Breve retrato de Mário André

Passa o dia a viajar como um cigano
Entre a Lezíria e a Estrada de Pegões
Respira o verde todos os dias do ano
Entre a casa e a Escola de Campeões

Chega a esquecer-se das suas lesões
No esforço de curar quem o procura
No relvado eles correm como leões
Na marquesa sofrem com amargura

Passa o dia a viajar como um cigano
De terra em terra a fazer tratamentos
Os olhos são Atlas do corpo humano
Percebe uma lesão em dois momentos

Tudo o que diz é genuíno e verdadeiro
Tudo o que faz tem o toque dum artista
A sua vida não se esgota no enfermeiro
A sua alma está para lá do massagista

33 thoughts on “Breve retrato de Mário André”

  1. Neste mundo de massagens
    Eu alvitro outras paragens
    Lá p’ros lados do Oriente.
    Daquelas de corpo inteiro
    Que nos deixam num braseiro
    Corpo e alma, tudo quente.

    Tailandesa, bem no chão,
    Sambódromo e furacão
    São sensações misturadas.
    Experimenta e vê a dif’rença,
    Ali a coisa é intensa,
    Há calor e mãos de fadas!

  2. Zé: mais outra desgraça, pá! Chamas a esta coisa poesia? Valha-te Deus ou as musas! Lá pelo facto de teres obrigação de mandar trabalho aqui para o aspirina, dada a falta de »mão de obra», não quer dizer que nos atormentes com este género poético. Tem pena, chiça! Não me digas que o poema faz parte da tua “Antologia Poética sobre o Futebol” publicada em 1989!? Não acredito! Quem foi que te editou, Zé?

  3. Poesia Porno: há aí uma grande confusão. Eu nunca publiquei nada, nem tenciono publicar. O que aí deixo, à laia de comentário, é uma comparação de técnicas de massagem onde explicito as minhas preferências. Nada mais. Quem tiver outras ideias que avance; quem não gostar que salte para outra.

  4. Olhe que não, olhe que não! O poema é recente e como talvez ainda não tenhas percebido o Europeu 2008 está à porta. Não tem nada a ver com a antologia de 1989 «O Desporto na Poesia Portuguesa».

  5. meus amigos,
    eu sei que o pessoal anda com o humor em baixo, tá de chuva para gracinhas, mas…
    … eu cá também quero experimentar a poesia desportiva. Vai sem maldade, e com um abraço para o JCF.

    …………………………………………………………..

    Dona Alzira Lavadeira

    Dona Alzira foi nascida aqui em Lisboa
    e já de pequenita assistia ao futebol
    quem diria que esta senhora tão boa
    viria a lavar os equipamentos do escol

    A sua ciência na escolha do detergente
    só tem comparação com o grande amor
    que é de resto notado por toda a gente
    quando aplica o mais recente amaciador

    E se algum dos jogadores por mero acaso
    é confrontado com um desses azares da vida
    de comer sem querer um yogurte fora de prazo
    ou outra coisa fodida

    Dona Alzira não lhe vai faltar nessa hora
    vai lá estar e oferecer o seio generoso
    onde até o capitão da equipa chora
    sempre que o sporting leva na pá do glorioso

    (Mesmo pondo de parte a hipótese de vir a ser tema de tese de mestrado, acham que o meu poema tem futuro?)

  6. Concordo plenamente. Vai mesmo por aqui uma grandessíssima confusão ó Zés! É claro que o meu comentário
    se referia ao post do Zé do Carmo Francisco. Mas a qual Zé havia de ser!? Não ao seu poema/comentário, caro Zé/só/Zé! Assim é quélas se arranjam, tá visto.
    O seu poema, Zé/só/Zé, até se digere bem. Há ali mãozinha de mestre! Podia, até, candidatar-se a um lugarzinho aqui no Aspirina. Talvez o João Pedro Costa repare em si e o convide, quem sabe? Mas não me diga que também lhe dava uma tampa…

    RVN, «tese de mestrado» diz você? E porque não !? Acho melhor não pôr a ideia completamente de parte. Quer um conselho? Vá praticando, homem, vá praticando. E quem cai, logo se levanta. Se não tiver uma perna partida, já se vê…

  7. Ó Rui, o poema só se tiver mesmo futuro. Porque presente, bem, presente não se vê grande coisa nesse Glorioso. Mas deixa-me calar, porque o campeonato ainda não acabou e o Chalana acredita no 2º lugar.

  8. Para o RVN, com amizade e veneno.

    Quem apanha cinco a três
    Devia ficar calado.
    Que essa conta que Deus fez
    Já se perdeu, como vês,
    Num tempo há muito passado.

    E, se eu tas faço lembrar,
    Sei bem que estas glórias custam
    Pois só são de recordar.
    Já não conseguem voar,
    As águias já não assustam.

    Quem tens lá nessa maranha?
    Uns coxos, uns aleijados,
    Uns que jogam só com manha,
    Outros de segunda apanha,
    Outros que correm parados.

    A malta está tão canalha,
    Tão pobrezinha nos nomes,
    Que se enreda em qualquer malha,
    E até nem sequer já falha
    Nem marca golos, o Gomes.

    Chora o leite derramado,
    Que mofina sorte, amigo.
    Não venhas em tom de fado,
    Vai cantar para outro lado,
    Que o teu Benfica é castigo.

  9. Talvez por isto, a caixa de comentários do Aspirina, é o que é. Num post de pretensa poesia, que não vai além de umas quadras de rimas mal amanhadas, surge poesia. Refiro-me, concretamente, ao Zé, que é só Zé, e evidentemente ao Daniel. Quanto ao RVN, embora consiga superá-lo, mas porque é obrigado a lê-lo frequentemente, nota-se a influência do JCF. O que é mau, evidentemente.

  10. Muito bom, Daniel de Sá! Esta sim, é poesia, mesmo em tom de bricadeira. Aqui não há “rimas de pé quebrado”. Os verdadeiros poetas topam-se ao longe!
    Parabéns e um abraço poético!

  11. Não sei porque é que este De Sá se foi embora, quando estava aqui tão bem. Também gostei do RVN, embora lampião.

    Mas como é que hoje ainda se pode ser benfiquista?

    Uns coxos, uns aleijados,
    Uns que jogam só com manha,
    Outros de segunda apanha,
    Outros que correm parados.

  12. amigos,
    vão perdoar, distraí-me por uns minutos, ligaram do União de Leiria porque tinham lido o aspirina e queriam saber se os poetas cá da casa alinham no onze da próxima vez, ou se podem esperar as facilidades do costume. Parece que eles ficaram impressionados contigo, ó Daniel, não conhecem a táctica da quintilha, queriam saber pormenores. Mas sabes que a minha boca é santa, sobretudo com os amigos, mesmo verdes.
    Bom, mas estavam os senhores a dizer…?

  13. Que tristes, que estranhas rotas
    Do Benfica, quem diria!
    Até p’ra vingar derrotas
    Já pede ajuda ao Leiria!

  14. Ouvi há pouco o meu amigo José do Carmo Francisco dizer no rádio que “o humor é uma lágrima entre parêntesis”. Abro pois abaixo um parêntesis, também este dedicado a outro amigo, o do costume nestas tricas, o RVN.

    Com mais penas na alma que no rabo

    Com as uvas da Régua se faz vinho
    Que tem caves em Gaia, e é chamado
    Do Porto, para ser mais afamado
    Que um Colares, um Borba, um Alvarinho.

    Faz falta não falhar algum golinho
    Para aquecer o povo derrotado,
    Porque com ele assim desanimado
    A águia já receia o próprio ninho.

    Até se assusta olhando o seu estádio,
    Temendo um dedo em riste como um gládio.
    E era aos outros que a Luz metia medo.

    “Até lavar os cesto é vindima”
    Era a esp’rança que há muito a não anima
    Porque a vindima este ano foi mais cedo.

  15. Breve courato do armário da fé

    Passa a noite a fungar como um magano
    Entre a Alzira e a Rosinha dos Limões
    Transpira castanho com’o que sai do cano
    Entre o café e o Largo do Camões

    Chega a casa e põe-se a dar opiniões
    No esforço de chagar até à loucura
    Ninguém suporta ouvir os seus sermões
    Na casa e na rua é sempre a mesma tortura

    Passa o dia a versejar este fulano
    Infligindo a todos estes tormentos
    Sem nunca abrandar durante todo o ano
    Não percebe que à sua volta só há lamentos

    Tudo o que diz é falso e chocarreiro
    Não há dúvida que se trata dum autista
    A sua boca é um esgoto com mau cheiro
    Era pô-lo na gaiola a comer alpista

  16. Depois de mentirem sobre a idade (1904 por 1908) depois de mentirem sobre os campeonatos chamando «campeonatos» às Ligas entre 1935 e 1938 ainda aparecem jornais a escrever «Benfica ataca a champions» esquecendo que eles estão em quarto lugar… O Rui Santos é que tem razão: «Vale mais o joelho do Mantorras do que a falência da SAD do Farense».

  17. Santos, Camacho, Chalana
    Timoneiros da mesma nau
    Catrineta de Vieira chama
    Bom nos pneus mas no futebol mau

    Mau é pouco, péssimo mesmo
    à UEFA vão e já é bom
    Avalio a grosso, a esmo
    Bandoletes e maestros dão o tom

    Dois mil e oito é centenário
    Uma Instituição envergonhada
    Vergonhas no balneário
    E no campo uma banhada

  18. De roupa toda suada
    Cabelo húmido ao vento
    do Luís Figo assento
    a perna bem torneada

    Já de Baía a expressão
    Disfarçava que era burro
    de Sá Pinto só o murro
    que fez dele bom vilão

    Cristiano, o peito nu
    A meia até ao joelho
    celebra o seu bom artelho
    galopando como um gnu

    É pena o equipamento
    não ser um mero calção
    de lycra com algodão
    pra nosso contentamento

  19. Ah! E, já agora, para ultrapassarmos este desagradável assunto, eu queria pedir encarecidamente ao jcfrancisco para reabrir os jogos florais. É que há por aqui insuspeitadas vocações que, com um pequeno treino, são capazes de atingirem o estrelato. Daí o pedido de ajuda ao poeta de serviço.

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