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Ajudem o João Caetano Dias

João Caetano Dias fez uma colectânea de afirmações a propósito do escândalo que o PSD protagonizou nos saudosos tempos de Santana Lopes. Qual a finalidade? Só pode ser uma: está a equiparar duas situações. E para quê? Para justificar as reacções do PSD ao sucedido com Moura Guedes. Nesse caso, temos que JCD considera:

– Que a factual interferência do Governo PSD equivale à factual ausência de interferência do Governo PS.

– Que uma rubrica de opinião equivale a um programa de difamação.

– Que matérias de jornalismo político equivalem a matérias de pseudo-jornalismo.

– Que a boa-fé de uma crítica opositora equivale à má-fé de uma deturpação da Justiça.

– Que um incómodo político genérico equivale ao ataque ao bom nome pessoal.

Só esta baralhação explica que JCD não careça do contributo da verdade, não precise de provas ou indícios, nem sequer de módica objectividade, bastando-lhe o que um conjunto de pessoas próximas, da cor, sente. Obviamente, está a precisar de ajuda. Até corre o risco de vir dizer, um destes dias, que há escutas no Blasfémias.

PSD faz queixa à Comissão Nacional de Conspirações

Foi hoje entregue por Aguiar-Branco, ex-ministro da Justiça no Governo de Santana Lopes, uma queixa na CNC contra incertos. Os factos dizem respeito ao que se passou nesta quinta-feira, onde uma conspiração lançada pelo PSD foi abafada por outra lançada na TVI. Aguiar-Branco afirmou que este não é o tempo para se andar a desperdiçar teorias da conspiração, pois estamos em pleno período eleitoral, já para não falar da crise. Quanto à conspiração afectada, que envolvia Alexandre Relvas, o social-democrata explicou que esta conspiração vinha a ser preparada com todo o cuidado, desde o Outono passado, com produção dispendiosa, posto que implicou uma complexa coreografia onde pessoas próximas do Gabinete de Sócrates terão estado em contacto com pessoas próximas do dr. Alexandre. Só em ensaios, terá sido gasto 75% do orçamento.

Aguiar-Branco exigiu garantias de viabilidade mediática para as próximas conspirações, sob pena do PSD não ter nada para comunicar ao eleitorado. A este respeito, e visivelmente indignado, perguntou se ainda valerá a pena divulgar que um carro cuja matrícula continha as letras PS o perseguiu durante 20 minutos entre Ranha de Baixo e Cabeça Gorda, logo após a tomada de posse do Governo socialista em 2005.

É só fumaça

Eduardo Cintra Torres fez o favor de reunir num texto alucinado algumas das principais razões para se votar PS nestas eleições. Até citou a crespopatia de ontem. É também contra esta campanha que emporcalha toda a democracia que se luta neste momento. A liberdade não vai ficar refém dos Torres, Crespos, Medinas, Zé Manéis, Mouras Guedes, freeport-dependentes, bpnizados e artistas do gesso que servem o actual PSD.

O fumo pode ser denso, mas as águas estão cada vez mais cristalinas.

Stupids Hall of Fame

1.

Hoje, Portugal e a democracia portuguesa estão de luto.

Aguiar-Branco

2.

Parece evidente que se trata de um acto de censura a três semanas das eleições. É uma ordem socialista através do seu aliado, a Prisa.

Paulo Portas

3.

A avaliação sobre a decisão de suspensão do Jornal Nacional da TVI e a subsequente demissão apresentada pela Direcção de Informação desta estação não é separável do conhecido e notório incómodo que, quer o Governo quer o primeiro-ministro, vinham demonstrando face aos conteúdos e critérios dominantes na edição deste serviço noticioso nas noites de sexta-feira.

PCP

4.

O que tivemos hoje faz-nos lembrar um episódio que ocorreu durante o Governo PSD e CDS-PP na mesma estação de televisão que levou ao afastamento de Marcelo Rebelo de Sousa porque os seus comentários incomodavam o Governo da altura. As pressões foram imensas e resultaram exactamente no seu afastamento.

Helena Pinto

5.

Para além disso, há uma dose considerável de estupidez política neste gesto rancoroso: os socráticos acabam de oferecer aos leitistas a cabal confirmação do seu principal argumento eleitoral – a asfixia democrática – a pouco mais de 15 dias das Legislativas. Mentes brilhantes, sem dúvida, mas muito pouco atreitas ao sentido elementar da Liberdade…

Carlos Abreu Amorim

6.

Com o governo Santana Lopes pressionou-se para suspender um comentador.

Com o governo Sócrates pressiona-se para suspender programas.

Helena Matos

7.

Sinceramente, não percebo o que terá levado o SIMplex a pensar que o cancelamento do Jornal Nacional poderia prejudicar Sócrates. Imaginem que eu cheguei agora de Marte.

João Miranda

8.

O problema não é Manuela Moura Guedes. O problema é saber se por trás da suspensão do Jornal de sesxta-feira está o que parece estar.

Daniel Oliveira

9.

Se Sócrates, derrotado nas europeias, travestido de uma candura e humildade falsas nunca antes vistas nele, desgastado perante um país que não lhe perdoa a arrogância e as perseguições corporativas, enxovalhado por uma colecção de promessas e intenções não concretizadas, vexado publicamente por causa de um conjunto inacreditável de bizarrias e originalidades do seu passado, em risco sério de perder o poder nas próximas eleições, ainda tem força para, mesmo que por via indirecta, fazer rolar a cabeça de Manuela Moura Guedes, imagine-se o número de cabeças que não rolarão caso ele vença as eleições e se queira vingar…

Vasco Lobo Xavier

10.

Só se fossem muito estúpidos é que me tiravam do ar!

Manuela Moura Guedes

*

Prémio especial:

É preciso um levantamento da sociedade civil a favor da liberdade de expressão. José Sócrates conseguiu a coisa extrema de limitar a liberdade de expressão em Portugal 35 anos depois do 25 de Abril. É absolutamente espantoso que em 2009 tenhamos que voltar a empunhar a bandeira da liberdade de expressão.

Paulo Rangel

Disputatio – II

PCP e BE têm a papinha feita. Existem biltres, reaccionários e desempregados com fartura. É para eles que se fala, é a eles que se promete tudo e mais alguma coisa. Esta tarefa não exige grande esforço. E tranquiliza. Por isso os chefes da esquerda imbecil começaram, prosseguiram e acabaram o debate deixando no ar esta nova interrogação para a política nacional: não seria melhor fundirem-se? É que nada vos separa, para lá dos rancores familiares que, veja-se, até conseguem esconder quando vos convém.

O discurso da esquerda imbecil dirige-se àqueles que acreditam no roubo como modelo económico. Tens fome? Vamos roubar umas galinhas a quem as andou a criar. Com sorte, também há vinho. E charutos. Onde estão eles, os ricos? Olha ali um, chama o bando. É por isso que falam do lucro das empresas como outros falam da sarna. Se há lucro, algo de errado aconteceu. É muito mau haver lucro, prova que o povo foi roubado. Solução? Apagar as provas do crime, dissolver o mal e entregar os lucros aos novos accionistas, o povão. Isto resulta? Resulta durante um certo tempo, é o que a História regista. Durante um certo tempo a classe dirigente vai distribuindo um pouquinho por muitos para garantir a posse de muito para um poquinho. Depois, o sistema entra em falência porque deixam de existir condições para obter lucro, só para o esbanjar.

O modo febril como Jerónimo e Louçã falam dos bancos devia chegar para se perceber o resto. E o resto é ainda pior.

Comunas e reaças

E porque não hás-de ser tu a votar no Jerónimo?

Pergunta do nosso amigo M da M

*

Entre outras razões, nunca votaria no Jerónimo por causa desta declaração:

É Sócrates, que faz voz grossa para quem trabalha e pia fino perante os poderosos, que quer agora colocar-se à esquerda?

Repara, amigo M da M, que o teu Jerónimo diz que Sócrates faz voz grossa para mim, que trabalho, e pia fino perante os poderosos. Logo depois, hoje, o PCP declara o seguinte a respeito da TVI e suas decisões:

Em comunicado, o partido diz que a confirmar-se que o fim forçado do programa se destina a favorecer os “interesses políticos e eleitorais do partido do Governo”, isso seria um factor “da maior gravidade”, tanto no plano da liberdade de imprensa como do “ambiente e condições do debate eleitoral”.

Ora, amigo M da M, a suspensão do Jornal de Sexta prejudica gravemente o PS e favorece toda a oposição. Não há nada que lá pudesse ser dito que não tenha sido dito até agora ou que não possa ser dito noutros órgãos de comunicação social. Nada de nada. Assim, esta é uma situação que o PSD até pagaria para que acontecesse, pois a sua estratégia consiste exclusivamente nesses objectivos de não discutir política, fazer campanha para a destruição de carácter e intoxicar a opinião pública com teorias da conspiração. E dai o estado de puro êxtase em que os ranhosos agora se encontram, finalmente com alguma bandeira para agitar. E que faz o PCP? Alia-se à direita reaccionária, cujos métodos canalhas suscitam o mais imediato e inequívoco repúdio para qualquer democrata. Assim, concluo que quem pia fininho perante os poderosos é o Jerónimo pastor de carneiros.

Disputatio

Portas foi o primeiro a falar quando era a sua vez de estar calado. Portas foi o primeiro a ultrapassar o tempo de cada intervenção. Portas foi quem não respeitou a divisão por temas, repescando um tema passado. Portas foi quem apenas tinha clichés demagógicos para repetir. Portas foi quem esteve à defesa, repetindo as expressões usadas por Sócrates para as redireccionar. Portas foi quem revelou, pela linguagem não verbal, sentir-se atemorizado. Portas foi quem manifestou descontrolo emocional. Portas foi quem raiou a peixeirada, em vários momentos tendo sido acintoso. E mais importante do que o resto, Portas foi quem usou a pindérica expressão à séria. Estes são elementos objectivos, podem ser constatados.

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Crise de vocações

A direita vive uma crise de vocações que remonta ao cavaquismo. No CDS, a entrada de Monteiro e Portas acabou com a vitalidade do partido. O modo como estes dois comparsas se antagonizaram, e o destino de cada um até hoje, é uma fotonovela que expõe em vinhetas o material de que eram feitos: arrivismo. Neste momento, Portas é uma das figuras mais castiças da política nacional. O partido é para ele não mais do que o seu emprego. A retórica da conquista do poder desapareceu, juntamente com qualquer manifestação de paixão pela política. Cumpre-se como dandy, a sua mais íntima vocação. As mordomias da função de deputado e a exposição mediática chegam-lhe para o narcisismo que sempre foi a sua dama. No PSD, a fuga de Barroso deixou o partido sem liderança, apesar de já ir no 4º presidente desde o triste Verão de 2004. Quem poderá salvar este partido? Essa pergunta tem agora uma forte resposta: Paulo Rangel. Marcelo quer ser Presidente da República, Rui Rio não sabe o que quer e Passos Coelho borrou a pintura nas Europeias. Só que Rangel é um produto que pode apenas prolongar a vida ao moribundo, não curar a maleita. Ele é mais um arrivista, um cínico. E só.

Um elemento sociologicamente enigmático diz respeito à rarefacção de novos talentos políticos à direita. Não há estrelas. O que é estranho, dadas as condições de vantagem educativa, formativa e experiencial. Para onde foram, porque não aparecem? A minha explicação favorita remete para condomínios fechados e viagens ao estrangeiro. A geração cujos pais enriqueceram no cavaquismo, ou que aumentaram aí as suas fortunas, cresceu sem precisar da política. Os seus pais tratavam do assunto, tinham tudo controlado. Para eles, filhotes, estava guardado o remanso e a luxúria. Havia bens para usufruir, dinheiro para gastar, tempo para celebrar. E novas cisões cavavam o fosso: as crianças estavam nos melhores colégios, iam para as melhores universidades, tinham os melhores empregos, queriam ter as melhores famílias. A rede social garantia a segurança máxima para a manutenção do conforto e do estatuto. A última coisa que esta geração pensaria em fazer era política. Tomava-os uma aversão radical, de classe, ao rol de ignomínias inevitáveis: convívio com o povo, intimidade com a escória, exposição à devassa pública. E o cansaço, o risco de humilhações, o medo de perder. Acima de tudo, o já não ter nada para ganhar.

Quão melhor o condomínio fechado, símbolo perfeito do cavaquismo. E as viagens ao estrangeiro, fugindo da pocilga. É por isso que continuam a citar Eça, os muros são altos lá onde sobrevivem.

Zé Manel manda combater em cada esquina, em cada janela

PS tentou impor as suas regras, mas os temas ficam nas mãos das televisões

Este é o título escolhido para noticiar as negociações relativas aos debates televisivos. Como em muitos outros títulos do Público onde se fala do PS e do Governo, há uma distorção que intenta deixar a sugestão de um ilícito ou falha moral. Neste caso, o PS teria feito algo censurável. Algo do domínio da imposição. Uma imposição de regras. Regras suas. Ou seja, o PS queria dominar, manipular, asfixiar.

Quando se lê a notícia, as senhoras que a assinam, Margarida Gomes e Filomena Fontes, têm menos engenho e arte e estatelam-se ao comprido. Afinal, a reunião onde se chegou a um consenso foi espectacularmente curta. A tenebrosa tentativa de imposição não passou de um aspecto em discussão, o qual não tinha especial relevância. Do que os outros partidos e televisões pretendiam nada se sabe lendo a peça. E os pueris considerandos subjectivos, que sugerem uma atitude censurável por parte do PS, ficam como exibição suprema da decadência do jornalismo feito actualmente no Público.

O mais assustador, contudo, é pensar que possa haver jornalistas que não entendam o que é a democracia e a lógica mesma de qualquer negociação. Espera, vou refazer: o mais assustador é pensar que possa haver jornalistas que queiram agradar ao Zé Manel.

Lembretes

– A situação do Presidente da República não se explica recorrendo apenas a uma análise política, há factores culturais e psicológicos a influenciar o errático curso dos acontecimentos. Cavaco está rodeado de bajuladores e alucinados, destituídos do mínimo discernimento. Daí o confrangedor e aviltante episódio da suspeita de escutas em Belém. Mas o próprio Cavaco não pode escapar ao juízo mais severo: o seu enriquecimento no BPN e a escolha de Dias Loureiro para conselheiro de Estado são manchas que não têm limpeza possível.

– Quando se calunia o Governo em matérias de comunicação social, acaba-se a falar de um ou dois telefonemas que Sócrates fez a directores de jornais ou de cronómetro na mão a contar os segundos no Jornal da Tarde na RTP 1. Ou seja, não existe qualquer condicionamento do Governo, qualquer. Existe é um mercado, onde o Governo joga de acordo com as regras desse mercado. É a esta dimensão que se resume o papel das agências de comunicação, as quais fazem relações públicas dentro de códigos profissionais. Outra é a história na oposição. O caso mais sórdido é o do Público, bem pior do que o da TVI, porque mais dissimulado, esconso. Este jornal escolheu a via do assassinato de carácter e da cumplicidade com a Presidência, acabando a protagonizar um dos episódios mais degradantes para o prestígio de um Presidente da República Portuguesa de que há memória. Provavelmente, esta aliança de métodos não é um acaso.

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Benfica prejudica PSD

O Pacheco, esse intelecto superior, descobriu nestas férias a origem do mal português: optimismo. Ter esperança é uma relassa fraqueza, uma bonacheirice, que se opõe à Disciplina e à Ordem, afiança o sábio da Marmeleira apoiando-se em Fradique Mendes e Madame de Jouarre. Diz mais. Que os portugueses se deixam manter numa espécie de estupor cívico. Que os portugueses são crédulos. Que os portugueses são basbaques. Que os portugueses são irresponsáveis. Que os portugueses, enfim, são irrecuperáveis. E que Eça já anunciava ser o Engenheiro um grande mentiroso.

Entretanto, ontem, o Benfica encheu de optimismo e esperança alguns milhões destes portugueses que não prestam. Ou seja, o Benfica está a contribuir para o sucesso do PS e para os acidentes nas falésias, se bem entendi o argumento do Pacheco. E aproveito para avisar os estrategas sociais-democratas do perigo que Hélder Barbosa representa. Este amigo, aos 91 minutos de jogo, marcou o golo do Setúbal. E que fez logo a seguir? Desatou a correr para a baliza, nem celebrou. Pegou na bola e ala para o meio-campo que ainda havia alguns segundos para jogar e o resultado estava nuns emocionantes e feéricos 8-1. Se este gajo não for o mais desvairado optimista à solta em Portugal, pelo menos será um bonacheirão que ameaça seriamente a Disciplina e a Ordem.