corrói o tempo que nos é dado viver. Esta belíssima exposição de Álvaro Carvalheiro, Eduardo Mourato e Tiago Barata vale a pena para quem não conhece as salinas (é uma descoberta) mas também para quem já conhece (é uma memória revisitada). Funciona, na sucessão das suas 44 imagens de rigor e de emoção, como um reencontro feliz para quem viveu perto de um tempo em que tudo na vida de todos os dias era mais simples e mais puro porque não era preciso pagar um preço nem pelos beijos nem pelas lágrimas.

Vinte Linhas 261

Crónica de Ouro do Futebol Português – A selecção

Percorrer as 224 páginas deste livro do Círculo de Leitores organizado por Joaquim Vieira com textos de António Tadeia, Bruno Prata, João Querido Manha e Joel Neto, percorrer as suas belíssimas fotografias, muitas delas raras e antigas, é um grande prazer mas também é um sofrimento. Ao lado da luz do ouro a sombra da tristeza está sempre presente. Sempre quer dizer desde 1921 quando nasceu «a equipa de todos nós». A selecção nacional de futebol corporiza o próprio país na sua propensão para o abismo entre «o oito e o oitenta». Em 1928 nos Jogos Olímpicos de Amesterdão os portugueses ganharam às melhores equipas (Chile e Jugoslávia) e perderam com a mais fraca: o Egipto. Os egípcios perderam nos dois jogos da fase final estrondosamente por 6-0 com a Argentina e por 11-3 com a Itália. Em 1966 no Campeonato do Mundo os portugueses ganharam brilhantemente às melhores equipas (Hungria, Bulgária, Brasil e Coreia do Norte) e perderam com a mais fraca: a Inglaterra que só foi campeã graças a uma artimanha de organização e aos favores dos árbitros da final, um suíço e um soviético. A artimanha organizativa consistiu em obrigar os portugueses que estavam instalados em Manchester (e que tinha sido os vencedores do seu grupo só com vitórias) a deslocarem-se para o barulho de Londres num hotel sem condições para uma equipa de futebol quando a Inglaterra tinha ficado em segundo lugar na sua série. Em 2004 no Campeonato da Europa os portugueses ganharam às melhores equipas (Rússia, Espanha, Inglaterra e Holanda) e perderam com a mais fraca: a Grécia, a equipa que apresentou o futebol mais pobre, mais defensivo e mais feio. A sombra da tristeza lado a lado com a luz do ouro.

Para um retrato de Paulinho

Quando nasceu foi-lhe negado todo o carinho
Foi a paixão pelo seu Sporting que o fez falar
Antes soltava pequenos sons mas devagarinho
Hoje ele sabe qual o seu espaço e o seu lugar

Conhece os cantos, balneários e corredores
Todos sabemos que o Paulinho é diferente
Passa sempre o Natal na casa dos jogadores
E é tratado como se fosse mais um parente

Quando nasceu foi-lhe negado todo o carinho
Depois encheu de jogadores a parede imensa
Hoje o grande exemplo de vida do Paulinho
Está nas páginas mais coloridas da imprensa

Da sua vida já percorrida em forte trajectória
Há mais um exemplo a retirar para todos nós
Toda a esperança legítima faz uma memória
Toda a força para lutar e vencer faz uma voz

ontem foram as cerejas, hoje bom vento de frente, é só coisas benfazejas a alegrar a vida à gente

À distância de vários quarteirões, em zona urbana, nada nos chega no meio do barulho. A igreja fica num núcleo desenhado por Cristino da Silva sem fazer parte desta arquitectura. É pena. Trata-se duma daquelas igrejas que não convidam o rezador relutante: luzes fluorescentes, excessivas, e arestas finas nos detalhes das superfícies polidas. Não há recortes sombrios, sequer penumbras, nem gradações cromáticas a simularem uma glória luminosa mais clara que o branco.
O padre é um velho rijo que ensinou teologia. Esteve em missões diplomáticas, operações de algum risco ou melindre, e cobranças de promessas terrenas da igreja, relativas à ética de freis-tomás proverbiais. Conversador compulsivo que mistura a cada passo o espírito com a matéria, o sagrado com o pragmático, quase evidencia para o ouvinte distraído das suas dúvidas a existência natural de Deus. Baptizou o meu filho mais novo e por pouco não conseguiu atrair toda a família para as suas homilias.
Era de lá, hoje, que vinha o som. Devem ter usado amplificadores, mas o vento terá ajudado a trazê-lo até à minha janela. Numa tonalidade ancestral, como a melopeia dos amoladores, ou as toadas dos nómadas do deserto a medir as distâncias percorridas, ouço cânticos religiosos. A voz de homem sobe e curva, inflecte e sobe mais um pouco, pausa e declina, mais e mais grave.
As últimas palavras sobressaíram, estranha nitidez. Foi talvez milagre de Fátima a lembrar a primavera. Uma voz de homem ter vindo cantar aos meus ouvidos, baixinho. E a acabar por dizer, no fim de tudo, o nosso amor.

A varanda de Pilatos

(o caso very-light 12 anos depois)

Vinha Rui Mendes em festa
Num bilhete que ele trazia
Uma gente que não presta
Deu-lhe a morte nesse dia
A varanda de Pilatos
É na Praça da Alegria
Visto isso mais os actos
Ninguém faz da noite dia
Ninguém faz a obrigação
Todos fogem dos sarilhos
Há que saber dar a mão
Às mãos frias dos filhos
Ninguém faz o seu dever
Ninguém segue o preceito
As lágrimas duma mulher
Não cabem dentro do peito
Por duas vezes negada
A razão de uma sentença
Eles fingem que não é nada
E dormem na indiferença
Continuar a lerA varanda de Pilatos

Academia

(poema – autógrafo para Domingos Matos)

Muitas vezes vou cedo chego primeiro
Com a fábrica de sonhos inda fechada
Ainda a relva tem a água do nevoeiro
Ainda a terra tem a frescura da geada

Chego cedo para ter tempo e perceber
A voz da terra que sobe com lentidão
Para respirar a sua postura de mulher
Em sementeiras de ternura e de paixão

Muitas vezes vou cedo chego primeiro
Aqui tudo tem mais peso, mais verdade
Nesta terra nascida dum gesto pioneiro
Secar pântanos para fazer uma herdade

Aqui se fazem as melhores sementeiras
De tudo o que é grande e é mais puro
A escola não tem muros ou fronteiras
Os alunos conjugam verbos no futuro

Fernando Ferreira

Desenhas devagar um quadro no relvado
Com toda a geometria que te fôr precisa
Para levar o som da tua voz a todo o lado
E a bola a entrar tão veloz na outra baliza

No corpo da equipa tu és um forte pulmão
Não tens anidrido mas sim oxigénio puro
Nos teus pés nasce um projecto de canção
Escrita na pauta para ser cantada no futuro

Chamar canção à festa não é nada exagerado
Nos abraços de cada golo nasce uma melodia
Que chega ao meu ouvido onde estou sentado
Que toca quem ouve o resultado na telefonia

Se esta equipa fôr um comboio de passageiros
Tu só podes ser o seu mais activo maquinista
Que não quer ver comboios lentos e ronceiros
Nesta planície onde os sonhos estão ali à vista

poesia esférica

Já lhe chamam, no éter, o poeta do futebol. O nosso José do Carmo Francisco é uma espécie de arquivo falante do futebol português e faz gala disso. Autor de um livro com um título maravilhoso, Os Guarda-redes Morrem ao Domingo, jornalista desportivo, peca por uma certíssima parcialidade no respeito ao amor clubístico: o Sporting.
Aqui no Aspirina tem-nos deliciado com os seus poemas: insólitos na métrica e na temática. Cobre, sem dúvida, um nicho de mercado com muita cache e cachet. Ali abaixo o entusiasmo foi grande. Compareceram machos fadistas e a desgarrada é viciante. Contagia, e não fiquei imune. Deixo agora, aqui, o meu agradecimento pela animação que tem gerado.

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