O PSD nacional aproximou-se do estilo e cultura do PSD-M, como Aguiar-Branco e Pacheco Pereira, entre outras figuras da social-democracia vigente, confirmam sem um pingo de vergonha. Estamos perante uma insularidade democrática, onde um grupo de ranhosos separou o PSD das forças que o poderiam renovar, isolando-se no refugo do cavaquismo. A purga nas listas, o vazio programático e a decadência dirigente levaram o PSD para o período mais negro (Preto?) da sua História. Neste momento, face a um desastre cujas proporções já atingiram a Presidência e o Presidente da República, até Luís Filipe Menezes seria preferível a Ferreira Leite. Pior do que isto, só um golpe de Estado.
A retórica desmiolada de João Jardim, apenas possível num contexto onde detém o monopólio das relações de poder e não tem havido esperança de alternativa, deve estar no pináculo da popularidade entre os dirigentes nacionais e as bases militantes. Ouvirem Jardim chamar ladrão, mentiroso, fascista, nazi e paneleiro a Sócrates deve ser ocasião de gáudio e miserável desforço das humilhações supostas. Para quem apostou tudo numa campanha de destruição de carácter, não há limites, a dinâmica pede um permanente crescendo do pathos. E podemos esperar qualquer coisa, o caso das supostas escutas em Belém acabou com as ilusões que restavam. Atenção: nada disto é novo, em 2005 foi igual ― está é pior, e mais grave, muito mais grave.
Jardim pertence a um partido cobarde. Nunca o PSD lhe fez o mínimo reparo fosse quando fosse, discursos ou actos, sequer aquando do inaudito escândalo de termos um deputado impedido de entrar no Parlamento regional. Os presidentes do PSD são tratados como subordinados, ou pior. Nem um Presidente da República escapou ao vexame em território madeirense, e não por acaso um Presidente de origem social-democrata. Cavaco comeu e calou, para desprestígio pessoal e nacional. Por isso, habituado a uma tirania branqueada, a pior situação que lhe pode acontecer é ver Sócrates chegar à Madeira. Em pouco tempo, já é a segunda vez. O impacto no ânimo do PSD é devastador, medindo-se pelos silêncios que nem uma piadola conseguem largar. Jardim é o ogre caduco que chantageia o PSD e seus Governos por via dos deputados que elege, Sócrates o alvo da sua fúria que se ri da boçalidade doentia e dá força a madeirenses muito corajosos.
Jardim e Manela são velhos companheiros, têm uma vida de cumplicidades. A sigla não podia ser mais adequada ao opróbrio e torpor do partido: PSD-M.