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Mundialização

Em pouco mais de 1 mês, Sócrates decidiu entrar no Conselho de Segurança do Mundo, trouxe o homem mais poderoso do Mundo a Portugal para lhe sacar o dinheirinho, chamou o segundo homem mais poderoso do Mundo só para lhe ouvir elogios do outro mundo, explicou à Nato como é que se mantém a paz neste novo mundo e ainda teve tempo para ordenar à Selecção que toureasse os Campeões do Mundo.

Apotegmas da quinta

A divisão entre esquerda e direita é confusa sem essoutra, muito mais distintiva, entre conservadores e reformadores. Porque há conservadores à direita e à esquerda, reformadores de esquerda e de direita. O PCP é conservador, Sá Carneiro era reformador.

O centro é o lugar da união entre o que vale a pena conservar e o que precisamos de reformar.

Toda a governação é feita ao centro, gerando novas esquerdas e direitas sucessiva e inevitavelmente.

O Poder. Quem o tem quer conservá-lo, quem não o tem quer obtê-lo através de reformas. O Poder está sempre circunscrito. Não há poderes infinitos, nem sequer ilimitados – nem sequer na imaginação.

A direita é pessimista porque sabe a História quase toda. Quase.

Donde vem o culto da erudição balofa, maníaca, que se vê em tanto revolucionário pançudo e pinga-amor? Daqui: na origem, o marxismo é uma aristocracia sem aristocratas. Não tem títulos, mas abundam os titulares.

Isto é fundamental. Isto é simples.

Tempos perigosos

Uma Selecção com Rui Patrício na baliza e Postiga no ataque, treinada por Paulo Bento, ganha por 4-0 ao Campeão do Mundo e Campeão da Europa. Temor e tremor.

Mas calma, calma… A Nato foi rápida a reagir e já marcou uma cimeira para discutir esta ameaça à estabilidade internacional, aqui para Lisboa mesmo. Começa na sexta, porque não há tempo a perder.

E mais valia estares calado

A crise, sim. E a pobreza, pois. Os políticos que não prestam, claro. E a legião de trafulhas, javardos, moinas e pilha-galinhas que nos oprimem e esmagam sem terem de mexer uma palha, basta aparecerem nas nossas desculpas. Mas história continua a mesma, exactamente igual há uns bons, excelentes, milhares de anos: saber é poder.

Se dizes que não podes, não sabes o que dizes.

Esquerda imbecil

Louçã, na voragem de quebrar o PS por dentro, impôs um candidato condenado à derrota contra um farrapo chamado Cavaco. E isto em nome de uma psicadélica esquerda unida da qual se sonha general.

Ao menos, que lhe escrevessem discursos audíveis.

Ou pode?

Em mais um acto de assassinato de carácter, agora atingindo Edite Estrela, o Correio da Manhã publicou suposto material recolhido judicialmente nas escutas a Vara, o qual não tem qualquer relevância legal. Acontece que também não tem qualquer relevância política, isto se aceitarmos que a política em Portugal ainda não se faz a partir de escutas, particularmente aquelas que são patrocinadas pelo Estado. Que resta para justificar a infâmia e o terrorismo cívico?

Não há mais nada a não ser uma colectiva impunidade para o crime, desde os jornalistas que assinam estes serviços até aos directores e administradores do jornal. O envio do material – a ser verdadeiro e a ter sido fielmente registado e copiado – e a sua publicação correspondem a uma repulsiva violação dos direitos dos envolvidos, com imediatos prejuízos de impossível contabilidade. É pior, muito pior, do que o roubo de bens materiais ou a sua destruição. E o modo como estes casos se repetem, de acordo com calendários que têm impacto político, só é possível por existir da parte do aparelho judicial – e do Ministério Público – uma qualquer cumplicidade, conivência ou passividade que leva ao sentimento de absoluta protecção para todos os bandidos, dos mentores aos executantes.

Mas o supremo horror da merenda estava guardado para o DN, o qual também quis chafurdar no espectáculo de violência que os pulhas tinham montado. A peça bate no fundo, porque deste secular jornal esperamos um qualquer fundo, não o abismo onde vale tudo. E coloca-se inevitavelmente um problema que atinge os colunistas dessa outrora instituição de referência, pois não se pode servir a dois senhores.

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Um bravo para o Pedro Marques Lopes.

Do camandro

Volunteering Can Benefit Those With Functional Limitations, Study Finds

Neste artigo descreve-se um estudo onde se mediu o efeito do trabalho voluntário em idosos com problemas de saúde incapacitantes. Resultado: trabalhar dá saúde, e os doentes que o digam.

Mas se a proverbial evidência se aplica neste caso extremo, igualmente terá aplicação no enorme, crescente, grupo de adultos reformados que estão cognitiva e fisicamente em condições de trabalhar com níveis de eficácia próximos ou iguais, nalguns casos melhores, aos dos trabalhadores não reformados. Por maioria de razão, uma crise económica que leva a cortes drásticos em vários serviços sociais oferece a oportunidade perfeita para ir buscar o contributo voluntário de milhares de cidadãos que encontrarão no trabalho voluntário uma fonte de saúde e alegria – de sentimento de utilidade, importância, pertença.

Quanto vale essa massa laboral para a economia e para a qualidade de vida da comunidade (a qual volta a ter implicações económicas positivas)? Se alguém fizer as contas, vai aparecer um valor do camandro.

Chuva de dardos

O nosso amigo Eduardo Pitta aproveitou o pretexto do Prémio Dardos para fazer uma cúmplice e amistosa provocação à blogosfera política, reunindo 10 bad boys (sim, estou a incluir as duas meninas na categoria) irredutíveis e irrecuperáveis. Claro que poderia ter posto 20, ou 200, mas os mandamentos sagrados do Prémio não o permitiam [not]. O que não poderia ter feito era deixar de fora o nosso amado maradona, o qual se vingou fazendo cair fogo nominalista sobre a vexata quaestio da liberdade. Creio que o Prémio Dardos (e quem foi o bacano que inventou a coisa, já agora?), levando a polémicas deste calibre académico, está a caminho de se tornar numa instituição com direito a cerimónia no espaço encantador que descobri ontem à noite, na divertidíssima entrega dos Prémios Neurónio: Teatro da Luz. Uma pérola com as dimensões exactas para bloggers ufanos e seus dardos marotos.

O nosso amigo Luís Novaes Tito também aproveitou o Prémio para elencar um conjunto de escribas sem denominador comum para além de um qualquer je ne sais quoi que lhe cai no goto. A lista é surpreendente e ecléctica, sendo antecedida de uma contextualizadora explicação: o Luís não precisa de concordar para apreciar. Durante muitos séculos, esta virtude teve nome – grandeza de alma. Hoje em dia, não sei bem como se nomeia.

O nosso amigo T. Mike meteu o Aspirina B em excelente companhia. Assim se vê o que é a misericórdia.

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Estas escolhas não interessam tanto pelos blogues escolhidos, interessam mais é pelo que dão a conhecer de quem os escolheu. É esse o alvo onde os dardos acertam em cheio.