Prémio João Gonçalves

Comecei a ver o debate na TVI24 ainda só com o Zé Manel e o Gonçalves presentes. Ia ser um debate sobre política e os social media. Naquela que talvez tenha sido a primeira intervenção do Gonçalves, esclareceu que não tinha nada a dizer acerca da social media. Ele tinha um blogue, e chegava. Complicações como Facebook e Twitter, as referências da moda para os jornalistas, não eram com ele. Ora, como estávamos no começo do debate, e cada um dos convidados tinha uma cadeira vazia ao lado, fiquei convencido de que a minha tia Gracinda ainda acabaria por se sentar num dos poisos vagos. Esta ideia surgiu-me porque a minha tia Gracinda também não percebe um caralho de social media. E, em comparação com o Gonçalves, a tia Gracinda tem a supina vantagem de nunca ter apagado nada do que escreveu em 87 anos de honrada e viçosa vida, nem sequer um bilhete que ficou a meio, dirigido a um cabo da GNR em 1952, e que começava assim: Miau, miau… Que bigodes tão farfalhudos tem o polícia mau…

Pois o Gonçalves é um bronco, pois. Um bronco com uma pulsão destrutiva. O Zé Manel escapou por pouco. Foi quando o Gonçalves lhe disse que a notícia das escutas em Belém tinha sido criada pelo Público. O Zé Manel reagiu de imediato, protestando que não, criada é que não. E este diálogo das criadas teria sido genial, não fora tratar-se do Gonçalves. Porque o Gonçalves é bronco. Tem problemas graves por resolver na relação consigo próprio, como se viu pela escolha da camisa. E, enquanto não os resolve, vai incomodando quem passa. Diz mal dos outros porque não gosta de si, é só isso, faça ginástica e saia mais de casa, são 70 euros pela consulta. Prémio? Para o momento em que resolveu entalar a audiência manifestando-se escandalizado pela possibilidade de se fazer propaganda viral. E reforçou várias vezes, não fossem os bípedes à sua volta estarem desatentos e a passar ao lado da magnitude da ameaça: viral, viral!

O blogger mais importante em Portugal/comentador político de referência/reserva moral da Nação/grande amigo do Pacheco foi convidado para um debate onde se discutia a social media e acabou alarmado a pedir para se interditar a comunicação viral na Internet. Isto tem de ser premiado, nem que seja à força.

5 thoughts on “Prémio João Gonçalves”

  1. Foi pena não se aproveitar a oportunidade para o Paulo Querido explicar porque é que a transmissão da blogconf com Sócrates na internet foi proibida pelo gabinete de Sócrates, by the way.

  2. Secretário-geral socialista mandou expulsar o canal Sapo da PT, da discussão com os blogues. Sócrates é implacável com os sapos

    Já se sabe que as coisas não correram nada bem na sessão de propaganda ou de esclarecimento promovida por José Sócrates com alguns dos blogues da blogosfera portuguesa. A coisa prometia transmissões em directo e mais umas tantas novidades para mostrar até que ponto o choque tecnológico, uma das pérolas deste Governo, estava a funcionar em pleno.

    Acontece que, por motivos ainda por esclarecer, a sessão deu para o torto e falhou redondamente mesmo nas barbas de Carlos Zorrinho, o homem que dá a alma e o corpo pelas novas tecnologias. Azares que podem acontecer a qualquer um. Mas aconteceu outro incidente inesperado na sessão. Horas antes, o canal Sapo da PT anunciava com orgulho a transmissão em directo do debate.

    Acontece que mesmo em cima da hora, quando Sócrates já estava na sala com os responsáveis dos blogues convidados para o espectáculo, Luís Bernardo, assessor do primeiro-ministro, proibiu o canal da Portugal Telecom de fazer fosse o que fosse. E, à boa maneira deste Executivo, o autoritário Luís Bernardo não deu qualquer explicação aos perplexos sapinhos. Manda quem pode, obedece quem quer.
    in: Correio da Manhã

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.