Obrigada, Marta Temido, por reagir à crueldade inaceitável de Manuela Ferreira Leite e da AD que a aplaudiu. pic.twitter.com/X5rfXDyOSs
— Isabel Moreira (@IsabelLMMoreira) March 8, 2024
Obrigada, Marta Temido, por reagir à crueldade inaceitável de Manuela Ferreira Leite e da AD que a aplaudiu. pic.twitter.com/X5rfXDyOSs
— Isabel Moreira (@IsabelLMMoreira) March 8, 2024
O Presidente-comentador (talvez ainda melhor: o comentador-Presidente) e os comentadores propagandistas irão vencer estas eleições?
O cenário, aparentemente inevitável, de se voltar a ter uma disputa Biden-Trump, agora com 81 e 77 anos respectivamente, é um pesadelo dentro de um pesadelo dentro de um pesadelo. Seria inimaginável até para autores de ficção antes de 2016.
Ao mesmo tempo, é apenas a democracia no seu esplendor de permitir o aleatório. Trump tem cidadãos americanos que saíram de casa para lhe dar o seu voto, querem que ele volte a ser presidente dos EUA mesmo que se prove ser um criminoso e um tirano. E Biden não preparou um sucessor, insiste em tentar nova campanha eleitoral e novo mandato apesar das suas exuberantes fragilidades físicas e cognitivas, as quais explicam a fragilidade política.
Isto acontece com uma Rússia abertamente em modo de chantagem nuclear sobre a Europa e um planeta em crescente disfunção de ecossistemas por causa da poluição, da exploração económica e das alterações climáticas.
Desesperar? Não, porque não há nada aí que valha a pena. A tarefa consiste em ir ao encontro dos que colocam a inteligência e a coragem ao serviço da liberdade. E pensar com eles. Como se faz desde o começo da civilização.
Declaro a intenção de votar no PS. A última vez que o tinha feito foi em 2011. Antes, nunca.
Tal como em 2011, o meu voto justifica-se pelo ataque à democracia, ao bem comum e ao interesse nacional concretizado na golpada judicial-presidencial que levou ao fim de um Governo de maioria absoluta em 2023. Em 2011, tinha sido o chumbo do PEC 4 e a utilização da Troika como desculpa para uma governação socialmente violenta e economicamente insana os instrumentos desse ataque, bem sucedido então para os propósitos da aliança negativa que preferiu abrir uma crise política por solitária gula eleitoral. Não fora isso, votaria agora Livre por ser a única alternativa onde se encontra módica racionalidade negocial e uma ética da decência, imune a sectarismos típicos da esquerda.
O meu voto no PS é paradoxal. Considero que esse partido suporta isolado a coesão da comunidade, ligando as carências de pobres, remediados e ricos em políticas que não ambicionam a revolução nem a perfeição. A história do PS como partido de poder confunde-se com a história da democracia como regime da inclusão e do desenvolvimento pragmático, realista, consequente. E estes predicados são os mesmos que me levam a considerar o PS como o principal responsável pela perigosíssima, e já trágica, disfunção dos órgãos de Justiça, Ministério Público como corporação e certos juízes incluídos.
No PS não existem respostas para essa crise do poder judicial tomado pelo justicialismo e cometendo crimes sistemáticos. Não existe sequer um discurso que permita ter esperança a respeito. Restam as pessoas a dar o seu melhor, confusas e assustadas com os poderes fácticos em acção. Sendo demasiado pouco, é nesta circunstância infinitamente melhor do que nada.
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May I have a quick word? Study shows talking faster is linked to better brain health as we age
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Researchers overestimate their own honesty
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More schooling is linked to slowed aging and increased longevity
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AI outperforms humans in standardized tests of creative potential
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Continuar a lerRevolution through evolution
Nos anos 80, numa escola secundária, convidaram-me para fazer parte de uma lista para a associação de estudantes. Era a lista M, porque o activista dela pertencia à Juventude Monárquica. Para mim, e para o meu colega parceiro de estróina também convidado, a ligação ao PPM aparecia como um acidente folclórico completamente irrelevante. Aceitámos porque éramos putos e aquilo prometia cegada da boa. Tínhamos uma palavra de ordem nos materiais de campanha: “Mudar”, pois claro. Depois, quando entrei na faculdade, fui de novo convidado para pertencer a uma lista para a associação de estudantes. Já não era a lista M nem o activista tinha qualquer relação com reis e barões, mas a palavra de ordem foi a mesma: “Mudar”, pois eram outros que ocupavam o poleiro. Alguns anos depois, nessa mesma faculdade, um professor (o qual viria ter uma frustrada passagem pela política partidária) explicou-me que isto do “mudar”, da “mudança”, não era coisa boa. E dava como exemplo a Modernidade, período que ele lamentava dolorosamente tantas as mudanças impostas, quase sempre para pior no que mais lhe importava. Sim, este professor era um conservador ilustrado.
Mudar pode ser um apelo que faça todo o sentido. Mas quando o faz não é pelo lado da mudança, é por fazer sentido. Pelo sentido os conhecereis, pelo sentido é que vamos.
«O Presidente da República disse esta quarta-feira que, em campanha eleitoral, "cada um dramatiza no que entende que é útil" para obter votos, em resposta sobre as declarações de Passos Coelho a ligar imigração à alegada insegurança.
"Depois, na hora da verdade, os portugueses dirão se valeu a pena ou se não valeu a pena", acrescentou.»
Tenho inveja de quem nasceu a 29 de Fevereiro. Porque, durante 3 anos seguidos, ficam com a liberdade de escolherem duas outras datas, em dois meses diferentes, para celebrarem o seu aniversário. E também porque podem retirar 3 a cada 4 anos no registo biográfico mental, chegando aos 80 com a convicção secreta de só terem 20 aninhos.
Parece pouco? Pode ser o que mais importa.
Num sábado, há duas semanas, andei de Metro em Lisboa. Mais de 70% dos passageiros não eram caucasianos. Desta minoria, uns 10% seriam ostensivamente estrangeiros. Não vi o menor desacato, uma simples discussão. Apenas rostos indecifráveis quanto à sua biografia e variabilidade etnográfica num registo de provável baixa condição social, salvo pontuais excepções.
Subitamente, não só compreendi mas também senti como pode ser altamente eficaz espalhar o medo acerca desta paisagem demográfica. Os mecanismos tribais do racismo e da xenofobia estão antropologicamente enraizados, fazem parte da herança biológica ligada ao instinto de sobrevivência. É muito mais fácil suspeitar de um estranho do que confiar nele, especialmente se esse estranho se apresenta culturalmente exógeno aos nossos grupos sociais onde construímos a identidade.
Passos a imitar Ventura pode não surpreender, posto que criador e criatura se têm declarado aliados desde Loures. Contudo, porém, todavia, ver um ex-primeiro-ministro (ainda com planos de voltar à ribalta política) a acirrar os instintos que podem causar alarme social, pânico colectivo e violência física potencialmente letal é historicamente significativo. O PSD pode mesmo ter deixado de fazer sentido no regime após a algaraviada de Passos a 26 de Fevereiro de 2024. Pela simples razão de ser incompatível com a decência pertencer a um partido onde a irresponsabilidade máxima é recompensada com discursos ao lado do líder e com um messianismo alimentado pela escória da direita portuguesa.
Há crimes cometidos por imigrantes? Sim. Tal será inevitável, estatisticamente necessário. Mas, como a sua percentagem é muitíssimo mais baixa do que a dos crimes cometidos por portugueses, o discurso que diaboliza os estrangeiros — e que aponta as suas tochas e forquilhas na direcção de pessoas com aparência africana e asiática — é uma mentira que procura instigar o ódio. Pretende-se levar para o Parlamento ainda mais incendiários do pior que existe na natureza humana.
A solução dos populistas de direita contra o crime é sempre serem eles a cometer crimes.
Women Get the Same Exercise Benefits As Men, But With Less Effort
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Chronic stress spreads cancer… here’s how
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A cousin to the Mediterranean diet: The Atlantic diet explained
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Scientists can tell where a mouse is looking and located based on its neural activity
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Real-time wearable human emotion recognition technology developed
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E o Marcelo, pá? Protegido pela comunicação social, poupado pelo sistema político, quando aparece expõe-se cognitivamente friável, moralmente pusilânime. Contraste radical com a postura irresponsável, acintosa, estouvada que, durante quase dois anos, gerou instabilidade política absurda e criou as condições para um golpe de Estado judicial — o qual ele validou e consumou.
Marcelo, no seu segundo mandato, quis brincar aos monarcas absolutistas. Vai acabar decapitado, a guilhotina será o juízo da História.
«no lugar de J.S., e sendo inocente, eu — embora sendo levado a julgamento por crime diferente daquele de que teria sido acusado — não recorreria mais nem tentaria prorrogar mais o julgamento: quereria antes, quanto mais depressa possível, poder provar a minha inocência — se verdadeira.»
Problema: o Miguel não está no lugar de José Sócrates. Só estando descobriria o que o lugar tinha para lhe ensinar, quem ele quereria ser nessa condição e estado. Por exemplo, poderia constatar que o sistema de Justiça estava viciado (como se viu com Armando Vara e se vê com a própria Operação Marquês, como se viu e vê na Operação Influencer), restando-lhe lutar com todos os recursos à sua disposição para evitar correr o risco do prejuízo maior.
Também pode acontecer que Sócrates não esteja inocente, daí calculando que não conseguiria obter em julgamento a sua absolvição. Só que essa hipótese, legítima para quem apenas pode ir assistindo ao desfilar público dos factos e especulações, não é o que mais importa na Operação Marquês. A hipótese de ser culpado tem na actualidade a consistência de uma bola de sabão a embater na calçada. A única realidade sólida no presente é a de estar inocente posto que nenhum crime foi ainda dado como provado em julgamento e, depois, transitado em julgado.
O Miguel deu uma peremptória e ofuscante lição de moral à sociedade e ao regime. Ele leu tudo, nada encontrou que sustente a exploração política e mediática continuamente a ser feita. Teve como resposta o mais imperturbável silêncio dos que andam há anos, quase duas décadas, a urrar as suas certezas de culpabilidade. Os perseguidores profissionais de Sócrates, uns por ódio político e outros por predação, são iguais aos broncos e maluquinhos que montam banca nas caixas de comentários deste blogue: nada leram do processo e têm alergia a quem pretenda que se faça justiça a Sócrates. Estes pulhas não sabem coisa nenhuma para além das gordas do lixo do sensacionalismo e da violência da indústria da calúnia porque apenas lhes interessa a continuação do linchamento de um certo cidadão e terceiros relacionados com ele.
Ter um ex-primeiro-ministro condenado por corrupção, sem haver dúvidas quanto à justiça da sentença, seria uma nódoa histórica que abalaria o PS e o regime. Mas ter uma Justiça que desonra a sua autoridade e viola o Estado de direito democrático é um dos maiores perigos concebíveis para a segurança nacional e para a ordem pública. É uma forma de tirania, um ataque à liberdade.
«A mim, enquanto português, não me é indiferente saber se José Sócrates é culpado ou inocente. E quando digo saber, é mesmo isso: não me basta ter uma ideia, uma percepção, uma presunção, uma preferência. Eu quero saber qual das duas coisas é verdade: se tivemos um primeiro-ministro que, como sustenta a acusação pública, foi corrupto até à medula ou se, pelo contrário, foi e continua a ser alvo de um procedimento judicial fundado justamente em presunções e não em factos. A menos que estivesse disposto a aceitar, desde já, a conclusão tirada pelo director do “Público”, David Pontes, quando escreveu que “a presunção de inocência continua a valer, mesmo que as fracas justificações de José Sócrates há muito tenham levado a maioria dos portugueses a tirar as devidas conclusões sobre a sua conduta”. Há muito e as devidas conclusões? Desde quando e com base em quê? Acaso a “maioria dos portugueses” e o próprio David Pontes se deram ao trabalho de ler com atenção e espírito isento as 4083 páginas da acusação do Ministério Público (MP), as 6728 páginas da decisão instrutória do juiz Ivo Rosa e agora as 683 páginas do acórdão da Relação sobre o recurso do MP dessa decisão? É um trabalho muito chato, eu sei, mas acham que é possível tirar “as devidas conclusões” sem o fazer? Se sim, então para que será necessário também um julgamento? Bom, eu dei-me a esse trabalho (saltando os longos e repetidos copy paste), porque, como disse, a conclusão não me é indiferente enquanto cidadão e só será séria se informada. De tudo o que li e ouvi ao longo destes 10 anos tirei algumas conclusões que me parecem pacíficas:
— Durante três anos, de 2011 a 2014, José Sócrates (J.S.) viveu, e largamente, à conta de um amigo, Carlos Santos Silva (C.S.S.), que lhe pagou todas as despesas pessoais, incluindo aquelas de outras quatro ou cinco pessoas a quem ele, por sua vez, ajudava a sustentar;
— Mas se viver por conta, especialmente um ex-PM, não será propriamente glorioso, também não é crime. E tanto J.S. como C.S.S. admitiram que o primeiro vivia dos empréstimos do segundo, que, pelas contas deles, terão somado entre meio milhão e 1,1 milhões de euros — ou 4.733.691,30 euros, segundo a acusação;
— Porém, diz o MP, isto só foi possível porque o dinheiro, que provinha de contas de C.S.S. na Suíça, não era dele, mas sim de J.S., e adquirido devido a corrupção;
— Disto — de uma e outra coisa — não existe qualquer prova directa no processo, sustentando o MP, e agora também o Tribunal da Relação de Lisboa (TRL), que tal não é necessário, bastando a prova por deduções, suposições ou presunções, pois que, como foi escrito a certa altura, “quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem”. Salvo melhor opinião, tal não me parece nem suficiente nem recomendável como prática de incriminação criminal: se eu for apanhado a comer caviar no Gambrinus, isso não significa que tenha acabado de assaltar um banco. Sócrates começou a ser investigado muito antes de ser preso; esteve detido preventivamente 10 meses; o inquérito demorou cinco anos e foram interrogadas dezenas de pessoas, feitas inúmeras buscas, centenas de apreensões, horas incontáveis de escutas telefónicas e inumeráveis outras diligências envolvendo uma quantidade imensa de procuradores e inspectores: é difícil convencer um tribunal sem pré-juízos de que, face à magnitude de meios da investigação envolvidos e à gravidade da acusação — Sócrates corrompido pelo Grupo Lena, por Vale do Lobo e pelo GES —, não haja para apresentar como prova do que se imputa um só testemunho, uma escuta, um e-mail, um documento, um papel, uma fotografia, uma transferência bancária, o relato de um encontro, uma conversa. Nada.»
Se desde o início tivesse sido o juiz Ivo Rosa, ou o juiz Jorge Bernardes de Melo, ou o juiz Nuno Dias da Costa, ou este colectivo de juízes de Viana do Castelo, ou o juiz X, ou o juiz Y, ou o juiz Z, a validar os actos processuais da Operação Marquês e a velar pelos direitos e garantias dos arguidos, esta teria sido uma coisa completamente diferente.
Diferente porque mais próxima da justiça, fosse qual fosse o seu resultado. Tal como correu, com um juiz que se comportou como defensor do Ministério Público e amplificador da acusação, para além de verdugo e vedeta populista, a Operação Marquês foi sempre um processo político que se transformou num fiasco policial, num imbróglio judicial, numa perseguição individual, num linchamento social, num tabu moral, numa cobardia cívica e num vexame comunitário.