Arquivo da Categoria: Valupi

Como será o pós-nunismo?

Parece uma pergunta absolutamente temporã, dado que o homem mal aqueceu o lugar como secretário-geral do partido e ainda não se cumpriu como primeiro-ministro. Mas a Internet (inventada pelo Al Gore, nunca esquecer) é o ecossistema ideal para este tipo de questionamento que é um hino à irrelevância.

Fernando Medina será um candidato certo, Duarte Cordeiro idem, José Luís Carneiro foi uma excelente surpresa na campanha eleitoral interna, e também Pedro Delgado Alves daria um promissor candidato, eis os nomes que me ocorrem sem gastar uma caloria na análise da paisagem dos recursos humanos disponíveis. Lamentavelmente, não posso pôr nesta lista o Paulo Pedroso.

Ora, esse grupo acima elencado é mais do mesmo, o clube da rapaziada. Para o meu palato, gostava de ver o PS numa qualquer solução hierárquica onde Mariana Vieira da Silva, Alexandra Leitão e Isabel Moreira fossem o núcleo directivo das propostas eleitorais e de um eventual Governo. Marta Temido poderia juntar-se ao trio pelas mesmíssimas razões.

Por serem mulheres? Sim, claro, mas não só nem principalmente. É que também são personalidades políticas brilhantes (exibem alta competência profissional), transmitem confiança ética (possuem, até ao presente, inquestionável integridade) e mostram valentia na defesa do ideal democrático (inspiram os cidadãos a imitarem o seu exemplo).

Há uma outra razão: é que tal situação seria perfeitamente normal. Anormal é continuar sem acontecer.

A criatura e o criador

«Passos Coelho apela a entendimentos políticos depois de “sinal claro” nas eleições. À saída, ainda dentro da sala, Passos Coelho trocou algumas palavras com Ventura. “Já nos cumprimentámos, já o felicitei pela eleição, e pela prestação que tem tido no Parlamento, temos sempre de reconhecer o mérito dos outros, muito bem”, disse, desejando um “bom mandato”. “[A intervenção] Foi brilhante”, respondeu o líder do Chega.»

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«André Ventura classificou o discurso de Passos Coelho como “mais próximo até do Chega do que do atual PSD”. “Acho que este discurso marcou um bom momento para essa convergência, talvez até permita um candidato presidencial”, disse Ventura, deixando uma pergunta retórica: “Porque não o Pedro Passos Coelho?”»

Fonte

Revolution through evolution

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Dominguice

Nos anos 70, numa aldeia do Ribatejo, vi um familiar a preparar-se para sair à noite. Teria vinte e poucos anos e ia com uns amigos para os cafés da região, talvez para alguma festa popular. Eu ia para a cama cedo, criança que era. Mas nunca mais me esqueci de vê-lo prender uma faca de mato a uma perna, ficando coberta pela calça. A naturalidade e descontracção do episódio, a que se juntava a normalidade da pessoa em questão (emigrante de férias em Portugal), levaram-me a concluir, muitos anos mais tarde, que aquele procedimento era usual — naquele tempo, naqueles lugares. Se viajarmos para o passado, não encontraremos menos facas e facadas na noite portuguesa. Quão mais se for nessa direcção, mais cresce a insegurança nas ruas e locais de consumo de álcool ou meros ajuntamentos.

Hoje, todos temos câmaras de fotografar e filmar prontas a disparar. É uma poderosa arma contra as facadas e demais violências físicas, embora crie a impressão contrária.

Percepções

Dá ideia que este Governo — nascido de uma golpada judicial aproveitada, ou até alimentada, por Marcelo — é uma espécie de intervalo na condução do País. Destinado a durar só o tempo necessário para que o Pedro Nuno Santos elabore o programa para os próximos 10 a 15 anos de desenvolvimento económico e melhoria dos serviços públicos.

Os parolos têm direitos como as restantes pessoas

A primeira vez que vi esta identidade visual da República Portuguesa estranhei a coisa. Começa por parecer simplista, habituados como estamos à densíssima carga simbólica da nossa bandeira. Depois, continuamos a estranhar a alteração na hierarquia e semiótica cromática, surgindo o amarelo como cor dominante e central. Finalmente, a ausência do texto simbólico acaba por destacar o vermelho visto ser o bloco que conclui a narrativa do objecto.

Seguiu-se o entranhamento. Quão mais vezes a via, mais gostava. A sua simplicidade e nudez heráldica passava a ser contemporaneidade, evolução, juventude. E o círculo amarelo a substituir a esfera armilar prestava-se a um subtexto de patriótica ironia, anunciando que as conquistas em que agora estávamos interessados chamavam-se turistas, aos quais se entregava a missão da descoberta do nosso régio sol.

Faz todo o sentido que o Governo do Montenegro e do Nuno Melo tenham logo no primeiro dia em funções mandado esta obra de arte para o galheiro. Quem é parolo também tem direito a cumprir-se como tal.

Costa do castelo

Sempre considerei António Costa um político medíocre — etimologicamente: mediano, comum. Isto, obviamente, nada diz a seu respeito. Só me caracteriza na minha ignorância, inexperiência e insolência. Mas valorizei uma indiscrição não desmentida (nem parecendo justificar tal) de Vicente Jorge Silva, em 2017 e remetendo para 2004, onde descreve um Costa assumidamente avesso à liderança do PS; portanto, do País. A ser verdade, talvez explique a base, a fonte, a natureza daquela que se veio a tornar a sua principal qualidade como governante, isso de não ter rival na capacidade de gerar confiança. O tipo de confiança mais importante na cidade, o sentido de responsabilidade e discernimento ao serviço do bem comum e do interesse nacional. Eis o seu castelo, donde conseguiu dar forças aos colegas da governação para ajudar a comunidade a suportar crises inauditas.

Infelizmente, o seu legado para o saneamento da Justiça, tomada por criminosos e justiceiros, é nulo. Tanto que acabou, e continua, vítima dessa sistemática violação do Estado de direito com os instrumentos judiciais. A sua atitude perante a Operação Marquês carece de mais informação acerca das acções de Sócrates alvo do processo, podendo acabar por se reconhecer que defendeu bem o partido ou que defendeu mal a liberdade de que Mário Soares foi paladino. Desfecho imprevisível, talvez só disponível para historiadores.

Agora que abandonou uma função pública a que não voltará, está ao mesmo nível de Guterres numa eventual candidatura presidencial. Se concorrer, ganha e passa 10 anos em Belém. Diria que melhor remédio após o desastre de Marcelo é difícil de sequer imaginar.

Povo, esse grande leitor

«Marcelo: "Entrou-se num tempo novo. Vamos ver como o povo lê o que se passou nestes meses e dias"»

Novembro de 2023

E atão? Como é que o povo leu os meses e os dias onde se passou a golpada judicial que ofereceu a Marcelo a dissolução do Parlamento? Sem surpresa, não podemos contar com o actual Presidente da República para o descobrir. Ignoramos o que ele pensa a respeito da transformação da maioria absoluta socialista obtida em 2022 no Governo do Montenegro e do Nuno Melo em 2024. É um mistério o que os seus neurónios concebem a respeito do fenómeno que levou 1 milhão de taralhoucos e abstencionistas a verem no traste do Ventura o salvador da pátria.

Teremos mais sorte se olharmos para a comunicação social. Tem patrões, os quais pagam as contas para desfrutarem das linhas editoriais que acham mais adequadas aos seus interesses. Para tal, põem no comando das redacções quem está disposto a aplicar a agenda. Estes rodeiam-se daqueles que estão disponíveis para os serviços inerentes ao contexto. E ai daqueles que levantem a bola contra o sectarismo pois de imediato serão carimbados como atacantes da sacrossanta liberdade de expressão e da imprensa. Não é difícil de perceber. Aliás, é tudo ostensivo. A dita “imprensa de referência”, RTP incluída, imita-se no jornalismo político e genérico ao ser uma fonte de sistemático sensacionalismo, alarmismo e intencional deturpação rapace das inevitáveis disfunções no aparelho do Estado. A violência emocional de um qualquer fulano com carteira de jornalista a entrevistar quem ele considere um alvo a abater (governantes e dirigentes socialistas, tudo o que fosse passível de ser relacionado com Sócrates) foi ainda mais tóxico para a salubridade do espaço público do que o exército de comentadores direitolas.

Mas o estado de maior derrelicção a abater-se sobre a comunidade vem do ocupante de Belém. Na véspera da golpada, Marcelo protagonizava sucessivas cenas caricatas, abstrusas, exibindo patológico descontrolo cognitivo. O seu papel nesta história que fez história não é só triste e lamentável, logo a começar na tomada de posse do Governo da maioria socialista e em crescendo a partir daí. Há também na sua conduta uma lição de antropologia: vulpes pilum mutat, non mores.

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Dominguice

Há boas razões para nos deixarmos cair na irracionalidade. E por lá ficar, adaptados e minimamente funcionais. Afinal, não só o absurdo é parte intrínseca do quotidiano como parece estar na origem e destino do universo. É fácil, e até lógico, desistir da procura de sentido. Mas há melhores razões para frequentarmos a racionalidade. Encontrarmos por lá uma casa, alugada ou construída de raiz.

As habitações na irracionalidade podem ser mais baratas e confortáveis. Dão muita vontade de passar o tempo fechados em casa. Mas só na racionalidade dá para conversar com os vizinhos. Ou com alguém.

Curso instantâneo de política

Na governação de um país, qualquer, não se pode resolver os problemas de toda a gente, e a maior parte dos problemas não tem resolução imediata. Parece óbvio.

Na vida de cada um, qualquer, não se resolvem os problemas todos que se têm, e a maior parte deles não tem resolução imediata. Óbvio parece.

Donde, os últimos a quem devemos entregar a resolução dos problemas políticos são os que _____, e o primeiro a quem devemos exigir a resolução dos problemas pessoais é o ____ .

[preencher os espaços em branco e mandar para este fantástico blogue caso se pretenda ter o trabalho avaliado]