Enfrentar (enfeitando) a crise

A nossa amiga Sofia Loureiro dos Santos lançou-nos este divertido isco:

E porque não um desafio a blogues e bloguistas para puxarem pela imaginação e partilharem uma ideia natalícia bem poupada e adaptada à austeridade mais espartana? Vale tudo: desde ideias para prendas a orçamento reduzido a decorações sem gastar dinheiro, passando por ceias saudáveis, saborosas e em conta.

Não podia vir mais a calhar, pois tenho uma saca cheia de ideias espartanas, umas, atenienses, outras, e ainda troianas, as restantes. Mas deixo só esta:

– Apagar as luzes de Natal, privadas e públicas, até ao dia 23 de Dezembro. O efeito de só as acender no dia 24 criará um crescendo de expectativa igual ao de quem espera pelo início de um fogo-de-artifício. Pelo meio, poupa-se dinheiro e não se satura a paisagem com esta hipocrisia de se começar a celebrar a quadra com mais de 1 mês de antecedência.

27 thoughts on “Enfrentar (enfeitando) a crise”

  1. Na minha familia, em vês de comprarmos uma prenda para cada pessoa que vai à festa, Cada pessoa compra uma prenda só, até 10 euros e depois realiza-se uma troca de prendas. Faz uma diferença gigante na carteira.

  2. O que eu aqui aprendo. E eu que me sentia tão “ao lado”! Afinal, “aquilo” tem nome. E inglês. Uau! Muito obrigada, Vega9000.

    :)))

    Grinchíssima!

  3. Adiro já, pessoalmente, em minha casa.
    Mas era bom que, os senhores e senhoras edis fizessem o mesmo.
    Até podia ser só nas artérias sem comércio, ainda cheias de gambiarras a vomitar luminárias em arco-iris e acesas em primórdios de Novembro.

  4. De nada, mdsol. Sempre à disposição…

    Ceias saudáveis e em conta, para os mais necessitados, e austeridade espartana no Natal. O que esta gente se lembra. Em minha casa não, obrigado. Dispensamos celebrar a crise.

  5. Ofereço-me para ir aos montes, com o abandono a que eles estão sujeitos até era uma obra de caridade, apanhar as pinhas e com elas acesas enfeitar as ruas das nossas terras. Assim evita-se gastos em electricidade e tornava-se bonito.
    Caramba! Não me lembrei que as empresas de iluminação com este evento perdiam trabalho. Mais desemprego havia e o fundo de desemprego não aguenta tantos desempregados.
    É o problema da roda. Quando gira apanha todos.

  6. com pinhas , folhas secas , paus , barro , panelas velhas , latas de spray prateado e dourado do chinês ( prá aí euro e meio) , papel e lápis de cor…fazem-se uns presépios ( 2 pinhas grandes , uma pequenina ,pinta-se a cara do josé da maria e do jesus em cartão e cola-se ) e uns arranjos de natal , a meias com as crianças ( super divertido ) , muito fixes.

  7. Vega, não concordo contigo na parte do Val ser um Grinch. Concordo com o Val na ideia de que só acender as luzes de Natal no dia 24 “criará um crescendo de expectativa igual ao de quem espera pelo início de um fogo-de-artifício”. Quem sabe, voltaríamos a ter um verdadeiro momento mágico de Natal (daqueles em que nos volvemos crianças). Agora a xaropada de termos as luzinhas e os jingle bells e mais os anúncios dois meses antes?? Valha-me Deus… pequenino.

  8. edie, não concordo com exageros, como essa dos anúncios e luzes dois meses antes (embora possa haver outras razões para isso, como a disponibilidade das empresas que as instalam, mas aqui já estou a falar do que não sei), mas daí a combater exageros com exageros vai um grande passo. Peso e medida, mas a época é para se celebrar. Muito menos com desculpas de “crise” e “austeridade”. É que este post, vindo de quem em baixo clama “rage against the dying of the light” não deixa de ser irónico. As luzes têm um simbolismo e um poder positivo fortíssimo, bem necessários nesta época.

    Um Natal sem luzes, tirando na véspera, para que toda a gente se lembre que estamos em crise e austeridade. Que coisa mais triste.

    Bom, cada um fará o que entender. Da minha parte, este fim de semana vamos erguer a árvore de Natal. Com luzes. Montes delas. E depois, pegamos nos miúdos e vamos beber um chocolate quente à Nacional, fazer umas compras e ver as luzes na baixa. Tenho sinceramente pena de quem não compreende estas coisas simples.

  9. Vega9000, e fazes tu muito bem. Mas lembro-te que um hipotético (e inviável) apagão às luzes de Natal até uma certa data em nada impede as decorações e celebrações natalícias. O contexto do desafio da Sofia até é o de favorecer a quadra e seus rituais, está do teu lado (e do meu, que tenho a fantasia de que um dia celebraremos o Natal a dançar, sendo esse o seu principal momento festivo – logo a seguir à consoada, claro).

    Em suma: uma árvore de Natal, ou mil, ou mil milhões delas, decorada com tudo e mais alguma coisa menos luzes eléctricas, não gasta um tusto em energia. Isto é simples.

  10. hahahaha. Então o problema são as luzes eléctricas, e não “esta hipocrisia de se começar a celebrar a quadra com mais de 1 mês de antecedência”. As bolas de natal escapam à hipocrisia? Que raio de descriminação.
    Eu percebo o desafio da Sofia, mas uma vez que não estamos em guerra nem em peste, acho sinceramente que a escuridão e a austeridade não são a melhor maneira de enfrentar depressões. Porque no que diz respeito a austeridade natalícia, das duas uma: ou as famílias não têm recursos, e são forçadas a não comer peru no Natal e a dar presentes baratuchos (se é que dão algum) quer queiram quer não, e dispensam por isso os bem intencionados conselhos da Sofia, ou têm e fazem de conta que não, entrando numa austeridade fingida “porque parece bem”. Isso é que é hipócrita.

    Quanto às luzes, faço então uma variante da tua proposta: iluminações natalícias que se vão iluminando progressivamente, acendendo mais cada semana por exemplo, até culminar numa festa da luz no dia 24. Poupa-se energia à mesma, e o efeito de suspense mantêm-se, mas sem escuridão. Pode ser?

    Depois dançamos à volta da árvore. Essa é que é uma excelente ideia!

  11. Ó Vega, até percebo e partilho esse teu encanto do Natal, que facilmente depreendes se leres bem o que digo acima, mas não tenhas pena de quem não tira prazer dos mesmos rituais que tu, mas de outros que tu desconheces ou não achas graça. Caramba, já viste a quantidade de gente que teria de ter pena de ti se fossem todos por aí?

  12. Vega9000, se a temática é a da depressão, e já não a da poupança, então o Natal é um dos factores que a pode provocar ou aumentar. Isto é do domínio comum, muitos relatam sofrer no Natal pela razão mesma da pressão para simular uma hipócrita, ou impossível, “alegria” e “união familiar”, a que se juntam os anti-corpos contra a simbólica e códigos religiosos da época.

    Entraste em modo defensivo, por isso viste na lógica do desafio da Sofia um ataque ao Natal, quando o que ela está a fazer é a promovê-lo. E eu, que fui chamado a contribuir com um disparate, aproveitei para zurzir na fantochada das luzes de Natal – mas, repara, não por não as apreciar, que aprecio, antes por serem intrusivas na paisagem urbana quando excedem, como sempre excedem, o tempo significativo de exposição. Nesse sentido, essa variante das luzes se irem acendendo aos poucos também provocaria o meu grito de apoio. Aliás, qualquer dia que se ganhe com essas luzes apagadas me parece favorecer a economia e o prazer de as ver acesas.

  13. edie, tens razão, e não pretendo ser o dono da verdade, por isso fica o acto de contrição, se quiseres. Mas chateia-me reacções mesquinhas à alegria da época, tipo “para quê tantas luzes” ou “para quê tantas prendas”. Que a uma sugestão (que eu interpretei inicialmente como irónica, daí o “Grinch”) haja respostas tipo “tens razão, lá em casa não vai haver luzes, nem presentes!” dá-me pena, não consigo evitar. Odeio exibições públicas de sovinice como se fosse uma virtude, dá-me vontade de confiscar os bens de quem alardeia suposta pobreza, para ao menos esta ser genuína. Tipo o Passos Coelho, por exemplo, com aquela do “não tenho dinheiro para prendas”. Argh. Se outros tiverem pena de mim por outros motivos, consigo viver com isso. E se estiver a ser injusto, que admito perfeitamente, cá estarei para apanhar a merecida pancada.
    _______

    Val, “depressão” neste caso como alegoria de “crise”. O factor psicológico individual no Natal dava pano para mangas, e não vou por aí. Mas como sociedade já me interessa mais, até porque as pessoas são muito sensíveis a esses sinais, e reagem emocionalmente a eles. O que é pior? Queixas de desperdício de dinheiro em iluminações festivas, ou o choque de constatar que “isto” está tão mau que nem para iluminações há dinheiro? Como Barroso provou, basta um discurso miserabilista para ter efeitos muito negativos na sociedade.

    E não vejo nenhum ataque ao Natal da parte da Sofia, apenas a tal exibição patética de suposta austeridade, vinda de pessoas que, pelo pouco que sei delas, felizmente não têm disso necessidade. Isso chateia-me, sim, porque quem vai realmente aplicar a austeridade no Natal, e as tais ceias “saudáveis e em conta”, e as “meias de lã feitas em casa” provavelmente daria tudo para passar um Natal mais farto.

    Ataques ao Natal, só mesmo esta tua ideia de desligar as luzes. ;)

  14. Vega9000, acho que falhas o alvo, porque não há nada de miserabilista no exercício de pensar em formas de diminuir os custos com algo que pode ser visto como supérfluo sob variados pontos de vista. De resto, a proposta é brincalhona, nasce do ar do tempo.

    E, confessa lá, quantas vezes por quadra vais dar o passeio das luzes? Uma, né? Depois de as ver, estão vistas. É isso, não precisamos de mês e meio para uma noite de passeio.

  15. “dar o passeio das luzes”. lol. Não sei, gosto das ruas iluminadas, é um gosto que tenho, partilhado por, vá, 98% dos meus concidadãos (fiz uma sondagem lá em casa, daí o numero. 2% de margem de erro.). E tu, quantas vezes é que vais ver uma peça de teatro? Uma, né? Será necessário ficar, sei lá, três meses em cena? E não cairá também na categoria de “supérfluo sob variados pontos de vista”? Tendo em conta que muitas são subsidiadas pelo MC, não se poderia também aí “diminuir os custos”?

    Se quiseres discutir as luzes de natal sob um ponto de vista estético, ou de exagero na colocação 2 meses antes, acho perfeitamente legítimo. Discutir sob o tema “redução de custos por causa da crise”, aí já acho que não. É simples.

    E claro que a proposta é brincalhona. Estamos há dias essencialmente a discutir a problemática das iluminações de natal na crise financeira. Good stuff.

    Bom, deixo um presente. ;)

  16. Val:
    O Vega9000 falou em teatro e eu que sou um benemérito e gosto de publicitar o que Freamunde produz sobre a cultura não quis deixar de presentear com esta cena sobre a peça teatral. Freamunde de Ontem e Hoje.

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