O Daniel e o blogodrama

O Daniel saiu do blogue com estas palavras. De comum com a saída do Fernando, e para além da proximidade temporal dos eventos, temos a surpresa causada, a ausência de comunicação interna, o laconismo críptico da justificação. Quanto às razões silenciadas, ou tão-só esboçadas, não nos dizem respeito por não terem sido explicadas. Já o lado público do acontecimento permite uma breve reflexão. Entretanto, assino por baixo o que o meu primo disse aqui e aqui, igualmente me sintonizando com a declaração da Susana.

Só há 5 anos é que os blogues apareceram em força em Portugal. Sabemos como utilizá-los e para que servem, mas ainda não estamos imunizados contra a sua ilusão. Isso leva a que alguns imaginem vir a ser lidos por milhões, ou pela elite que influencia o gosto institucional, quando começam a escrever num blogue. A verdade pede água geladamente gelada na ambição: um blogue é lido por umas poucas dezenas de indivíduos, se correr muito bem. Em casos raros de popularidade, é lido por centenas. E será preciso algo de extraordinário para ser lido por milhares. 99,999% dos blogues não têm um único leitor para além dos autores. Os números que se apresentam relativos ao tráfego são isso mesmo: passagens. Mas passar não é ler, é partir.

Ainda mais relevante do que a quantidade, para a higiene e ecologia autoral em blogues, é a qualidade dos leitores. Nos blogues que permitem comentários, em especial nos que fazem moderação mínima e retroactiva, os leitores podem interagir sem mediação temporal ou de conteúdo. Isso confere-lhes um poder de recontextualização que ultrapassa o do autor, por causa do acrescento de interpretações. As caixas de comentários são selvagens e tempestuosas, as temáticas intencionadas nos postes poderão ser completamente ignoradas, deturpadas, fragmentadas. Não se controla o ambiente, a menos que se entre nele abdicando dos poderes inerentes à administração do espaço: de censuras, inconfidências e ameaças. E deste caldo caótico, onde qualquer um pode expressar livremente qualquer coisa, desde que não seja ilegal, nasce vida.

Que têm estes considerandos, que deveriam ser óbvios para todos os que optam por gastar o seu irrecuperável tempo nos blogues, a ver com a saída do Daniel? É que o Daniel saiu a conversar. Deixou o seu email e anda por cá a discutir o que lhe dá na gana. Ou seja, tornou-se um bloguista completo, finalmente aceitando que os blogues também podem ser tertúlias de arruaceiros — e que a barulheira é sinal de alegria. Eis um caso de blogodrama propedêutico.

81 thoughts on “O Daniel e o blogodrama”

  1. Pois :))) As caixas de comentos é que são giras e ainda mais quando levantam voo; eu cá gosto aqui das do Aspirina, são completamente surrealistas: estar aqui pendurado a rir, vale bem a pena. E mais, não sou só eu, ah pois…;)

    assinado: autora de blog com centenas de leitores, olé! cof cof, digo :DDD

  2. Gostei de te ler, Valupi.

    Fizeste uma boa reflexão deste mundo, cheio de vedetas (mesmo na caixa de comentários, como é o caso), como qualquer clube de bairro que se preze, mesmo que tenho os blogues às moscas.

    Às vezes tenho pena que os comentários adulterem e banalizem completamente os textos publicados e que alguns visitantes (as) venham aqui só para “avacalhar” o sistema, mas a liberdade também é isto… o mau uso que se faz dela…

  3. As caixas de comentários são selvagens e tempestuosas?
    Nunca tinha reparado nessa nossa afinidade.
    Está explicado o meu embeiçamento pela caixa do Aspirina.
    E se calhar, no âmago da questão que o post levanta, está a nóvel descoberta de uma proximidade similar.
    Às vezes só nos revelamos selvagens e tempestuosos quando nos embrulhamos com as provocadoras das caixas que aí andam a desassossegar as almas mais serenas e recatadas…
    Há algo de erótico nisto de comentar blogues, digo eu perante o ar despenteado e feroz que o Valupi acaba de gravar na imagem antes tão sóbria que eu tinha destas malandras.

  4. E o meu blog é apenas lido por mim. Faz parte dos 99,999%. Só o Sharkinho mete lá o nariz de vez em quando e dois amigos meus (desculpem, três; pode ser que também tenha inimigos, mas esses calam-se, LOL).

  5. e ainda bem que não falaste na verdade secreta que me move, gosto pouco de concorrência a esse propósito :)

  6. Valupi
    Já reconheci a minha indelicadeza em não ter participado previamente, a ti e aos outros amigos do Aspirina, que resolvera partir. No entanto, dera a entender claramente essa hipótese. E não o fiz porque receava que algum de vocês conseguisse convencer-me a ficar.
    Ironicamente, uma das coisas que mais me atraíram aqui foi a qualidade dos comentários, com muito humor, com ironia, com inteligência. Depois tudo foi descambando para a bandalheira, com algumas excepções. A invocação de liberdade neste caso não pega como argumento válido. Eu mesmo sempre me senti como que estando em casa alheia, procurando comportar-me como visita que deve respeitar os anfitriões. Há quem não o entenda assim, e a generosidade do Aspirina tudo vai permitindo. É óbvio que não me compete a mim apontar medidas éticas de comportamento, mas tenho o direito de reagir à falta de educação conforme os meus próprios valores de referência. Foi isso que fiz. Falem, mas não me obriguem a ouvir nem a permanecer alvo paciente das suas frustrações ou da sua risível ideia de liberdade de pensamento. A gota de água foi estar a confundir-se uma simples recomendação de estilo ao JCF com uma falta de respeito para com ele. E, entre a hipótese de perder um amigo ou perder o Aspirina, a minha opção não tinha alternativa.
    Um abraço.
    Daniel

  7. val,
    ora aqui está um post marcado pela tal característica que mais te define e distingue, enquanto autor, na minha opinião: a lucidez. Mas atenção que a lucidez, em ti e no que escreves, não só não impede como ainda se dá às mil maravilhas com a malícia e com os outros pequenos quês da tua mestria… É esse o prodígio da opinião valupiana, se me perguntarem. No mais das vezes funciona como um dois-em-um vaselínico, que vai untando a zona de incisão para o disparo certeiro e que, estupidamente, ainda nos deixa com um sorriso consolado quando tu te retiras com o dever comprido. Perdão, eu queria dizer ‘cumprido’.
    val, meu lúcido amigo: arruacemos pois, e com estrondo!
    viva a palavra! viva a liberdade!

  8. a malta assina toda por baixo uns dos outros e dá nisto. é que assino, assino mesmo. e acho belo e fico contente, porque o daniel saiu a conversar e a conversar continua.
    o daniel saiu com dúvidas sobre o acerto da sua decisão, ou não teria receado que algum de nós o convencesse a ficar. daniel, mesmo tendo partido, tu ficaste. e isso é bom.

  9. Catarina C, estou contigo: algum do melhor humor que me alimenta vem das caixas do Aspirina. E são coisas que não se conseguem reproduzir, que resultam de este ser um blogue intrinsecamente bizarro e desopilante.
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    luis eme, só há um mau uso da liberdade: aquele que se voltar contra ela. O resto, torna-te mais forte. Sempre. (claro, estou a falar da liberdade como princípio filosófico, não da sua concretização jurídica)
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    shark, isto de se abrir a boceta com um dedo, penetrá-la sem objecção e enchê-la de prazer com a língua atrevida e bem trabalhada (língua portuguesa ou outra), é uma grande coisa dos blogues que têm caixas onde se cultiva a imoderação.
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    claudia, se tens por lá dois amigos, já tens uma multidão. E das boas, amiga.
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    z, a verdade secreta foi gravada numa pedra de gelo.
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    Daniel, a tua memória, e eventual inexperiência nestas lides, trai-te. Nada “descambou para a bandalheira”, e por duas razões: porque a tipologia dos comentários foi sempre a mesma desde que o blogue começou – muito antes, portanto, de passarmos a contar com a tua honrosa presença; e porque o famigerado conceito de “bandalheira” está circunscrito à tua exclusiva definição. Assim, o que deves dizer é que tudo te pareceu descambar para a bandalheira; e tal como tu a definirás (o que ainda não fizeste, mas poderás fazer a qualquer momento para nossa ilustração).

    O direito de reagir à falta de educação é uma prerrogativa que nem sequer merece discussão. Mas não prestarás um bom serviço a essa causa se imitares a suposta falta. Porém, o que verdadeiramente importa remete para o modo oco e moralista como argumentas. Afinal, quem confundiu a “simples recomendação de estilo” com uma “falta de respeito”? Quem? E como? E qual a legitimidade da tua conclusão, se não permites que o suposto acusador, ou acusadores, entre em diálogo com a tua subjectividade? Enigmas. Tendo em conta que participei nessa conversa, tenho especial interesse em saber.

    O mais grave para mim, no que escreves, remete para a tua relação com a ideia de liberdade. Num passo afirmas que não é argumento válido, noutro consideras que é risível quando utilizada de certa forma. Estou certo que entenderás a minha perplexidade ao ler tamanhas enormidades. Por mim, posso perder tudo, “amigos” e blogues, menos a liberdade. Quero crer que não serás diferente, estás é a ter algumas dificuldades de expressão.

    Também te lembro que, com a saída do Fernando, foi decidido – pela Susana, João Pedro e eu – que tanto tu como o José do Carmo Francisco (e a Isabel) deviam passar a um plano de igualdade connosco, deixando esse ambíguo estatuto de “visitas”. Isso foi feito e anunciado. Se te continuaste a sentir em casa alheia, e, acima de tudo, se confundes uma actividade pública com uma relação pessoal a propósito de umas conversas de café com anónimos, então fica a saber que seria muito improvável que alguém te quisesse convencer a ficar nessas condições. Já tentar que tivesses juízo e aprendesses a descontrair, no que a estes pícaros assuntos diz respeito, isso sim.
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    Primo, como sabiam os gregos, a malta curte tragédias e comédias. Hollywood não inventou nada, afinal.
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    Rui, estragas-me com mimos, ó pá. Mas são merecidos, indiscutivelmente. Indiscutivelmente merecidos, deixa-me cá desfrutar do teu generoso presente. E sei-te sincero nos vivas à liberdade. É por aí que se vai, mesmo que não se veja bem o caminho, por ainda não ter nascido o Sol para todos, ou mesmo que se tenha vertigens, por se andar alto e em caminhos estreitos.
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    susana, a conversa continua. É uma das melhores definições possíveis da essência de um blogue (como o nosso, que os há de todas as formas e maus-feitios).

  10. Daniel: não tenhas problema em aprender com gente mais nova, é sinal de que és jovem. Deixa o kairos vencer o chronos. Este Valupi é um pão amigo – que os deuses o guardem, e que a sorte lhe sorria como acontece aos audazes,

  11. Valupi
    Acrescenta a tudo o que eu disse: “segundo o meu critério”. E talvez devesses acrescentar o mesmo também a respeito do teu comentário.
    Z
    Não duvido, nunca duvidei, das capacidades do Valupi. E uma delas é ser teimoso.

  12. Há um ditado (ali por causa do critério de cada um nos respectivos comentos, coisa que nem vejo como pudesse ser de outra forma) que vem até na sequência dos posts mais comentados ultimamente e que reza mais ou menos como “as opiniões são como as …enfim adiante, cada um tem a sua e quem quer dá-la, dá-la” .

    Eu estava em greve de comentos porque ali mais abaixo a Susana não me respondeu. Coisa que me deixou profundamente ofendida e fiz greve de comentos. Mas ninguém deu por nada, portanto aqui estou, protestando veemtem…tevemtn…vomento…firme e hirtamente contra esse tratamento que me parece segregador e mais coisas com uma data de sílabas!

  13. Valupi
    Mas essa liberdade não tem como limite a liberdade dos outros? É que às vezes não parece.

  14. Daniel, folgo em ver-te de regresso à argumentação. Ora diz lá, num blogue que aceita comentários sem moderação prévia e anónimos, qual é o limite da liberdade dos outros?

  15. O limite da liberdade não compete ao blogue. Os “outros” é que deveriam respeitar a fronteira entre o que lhes apetece dizer e o que deve ser dito.

  16. Daniel, se é à consciência de cada um, daí decorre que o único limite da liberdade é a dita consciência dos ditos. Ou seja, acabaste a defender a anulação de todo e qualquer limite, pois ninguém é senhor da consciência alheia.

    Para além das saborosas contradições que vens explanado, por estares refém de uma atitude moralista sem munição, agrada-me que reveles o libertino que faz jus a uma certa, e funda, tradição açoriana.

  17. Podes sentar-te, Catarina. O Valupi não fez mais do que usar da sua retórica, porque as premissas não levam logicamente àquela conclusão. Que teve a sua piada, mas não mais do que isso.
    Poderia remeter para Tomás de Aquino, que põe na consciência a responsabilidade, fazendo dela depender a culpa. No entanto, e sem recorrer a ele, todos sabemos quais são os limites: a norma social. Bem sei que, em outros tempos, essa norma enfermava de males gravíssimos. Para não falar de coisas bem piores, tidas como aceitáveis, lembro os pobres castrati. Mergulhavam os moços em água muito quente, apertavam-lhes as carótidas até ficarem meio desmaiados, e depois faziam o serviço que a gente sabe. Por isso é que, quando percebo que alguém vem fazendo a mão ao meu garrote, para me obrigar a falar fininho, escapo-me de mansinho, e deixo cada um com a sua ética e fujo com a minha.

  18. O aplauso era geral, Daniel e eu sento-me quando me apetecer. :) E qual a norma social a que te referes? É que isso da norma social, é uma coisa tão vaga…
    Não, Daniel, o teu problema é muito simples: andas cá há pouco tempo. E por “cá” se entende a blogsfera e as suas infernais caixas de comentários sem moderação. Vai por mim, que devo ser das pessoas com mais prática em comentos: já vão em largas dezenas de milhar os comentos todos que tive nos meus blogs e que geri apenas com o recurso à palavra ou ao silêncio, salvo raríssimas excepções. E não penses que não tive durante anos a minha dose de comentários do pior mesmo, tudo o que possas imaginar, incluindo ameaças de morte (ah poizé). Mas, como em tudo na vida, uma pessoa habitua-se, cria calo e, principalmente, não se abespinha, ofende, aborrece, chateia ou seja o que for com certo tipo de comentos que são escritos exactamente com essa finalidade. Os outros, as críticas mais sérias, de gente que não gostamos que nos critiquem, acontecem, uma pessoa tem que se aguentar. A diferença é que tu, na tua vida de todos os dias, não estás sujeito a isso: a tal norma social, as relações que mantens com as pessoas que vais conhecendo ou com quem te cruzas, seja pessoal ou profissionalmente, normalmente não te dirão “epá mas que poema merdoso o teu, ó cromo” até porque, quando mais não seja, se arriscam a ficar sem uns dentes nos segundos seguintes. Aqui não há essa parede entre as pessoas. Diz-se, escreve-se tudo, sem medo de levar um murro na boca, a coberto de um certo anonimato cobarde (porque há os anónimos como o Valupi que não é um anónimo,é o Valupi e é o Valupi há muitos anos e há o “vim aqui agora cagar umas postas” que é anónimo porque não quer que o (re)conheçam, muitas vezes). E tu o quie fazes face a isto? Podes fazer tudo o que quiseres, menos dar um flanco ofendido (ou magoado) porque isso é perder perante o provocador. Don’t feed the troll, é o primeiro mandamento da internet, ou o segundo, ou então feed it, mas por tua conta e risco. Agora não podes é chorar-te depois e escudares-te atrás da normal social, dos limites das liberdades, etc etc. Isto são caixas de comentários, não é o café da esquina. Podes antes considerar que estás na jaula dos bichos, e que, como em todo o lado, há maus e bons, mas os maus são mesmo muito maus (e os bons também são um bocadito maus, a bem dizer).

  19. Só mais uma coisa, Daniel, que me parece também que te escapa (é normal, para quem chega de novo, mesmo que em termos relativos). Aqui – nos blogs, nas caixas de comentários – salvo algumas excepções de pessoas “conhecidas” (os Pachecos Pereiras ou as Mariazinhas das Couves), toda a gente é blogger e/ou comentador. Vale o que vale, isto é, vale o que escreve, o que vai escrevendo e o que escreveu. Não há Daniel de Sá, famoso por qualquer coisa na sua comunidade, há um Daniel de Sá que escreve no Aspirina. Há um Valupi, comentador antigo do BdE, tendo “subido” a blogger a convite (ainda no BdE, certo?), mais tarde. Há uma Susana, comentadora e autora do Afixe, editora e autora do Sociedade Anónima e autora do Aspirina. Há um João Pedro da Costa, autor das Ruínas Ciriculares, Afixe e agora Aspirina. Há um z, a personagem mais extraordinária dos comentos do Aspirina, que vai fazendo um blog dentro de outro blog, o que é giríssimo. E tu, Daniel, desculpa dizer-te mas é mesmo assim, às vezes comportas-te como se tu fosses o Daniel de Sá completo que conheces bem e os outros são os bloggers/comentadores do Aspirina. Mas não são só. Escolheram é não partilhar com o mundo o resto das suas vidas privadas, currículos e pergaminhos.
    Enfim, adiante, afinal comué, o Sporting?

  20. catarina,
    sem qualquer ironia: estou impressionado! Quem se sentou fui eu, devagarinho para não perder pitada daquilo que foi para mim uma grande lição de blogosfera e um conjunto de argumentos magistralmente apresentados, só o trigo sem o joio. Aqui há uns tempos, aqui mesmo no aspirina, a zazie disse-me, a propósito, para eu ‘deixar o cão e comprar um nick’, e só agora é que percebi que ela estava a dizer isto mesmo que tu disseste agora tão bem. Sabes, eu ainda sou mais (muito mais) novo que o daniel nestas andanças, (embora lhe leve a vantagem de conhecer bem os jornalistas e o jornalismo, que me ajuda às cautelas, mesmo assim espalho-me muita vez por ter queda para chico-esperto) e acredito que o retrato que acabaste de fazer é exacto e que é uma leitura muito serena e realista do que aconteceu aqui no aspirina com o nosso daniel.
    Fico-te grato pela lição, palavra. Podes crer que esta vou recortar e pôr no quadro, para não me esquecer nem de uma vírgula. Nem da maneira fluente e clara com que expuseste e resumiste, no ponto certo da comunicação.
    Tudo calo, portanto?

  21. conclusão Daniel: podes fazer aquilo que te der na real gana e os outros também, ou então, o que estiver na consciência de cada um, o que vai dar ao mesmo, uma salsa infinita

    infinita propriameente dita

    se estiveres com dor na mona depois pasa, e entretanto rejuvenesceste, custos de oportunidade meu caro, que eu também conheço disso, juntas uma cigarrada interessante, além-mar

    (eu é para brincar Catarina, mas pelo meio dou mordidela política – por falar nisso: estava todo de dente afiado para ir morder na fleite mas ela disse numa entrevista “cheira-me que” e fiquei comovido, agora não sei que faça, estou para aqui a coçar uma pulga)

  22. Daniel, a retórica faz muita falta à democracia e ao pensamento. Tens de actualizar algumas leituras. Não tentes é agarrar-te à batina de São Tomás, que uma de duas coisas irá acontecer: ou ela te escorrega da mão e cais desamparado ou acabas com ela na mão e o santo despido no meio da conversa, a ter de esconder as vergonhas.
    __

    Faço coro com o Rui: lição magistral que a catarina c nos deu a respeito do estatuto de cada comentador, ou autor, na blogosfera, pois o que escreve é para todos e não só para o Daniel – tal como é para todos, de resto, seja o que for que se escreva num blogue… Esta característica comunitária da comunicação leva algum tempo a ser apreendida, mas uma vez aceite acaba com as disfunções egóicas. Acresce que é caricato ignorarmos a dimensão lúdica que é inerente a um baile de máscaras.

  23. Valupi,

    Playing the same rusty, old grand piano again, are we?

    In other words, Freedom marries Chaos at the Aspirina Chapel, doctors go, nurses come with no problems. Against all odds and expectations, the strange union goes on producing perfectly normal children well prepared for life. Or so they think. Sounds and looks great when you say it. The air of Tuesdays-and-Fridays-only respectability fills the empty spaces and appeals to those on the dole normally inclined to sing the song of the day without asking any pertinent questions such as: Who says? Not only that: every musical bit is impliedly certified by some General Cook in charge of the democratically and musically ellected committee of the cauldron. But there is no denying that your way of explaining works all the time on every ear, be it among “experienced” sheep or innocent lambs, regardless of weather conditions or the height of the grass. By your music are we also informed that the sky cannot, and should not, be the limit. And why is that? Oh yeah, it’s madam “legality” again, isn’t it? Bloody annoying.

    So what are our “chaotic” and irreverent wings of comentators for? Apparently not for much, and certainly not to enter the Garden of Eden or the Kingdom of Truth, as promised to us many times on evening TV. Thank God you are still here playing the extremely big violins and occasionally the Rollsroyce of all instruments to save the day, the congregation and the Constitution from the exercise of freedom which from time to time is accidentally damaged by bits of illegality. Not the perfect maverick. More like an angel, you are.

    Why then grab the language of the intelligent fool in the presentation of your ideas? That alone may bring some dangers to the several weak folds in your portfolio of miracles. For instance: What are honest, hard working, well intentioned and very pure and innocent people going to think of you when they cross for the first time your rather pompous path ? Do you really think your wordy explanations of and for everything, with its fair share of polite insult and flying kisses, is going to really convince anybody that bad fascists, normal bankers, socialist leaders and communist fanatics are all children of the same power-generating matriarch? I can tell you right now that I would not. However, for I am not one of them, allow me to be a good Christian in Chaos today and sympathize with you, the laborer of unspecified futuristic ideas about the politics of politics.. After all, we are not only human BEINGS, we are also human BECOMINGS through learning, experience and awareness – many thanks to the guys who said something like that before me.

    Even admitting with pleasure that YOU have the power and talent to make us laugh and think frequently – which is a tremendous asset to have and a sign of well focused resistance to something, but nothing that is patently in collision course with the political manipulation of the truth – I am not yet half convinced that you are capable of achieving whatever you want to achieve based on some dream that you call reality. First there is old furniture to be dusted. More important than subjecting your body to forgettable storms you have to deal with the task of showing us the real you – you as when Valupi gets out of bed in the morning. Flesh and bone plus the sleepy thoughts. Tell us that and then be the comedian as many times as you wish but don’t let your mind be taken over by the Comedy .

    The present danger hovering above our chaotic and freedom-loving heads is mainly political without being political at all. Others, perhaps more damaging, are looming and ready for devouring what is still left of our wrinkled bodies. One of them is inorganic in nature and alchemical in purpose and dines and drinks with us every single day, laughs with you and laughs at me. You eat it and then it eats you and me and itself forever preventing us and everyone from enjoying a deserved full share of love in this life. Its Grand Comptroller General is called Potassium Fertilizatus Alzhemicus, with headquarters at the bottom of Maremortis surrounded by a billion tones of the untouched Triassic plasma it derives from. Beware of it at all times. More so when the circuses are in town and your middle age keeps bringing to your mind the memories of every ill-constructed joke you told us and others during the life that you have been allowed to live up to now.

    Peace, always.

  24. Catarina
    Não é que eu não tenha lido a lição com atenção e proveito, mas parece-me um exagero essa referência constante à minha inexperiência na blogosfera. Já conhecia o meio quando comecei a aparecer por aqui. Do blogue que mais lia e em que comentava com frequência, que tratava de temas que me interessavam (ciência e filosofia, sobretudo), aborreci-me e pus-me a andar. E isto apesar de um dos autores ser meu amigo e me ter pedido que não deixasse de aparecer, bem como outro dos responsáveis também.
    Em que é que ficamos? Essa malta, alguns pessoas sem dúvida respeitadoras no geral mas que se transfiguram no anonimato dos pseudónimos, tem todo o direito de ser besta e eu não tenho de me cansar dos seus coices? Concede-me ao menos isto.
    Valupi
    Alguém disse, e com razão, que o pior que aconteceu a Tomás de Aquino foi ter sido canonizado. Os não católicos olham para ele como se fosse um pensador comprometido, portanto a evitar, por causa disso. Como se houvesse algum pensador não comprometido. No entanto, há verdades que não mudam. Se só lês autores actuais, estás irremediavelmente desactualizado.
    Lusanglo
    How damned are you! What kind of being, my God! Yes, I know that all of us are able to be the evil and the angel, and the more we do is to act the first. It’s easier. Because of this, when the others are insisting in his infernal pleasure, I give them my back, but very far of them. This is my freedom.

  25. Daniel, o meio não é a blogsfera, são as caixas de comentários de blogs como este, vá, digamos, mais polémicas. E não é vergonha nenhuma ser-se inexperiente (aliás no teu caso é tão flagrante, que creio que é por isso que a malta se põe aqui a explicar-te com calma o que é que se passa; podes pensar que não, mas olha que tens sido muito bem tratado por aqui).
    Hum, não tem a ver com o anonimato que transfigura as pessoas. Em alguns casos sim, há aqui anónimos que só aparecem para chagar e vão mudando de nick, mas esses não vale a pena ligar, não estão senão a provocar, os coices nem te deviam afectar e sim passar ao lado. Não. É aquilo a que o João Pedro chama html. Desnuda as almas, essa porra. Para o bem e para o mal; retira os paninhos quentes que colocamos quando estamos cara a cara com a pessoa, talvez, em certos casos. Noutros nem por isso, as pessoas são aquilo mesmo, sem palha. Mas tem uma grande vantagem, o html. Já pensaste que tudo isto que estamos agora aqui a escrever é completamente na areia? Só por um grande acaso é que volta a ser lido. Nem por nós, sai do sistema e desaparece, é volátil. Isso permite que, um dia qualquer, ainda te apanhes frente a frente e com umas cervejas pelo meio a rires-te e a dizeres ao teu parceiro de copos desse dia “com que então eu era cromo, hã?”
    Mas eu concedo tudo o que tu achares. Só que ninguém está aqui aos coices. Cada um atira aquilo que pensa ou até que nem pensa, só para ver o que tu fazes! Porque te pões a jeito. Só para veres como: andas desde a tua saída a dizeres que te cansaste dos coices e preferes virar as costas, mas disseste isso já umas cinquenta vezes. Não saiste coisa nenhuma, Daniel, continuas cá, como todos os outros que não resistem à tentação (ainda há esperança para ti :D). Não vês por cá o Fernando Venâncio, pois não? Ele saiu e saiu, pronto. Não ficou a tentar convencer ninguém que saía por isto ou por aquilo. Saiu, a malta respeita.

    Rvn, Valupi, obrigada. Podia escrever um tratado sobre caixas de comentos, mas o assunto aborrece-me. :DDD É outra das coisas que aprendi na blogsfera, demora muito tempo a discutir coisas (mais ou menos) sérias e não vale a pena, há sempre quem não perceba.

    z, o teu blog privado aqui nos comentos, mesmo a brincar, é genial. Eu farto-me de rir com o insólito da coisa.

  26. Catarina
    Eu não saí de mal com ninguém, por isso não será de estranhar que continue a conversar com os amigos que por cá fiz. (Com isto não quero dizer que o Fernando e o Jorge o tenham feito em condições de conflito.) Quando falo em voltar as costas refiro-me a poder calar-me quando não tiver paciência para os que se armam em carapaus de corrida, tanto mais que sou péssimo pescador. Por isso deixei, e sem saudades, a condição de co-autor do blogue. Não interpretes as coisas de outra maneira. Assim não tenho obrigação de aparecer, venho se me apetece e se posso dispensar algum tempo. Além disso, aqui escreve-se ao correr das ideias, sem o dever de tentar não defraudar os leitores. No entanto, se eu percebesse que incomodava alguém, calar-me-ia de vez. Estamos entendidos ou não?

  27. (Catarina, fazer rir aqueles a quem quero bem, e já agora mais não-sei-quem, e rir com eles, é o meu maior gosto, e vcs sabem. Também aproveito para dar uns toques de bola um espaço n-dimensional. É uma bola aberta qualquer um pode pegar, ou não. E também aprendo sempre qualquer coisa pelo caminho)

    Daniel: a questão da liberdade é muito interessante, já sabes como esta frase é trivial, lembras-te do Nome da Rosa, de como o venerável Jorge se decidira na liberdade de ocultar o escrito do mestre dos outros porque continha o elogio do riso, perigosíssimo porque era a única ‘frequência’ onde se perdia o temor de Deus e portanto da ordem? não era só o elogio do riso, era a autoria do estagirita

    um nick dá a liberdade de ser&nãoser

    compreenderás que dá uma tusa danada internalizar o terceiro excluído

  28. Daniel, não me deves nada. Eu expliquei-te uma série de coisas que são *gerais* e se aplicam a toda a gente. Tu achas que eu tenho dificuldades de interpretação eu acho, pura e simplesmente, que tu tens dificuldade de leitura. Estamos entendidos? *Toda* a gente normal vira as costas quando perde a paciência.

    Z, fazer rir é das melhores coisas que existem. Já para não falar de todos os benefícios para a saúde. :D

  29. Z
    Tanto quanto me lembro, o bibliotecário não escondera o lendário tratado do riso por respeito a liberdade nenhuma. Ele tinha consciência da duvidosa bondade do acto que praticara. “O Nome da Rosa”, quanto a mim, só teve um defeito: permitiu a uns escrevinhadores menores imaginarem que eram capazes de imitar o mestre. Deu as asneiras que a gente sabe. É que o problema de um romance histórico é o de respeitar o ambiente da época e não adulterar factos e personagens reais.
    Seria interessante falar da questão da “seriedade” da Igreja medieval, que deu maus frutos. Tanto apertou que esse foi um dos períodos moralmente mais depravados do cristianismo. Eu também me divirto muito quando de algum modo consigo divertir outros.
    Catarina
    Finalmente ronheces que sou normal! Eu começava a desesperar. Já não era sem tempo.

  30. Mas eu sempre te reconheci normalidade, toda a gente é normal, Daniel. Sim, no género “tirar as pessoas do sério” normalidade, mas isso somos todos. :D

  31. Para mim O Nome da Rosa continua genial. Eco é um semioticista de primeira, e com tese em Estética Medieval, e o doutor de Aquino está devidamente citado. O venerável Jorge usou a sua liberdade de consciência para suprimir algo à liberdade dos outros, o riso, em nome de um valor que lhe era maior: a ordem suportada no temor a Deus. Era só para lembrar,

    o número deste comento é o da ‘grande abundância’ no I’ Ching, mas a esta hora já não dou para mais

  32. “Lusanglo
    How damned are you! What kind of being, my God! Yes, I know that all of us are able to be the evil and the angel, and the more we do is to act the first. It’s easier. Because of this, when the others are insisting in his infernal pleasure, I give them my back, but very far of them. This is my freedom”.

    Well, well, well, Daniel DE Sá, that’s it then, I am damned forever, according to you – the wounded apostle from Mount Aspirina, now in exile. If damnation is the price I have to pay in order to provide you with religious fulfillment and superficial peace, I accept being tagged and dispatched to hell by you on a temporary basis, but please consider that God might not go along with that hurried decision of yours. And you know what happens when He is upset.

    All I can say is that you, while not necessarily being one, sound very much like a Jehovah’s Witness of some sort, and I do not like those guys that much because they keep waking me up from my after lunch naps on Saturdays.

    I am delighted with the fireworks of facile peroration and moralistic nonsense between you and Catarina C. Thank God there is Z to give meaning and purpose to the rest of the alphabet.

  33. Lusanglo, what kind of reader are you? Didn’t you can understand a little more than the words mean? I know that Z is the only smart guy among us, but… oh my God, I’m reading now the same way you did… please, don’t consider the previous words.
    No, my dear friend, I am not a Jehovah’s Witness, I am witness of nothing, and I am apostle of nobody. Do you think Aspirina is a mount? I would say it’s more like a little, a very little hill, so it’s easy to climb it. Only wise men and wise women write here, and I am the exception. I can’t realize you in the hell, please stay among us. In my exile it’s necessary people like you to fire my own hell.
    I wish you all the heavens on Earth.

  34. ná ná, eu gosto de conversar entre pares, e entre ímpares também, de preferência a fumar uma cigarrada num sofá de couro da Sociedade de Geographia, a combinar a próxima aventura

    portanto temos de ser equivalentes: todos iguais e todos diferentes

    para recordar o Maio de 68

  35. mas acho que estás rezingão pá: queijinho de Nisa, etc

    e depois não esqueças os budistas: vai aproveitando para libertar-te do ego, e também do nome – depois não te queixes se não conseguires voar

    a gravidade do nome

  36. já agora:

    está a chegar o solstício de Verão e os santos

    «O mastro de São João, conhecido em Portugal como o mastro dos Santos Populares, é erguido durante a festa junina para celebrar os três santos ligados a essa festa»

  37. Z 1
    Até os que estiveram no Maio de 68 já se esqueceram dele.
    Z 2
    Sempre será mais fácil de arranjar um jardim suspenso do que 70 virgens. Não percas a esperança.
    Z 3 Se estou rezingão, não sei. Mas lá que me falta queijinho de Nisa, isso é verdade. Já não como dele desde a semana passada. Ah, e nunca tentei voar.
    Z 4 Foi bom teres prevenido. Pelo tempo que tem feito por cá não se dá por nada. Mas, como hoje está sol, vou sair já a tomar um cafezinho, ou um Famous Grouse, no bar dos Moinhos, no Porto Formoso. Se algum dia vieres a esta ilha gostaria de ver a tua cara através de um bom copo de whisky,lá naquele sítio onde o Ted Smith viveu os últimos anos da sua vida, e onde tivemos longas conversas.

  38. O blogodrama tem dado pano para variadíssimas dissertações bem sumarentas e desopilantes.Com drama ou sem ele,o Daniel permite sempre que a língua se desenferruge e se anavalhe.Com o Daniel,o aspirina é sempre estimulante e a inteligência rende-se aos seus comentários sábios. Ele impõe respeito e atrai comentadores e leitores.E o diálogo taco a taco tem sido proveitoso e consolador para quem já andava com saudades do mestre,que não precisou que “acudissem porque o matam”. Ele sabe bem da arte de esgrima verba, e dificilmente encontra um adversário invencível.Desculpem qualquer coisinha, mas a verdade é para ser escancarada,à boa moda do aspirina. E o DANIEL faz muita falta. Onde estão os textos poderosos de ventos e marés que convidam à aventura? Onde as vozes graciosas dos protagonistas populares? Onde a variedade e versatilidade dos seus textos? Apetece pedir ao Daniel que volte.Mas se a viagem não for de regresso, ao menos venha à janela, que os seus acenos vêem-se de longe e à vista desarmada.

  39. LUSANGLO, sou duplamente suspeito, por ser teu indefectível admirador e por ser o alvo do texto, mas estou capaz de eleger esta rábula como o teu melhor exercício de sempre. Creio que o shakespeare também ajuda, criando um distanciamento que aproxima, mas é no desfecho que atinges o sublime: finalmente, revelas o nome e a localização da entidade que governa a Grande Conspiração. Fosga-se, desde 2005 que esperava por esse segredo!

    Quanto ao que dizes de mim, creio entender a tua angústia. Gostarias de dormir comigo só para me veres ao acordar, sem maquilhagem e despenteado. Continuaria encantador, daria vontade de beijar? Ou não conseguiria esconder a miséria humana e demasiado humana, repelente? No fundo, o teu problema é teológico, discutes a existência de Deus. Se não existir, como preferes, o anjo não passará de um transformista, mais um inevitável pantomineiro. Mas a existir… ficarás cheio de medo, né?
    __

    Daniel, confirmo que só leio autores actuais, mas não te deixes entontecer pela roda do tempo: alguns dos autores mais actuais que leio, e com regularidade, nasceram 1.500 anos (e mais, e mais…) antes do Aquinatense. Certamente concordarás com este adagio: original é o que está perto da origem. De resto, sem Aristóteles não teríamos São Tomás, o que te devia refrear o entusiasmo quanto às “verdades que não mudam”.

    Também registo com crescente agrado que saltas olimpicamente por cima das questões que te são colocadas. Ainda mais curiosa é a constante remissão para a tua iminente partida, causada, informas, por desgostos de melindrosa etiologia. É demasiado óbvio que estás insularmente enganado: aqui ninguém te censura o direito a fazer o que te der na gana, até o aplaudimos – o que não admitimos é que nos negues os mesmos predicados. E é disso que temos estado a falar, da insensatez de te sentires ofendido com o que os outros escrevem num blogue. Só uma imaginação sem freio te poderá distorcer a realidade ao ponto de pensares que alguém te conhece como tu te conheces. Como escreveu tão bem a catarina, aqui não passas de um pseudónimo. E vales pelo que mostrares, não pelo que sonhas que és quando contemplas a obra feita. Ora responde lá a esta: pode um pseudónimo ser ofendido? Sim, claro, mas só se ele o quiser. (desculpa, antecipei-me, mas foi por receio de voltar a ficar com perguntas penduradas)

    Volto a citar a catarina: tens sido muito bem tratado. Quando entramos em diálogo contigo, estamos a respeitar-te ao máximo. Neste meio, ofender é apenas isto, se isto for: não dialogar. Tudo o resto é brincadeira. Portanto, meu caro, a ideia é continuarmos a brincar contigo durante o tempo em que quiseres brincar connosco.

  40. Lia
    Se fosse uma birra, passava. Mas não é nada disso. Prefiro estar aqui deste lado somente, a dar e a levar umas bordoadas, desde que não sejam para ferir os outros… nem a mim.
    Nik
    Ouve lá, ó Nik, obrigado pela comparação. São animais muito estimáveis, as vacas. Sempre convivi bem com elas, portuguesas e espanholas, excepto uma vez em que uma, em Santa Maria, e à noite, me deu uma cornada que me mandou pelos ares fora. Mas fê-lo com muito jeito: pegou em mim pelos sovacos e fez um movimento de baixo para cima rigorosamente na vertical. Caí no mesmo lugar. No entanto nunca ouvi nenhuma falar inglês, mas é possível que o consigam, e melhor até do que eu. Mas concede-me pelo menos que escrevo melhor do que elas, pois creio que nenhuma consegue escrever em língua nenhuma. Antes, porque não tinham dedos para pegar nas canetas, agora porque a pata é demasiado grande para tocar numa tecla somente. E isto é razão suficiente para eu ter a certeza de que tu podes ser tudo, mas vaca não. Ora vê lá o que é que uma vaca escreveria, por exemplo, se pusesse a pata aqui onde vou pôr a minha mão: erjhnmumumumumumumumu, (Palavra de honra que isto foi puro acaso! Eu mesmo sorri sozinho com o resultado inesperado.)

  41. Valupi
    Meteste-te aqui pelo meio enquanto a vaca, perdão, enquanto eu punha a mão sobre o teclado a fingir que era a pata de uma vaca, e saiu aquele inesperadíssimo mu.
    Já podias ter dito que isto é tudo a brincar. Eu escusava de perder tempo a tentar dizer o que sinto. Por isso, vai-te lixar.
    Ah, e obrigado por me recordares que o Tomás de Aquino repetiu muito do que Aristóteles disse. E, já agora, poderias ter trazido o Averróis para a conversa. Que por hoje já basta.

  42. a praia dos moinhos tem gatos, que eu lembro e bem

    mas as carreirinhas do Populo são mais gostosas, quando não vou de focinho ao chão

    por falar em focinho peludo podes descobrir-me aí online, mas tens de lá chegar por ti

    ———

    sou gamado em vacas e bezerros, tão possantes e tão meiguinhos, volto à Índia em Outubro que estou a morrer de saudades, veículos de Shiva

  43. Lia, repito que o raio do mu foi rigorosamente obra do acaso. Por isso achei graça.
    Z, a praia dos Moinhos ainda tem gatos. E patos e porquinhos-da-índia. Claro, e gaivotas a garajaus (andorinhas-do-mar.) Gostaria de descobrir-te online, mas não vou andar à procura. Só se for por acaso, como o resultado da “patada” no teclado. Quanto às vacas da Índia, são demasiado tristes. Prefiro arriscar-me a mais uma cornada do que andar por meio de animais sagrados.

  44. claro, deixa ao acaso, só assim é que tem graça

    tristes? não são nada pá, até dão uma lambida no pescoço de um gajo, mas pronto são gostos

  45. (daniel,
    No recato desta caixa de comentários apetece-me arriscar uma inconfidência que vale pela piada da coisa, acho, e não compromete por aí além os envolvidos.)

    Ouço falar na praia dos Moinhos e dispara-me a saudade de um dos lugares verdadeiramente mágicos da minha ilha. Seria preciso um talento infinitamente superior ao meu para conseguir o prodígio de situar todos aqueles que leiam estas palavras naquele cenário de inspiração divina, uma espécie de aconchego desenhado na falésia. Mas o que venho dividir convosco tem mais a ver com as pessoas e menos com a natureza. Acontece que existe um bar na praia dos Moinhos, propriedade de uma verdadeira ‘figura’, nem boa nem má, apenas ‘figuraça’ de antologia: chamemos-lhe o Zé. Falador, opinativo, mesurento, o Zé é uma figura incontornável daquela zona, que atrai só por si uma série de outras figuras locais, onde se inclui o nosso amigo Daniel de Sá, claro, e também um figurão (no melhor dos sentidos) professor de Filosofia e dirigente local do PS chamado Manuel Sá Couto, que creio poder considerar também como um dos meus amigos (embora se imponha alguma moderação nos adjectivos uma vez que falo aqui na presença do Daniel, esse sim amigo e compagnon de route do Manel Sá Couto) e que se destaca pela sua maneira característica de falar e de ser, entusiasta, imparável, eléctrico quase na forma como encara a vida e os amigos.

    Pintado a tosco o cenário, vamos ao enredo. Acabadinho de ser nomeado para Bruxelas e a braços com a crise gerada em Portugal por essa nomeação (que conduziria à nomeação de Santana Lopes para primeiro ministro) quem é que se refugia nos Açores para um curto período de descanso e fuga aos holofotes: José Manuel Durão Barroso, claro, nem mais. E de todas as ilhas e de todas as praias, aquela onde esta narrativa o vai encontrar é exactamente na dos Moinhos, onde Durão Barroso chega, acompanhado pelos seus, particulares, e por um cicerone local que o apresenta ao nosso Zé do tal Bar da praia, que fica a milímetros do extase pela visita de tão nobre estadista ao seu estabelecimento e não sabe mais o que fazer para agradar ao ainda primeiro ministro e comitiva, ainda para mais incógnitos por ali, o que dava só por isso um toque fantástico ao acontecimento, num local onde nunca acontece porra nenhuma (e ainda bem, assim é que aquilo é o que é e bom). Pois estava então o nosso Zé anfitriando o nosso primeiro quando o nosso primeiro deixa escapar alguma vontade de dar um mergulhinho, era pena, apetecia, mas que lamentavelmente não tinha vindo preparado para essa eventualidade. Ora calções fossem o nosso Zé, que de imediato se multiplica em telefonemas e contactos locais para que se arranjassem uns calções para o primeiro, fosse lá onde fosse, mas dali é que o senhor doutor não sairia sem mergulhar se era esse o seu desejo. E não demorou muito tempo até que aparecesse um prestável indígena com um saquinho com uns calções para o senhor doutor, desencantados sabe Deus em que baú, entregues com pompa e sorrisos a Barroso que se viu assim obrigado a corresponder à gentileza, vestindo os calções emprestados e fazendo-se às salsas ondas da praia dos moinhos. E assim fez, lá foi vestir os tais calções.

    Conta quem viu que a cena foi de ir às lágrimas. Da casa imediatamente cedida para Barroso mudar de roupa sai um José Manuel envergando uma tanguinha curtíssima, daquelas ‘salienta-colhão’, os senhores sabem? que se viam muito na Costa da Caparica, ou na praia de Algés, há uns anos… Barroso vinha mais enfiado que enfiado, a tentar aparentar uma desenvoltura e boa disposição que o salvasse daquele embaraço, de alguma maneira, e a coisa estava até a conseguir-se, de alguma forma, com alguma discrição, quando eis que chega o prof. Sá Couto, esbaforido como sempre, excitadíssimo com a notícia acabada de receber, de que estava nas suas terras o primeiro de Portugal – e logo ali, no bar dos Moinhos, a sua quase segunda casa! O homem vinha numa afobação e, palavroso como sempre, quando finalmente ‘aterrou’ e ao aperceber-se da figura em tanguinha na sua frente, para tentar salvar a situação, faz um zig na sua própria verborreia e, a completo despropósito, diz para Durão Barroso que se come muito bem ali naquele bar, que o senhor doutor tinha que provar e ficar para o almoço, que era tudo uma maravilha, e mais: ‘Pois sabe o senhor primeiro ministro qual é a especialidade d casa? Olhe para ali para o cartaz, olhe: cherne! Uma delícia! O senhor gosta de cherne?’, perguntou com uma gargalhada nervosa apontando para o tal cartaz onde de facto estava escarrapachado em letras bem grandes o prato do dia: Cherne.

    (Contaram-me esta história várias pessoas, por várias vezes e em vários locais. Uma dessas vezes, a mais memorável, foi no próprio local do crime, numa noite mágica, quando os próprios Zé e Sá Couto ma contaram os dois, cada um acrescentando mais um pormenor de que se lembrava. Acreditem: chorei a rir.)

  46. Rui, coheço a história, e está muito bem contada. Mas olha que o Sá Couto providenciou o recato das partes íntimas de José Manuel. Os calções pequeninos eram do António Crispim, um amigo a quem ficarei toda a vida reconhecido porque, sem estar de serviço, foi a Ponta Delgada operar o meu filho para lhe extrair um zagalote alojado ao pé da carótida. Depois o Manuel Arruda lá arranjou uns calções parece que tipo calças de pirata, de vermelho e verde.
    O Sá Couto tem coisas impagáveis. Uma vez, falando com o Sócrates, e querendo perguntar se ele era do Benfica (o Manel é verde como eu), saiu-lhe isto sem querer: “O Sr. é do P.S.?”
    Muita gente confunde o Manuel Sá Couto comigo. Estás a ver, há o nome, há a naturalidade (ele é da Lomba da Maia, eu da Maia), ambos professores. De vez em quando, ele chega a mim e diz: “Fulano jé me deu os parabéns… ” (Ou por isto ou por aquilo, coisa escrita por mim.) E acrescenta “Eu agradeci, já não tens de agardecer.”

  47. Então mas já agora queria ouvir açorianos sobre uma coisa. O Tubaroso foi promovido a Presidente da CE por ter dado o ok à invasão do Iraque, lá nas Lajes, e depois pelos vistos foi aí a banhos. Nós, os gatos, é que somos despassarados se não tinha ido água viva

    Ou seja o tubaroso usou o selo do dragão para dar o aval à invasão.

    Ora, eu só espero que o Obama vá a tempo de podermos dar um viva à humanidade, à humanidade das pessoas, sim, retirando do Iraque.

    Vai daí o tubaroso tem que pedir desculpa por ter acreditado nas armas de destruição maciça

    E o dragão tem que ser indemnizado pela humilhação!

    (tem que vir aí um aleph de euros pá, e é já a caminho, cá na minha modesta opinião, porque temos de estar habilitados a viajar pelo mundo fora em missões constantes da apaziguamento e soluções criativas, testadas em português por causa das coisas e do Pessoa, não?)

  48. e por falar em indemnizar
    http://dn.sapo.pt/2005/04/02/artes/portugal_indemnizado_pelo_roubo_joia.html

    já foi em 2005 e a desqualificação pública do valor opera como se segue:

    – o diamante em bruto tinha apenas mais cerca de cem quilates que o mencionado

    – o anel do D. Miguel tinha o diamante mais pesado, esse sim 35 cts, talhado, do inventário do Rosas Junior e posteriores

    – a gargantilha era A gargantilha das rainhas de Portugal não era uma gargantilha qualquer, usada por Maria I, Carlota Joaquina, Maria II, Maria Pia e Amélia

    e mais poderia dizer,

    foi apenas o maior lote de diamantes das jóias da coroa de Portugal, que tinham sobrevivido desde o terramoto às invasões napoleónicas, desde as lutas liberais até à proclamação da República, ao incêndio no PNA, mas não ao deficit da fleite

    por uma tuta e meia!

  49. Rui, não sei se te agradeça a história, pois há algo de assustador nessa imagem do Barroso enfiado em calção dos pintas Carcavelos-Caparica anos 70. Mas registo o local para visita a fazer.
    __

    z, os açorianos não te querem dar conversa. Talvez não gramem o Obama.

  50. disse:Gente porque sere1 que ningue9m indcoiu a prf3pria loja da Apple le1 no Carrousel do Louvre? Ale9m da loja ser super moderna e elegante, os vendedores se3o muito atenciosos e vocea ainda tem acesso a outros produtos Apple. Em Janeiro eu comprei 2 ipods para meus filhos e ve1rios acessf3rios. Altamente recomendado.

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