«Há, igualmente, linhas vermelhas que não aceito, nomeadamente, a alteração do Estatuto do Ministério Público em violação da Constituição e da sua autonomia e independência.»
Eis o incensado epígono de Joana Marques Vidal a anunciar que não aceita beliscões à “independência” do Ministério Público. Problemazito? O MP goza de autonomia mas não de independência. Independentes são os juízes, porque compete à sua função serem absolutamente imparciais (não são, claro, outra conversa). Os procuradores têm diferente função, a de serem parciais posto que procuram formular acusações. Isso dá-lhes o exclusivo poder de usar os instrumentos policiais mais invasivos e coercivos que o Estado possui. Permitir a independência deste corpo equivaleria a permitir os mais graves abusos de poder que se podem conceber em democracia (que, entretanto, vão acontecendo, outra conversa).
O valente Amadeu, na cara dos mais altos representantes do poder político, declarou que se está a marimbar para a Assembleia da República, para a Constituição, para as leis. Ele quer a autonomia e a independência. A faca e o queijo na mão. Quer tudo, o seu projecto é totalitário (mas, faça-se-lhe justiça, não está a ser original).