«A democracia também é destruída quando Augusto Santos Silva é eleito segunda figura da Nação. Porque ele foi a figura absolutamente essencial de suporte político naquilo que foi o maior atentado ao Estado de direito da democracia portuguesa. Um homem que foi braço-direito de Sócrates de 2005 a 2011, que foi essencial quando os jornalistas estavam a ser perseguidos, quando os bancos estavam a ser tentados tomados de assalto, e Augusto Santos Silva foi a pessoa que esteve ali ao lado dele, muitas vezes a atacar a própria comunicação social, e eu não me esqueço disso.»
Ao lado do fulano estavam três cidadãos. Um com carteira de jornalista, outro licenciado em Direito e ainda uma das personalidades públicas com mais notoriedade em Portugal. Nenhum tugiu nem mugiu. O efeito na audiência é o de ficarem como “verdades” que dispensam contraditório, sequer explicitação, as calúnias pela enésima vez despejadas nesse programa, e por toda a comunicação social desde 2009. Calúnias contra Sócrates, contra o PS e contra a República e suas instituições políticas e judiciárias.
Atente-se ao grau máximo de diabolização pretendido:
– “Democracia destruída” com a eleição de Augusto Santos Silva para presidente da Assembleia da República. É fétida e fanática alucinação, funcionando como táctica que retira os holofotes de cima de Ventura e do Chega, branqueando os seus apelos à violência social e política.
– “Maior atentado ao Estado de direito na democracia portuguesa” consistindo em suspeitas politicamente motivadas que a própria Justiça, também ela politicamente motivada, nunca sequer conseguiu transformar em processos judiciais (embora tenha tentado). Lembre-se que na Operação Marquês, onde havia todo o interesse dos procuradores em soterrarem Sócrates no maior número de acusações possível de engendrar, a cassete dos “jornalistas perseguidos” e da “banca assaltada” não teve sequer capacidade para ser repescada.
– “Jornalistas estavam a ser perseguidos, bancos estavam a ser tomados de assalto” bolça o caluniador no conforto de um estúdio TV. Não se distingue esta estratégia de comunicação em nada dos clássicos discursos de apelo ao ódio, causadores de milhões de mortos ao longo da História, onde os alvos têm de ser caricaturados como possuidores de características inumanas. No caso, Sócrates primeiro-ministro teria ainda arranjado tempo para perseguir jornalistas e tentar tomar de assalto bancos sem que as vítimas, e as autoridades policiais e judiciais, mais o sistema político onde havia partidos e um Presidente da República chamado Aníbal Cavaco Silva, tivessem conseguido reagir, atemorizados perante a fúria da besta socrática. Mas eis que um punhado de heróis se ergueu e iniciou a resistência. Um desses heróis, e provavelmente o mais importante (é perguntar-lhe para confirmar), foi o próprio JMT, ao lado do José Manuel Fernandes e da Helena Matos. Este pequeno grupo de valentes, por estarem a defender no limite das suas forças a liberdade contra a tirania, acabou triunfador do homérico conflito com tão monstruoso inimigo.
O Tavares encheu e continua a encher o bolso à conta da perseguição canalha a Sócrates. Faz todo o sentido pois foi Sócrates quem lhe deu esta específica carreira como caluniador ao ter pedido, em 2009, que os tribunais repusessem o seu bom nome, e da sua mãe, por causa de um texto cobarde assinado por JMT. Mas enquanto este Tavares não passa de um arrivista que se deu bem no pós-Portalegre, Marques Mendes é um tubarão do regime, um cavalheiro de indústria que atravessa os corredores alcatifados das maiores empresas, dos mais poderosos gabinetes de advogados, do PSD, do Conselho de Estado, e depois ainda vai para o império Balsemão, em canal aberto, tratar da sua agenda. E Marques Mendes igualmente difunde as mesmas calúnias acerca de Sócrates, do PS e das instituições políticas e judiciárias da República.
O que me leva à seguinte conclusão: para as vedetas do negócio do ódio, arraia-miúda ou figuras gradas, a mais alta realização política a que vão chegar consiste em chafurdarem na pulhice.