Manelismo e a duração da verdade

Aquando da última entrevista de Manuela Ferreira Leite, observatórios europeus e norte-americanos registaram um curioso fenómeno cósmico. Primeiro, apareceram estas afirmações nos seus monitores:

J – Mas a Alemanha, a França, saíram esta semana da recessão técnica, assim como Portugal…

M – Mas isso não tem o mínimo dos significados do ponto de vista… isso são significados estatístico. Não tem o mínimo dos significados em termos do que efectivamente está a acontecer à economia.

De seguida, foram detectadas estas afirmações:

J – Mas os elevados números do desemprego em Portugal decorrem da crise internacional…

M – Não decorr… Não, não, não, não, não… Não decorrem da crise internacional.

J – Mas como é que não decorrem?

M – Como é que não decorrem?… É vermos as estatísticas e vermos que ainda a crise não tinha surgido e os nossos números já estavam a aumentar.

Com recurso a relógios atómicos, estabeleceu-se a diferença temporal que medeia entre as duas afirmações da fonte cósmica M: exactos 46 segundos. Os investigadores debatem acaloradamente se este será o tempo médio de validade para as afirmações da fonte M ou um seu extremo de duração, por sorte captado pelos instrumentos. Arrojada é a opinião de Tony Black, da Universidade de Verão do PSD, famoso instituto especializado em estudos lunáticos, o qual advoga serem os tempos de exposição à verdade na fonte M o resultado de uma forte presença de gesso algures na nebulosa que a envolve. Próximas observações poderão esclarecer se esta hipótese merece a sua assinatura ou se o melhor será enfiar a tese na mala e dedicar-se à especulação noutras áreas de actividade.

10 thoughts on “Manelismo e a duração da verdade”

  1. A Nelita está a jogar para nulos. Ainda não perceberam? Mandaram que metesse a viola no saco, pois só o PS tem capacidade para governar Portugal. Isto é, para por em prática as medidas que os mandantes querem ver implementadas nesta jardim à beira-mar plantado!
    A coitada está a fazer um frete de todo o tamanho! É a única que resta da implusão do PSD! partido que deixou partir os miras-amarais e outros quetais que sabiam fazer orçamentos de estado!

  2. que paciência que tu tens para analisar palavreado político…mais vale leres um livrinho do asimov. se não ainda acabas pirulas com tanto no sense. de uma ponta à outra é sempre a mesma canção ( belo filme , com o meu Bacri).

  3. a dotora ferreira leite transpira coerência. aquilo sai-lhe naturalmente por tudo quanto é poro. os números? isso é um lego que ela monta e desmonta a seu belo prazer. a economia e as finanças correm-lhe como anfetaminas nas veias há séculos impedindo-a de reconhecer as suas insuficiências. daí os segundos, mesmo horas ou semanas merecerem-lhe um significado relativo. a estatística está para ela, assim, mais ou menos, como o bacalhau para o barreiros. sempre a pedir alho, pimenta e outros condimentos a gosto.

    na entrevista também apreciei muito a resposta à questão dos debates. a senhora manteve-se hirta que nem uma barra de ferro, não houve fuga para a frente, nem para o lado e muito menos para trás. foi imparável e, qual patinadora de topo, executou a perfeita fuga em pirueta. memorável. candidatos todos contra todos.

    mas… todos juntos e fé em deus? não que já não há nem fé nem tédio para tanto. frente a frente entre todos os candidatos. sim senhora, bela ideia. poderá lá haver espectáculo mais esclarecedor do ponto de vista eleitoral do que uma conversa entre o portas e a fleite. ou entre o louçã e o jerónimo. meros exemplos. mas podíamos extravasar o conceito para outras figuras de incontornável importância eleitoral. sei lá? o pacheco frente a frente com o pinto monteiro, o oliveira e costa com o dias loureiro, o cavaco com o responsável da segurança de belém, o nuno melo com o constâncio e, quem sabe, até o vieira com o pinto da costa.

    se a dotora me permitisse um aconchego à sua ideia que, aliás, me parece muito feliz, estava capaz de ir ainda mais longe. está mais do que na hora de começarmos com os frente a frente em roda bota fora. com o pessoal a votar por telemóvel e quem perder sai da corrida eleitoral.
    e pergunta-se com toda a pertinência: então… e só uma mão? as mãos que as televisões quiserem porque é assim que manda a democracia. até podiam fazer o campeonato decorrer durante toda uma legislatura e a legitimidade dos eleitos iria variando consoante a posição do seu clube na prova. poupava-se nas campanhas e ainda se ganhava nos sponsors publicitários.

    mas isso é suspender a democracia, dizem alguns.
    qual quê, a dotora já disse que grandes males pedem maiores remédios. e quem sabe não estaríamos, aqui, a criar um verdadeiro cluster da industria da comunicação. a partir do momento em que internacionalizassem a coisa, também seria imparável. (tipo ograma bersus binho laden. não gostam da ideia? então, não se queixem que andamos sempre atrás dos outros.) ou seria um clister?

    (a última pergunta foi gira, não foi?)

    dizem que não há impossíveis mas há.
    é completamente impossível pensar-se que a fleite trouxe uma nova forma de fazer política como tentam apregoar. a forma e o conteúdo que apresenta devem ter só a idade da vida em comunidade e é tão natural como a nossa sede. para nosso mal escolheu só os aspectos destrutivos, demagógicos e repulsivos desse tipo de postura política.

  4. A realidade não pára de me surpreender. Pela negativa, mas lá que me surpreende é uma verdade. A Judite deu colinho à Manuela. Que lindo momento. Na RTP, serviço público, tomem nota, assistiu-se a um momento chave (não Chavez)que vai ficar na história e em que a tragédia e a comédia foram sugadas para um buraco nojo. A sonsa da Judite fez a última pergunta (?) atenta , veneranda e obsequiosa: – Foi gira esta última pergunta, não foi ? Foi, está descansada Judite. Foram os últimos 29 segundos mais hilariantes/agoniantes da televisão cá da aldeia. Esperemos agora a reacção do passarão do Pacheco. É de estar atento ao Abrupto, aos seus índices do situacionismo e momentos Chavez. O grande educador não vai com toda a certeza deixar passar este momento e com toda a certeza pedirá a imediata demissão da Judite Que Pergunta Tão Bonita.

  5. Gelatina!!!
    Não gostei do colar de pérolas nem do fato saia-casaco cor-de-rosa. Tão-pouco da maquilhagem e do estrabismo acentuado pela localização da câmera. Não conta!? Veremos.

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