O nosso amigo Nuno Salgueiro sugeriu a divulgação do projecto de Ridley Scott e Kevin Macdonald. Qualquer um pode participar.
Arquivo da Categoria: Valupi
Mais uma do João Cardoso Gonçalves
Que pensas desta proposta da Isabel Moreira?
Por mim, fogo à peça. A Constituição não é uma idiossincrasia continental. Mas ressalvo que o crucifixo, sem catecismo ou liturgia que lhe dê sentido, não passa de um folclórico e benfazejo ícone identitário. A assepsia antropológica nunca foi boa conselheira.
Teste de lógica
“E é isso que nós gostaríamos de evitar, que ficássemos presos a fórmulas do passado”, rematou Passos Coelho, referindo que “razão atendível” é uma expressão “do calão jurídico nesta área que, de resto, já foi utilizada até por governos orientados por várias personalidades de extrema esquerda”, logo, “não deve ser, com certeza, uma visão tão perigosa como isso para a nossa democracia”.
*
Quantas contradições se consegue detectar nestas declarações?
Tania Maria
Ao contrário do que nos tentam impingir, os portugueses não estão preocupados com o desemprego nem aborrecidos com a permanência do Veloso no Sporting. Isso são males que apenas se devem à conjuntura internacional; e o que não tem remédio, remediado está. A grande questão a ocupar o córtex nacional diz antes respeito a esta subida pergunta: quem é a melhor cantora brasileira? É disto que se fala à boca cheia nas esplanadas e praias, e à boca pequena nas sedes partidárias.
Para complicar, todos conhecem a resposta: Elis. Então, a tentativa de encontrar a solução para um problema já resolvido põe à prova o talento e resistência do mais motivado dos melómanos. O qual se dedicará à secreta e antiquíssima arte da errância se quiser estar à altura do páreo reginiano. Como se transmite nesta arcana sabedoria: quem erra, mesmo que não procure, sempre encontra.
Efeméride
Celebra-se hoje, por todo o País, a 1ª semana desde que Mota Amaral desafiou os deputados-espiões, os jurisconsultos-Torquemada, os magistrados-gestálticos e os jornalistas-snipers a consumarem as suas intenções de judicializarem por completo a política, já que se mostraram perfeitamente capazes de politizarem a Justiça.
O silêncio que se abateu sobre tão gradas figuras convoca um adjectivo de eleição, e de eleições: avassalador.
Gargalhada do mês
Se o Sol não conseguir pagar a dívida, estou disponível para me entender com os accionistas do semanário e ficar dono do jornal.
*
Talvez o Rui seja o responsável pela Peste Bubónica e pela Guerra dos 100 Anos. Talvez, ainda não sei. Precisava de ouvir as escutas na íntegra para ter a certeza. Mas do que ninguém duvida, a começar pelos proprietários e jornalistas do Sol, é da intenção de o destruir como profissional e cidadão. Para tal, pegou-se em excertos transcritos de escutas – os quais não podem ser compreendidos fora do âmbito policial e judicial, posto que são pedaços avulsos da privacidade de terceiros – e fez-se uma acusação na praça pública. O resultado já vai na sua demissão, para além dos eventuais danos à sua reputação, futuro laboral e futuro político. O Rui é culpado de ser militante do PS, ter diversas responsabilidades directivas na PT e falar ao telefone, reza o libelo que jornalistas e políticos, sem qualquer escrúpulo, repetiram aos berros.
Vamos, então, esperar que o Rui tome posse do pasquim – só para vermos os mesmos que agora o tratam como boy a esfalfarem-se para ganhar os favores do man.
O partido atendível
Quando se fala dos dirigentes, principais militantes e publicistas do PSD e do CDS, estamos a falar de pessoas socialmente privilegiadas. Muitas não terão fortuna, mas todas têm níveis de educação, segurança e conforto muito acima do portuguesinho. Mas mesmo muito. Elas estão nos maiores grupos económicos, nos melhores escritórios de advogados, nas melhores universidades, nos mais poderosos grupos de comunicação. Elas podem pagar as casas mais espaçosas, os carros mais bonitos, os médicos mais competentes, as férias mais deslumbrantes, os jantares mais sofisticados, os trapos mais hipnóticos. São omnipresentes e omnívoras. Nada lhes falta, nem sequer a asinina autoconfiança de quem se julga superior ao povoléu. Se não contribuem para a resolução dos nossos problemas com soluções brilhantes é só porque não querem – ou não podem. Portanto, não lhes podemos perdoar a estupidez do seu pensamento e acção. A caudalosa estupidez com que este arremedo de direita invade a política e a submerge num decadente conflito territorial.
Continuar a lerO partido atendível
Leny Andrade
Já conhecias esta voz? Que achas?
Cidade Proibida – Eduardo Pitta
Hoje é grátis.
Coisas que vão acontecendo
Queiroz, anda cá
Quem te ouve às caralhadas no banco, quem te viu mandar o casaco para o chão à doida num jogo qualquer, quem te lê os disparates a respeito dos jogadores, fica à nora sem saber o que pensar a teu respeito. Tu não eras o gajo que passava os jogos a tirar notas e depois ia para casa estudar esses rabiscos e fazer umas contas muita complicadas que só a tua carola percebia? Tu não eras o Professor, armado com metodologias científicas que mais ninguém tinha e que nos transformaram do nada numa potência mundial no futebol juvenil? Foda-se, Queiroz, que é que se passou contigo? Onde foi que perdeste a tramontana?
Volta lá para o caderninho, comporta-te como um senhor, e vais ver que tudo corre melhor. Tens de voltar às origens, se queres chegar longe.
Notícias da 25ª hora
25 anos de atraso
João Galamba fez um breve resumo da ruína do BCP às mãos de Jardim Gonçalves e companhia. O BCP foi sempre muito mais do que um banco, era a prova suprema de que Deus, ao arrepio das Escrituras, preferia o convívio dos ricos ao dos pobres. Num Portugal sociologicamente de esquerda, mas culturalmente conservador, Jardim Gonçalves foi uma peça fundamental na mitologia cavaquista, essa patranha oligárquica que reclama para a direita – em especial, para o PSD, como predestinação – o exclusivo das capacidades governativas. Afinal, o sucesso de uns e de outros foi alcançado com benesses, favores, falcatruas, tramóias. Cavaco, esse auto-propalado génio das finanças, fez milagres só com o dinheiro da Europa, encheu o País de alcatrão e cimento, secou o partido para o abandonar e boicotar, e continuou a enriquecer à conta dessa sociedade lusa dos negócios que foi o Cavaquistão. Ao chegar à Presidência, a sua completa inépcia política ficou à vista de quem quis ver, incluindo muitos que lhe tinham cantado hossanas fervorosamente.
Jardim Gonçalves já se foi, o cavaquismo ainda resiste. Nem com a Inventona de Belém desapareceu. Entender esse fenómeno, entender as cumplicidades e ódios no seu estertor, é entender 25 anos da História de Portugal. 25 anos de atraso.
Viajar no tempo
A quem possa interessar
Estudo de opinião
Sócrates, o enigma
Bruno Sena Martins assina um texto fatigado que é salvo pela generosidade do seguinte comentário:
Só faltam dois ou tres pormenores. Passos Coelho, um jovem, enérgico, novo, cheio de vontade e valor nada agastado, sem responsabilidades, sem o temor da decisão, Passos Coelho é tudo isto, mas o que se lhe reconhece até agora? uma boa ideia mobilizadora que tenha mérito não por apontar erros mas por apontar caminhos? claro que já as deverá ter tido e talvez dito. Mas não as conheço, e a maioria das pessoas não as conhece também. E isso é pouco demasiado pouco para quem ainda tem tanto. Imagino agora um outro exercicio. Pedro Passos Coelho depois de 6 anos (são 6?já nem sei) de governação, depois de corrigir um défice elevado, de aguentar a maior crise desde 1930 – e sim é aguentar!porque aguentar é o que está a fazer a Espanha, a Alemanha, a GB, os EUA, a Bélgica, a Irlanda e por deus senhores, por deus sejamos realistas, e quem está fora percebe-o tão bem, o que é Portugal? pequenino, muito pequenino!pela história que o fez no ultimo século, e se os outros aguentam, Portugal pouco mais pode fazer do que aguentar também e surpreendentemente está a faze-lo muito bem, leiam os jornais estrangeiros – depois de promover uma renovação do parque escolar como nunca vi ser feita, uma reforma da rede de distribuição dos cuidados de saúde, uma aposta fortissima (leiam o guardiam) nas energias renováveis (espanha acaba de inaugurar uma central de energia solar de grandes dimensões, portugal já inaugurou duas, menores mas substanciais, à mais de um ano), reformou ainda procedimentos para criação de empresas e tentou estabelecer algumas mudanças na administração publica, por exemplo. Tudo isto com erros, com defeitos, mas também, com alguns méritos, com novidade e em muitos casos bem pensados e estruturados. Podemos discordar das ideias, é certo, do motivação que estas demonstram, mas em muitos casos foram bem pensadas e isso merece reconhecimento da nossa parte. Tudo isto num país onde os niveis de educação são baixissimos, onde os niveis culturais são infimos – sim educação é diferente de cultura, e é aberrante conversar com a maioria dos jovens espanhois, britanicos, dinamarqueses e perceber quão frágil é o nosso conhecimento, em geral, e não vão mudar com nenhum primeiro ministro, não vão mudar em 20 anos, onde o contributo da sociedade civil é misero, onde os orgãos de informação não questionam devidamente, porque não pensam, e para perguntar é preciso saber, onde o debate político prima por uma falta de conhecimento avassaladora. Ninguém é alguém sem bons pares. Sócrates tem-nos a nós. Sarkozy tem a França. Cameron tem GB, e acreditem, estes primeiros-ministros estão melhor servidos, por muito que isto me custe admitir. E o que fazem? muito, muito pouco, é sempre pouco, mas é semelhante ao que faz Sócrates com ainda menos. Em tudo isto eu olho para Pedro Passos Coelho, que neste momento deveria ser melhor do que Sócrates, sem sombra para dúvidas, devia esmagar Sócrates com novas ideias e propostas. E em vez disso vejo um… talvez, e uma passeira vermelha que se estende, ou que já está estendida, não porque a tenha conquistado mas porque assim lhe caiu em sorte, pouco, é pouco para tão fortes palavras e convicções Caro Bruno Sena Martins.
Ricardo Fernandes
Catch 22 à moda da Lapa
O PSD de Passos é uma entidade também fragilizada, tal como as anteriores desde a fuga de Barroso, a qual – mesmo que ganhe alguma eleição – estará sempre à beira do precipício. Começa pelo seu Presidente, que não tem visão nem carisma, passa pela equipa onde se apoia, um conjunto de vulgaridades, e acaba no baronato ressentido e venenoso, que espera a primeira ocasião para espetar a faca. Para mudar este partido, teria de se mudar a sua epistemologia, ainda antes de se mudar a sua praxis – e tal não vai acontecer, como se viu espectacularmente ao castigarem Mota Amaral por ter respeitado a Constituição e defendido a liberdade!
Miguel Relvas representa na perfeição o homem-PSD: picareta falante e fala-barato. Há dias, na porqueira, conseguiu num minuto transmitir duas ideias antagónicas. Começou por dizer que o Governo continua arrogante, a comportar-se como se tivesse a maioria e não precisasse de negociar. Segundos depois, estava a usar o exemplo de Gabriela Canavilhas, que foi ao encontro dos pedidos do sector, para acusar o Governo de desorientação. Eis a lógica: se o Governo tem algum plano que tente concretizar, é arrogante; se o Governo acolhe os anseios de terceiros, está perdido.
É com este atestado de desonestidade intelectual que pretendem convencer o centro? Mais bem empregue o vosso (e o nosso) tempo se se dedicarem à literatura.
A actualidade tem dois anos de atraso
Esta notícia da LUSA é um microcosmo da política à portuguesa. Repare-se: o INE lançou informações relativas ao ano de 2008. 2008. Não oferece dúvida, não se confunde com 2007 ou 2009. Ainda menos com 2010. Pois a LUSA recolhe declarações de mui importantes figuras que batem todas na mesma tecla: as informações estão desactualizadas. A evidência rivaliza com a redescoberta do fogo, da roda e do copo de água.
Sim, isto de vermos a pobreza a diminuir é uma péssima notícia. Ainda por cima, logo em 2008, o ano da alta do petróleo e da explosão da crise internacional. Provavelmente, os números estão falseados. Quando surgirem os dados de 2010, em 2012, já baterá tudo certo outra vez. Mesmo com dois anos de atraso.
Portas, larga o vinho
Portas, um inveterado pantomineiro, quer que o PS derrube Sócrates, coloque no seu lugar um bacano que ele aprove e que o Governo seja repartido com o PSD e o CDS.
A ironia é esta: ninguém das suas relações lhe vai dizer que fez um rasgadíssimo elogio a Sócrates. De facto, não querer o Engenheiro por perto do seu gabinete ministerial faz todo o sentido. Todinho.

