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Óleo, e do grosso, na engrenagem

O XIX Congresso do PCP foi, involuntariamente, a consagração última do fracasso de Louçã. As vozes comunistas que passaram o fim-de-semana a separar as águas em relação ao BE não acrescentaram nenhuma novidade à política nacional, mas anunciaram formalmente, porque publicamente, que terão de ser os bloquistas a assumirem a sua grande culpa e a voltarem à casa do pai caso queiram participar na vitória sobre a História que o PCP se sabe mandatado pela ciência marxista e pela Natureza para realizar mais tarde ou mais cedo (mas talvez seja avisado apostar que será mais tarde, e lá bem para o final da tarde quase à noitinha).

Esta posição deixa o BE reduzido à imagem de um grupelho de baratas tontas, as quais andaram frenéticas a tentar dar lições de táctica ao PCP através da grande contratação do candidato presidencial Alegre, depois a ultrapassarem os comunistas no photo finish para a moção de censura ao Governo PS em 2011, e por fim a pedirem a esmolinha de uma reunião com Jerónimo para efeitos de simulação de procura de unidade à esquerda e retratos a distribuir pela imprensa – pelo meio, desperdiçando celeradamente a incrível ultrapassagem dos comunistas nas eleições de 2009. Como seria hilariante aparecer um vídeo desse encontro que durou à volta de uma hora. Uma hora. Uma hora para debater a crise do País e a junção de esforços para encontrar uma solução assinada pelos que mandam na esquerda pura e verdadeira. Uma hora. Trinta minutinhos para cada lado. Talvez vinte, com a conversa do tempo e da bola. Talvez quinze, com os cumprimentos e as despedidas, o sentar-se na cadeira, o isto e o aquilo. E ainda imaginamos a possibilidade dessa meia hora útil de converseta ter sido gastada apenas pelo prolixo e agitado Louçã enquando Jerónimo e restantes heróis soviéticos iam ouvindo num silêncio displicente pontuado pelos sorrisos siberianos face ao perigoso contra-revolucionário que tinham de suportar durante um bocadinho.

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Não foi por falta de avisos que os portugueses escolheram a degradação e a ruína

Ao dizer que se recusava a governar com o FMI, José Sócrates lembrou que com ajuda externa o país teria de «suportar programas que põem em causa o Estado Social».

O primeiro-ministro disse não estar disponível para governar com a ajuda do Fundo Monetário Internacional e reiterou a ideia de que Portugal não precisa de ajuda externa.

No Porto, na apresentação da moção de recandidatura como secretário-geral do PS, José Sócrates disse que esta era das características que o distinguia do líder do PSD, Pedro Passos Coelho, que já se mostrou disponível para governar com o FMI.

«Não é a primeira vez que o diz. Se a memória não me falha, é pelo menos a segunda vez que o diz. Aqui está todo um programa político. Pois, quero dizer-vos da minha parte, que não estou disponível para governar com o FMI», sublinhou.

Para Sócrates, «a agenda do FMI e da ajuda externa levaria o país a suportar programas que põem em causa não só o Estado Social, mas também o que é a qualidade de vida de muitos portugueses».

«Sei o que significa pedir ajuda externa. Vejo isso todos os meses e em todos os conselhos europeus. Sei a situação em que está a Grécia e a Irlanda. Não desejo isso para o meu país. É dever de todas as lideranças políticas empenharem-se para que isso não venha a acontecer em Portugal», frisou.

Sócrates perguntou-se ainda porque será o «único a ter consciência do que seriam as consequências da abertura de uma crise política».

Fonte

Revolution through evolution

People who score higher on negative personality traits know how to look hotter
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Brief Exercise Immediately Enhances Memory: Results Apply to Older Adults Both With and Without Cognitive Deficits
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Family’s Economic Situation Influences Brain Function in Children
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Reasoning Is Sharper in a Foreign Language
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Reducing Sibling Rivalry in Youth Improves Later Health and Well-Being
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Negative Thoughts Bothering You? Just Toss Them In The Trash
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Take the Money: Why We Make Better Financial Decisions for Strangers Than Family
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Men and Women Explore the Visual World Differently
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Employers Often More Interested in Hiring Potential Playmates Than the Very Best Candidates

Cineterapia


Costa do Castelo_Arthur Duarte

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JanuárioÓ Rita, deixa vir daí a aguardente…

RitaAguardente? Onde é que ela já vai! Olha, e é bom que te desabitues desses luxos porque ela está cara e é preciso poupar. Bebam água do pote.

Simplício CostaMorfina, benzina…

JanuárioBenzina, beba-a você!

Simplício CostaNão é isso, homem. Cristalina… Ah, cá está! Achei… Ganhei o dia. Pago eu a aguardente!

RitaNão faça isso… Compre antes um bocadinho de queijo que é coisa que não entra cá há muito tempo em casa.

Simplício CostaPrefiro aguardente que para mim é queijo.

JanuárioE duques!

RitaO senhor Daniel não diz nada?

DanielAh, eu? Sim, eu sou da mesma opinião. Até vou mais longe: queijo e aguardente!

Simplício CostaBem, quer dizer que adere ao movimento. Bravo, é cá dos meus.

RitaAs duas coisas? Mas estão malucos! São capazes de imaginar que nos saiu a sorte grande…

*

Dia 29 de Novembro de 2012. Sete da tarde. Uma dúzia de bípedes implumes reuniu-se na Cinemateca para ver este filme. E para rir com ele da primeira à última cena.

À excepção de um miúdo que não devia ter mais de 10 anos, aqueles felizardos estariam a ver a fita pela centésima vez. Na sua grande maioria, a audiência parecia ter nascido no tempo em que se filmaram as cenas. Mas as gargalhadas eram homéricas.

Não se trata da melhor comédia portuguesa, longe disso, sequer uma das três melhores do “ciclo de ouro”, mas é uma jóia que vence o tempo e resgata o espaço. E não fora o disparate argumentativo cometido no último quarto de hora, onde a resolução da narrativa afunda o filme num desfecho musical sem graça, teríamos aqui uma acabada perfeição cinéfila. Para a História, no meio de outras histórias, fica o páreo entre António Silva e Maria Matos numa disputa taco a taco pelo protagonismo supremo, vencido por ela com mérito e distinção.

Em 2013 fará 70 anos que O Costa do Castelo se estreou no S. Luiz. Vai encontrar um país a caminho daquela sociedade sem classe média onde comprar aguardente e queijo ao mesmo tempo só estava ao alcance dos ricos. Por isso, os nossos risos em grupo, na quinta-feira passada, eram também um esgar envergonhado como o de alguém que de repente se descobre apanhado num retrato tirado à socapa.

Marcelino pan y vino

Não existem socráticos positivos, figuras públicas que reclamem alguma herança de Sócrates ou aguardem pelo seu regresso às lides políticas, mas continuamos cheios de socráticos negativos, aqueles que persistem em atacá-lo por genuíno ou utilitário ódio de estimação. O Marcelino é um deles, e caso especialmente engraçado porque o Marcelino é um básico que nunca deveria ter deixado o Correio da Manhã, um espaço à medida das suas capacidades e estilo.

Ora, o Marcelino andou com Passos ao colo já desde o tempo em que ele perdeu as eleições internas contra Ferreira Leite. Esse seu intento levava a que fosse confundido algumas vezes pelos cavaquistas como estando próximo de Sócrates, quando na verdade estava era a trabalhar para o seu menino. De tal forma que durante a campanha para as legislativas de 2011 vimos o DN mais alaranjado do que o Povo Livre. Tamanho entusiasmo com o Pedro só veio a ser rompido em Setembro último, e foi preciso que o Marcelino visse um país inteiro na rua contra uma estupidez colossal. Aí, sentido a mudança da maré, tratou de sair pelos fundos e veio juntar-se ao maralhal indignado.

Eis o contexto que me leva a sugerir um divertimento onde o vemos a branquear Passos recorrendo a um Sócrates que calunia na comparação. Dizer que ambos violaram o contrato eleitoral, sem explicitar quais as faltas de Sócrates e não reconhecendo que Passos fez algo nunca antes visto na democracia portuguesa, e equivaler a situação de um Governo minoritário cercado e bombardeado por toda a oposição, pelo Presidente da República, pela oligarquia, pelas corporações, pela conluio judicial-jornalístico e pela situação internacional com um Governo de maioria, com apoio do Presidente da República, com um Memorando que o protege e com uma comunicação social anémica, é espectacular – ou seja, tamanha desonestidade intelectual e má-fé é um espectáculo.

Ler para crer:

Tão iguais

O comunismo é o inimigo secreto do PCP

Jerónimo de Sousa foi uma boa escolha para o marketing do PCP. Aquele fácies telúrico, aquela verbosidade folclórica simultaneamente operária e rural de um Portugal hoje a desaparecer no envelhecimento, essa retórica a convocar o imaginário de António Aleixo, o timbre e o tónus veterotestamentários, foram características que suscitaram imediata e universal simpatia. Depois do choninhas Carlos Carvalhas, uma bizarra opção para substituir a lenda viva, Jerónimo aparecia como uma carnal pintura mural revolucionária pronta a servir a estratégia de estancamento da sangria eleitoral e de quadros por que passava o PCP em 2004. Iniciou-se um ciclo de acantonamento e conservadorismo que está para durar até que os votos lhes mostrem que a cassete tem de ser mudada.

Bom, que falta ao homem para ser primeiro-ministro? Certamente, não serão promessas que mais do que chegariam para dar ao PCP a maioria absoluta:

Devolver aos trabalhadores e ao povo os seus salários, rendimentos e direitos sociais, indispensáveis a uma vida digna.

Discurso de Jerónimo de Sousa na abertura do XIX Congresso do PCP

A promessa de devolução de salários, rendimentos e direitos sociais aos trabalhadores e ao povo é coisa para lhes garantir 9 milhões de votos sem precisarem de colar um só cartaz. E nem mesmo a ausência de um esboço de explicação por parte de algum comunista vivo, morto ou na clandestinidade a respeito do modo como essa devolução seria feita, e quando, e com que consequências, impede o apelo da proposta. Aliás, o vazio racional só reforça o seu enlace hipnótico, pois não nos confronta com aqueles aspectos sempre aborrecidos que aparecem associados à realidade. A oferta do PCP é maximalista e não perde tempo com dúvidas e condições. Com eles no poder, não faltará massa no bolso das massas e da terra brotarão empregos e serviços públicos. Porque lhes faltam os votos, então?

Os comunistas nunca se atrapalharam na justificação das suas invariáveis derrotas eleitorais, até porque eles são especialistas na utilização desses mesmíssimos processos:

O processo de concentração da propriedade no sector da comunicação social, traduzido na posse de um esmagador número de órgãos por um reduzido número de grandes grupos económicos, afecta irremediavelmente a qualidade, diversidade e pluralismo da informação, da cultura e do próprio regime democrático.

Discurso de Jerónimo de Sousa na abertura do XIX Congresso do PCP

Eis a fatal tese: os jornais, as rádios e as televisões nas mãos do imperialismo impedem que a salvação comunista seja anunciada entre os explorados e oprimidos. Bastaria alterar este cenário, oferecer uns jornais, umas rádios e uns canais TV à Soeiro Pereira Gomes e aí se veria sem demora as gentes a correrem para as sedes do PCP a filiarem-se em êxtase marxista. Ora, nós sabemos que o Jerónimo não é mentiroso. E também sabemos que ele diz sempre a verdade. Nesse caso, que nome vamos dar a um passarão deste calibre que se diverte a gozar com a inteligência dos vizinhos? Não só o PCP ocupa os meios de comunicação social de forma continuada e versátil como não será possível encontrar alguém que esteja a ser intencionalmente afastado da teologia comuna. Pura e simplesmente, se ainda não mandam nisto é só porque o seu paleio não convence mais de quatrocentos e tal mil votantes. Os restantes milhões têm preferido abdicar da devolução de salários, rendimentos e direitos sociais se o preço a pagar for o de ficarem sujeitos ao comunismo à portuguesa.

Claro, as coisas mudam. E, como dizem os franceses, shit happens. Numas próximas eleições, tal como o profeta Jerónimo anunciou à assembleia dos crentes, é inevitável que o comunismo desça sobre a terra e que o mal seja banido por toda a eternidade. Nessa altura, o que se verá é isto:

a conquista do poder pelos trabalhadores, a socialização dos principais meios de produção e circulação, a planificação da economia e, sobretudo, a construção de um sistema de poder que promova e assegure a participação empenhada e criadora das massas na construção do seu próprio destino

Discurso de Jerónimo de Sousa na abertura do XIX Congresso do PCP

Está muito claro: o PCP oferece aos portugueses uma sociedade onde ser trabalhador qualifica para a governação, onde se nacionalizarão indústrias, serviços e bancos, onde um grupinho de eleitos fará grandiosos planos económicos à prova de erro e onde o regime se transforma numa máquina de participação das massas, agora finalmente empenhadas na construção do seu destino quer queiram ou não, e habilitando-se ao devido castigo caso o destino que se lembrem de criar venha estragar, sequer manchar, essa maravilha que produz destinos perfeitamente iguais uns aos outros tal como manda o partido na sua luta contra o capitalismo, a exploração e o imperialismo.

Contem comigo para espalhar esta boa nova, camaradas!

PEC-Men

Todo o discurso do Governo, de modo obsessivo e cada vez mais desesperado, é a repetição de um e só um facto: estamos sujeitos ao Memorando de Entendimento. É à volta dessa evidência que os agentes políticos se posicionam e estabelecem as estratégias de curto e médio prazo, vindo do Executivo e sua maioria parlamentar o retrato de um país sem qualquer autonomia política – nem sequer para tentar alterar as condições do resgate.

Ao princípio, e até ao começo de 2012, foi este o discurso:

Depois de acrescentar que o diagnóstico da situação do país feito pelo PSD “não estava muito desviado da observação atenta especializada que o Banco Central Europeu, a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional tinham”, Passos Coelho concluiu: “Quer dizer, há algum grau de identificação importante entre a opinião da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional e o que é a nossa convicção do que é preciso fazer”.

“Por isso, não fazemos a concretização daquele programa obrigados, como quem carrega uma cruz às costas. Nós cumprimos aquele programa porque acreditamos que, no essencial, o que ele prescreve é necessário fazer em Portugal para vencermos a crise em que estamos mergulhados”, reforçou.

Passos: Portugal vai cumprir o programa “custe o que custar”, diz Passos

Assim que se viu o buraco criado pelo fanatismo, a meio do ano, o foco foi logo dirigido contra o PS, reactualizando-se o discurso da culpa. Só que desta vez, e poucos meses depois do júbilo laranja por estarmos sob domínio da Troika, os socialistas eram acusados de terem colocado Portugal neste aperto. O tal aperto que, segundo o próprio Passos, era quase igual ao programa eleitoral do PSD e que andou a ser pedido pela direita portuguesa desde 2010. Faz isto algum sentido? Quando se utiliza a “verdade” como arma política, permitindo tratar como mentiroso qualquer um que discorde, faz. Porque os proprietários da “verdade” transformam em “verdade” tudo o que dizem. Têm “verdades” para todos os gostos, ocasiões e oportunidades.

Continuar a lerPEC-Men

Subsídios para o estudo da cultura da calúnia em Portugal

*

Não podia ser mais oportuno este livro, nem estar a sua organização em melhores mãos. Mas há que não perder, igualmente, a oportunidade de anotar o fenómeno do Entroncamento que surge por arrasto: ele junta quatro notáveis da cultura da calúnia em Portugal – Ferreira Leite, Pacheco Pereira, Lobo Xavier e Miguel Frasquilho – a uma ranchada dos mais retintos e perigosos socráticos. É o mesmo que levar os lobos às ovelhas sob a desculpa de que se tornaram vegetarianos de repente.

Claro que a tipologia da calúnia em cada uma destas poderosas personalidades públicas varia segundo as díspares circunstâncias, indo desde a aparentemente mais inócua, onde vimos Frasquilho a contradizer-se a si mesmo a respeito do Governo socialista conforme assinava relatórios internacionais pelo BES ou declarações políticas pelo PSD, ou habitual, onde vimos e vemos Lobo Xavier em exercícios oligárquicos de assassinato de carácter, até à mais desvairada, obscena e canalha, aquela que Ferreira Leite e Pacheco Pereira desenharam como estratégia para as eleições de 2009 e que os foi deixando literalmente possessos.

Recordemos:

Eu compreendo que o Presidente da República, até pelas coisas graves que tem certamente para dizer face aos ataques que lhe têm sido dirigidos, não queira falar em período eleitoral. O que diria perturbaria e muito o período eleitoral. Mas temo que só depois das eleições é que se vá saber demasiadas coisas sobre esta governação e sobre o Primeiro-ministro. E temo que isso seja um fardo muito difícil de gerir, ganhe quem ganhar as eleições. Seja no caso Freeport, seja na questão da eventual espionagem aos seus opositores, seja no ataque à TVI e ao Público, seja nos múltiplos negócios que estão por esclarecer, da OPA da Sonae à crise do BCP e à interferência da CGD, seja no caso BPN e nos nunca esclarecidos movimentos do dinheiro da Segurança Social, seja na tentativa de compra da PT da Media Capital e etc,. etc. Um etc. demasiado grande.

Pacheco, pondo a carne toda no assador a poucos dias das eleições legislativas de 2009

Então eu já tenho medo de ouvir o telemóvel com medo de estar a ser escutada, agora ainda vou ter medo de sair de casa com medo de ser seguida?

Ferreira Leite, escolhendo Aveiro para se passar por vítima de eventuais escutas na precisa altura em que decorria uma operação de espionagem a Sócrates a partir de Aveiro

Já não há pachorra para perder sequer uma caloria a emitir juízos sobre o carácter, a ética e a decência destes infelizes. Já se disse no tempo próprio o que havia a dizer. O que importa realçar no contexto é a evidência de terem sido os ataques a Sócrates igualmente ataques a todo e qualquer um que estivesse ao seu lado. O ódio chegou a um tal paroxismo que o Pacheco se permitiu caluniar – e a troco de dinheiro – que em certos blogues escreviam funcionários e membros do Governo, mas sem disso ter a mais vaga prova e dessa mentira nunca tendo assumido a responsabilidade. Logo, se pessoas de quem ele tudo desconhecia, menos as palavras que livremente publicavam em registo particular, lhe apareciam como alvos legítimos para o seu alucinado fel, quão mais e por mais pungentes razões lhe devem ter surgido aqueles que estavam perto de Sócrates, alguns deles exercendo poder governativo.

Eis que nesta quinta-feira teremos o José Pacheco Pereira a ilustrar com a sua magnífica presença e supinos considerandos uma obra de sócraticos ferrenhos, daqueles com as unhas todas encardidas das socratices que andaram a fazer. Que vai dizer o nosso Marat da Marmeleira? Não faço ideia. Mas tenho uma absoluta certeza a respeito do que não vai dizer, isto:

“Peço desculpa, fui um traste com este, com aquela, com os outros, por isto e por aquilo. Agora, e com a vossa licença caso se considerem ressarcidos, falemos do livro.”

Que saudades do tempo em que o Parlamento, ou mesmo a Assembleia, impunha limites e encontrava soluções

Aquilo que está a ser feito a este país tem de ter um limite. Esse limite passa por este Parlamento.

De uma coisa poderão estar certos: é que em democracia há soluções, as soluções de Governo passam por esta Assembleia.

Manuela Ferreira Leite, na tarde de 23 de Março de 2011, assim justificando a ruína e entrega do País a Passos e ao dr. Relvas

Num universo paralelo algures perto de si

Perante protestos e apartes da bancada social-democrata, Teixeira dos Santos afirmou: «Há neste PSD um lado que defende propostas radicais e aventureiras. Radicais, porque saem fora do consenso europeu e da sua própria família política. É exemplo a sugestão de que não são precisas mais medidas para se cumprirem os objectivos orçamentais.».

«Aventureiras, porque entraram por caminhos desconhecidos sem explicitar os perigos que contêm. É exemplo a polarização populista contra o PEC IV como acordado com a União Europeia e o Banco Central Europeu», completou.

Sem se referir directamente ao presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, o ministro das Finanças apelou: «Em tempos de crise e emergência o radicalismo e o populismo são perigosos. Quando os problemas são especialmente sérios, e é este o caso neste momento, torna-se tentador procurar soluções em jogadas de alto risco. Temos de resistir a essa tentação».

Segundo Teixeira dos Santos, «existe um outro lado no PSD, um lado moderado e herdeiro de uma orgulhosa linhagem europeísta», que tem «um sentimento de responsabilidade» e que «trará o PSD ao debate sobre o PEC IV».

O ministro das Finanças elogiou «a prudência, contra a tentação radical», e dramatizou: «Tudo será muito mais difícil se o nosso sistema político não souber resistir às tentações que enfrenta neste momento».

Universo gasparino

Um mal nunca vem só

A primeira entrevista da nova liderança bloquista não produziu qualquer novidade política que justifique o gasto de neurónios no seu armazenamento. O único ponto de interesse foi mesmo o do formato, apreciar os protocolos e minudências que uma dupla de dirigentes a discursar ao mesmo tempo iria exibir.

E o que se viu foi uma linguagem não-verbal e uma atitude interventiva onde a diferença de idade, mas também a de género, estava a condicionar a parelha. Assim, Semedo indicou subtilmente a Vítor Gonçalves que não queria ser ele a falar em primeiro lugar. Qualquer racionalização desta opção, seja para evitar aparecer como o elemento preponderante ou para se armar em cavalheiro com uma senhora e sua precedência em contexto social, o que revela é o mais clássico e entranhado machismo. E deste começo em diante a coisa só piorou, pois passou a mostrar zelo na protecção da sua companheira sempre que a via em apuros; sendo o caso mais óbvio aquele da temática bancária em que o jornalista estava a explorar uma fatal ignorância no argumentário da Catarina. Isto significa, então, que ao machismo temos de acrescentar o paternalismo.

As situações em que os dois coordenadores apareçam juntos para interrogatórios serão raras face ao conjunto das tarefas que terão pela frente, pelo que as suas prestações só tenderão a melhorar depois deste tirocínio. O que realmente estimula o cidadão apaixonado pela cidade é o seguinte corolário: a opção do BE pela liderança bicéfala faz do género a sua causalidade. Não há nenhuma outra razão para termos este casting a não ser a vontade do realizador em fazer um filme com actores seus predilectos que garantissem uma daquelas comédias românticas com obrigatório final feliz. Semedo e Catarina não tinham passado comum que justificasse a sua simultânea elevação à chefia do partido. Eles apenas se limitaram a aceitar o casamento que outrem lhes arranjou por correspondência e sem direito a namoro.

Louçã podia ter escolhido quem quisesse para a sua sucessão. Logo, já que estava com a ideia fixa nesta parolada de querer parecer moderno ou porque não confiava em ninguém o suficiente para o deixar sozinho à frente do barco, poderia ter escolhido dois homens, duas mulheres, dois idosos, duas moçoilas, um casal de bichas ou um preto e um cigano. Poder podia, mas, grande alquimista que é e para sempre será, quis ter um homem e uma mulher, e que esse homem fosse sábio e que essa mulher fosse fértil. Onde é que estamos? No Éden. A ver a tal comédia romântica. Uma fita onde a política desaparece no naturalismo. A história do Ocidente, aliás, não tem sido outra coisa – a fragilidade do político perante a constante tentação da sua substituição pelas abstracções cósmicas ou pelas forças ctónicas.

Sabemos que a água canalizada está cheia de drogaína quando…

“Posso bem com aqueles que pensam diferente de mim e posso bem com aqueles que acham que estamos a seguir um caminho de austeridade excessiva. Confio muito na inteligência dos portugueses”, declarou Pedro Passos Coelho no encerramento do XIV congresso regional do PSD-Madeira.

Segundo o responsável, o PSD tem de “saber ir contra a corrente e manter firmeza”, adiantando que o partido e o Governo “não quer alinhar na demagogia e no populismo que nos trouxeram até aqui”.

Pedro “Eu já ouvi o primeiro-ministro dizer, infelizmente, que o PSD quer acabar com muitas coisas e também com o 13º mês, mas nós nunca falámos disso e isso é um disparate” Coelho

Se existisse imprensa em Portugal

Se existisse imprensa em Portugal, os jornais, as rádios e as televisões estariam por estes dias cheios de políticos, comentadores, historiadores, psicólogos, psiquiatras, psicanalistas, neurologistas, antropólogos, parapsicólogos, serralheiros mecânicos, ventríloquos e um ou dois veterinários, todos a discutirem freneticamente o número de Cavaco na noite dos prémios Gazeta e o que o acontecimento obrigava a dizer dele e permitia dizer de nós.

Não havendo, é isto. Um país que se deixa humilhar por aquele a quem confiou a defesa suprema da Constituição. Um povo que não se sente.

Revolution through evolution

Women in Congress Outperform Men on Some Measures
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More Female Board Directors Add Up to Improved Sustainability Performance
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A More Peaceful World Awaits, Statistical Analysis Suggests
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We’re in This Together: A Pathbreaking Investigation Into the Evolution of Cooperative Behavior
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Turn on the TV? How telenovelas help people cope with real life
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Scientists Probe Human Nature—and Discover We are Good, after All
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Human Obedience: The Myth of Blind Conformity

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