Arquivo da Categoria: Valupi

Revolution through evolution

Love is more complex than ‘5 love languages,’ says expert
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Why we hate to wait
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Are you depressed? Scents might help
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Older adults rely more on trust in decision making. It could open them up to scams
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Salt substitutes help to maintain healthy blood pressure in older adults
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The brain is ‘programmed’ for learning from people we like
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Tech Layoffs Signal ‘Feeling Economy’ Shift
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Dominguice

A pandemia, com o choque do isolamento social, as perdas laborais e financeiras, a convivência intensiva e forçada das famílias, e a ansiedade desvairada antes de aparecerem as vacinas, levou a um grande aumento da depressão. Quando estávamos convencidos de ter passado o pior a seu respeito, a Rússia invadiu a Ucrânia. Especialmente para os europeus, tal levou a um novo grande aumento da depressão, tanto por se ter guerra na Europa como pela retórica de ameaça nuclear dos putinistas. Quando essa guerra estabilizava na rotina do impasse, o Hamas organizou um massacre de civis em Israel, o qual deu origem a uma destruição bíblica da Faixa de Gaza. O sofrimento inumano causado de parte a parte a encher os noticiários, e a explosão de ódio sectário numa situação de impossível favorecimento moral, levou a mais um drástico aumento da depressão. Depressão cada vez mais profunda neste processo acumulativo sem fim à vista, como a situação política na América faz prever e as alterações climáticas impõem como certeza.

Eleitores deprimidos perdem capacidade cognitiva e tomam decisões impulsivas. São vítimas de sensacionalismos rapaces, pasto para populistas com a cassete da extrema-direita. Explicam as sondagens.

Decente versus Pulha

Pontuar debates políticos impõe uma lógica de competição onde se procura estabelecer quem “ganhou”, para assim também carimbar quem “perdeu”. Essa decisão é entregue a jurados oficiosos que não precisam de seguir qualquer metodologia de avaliação objectiva. Daí comportarem-se, sem excepções, como editores de uma agenda política subjectiva. Perseguem e castigam as suas animosidades, protegem e louvam as suas afinidades. E gerem o grau de obscenidade nos seus vieses de acordo com a sua marca pessoal.

Embora este contexto possa, ainda assim, gerar comentários qualitativamente úteis para o esclarecimento da audiência e para as escolhas do eleitorado, nos casos onde o comentador não é sectário e tem módica honestidade intelectual, o resultado colectivo reduz a campanha eleitoral à política-espectáculo. Isto é, a racionalidade do acto eleitoral — a escolha de um Parlamento que dará legitimidade a um Governo — é substituída pela encenação de uma luta onde está em causa conseguir agredir o adversário, dar-lhe socos. No final, contam-se os socos respectivos e, com sorte, há KO para festejar nos estúdios televisivos. Segue-se a amplificação mediática da glória do vencedor e da humilhação do derrotado.

Os directores, editores e jornalistas da nossa imprensa querem este modelo (pois não passam de irresponsáveis à procura de audiências), os políticos igualmente (aceitam a degradação do seu papel na sociedade). Mas é fácil imaginar outro, qualquer outro. Por exemplo, o velhinho modelo SWOT evitaria a retórica e o jargão da porrada. Geraria comentários mais inteligentes, porque mais compreensivos e prospectivos. A qualidade da opinião no espaço público melhoraria ao se reduzir drasticamente o efeito tóxico de contágio com o caudal de violência emocional ininterruptamente a ocupar a pantalha.

Ou então, tão-só, substituir os números pelo léxico. Usando o debate entre Rui Tavares e André Ventura como exemplo, e em vez de começar a dizer coisas a partir de algarismos, os comentadores ficariam obrigados a escolher duas palavras de síntese. No meu caso seria: Decente versus Pulha.

Só se desilude quem se ilude

O debate entre Pedro Nuno Santos e André Ventura foi uma desilusão. Só se desilude quem se ilude, pelo que a minha ilusão prévia era a de ir ver, finalmente, alguém colocar o traste no seu lugar. E ninguém com maior responsabilidade para tal do que um líder do PS — fosse quem fosse esse líder.

Ventura é um actor político banal, rasca e altamente previsível. Tem uma cassete, repete-a à exaustão. Apela a uma fatia do eleitorado que está condicionada pela iliteracia política, pela insegurança financeira, pela ansiedade social e pela deficiência cognitiva. Este número indeterminado de cidadãos é extremamente influenciável por apelos ao medo, os quais se reforçam e cristalizam com os apelos ao ódio. Assim, PNS sabia ao que ia. Teve tempo para se aconselhar, para pensar e preparar o acontecimento.

Para minha surpresa, e desgosto, vi o candidato a primeiro-ministro nivelar-se por baixo com o candidato a primeiro-chunga. As frequentes interrupções de PNS a Ventura, o palavrório simultâneo e exaltado que geravam, os remoques convencionais quando era Ventura a interromper, as farpas aqui e ali para marcar pontos, a pose sobranceira, tudo isto e o resto são erros crassos numa ocasião em que dispunha de uma vasta audiência. Porque não a aproveitou para expor a lógica da retórica chegana.

O caso Sócrates, inevitável na cassete do proto-facho, poderia transformar-se no patíbulo do caluniador. Para tal, PNS deveria ter tido como estratégia arrastar Ventura para o âmago do que está em causa. Poderia perguntar-lhe quais eram os recursos de Sócrates agitados como excessivos que considerava ilegítimos. Daqui não viria nenhuma resposta coerente ou relevante, pelo que poderia continuar a enredar Ventura em si próprio perguntando-lhe se tinha provas da corrupção de Sócrates. Poderia ainda perguntar-lhe se concedia a Sócrates o direito a ter advogado e a defender-se em todas as fases do processo. Fossem quais fossem os disparates bolçados em resposta, PNS concluiria a faena iluminando o verdadeiro significado deste ataque a Sócrates, comum em Ventura e em toda a direita, idem na imprensa: atacar o próprio Estado de direito para fins de linchamento político, assassinato de carácter, judicialização da política e politização da Justiça.

Porque não foi PNS por aí e se limitou a denegrir Ventura pelo lado em que ele dorme melhor, apenas apontando para a sujidade do porco? Não faço ideia, claro. Ou faço, a cicuta ainda não foi bebida até ao fim.

Agruras da ingenuidade e do romantismo, estava na ilusão de que nestas eleições havia um partido, pelo menos um, que tivesse como baluarte a defesa da liberdade.

Não é o Trump, estúpido

Trump disse que “encorajaria” a Rússia a atacar países pertencentes à NATO que não estivessem a gastar o acordado na sua defesa militar. Por “encorajar”, detalhou que tal significa apelar a Putin para lançar o tipo de “inferno” que mais lhe apetecesse sobre esses países com orçamentos de defesa abaixo dos seus compromissos com a NATO.

Por um lado, isto é apenas mais um exercício da retórica típica de Trump, a qual lhe tem dado um sucesso sem paralelo na política norte-americana. Por outro lado, isto é também o ogre a expressar que se vê como um chefe criminoso para quem outros chefes criminosos são naturais aliados. E nesse seu êxtase, não se importa de ficar para a história como um ex-presidente que apela à destruição e à morte qual cavaleiro do apocalipse.

O enigma maior nesta desgraça civilizacional não é Trump. Ele limita-se a ir esticando a corda, porque tem resultado a seu favor mesmo que morram e fiquem feridos polícias a defender a democracia americana. O enigma maior diz respeito ao povo adulto que habita nos EUA.

Começa a semana com isto

The findings from a large survey study, co-authored by Kyle Hull, Kevin Smith and Clarisse Warren, demonstrate the willingness of people to bend their morals - even behave unethically - when engaging in the political realm.

Results also suggest that hostility toward outgroups (i.e., opposing party) is the driving factor for the moral ambiguity exercised when respondents switch from the personal to the political arena.

And there is not just one guilty party.

"People, regardless of age or ideology, were more willing to engage in immoral behaviors and judgments if the behaviors were in the political realm," said Hull, a visiting assistant professor in political science. "And a lot of it was just driven by genuine internal dislike of the 'other' side."

"I think there's some reason for concern," Hull said. "As long as there is some internalized dislike of the outgroup, there's certainly a risk of behaviors that may be involved when people are willing to act less morally. Politics makes us do things that we just normally wouldn't do and tolerate things we wouldn't normally tolerate. It brings out, sometimes, the worst in us.

"The way some politicians and media speak about the other party fuels that fire in a way. The more we engage in pitting one party or the other as the bad guys, and the more you feel that way, the more you are willing to set your morals aside."


Why politics bring out the worst in us

Revolution through evolution

Heat maps show men look straight ahead; women scan periphery
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Low voice pitch increases standing among strangers
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It’s true, happiness doesn’t cost much
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Nature is particularly beneficial for people on lower income
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Psychological care delivered over the phone is an effective way to combat loneliness and depression, according to a major new study
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University of Limerick, Ireland research confirms benefits of resistance exercise training in treatment of anxiety and depression
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Regular erections could be important for maintaining erectile function
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Dominguice

O debate ideal é aquele em que o interlocutor não pode interromper o colocutor — ou apenas o interrompe de acordo com um protocolo admitido pelo modelo em causa. Essas são as regras das competições de debates; tradição infelizmente, mas sintomaticamente, sem expressão em Portugal para lá de raros nichos. Admitir interrupções espontâneas e sistemáticas nos debates entre políticos numa qualquer disputa eleitoral favorece o argumentador mais fraco e/ou mal-intencionado.

Seria de supor que os jornalistas velassem por impor aos políticos um modelo de debates onde a racionalidade estivesse protegida. Mas os jornalistas comportam-se como políticos rascas e chicaneiros: boicotam a argumentação dos políticos e transformam em papa intragável o seu discurso.

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People are inclined to hide a contagious illness while around others, research shows
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Jealousy – we understand our own sex best
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New study reveals the profound impact of forced separation between humans and their pets
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Study suggests secret for getting teens to listen to unsolicited advice
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Perguntas e respostas da Mayo Clinic: Alimentos que ajudam a fortalecer a memória
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How a walk in nature restores attention
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When Chinese citizens are surveyed anonymously, support for party and government plummets
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Dominguice

Há polícias convencidos de que Ventura vai ganhar as eleições e que eles acabarão condecorados pelo chunga-mor por terem ajudado a causa.

Embora actualmente não exista autoridade presidencial e o Ministério Público seja muito selectivo na aplicação da lei, colhe lembrar a quem ameaça a democracia de arma na mão que essa estultícia vai sempre acabar muito mal, acabe como acabar.

O laranjal não está todo podre

"Olhando para os cenários pós-eleitorais, os simpatizantes do PSD preferem acordo com IL, PS ou até com o PAN. Uma negociação com André Ventura é uma “má ideia” para dois terços dos simpatizantes sociais-democratas"

Sondagem Expresso/SIC: 64% dos eleitores do PSD rejeitam acordo com Ventura

A ser representativa esta sondagem, e mesmo que o valor indicado fosse só 50%, tal obriga a concluir que a estratégia do PSD de tentar vencer o PS destruindo a confiança nas instituições é imbecil (e antipatriótica).

Podemos imaginar uma História de Portugal alternativa em que Cavaco Silva teria perdido para João Salgueiro em 1985. Talvez o PSD ganhasse à mesma as eleições seguintes, num ciclo longo de poder suportado pela entrada dos fundos europeus, sua distribuição e conversão em riqueza para o Estado e particulares. Mas, provavelmente, não teríamos José Oliveira e Costa e Dias Loureiro, entre outras personagens sinistras do tempo que se colaram a Cavaco na Figueira da Foz. Salgueiro era o caso típico de um alto quadro do Estado Novo que tinha feito uma natural transição para o regime democrático. Trazia competência técnica, sólido currículo político liberal e uma formação moralmente conservadora ligada ao catolicismo. Ou seja, a malandragem não se sentia com ordem de soltura consigo a tomar conta da barraca.

Cavaco permitiu que se criasse o Cavaquistão. A partir dele, todos os restantes líderes do PSD, sem excepção, foram baixando a fasquia da qualidade política dos seus programas e respectiva retórica. Não se aproveita um, por isto ou por aquilo, sempre por falta de acerto com o interesse nacional. E todos a partir de Santana, de alguma forma (inclusive o dúplice Rui Rio), foram coniventes com a judicialização da política e a politização da Justiça. Ventura apenas teve de entrar nesse comboio e juntar-lhe o tempero do ódio às minorias e o teatro da violência.

O PSD tem salvação, mas só se figuras como Jorge Moreira da Silva não desistirem de continuar a verdadeira tradição social-democrata de centro-direita, simbolizada em Sá Carneiro.

Perigos à solta

Sou fã do Pedro Marques Lopes por causa de cenas como esta a terminar o Eixo do Mal de ontem. Chamou a atenção para um texto da procuradora Maria José Fernandes, onde se lê a sua indignação por mais uma pulhice de Marques Mendes:

Na aparência, estamos perante um escândalo. Há um conselheiro de Estado que calunia um juiz, faz-lhe um assassinato de carácter e lança uma campanha de difamação. É a política a atacar o edifício judicial, retintamente. Mas depois, como MJF constata, não há escândalo algum. Porquê? Porque o edifício judicial também alinha no ataque a esse juiz. Ivo Rosa é persona non grata junto dos seus colegas, a enorme maioria, que gostam das ideias e do papel de Marques Mendes no regime e na sociedade. Que ideias e que papel? É ver aqui esta amostra:

Marques Mendes e o todo-poderoso

Marques Mendes, Consigliere de Estado

Resumo executivo: Marques Mendes, em antena aberta, acusou o PS de ser um partido criminoso, onde até Vítor Constâncio aparece como cúmplice de crimes faraónicos. Ora, pode alguém com esta conduta, seja sincera ou hipócrita, ser conselheiro de Estado? Não só pode como foi escolhido precisamente por isso e para isso. Idem para Lobo Xavier, escolhas pessoais de Marcelo — e ambos useiros e vezeiros em violar os deveres a que estão obrigados pela presença nesse órgão, ambos sistemática e obsessivamente sectários na chicana com que atacam os socialistas.

Esta cultura de envilecimento institucional ao mais alto nível da hierarquia do Estado alimenta e legitima uma florescente indústria da calúnia, e permite a Ventura repetir a mesmíssima cassete com ainda mais escabrosa ordinarice, a que junta apelos ao ódio e à violência. Mas, em Janeiro de 2019, o estimado e admirável PML não botou faladura sobre os números de Marques Mendes acima disponíveis para consulta. E essa lentidão dos decentes em fazer frente aos indecentes, por causa da cumplicidade desses decentes com o linchamento de Sócrates, explica a sociologia eleitoral que se vai desenhando nas sondagens.