Ou pode?

Em mais um acto de assassinato de carácter, agora atingindo Edite Estrela, o Correio da Manhã publicou suposto material recolhido judicialmente nas escutas a Vara, o qual não tem qualquer relevância legal. Acontece que também não tem qualquer relevância política, isto se aceitarmos que a política em Portugal ainda não se faz a partir de escutas, particularmente aquelas que são patrocinadas pelo Estado. Que resta para justificar a infâmia e o terrorismo cívico?

Não há mais nada a não ser uma colectiva impunidade para o crime, desde os jornalistas que assinam estes serviços até aos directores e administradores do jornal. O envio do material – a ser verdadeiro e a ter sido fielmente registado e copiado – e a sua publicação correspondem a uma repulsiva violação dos direitos dos envolvidos, com imediatos prejuízos de impossível contabilidade. É pior, muito pior, do que o roubo de bens materiais ou a sua destruição. E o modo como estes casos se repetem, de acordo com calendários que têm impacto político, só é possível por existir da parte do aparelho judicial – e do Ministério Público – uma qualquer cumplicidade, conivência ou passividade que leva ao sentimento de absoluta protecção para todos os bandidos, dos mentores aos executantes.

Mas o supremo horror da merenda estava guardado para o DN, o qual também quis chafurdar no espectáculo de violência que os pulhas tinham montado. A peça bate no fundo, porque deste secular jornal esperamos um qualquer fundo, não o abismo onde vale tudo. E coloca-se inevitavelmente um problema que atinge os colunistas dessa outrora instituição de referência, pois não se pode servir a dois senhores.

__

Um bravo para o Pedro Marques Lopes.

12 thoughts on “Ou pode?”

  1. A funcionária acabou de me informar que o Luis Rafael faltou à aula porque o pai tinha sido assassinado… É este “assassinato” que me preocupa (neste momento!)…

  2. E a pessoa põe-se a pensar: “atão e se estas conversas vão parar aos jornais quando não deviam e sabe-se lá com que intuito, a que mais mãos irão parar sem conhecimento público e que fins poderão servir?”.
    Mas claro, isto é a gente a pensar. Coisa que a Imprensa, por exemplo, não gosta muito de fazer…

  3. Um exemplo flagrante da justiça e do jornalismo que temos, que define a degradação total dos princípios porque se deveriam reger estas instituições. E faz-se isto, como se fosse a coisa mais natural deste mundo.A quem interessa tudo isto? Quem ganha com isto?
    Não será a Ética o maior défice que nos persegue ?

  4. Não li nem as transcrições nem nada que se possa ver desse correio da manha. O que li foi o editorial do Jornal de Notícias de ontem, onde, desassombradamente o seu Director, chama, os bois pelos nomes a essa escumalha que vomita essa choldra de pretensas notícias para as páginas do jornal. Quem puder que veja online esse escrito. Pelos vistos um dos jornais do grupo onde se insere o mesmo JN também chafurdou… e por isso o comentário do Director de um dos seus jornais também foi contundente com o seu “irmão”. A que é que vamos chegar com pústulas como a relatada? É preciso deixar de comprar (d)esse papel.

  5. POde mas não devia poder. Basta ver como pegaram mal na noticia dos bancários do género «Bancários integrados na Segurança Social» quando são só os bancários admitidos depois de 2005 e nada tem a ver com os reformados. Nada. Mete nojo este não saber nem querer perguntar a quem sabe.

  6. Eu já não compro nenhum.Tudo isto tem um fim claro e é superiormente consentido: deixar a onda de estrume avassalar todas as instituições, numa decisão vingativa da extrema direita nunca rendida ao 25 de Abril: quanto pior melhor, porque antigamente é que era. Infelizmente como os extremos se tocam, a esquerda PCP e BE ou se calam ou a plaudem ( o que é mais frequente). També,m para estes o quanto pior melhor, porque é disso que vivem, uma vez que a democracia para eles é um pretexo para conviver, à grande, com a burguesia instalada na AR.
    – O povo que se lixe, que até nem vota em nós…

  7. Também li o editorial do JLP e como acho que, aquilo sim, é serviço público fica o link – http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=Jos%E9%20Leite%20Pereira

    (e não, não li os artigos. as escutas foram publicadas num jornal mas não é isso que faz com que deixem de ser conversas privadas a que não deveríamos ter acesso, portanto, como diz o povo, tão (quase tão, pronto, concedo esta…) ladrão é o que vai à horta como o que fica à porta…)

  8. Valupi ou a volúpia das indignações orientadas. Este usa o truque bem simples de atirar para cima dos que se lhe opõem, ou ao duce por ele, o lixo que lhe vai na residencia. Por pouca inteligencia ou então por pouca esperteza.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.