Na inauguração da sede de campanha, no Porto, Cavaco Silva assumiu estar “convencido” de que Portugal vai “vencer a crise e ultrapassar esta encruzilhada” na qual se encontra. “Já houve um tempo em que Portugal deu um exemplo à Europa. Fui até considerado um bom aluno. Já houve um tempo em que Portugal era elogiado nos relatórios produzidos nas organizações internacionais e em consequência se ouviam os mais rasgados elogios do comportamento do nosso país nos mais variados domínios, por grandes personalidades na Europa”, afirmou, dizendo querer “unir os portugueses”.
Cavaco Silva disse também que, em causa nas eleições de 23 de Janeiro, está uma escolha no “candidato que está melhor preparado para desempenhar as funções de Presidente da República nos tempos de crise que o país atravessa”. “Nunca Portugal precisou tanto de alguém com conhecimento e experiência para apontar uma linha de rumo. É preciso alguém que dê confiança aos portugueses nas tomadas de decisão. Nunca Portugal precisou tanto de alguém com conhecimento aprofundado da realidade nacional e do sistema político.”
Arquivo da Categoria: Valupi
A manifestação que está a faltar
A reeleição de Marinho e Pinto é bem a prova de que compensa afrontar a Justiça a partir da justiça. Precisamos que o exemplo se espalhe até ao maior número de cidadãos que for possível congregar. E quem se lembrar de fazer uma manifestação de rua nesse sentido, vai unir (quase) todos os portugueses.
Teste Pacheco Pereira
How susceptible are you to conspiracy beliefs?
Rate your agreement with the statements below – from 1 = strongly disagree to 5 = strongly agree.
1. For the most part, government serves the interests of a few organized groups, such as business, and isn’t very concerned about the needs of people like myself.
2. I have trouble doing what I want to do in the world today.
3. It is difficult for people like myself to have much influence in public affairs.
4. We seem to live in a pretty irrational and disordered world.
5. I don’t trust that my closest friends would not lie to me.
Trivia
Trivia
Ai, Jesus
A equipa do Benfica saiu nesta manhã de quinta-feira do aeroporto de Lisboa rodeada pela polícia e foi recebida por uma dezena de adeptos, que manifestaram o seu descontentamento devido à derrota (3-0) com o Hapoel de Telavive na Liga dos Campeões de futebol.
*
Isto contou-nos a Lusa, por uma dezena de adeptos, mas eu confio mais no rigor do repórter da TSF que foi testemunha ocular e radiofónica. Ele usou a expressão cerca de uma dezena de adeptos. Ora, tal não passa da forma hiperbólica de dizer que estavam à espera do Benfica exactamente 7 adeptos, como bem sabem os especialistas nas diferenças entre por uma dezena e cerca de uma dezena. Claro, podemos perguntar se esses adeptos eram muitos, poucos ou os adequados à dimensão do clube; mas são questões difíceis, cujo veredicto endossamos ao porvir, preferindo realçar uma outra dimensão da problemática: aqueles 7 adeptos deslocaram-se ao aeroporto para receberem o Benfica com a sua vernacular análise do jogo ou aconteceu estarem por ali devido a uma outra razão qualquer; como, sei lá, por serem motoristas de praça?
A ideia de que o Benfica foi recebido só pelas caralhadas de meia dúzia de fogareiros, e daqueles que tinham o Mercedes ainda muito no fim da bicha, é a prova de que a grande nação benfiquista continua com fé.
Impressão atmosférica
Segundo a última sondagem da Marktest para o Diário Económico e TSF, o PSD obtém 44,3% das intenções de voto contra 26,9% do PS, aumentando a diferença face ao anterior Barómetro. Outra curiosidade diz respeito à descida do BE, CDS e CDU.
Interpretação:
– O eleitorado adora Passos, mas este tem de estar caladinho. Quando abre a boca, e insiste em mostrar que consegue ter ideias, vê as sondagens andarem para trás. Isto coloca-lhe um fascinante desafio para a campanha eleitoral, havendo a forte possibilidade de ele ir de férias durante esse período e se limitar à publicação de fotografias onde aparece em calções.
– O BE, CDS e CDU, os partidos que votaram contra o Orçamento, ou mudam de vida ou farão melhor em mudar de país. A segunda opção sendo bem mais exequível do que a primeira.
– Os mais de três milhões de grevistas, respectivos familiares e simpatizantes, que abominam o centrão dos interesses e exigem o imediato fim da austeridade, não têm telefone fixo.
“Hehehe… Para a próxima dizemos que mais de 30 milhões fizeram greve… Hahaha!…”
Good food for good thought
Upper-class people have more educational opportunities, greater financial security, and better job prospects than people from lower social classes, but that doesn’t mean they’re more skilled at everything. A new study published in Psychological Science, a journal of the Association for Psychological Science, finds surprisingly, that lower-class people are better at reading the emotions of others.
in Upper-Class People Have Trouble Recognizing Others’ Emotions
5 aninhos
O Aspirina B de 2010 tem muito pouco a ver com o de 2005, ano da sua criação. Para além da equipa estar reduzida a dois autores e meio, pois o Confúcio só aparece quando o imperador da China faz anos, também os que participam lendo e comentando vão chegando e partindo em fluxos migratórios que alteram constantemente as interacções. Será assim em todas as comunidades, não só na blogosfera, mas em ambiente digital é mais rápida a mudança de poiso porque os laços são frágeis, volúveis e irrelevantes.
Acima, antes e no final de tudo, os blogues são irrelevantes. Mas as pessoas que neles participam, não. Donde, o que aqui fazemos só pode ser avaliado, ou compreendido, pelo que ali fizermos, pelo que acolá somos.
É este um dos princípios epistemológicos da filosofia do HTML – se o João Pedro da Costa, co-fundador da casa e meu primo oficioso, me permitir o devaneio teórico.
Das dificuldades da futurologia
Esqueça-se por um momento a Europa inventada pela saloiice dos nossos políticos e pense-se um pouco. A Alemanha reunificada, com o seu apêndice austríaco, não tardaria a tornar-se numa grande potência: na única grande potência europeia, ao pé da qual a Inglaterra e a França não pesariam muito. A CEE nascida da multipolaridade do pós-guerra, não resistiria a esse desequilíbrio, o que de resto já transparece nas reticências da Inglaterra ao federalismo. E atrás da CEE iria a NATO, porque o advento de regimes democráticos na Hungria e na Polónia implica, a prazo, a dissolução das alianças militares tradicionais e a retirada do Exército Vermelho para a fronteira russa.
Na liberdade húngara e na liberdade polaca, a URSS vê, por conseguinte, o enfraquecimento da sua segurança e o fantasma da Alemanha remilitarizada; a Inglaterra um novo isolacionismo americano e a redução drástica da sua influência; e os Estados Unidos o recuo da URSS, que erradamente imaginam vantajoso. Mas de positivo só se sabe que a morte anunciada do comunismo na Europa de Leste fez do mundo um lugar altamente perigoso. Obscurecendo esta realidade básica, a superstição democrática contemporânea pode conduzir a desastres sem nome. A estúpida confiança em que vivemos lembra muito o optimismo de um outro fin de siècle, o do século XIX, quando se começava a preparar o apocalipse.
[…]
Já aqui insinuei, na véspera da primeira revolta nacionalista da Geórgia, que o preço da democracia na URSS é a desintegração do império russo e muito provavelmente uma terceira guerra mundial.
Vasco Pulido Valente, in O Independente, 31 de Março de 1989
Hip hip hooray!
O retrato de Nuno Gray
Há uns meses, fiquei meio abalado com o intempestivo azeviche que substituía o glorioso prateado da sua melena. Foi negritude de pouca dura. Agora, como se pode aferir pela entrevista abaixo, aposto singelo contra dobrado como Nuno Rogeiro foi ao Botox e gostou do resultado. Do seu rosto desapareceram as marcas da finitude e do sofrimento de carregar com a sapiência que lhe permite explicar detalhadamente qualquer acontecimento dos últimos 3,7 mil milhões de anos, a que acresce a capacidade de prever acontecimentos para igual, ou superior, extensão temporal.
Faz ele muito bem, sintonizado com esta tendência: os 50 são os novos 30, ou mesmo 25, 22 e tal.
Com o patrocínio dos sais de fruto Eno
Enfrentar (enfeitando) a crise
A nossa amiga Sofia Loureiro dos Santos lançou-nos este divertido isco:
E porque não um desafio a blogues e bloguistas para puxarem pela imaginação e partilharem uma ideia natalícia bem poupada e adaptada à austeridade mais espartana? Vale tudo: desde ideias para prendas a orçamento reduzido a decorações sem gastar dinheiro, passando por ceias saudáveis, saborosas e em conta.
Não podia vir mais a calhar, pois tenho uma saca cheia de ideias espartanas, umas, atenienses, outras, e ainda troianas, as restantes. Mas deixo só esta:
– Apagar as luzes de Natal, privadas e públicas, até ao dia 23 de Dezembro. O efeito de só as acender no dia 24 criará um crescendo de expectativa igual ao de quem espera pelo início de um fogo-de-artifício. Pelo meio, poupa-se dinheiro e não se satura a paisagem com esta hipocrisia de se começar a celebrar a quadra com mais de 1 mês de antecedência.
Rage, rage against the dying of the light
Ana Gomes respondeu à Fernanda de uma forma surpreendente, de tão crua e indefensável: admitindo a publicação de escutas – e, pasme-se, ao arrepio da legalidade ou moralidade na sua obtenção, conservação e divulgação – desde que o conteúdo o justifique segundo o seu, da Ana, subjectivo critério de avaliação. Isto corresponde à assunção do tribalismo como matriz do Estado, servindo para apaixonantes exercícios de imaginação acerca da vida comunitária em tal regime, mas não passa de mais um dano causado pela infâmia do CM, primeiro, e do DN, depois. Na tréplica, leva uma implacável coça da Fernanda.
Entretanto, agora sem surpresa, a questão polarizou e volatilizou opiniões. Dando dois exemplos que me convocam, Alda Telles e José Albergaria, a que se juntam os comentários na casa, constata-se como não se resiste aos efeitos da exposição não autorizada da privacidade. Trata-se de um tipo de violência que gera mais violência, e a mais trágica: a das vítimas contra as vítimas. Porque por mais que preferíssemos outro tipo de respostas da Ana Gomes, ou de qualquer outro metido na berlinda, a puta da verdade é a de que ela não pediu para ser interrogada, nem foi ela que ordenou a publicação fosse do que fosse. A Ana vê-se apanhada numa teia da qual não pode escapar, a teia do seu psiquismo, onde qualquer movimento seu só a imobiliza ainda mais na mesma posição afectiva, de mágoa narcísica. À sua volta acontece precisamente o mesmo, como se viu. A violência torna-se contagiante e imparável, mesmo que invisível e silenciosa. Eis a potência dos ataques de carácter feitos através da violação da privacidade, valendo tanto para figuras públicas de sólida e louvável biografia como para a minha vizinha do 4º andar. Se um boato pode chegar para se perder a confiança em alguém, mesmo que racionalmente nada o torne sequer verosímil, uma escuta que se diz obtida judicialmente não tem defesa possível, é imediatamente aceite como facto consumado. E este particular aspecto, o de estarmos perante conteúdos privados que são obtidos pelo Estado no âmbito judicial, obriga a reordenar as prioridades com todas as forças que restarem depois de sermos atingidos: face ao terrorismo jornalístico, seja ele de origem política ou propósito mercantil, temos de começar por proteger as vítimas – e, nalguns casos, de si próprias. Ora, as vítimas somos todos nós, os cidadãos.
Garcia Pereira tem aqui, indubitavelmente, o mais decidido, e eloquente, toque a rebate que já se fez em Portugal para quem estiver disposto a mostrar aos pulhas que esta merda não é toda deles.
Sinais de longa duração
Isto está de cortar à faca. É um pouco inevitável com a conjugação de três coisas em sequência: um pano de fundo de crise económica e social grave, que gera uma peculiar sensibilidade a questões como a corrupção, e, como na política não há alternativas, tudo desagua num ambiente pastoso, irritado e sem esperança. Hoje, num supermercado, um homem disse-me: “vai haver uma explosão”. Sei lá, alguma coisa vai haver. Não menosprezem os sinais.
Dardo de Ouro
Em Janeiro deste ano, expressei a minha resolução em levar o nosso amigo Manuel Pacheco a tornar-se blogger. De imediato me esforcei em não mexer uma palha nesse sentido, entregando aos deuses da blogosfera a responsabilidade de tratar do caso. Em Julho, deu-se o divino parto: Coisas que podem acontecer
Agora, um dos portugueses que me enche de orgulho por ser meu patrício, Osvaldo de Castro, teve a graça de nomear o novíssimo blogue na sua escolha para o Prémio Dardos. É uma merecida, e instantânea, consagração.
A história do nosso amigo Manuel Pacheco, interessado em aprender e dominar as novas tecnologias de comunicação, vencendo as naturais inseguranças da exposição pública, ganhando calo na desvairada e selvagem interacção no meio digital, é a prova de que podemos ser um país de jovens. Tenham eles a idade que tiverem.
O sentido da vida é dar sentido à vida
Não encontrando o belo, terno, granítico, chorado, ígneo depoimento de Maria José Fonseca ao receber o prémio Manuel António da Mota, que ouvi hoje de manhã na TSF, mando um tijolo contra o absurdo.
Do not go gentle into that good night
Fernanda Câncio, no DN, dá-nos mais um exemplo da sua independência e afirmação profissional, agora acusando o próprio jornal onde trabalha de ter tido uma prática que ofende a decência mínima necessária à vida em comunidade e ao funcionamento das instituições políticas democráticas. É, até à hora em que escrevo e se nada me escapou, a singular voz nesse órgão de imprensa a dizer o óbvio e o necessário. Nem sequer o director, na sua coluna ou em nota de rodapé aos editoriais diários, gastou meio caracter com o assunto. Derrelicção de quase todos os que aí exercem funções de responsabilidade deontológica, alienação ou cobardia que nos estigmatiza como sociedade – e ainda mais forte o aplauso para a Fernanda, portanto.
Mas há um ponto onde ela não tem razão, falha também cometida pelo Pedro Marques Lopes e Pedro Adão e Silva, pelo menos. Ao se causticar a reacção de Ana Gomes, e outros, registada no contexto de uma provocação insidiosa, estamos a deixar que as emoções nos façam ainda mais mal do que aquele que o acontecimento inicial já fez. Os risos dos que foram apanhados pelo jornalista do DN, que nos começam por aparecer como chocante legitimação da perfídia, podem não passar de respostas defensivas ou expressões de ansiedade e desorientação. O que muito provavelmente não são é o resultado de uma demorada reflexão acerca do conúbio entre uma Justiça inimputável e um jornalismo imprestável. Ana Gomes também é vítima, directa, da pulhice feita a Edite Estrela e Armando Vara. Exigir-lhe seráfica imperturbabilidade e discernimento em matéria desta toxicidade afectiva, e no instante em que é confrontada a frio (ou a quente), talvez seja excesso de zelo.
