Arquivo da Categoria: Valupi

Seguro também quer uma refundação: a do PS

O debate do Orçamento foi fértil em achincalhamentos do PS:

Atente-se: estava em discussão um plano que, tirando o núcleo apátrida do Governo, é unanimemente considerado injusto, inviável e irracional – talvez ainda inconstitucional. Dir-se-ia que, no mínimo, o PS iria levar ao tapete um Governo de alucinados cercado por todos os lados. Só que a estratégia do PSD foi a de criar uma manobra de diversão a respeito do Estado social enquanto ia repetindo à exaustão a cassete troglodita da culpa do PS por qualquer um dos inúmeros males da actualidade. Para quem era, chegava. Era para o Seguro.

Como este vídeo mostra, a sua recusa em falar do passado é absoluta. Nem sequer para defender a honra de Maria de Lurdes Rodrigues e demais centenas de participantes num dos mais complexos e ambiciosos programas de melhoramento da escola pública, a qual num momento de sã e louvável ingenuidade deixou sair a exclamação de que o projecto da Parque Escolar tinha sido “uma festa”. O modo canalha como a expressão de imediato passou a ser usada para a baixa política é um atestado da profunda decadência da direita partidária portuguesa.

Nunca o saberemos, mas podemos imaginar. Imaginar o que diria Francisco Assis perante ataques tão soezes – e tão broncos! – caso o partido tivesse reconhecido o óbvio a respeito dos dois candidatos a secretário-geral do PS. Um, é um tribuno de excepcional qualidade, alguém que nunca vacilou durante o tempo em que chefiou a bancada e alguém que alia a integridade ética com o pensamento da política e com a coragem cívica. O outro, é uma penosa imitação de um líder, alguém que tem um percurso cujo objectivo é ele próprio e alguém que pretende refundar o PS através do apagamento da sua história, da sua obra e da sua luta. Daí Seguro estar constantemente a remeter para afirmações suas em vez de assumir a responsabilidade de defender o partido e os seus quadros. E daí Seguro, como se vê acima, andar a implorar à direita para que não fale mais no passado. Pelos vistos, um passado que o envergonha ou do qual tem asco.

Reina no Parlamento um ambiente de taberna, onde os ministros e deputados da coligação estão em permanente algazarra infantilóide. O nível não pode ser mais baixo, porque já roça o palavrão e a estalada. Esta seria a oportunidade imperdível para os reduzir à sua miséria política e moral. Em vez disso, assistimos a trocas de risinhos entre Passos e Seguro, quais amigalhaços divertidos com o teatro onde simulam divergências sérias e brincam aos países.

Na São Caetano, no salão principal, nunca se apagam as velas por baixo do retábulo onde a imagem de Seguro é venerada sete vezes ao dia com os votos de longa vida à frente do PS.

Bafo de onça

Cavaco já tinha sido o autor da comunicação ao País mais aparvalhada de sempre, quando deixou a sociedade à beira de um ataque de nervos durante um dia inteiro só para aparecer a falar das normas do Estatuto Político-Administrativo dos Açores, normas essas que ele próprio não enviou para o Tribunal Constitucional para serem fiscalizadas. Uma tonteira que até levou figuras gradas da direita a ficarem de boca aberta.

Cavaco já tinha sido o mentor de uma nunca antes vista, nem sequer imaginada, golpada mediática com origem na Presidência da República cujo intento era a deturpação de dois actos eleitorais. Cavaco ficou em silêncio, assim alimentando a conspiração, até ao momento em que os protagonistas da operação foram denunciados. Mas, mesmo aí, ele deixou no ar a suspeição lançada. Quando finalmente foi obrigado a assumir uma qualquer responsabilidade pelo episódio, fê-lo de forma acintosa e afrontosa, pois não só manteve Fernando Lima em funções como continuou a justificar a golpada com a sugestão de ter a segurança das suas comunicações pessoais ameaçada. Este caso é o maior escândalo de sempre do regime em democracia, inclusive ultrapassando em dano moral o que se passou no BPN, pois a comunidade foi conivente com ele e premiou com mais um mandato a escabrosa violação constitucional.

Cavaco já tinha sido o primeiro Presidente da História a fazer um discurso de vitória rancoroso, de um fel e desvario ao nível dos linchamentos populares. Mais uma vez, os seus apoiantes e a imprensa rapidamente desvalorizaram a ocorrência. Todavia, o que ali se expôs era inegável: aquela indivíduo dava sinais de não estar à altura do cargo.

Cavaco já tinha sido o actor de uma nova e fatal golpada que arruinou o País. Ao fazer do seu primeiro acto oficial no segundo mandato o início do derrube do Governo, ao arrepio de tudo o que andou a prometer na campanha eleitoral, altura em que chegou a dizer que uma segunda volta faria subir os juros da dívida e que só ele poderia garantir a tão necessária estabilidade política num tempo crítico como aquele, o Supremo Magistrado da Nação mostrava que acima do interesse do País estava um plano de conquista do poder pelo poder e custasse o que custasse a quem custasse. Não se concebe qualquer outro dos anteriores Presidentes a levar a cabo tamanha conspurcação do seu juramento.

Eis que temos mais uma novidade absoluta no regime, as declarações de Cavaco na entrega dos prémios Gazeta. Há que desmontar desde logo a pretensão de se ter tratado de uma tentativa de humor, de um exercício de ironia ou não sei quê dessa tipologia. Tais predicados existiram nas suas palavras, sim, mas meses antes, quando partilhou com o povo a sua aflição por não ter reforma suficiente para as despesas. Agora, estamos perante alguma coisa que pode ser tudo e um par de botas mas sobre a qual temos a certeza certezinha de que não se trata de humor nem de ironia. Ver o Chefe de Estado a brincar com o empobrecimento, a miséria, a fuga de Portugal de centenas de milhares, o desespero de milhões, a irresponsabilidade governativa, a cobardia presidencial e o potencial descalabro do regime não pertence ao registo da comédia. Pertence à sua irmã grega.

Este episódio cria um berbicacho do camandro aos agentes políticos e demais figuras públicas congéneres, pois quem não o denunciar e exigir consequências será cúmplice. O concidadão que ocupa o Palácio de Belém não tem legitimidade moral, quiçá discernimento cognitivo, para continuar a representar Portugal a esse nível. E isto não é matéria de opinião, é uma básica questão de respeito próprio – o de cada um de nós, que o de Cavaco há muito se evaporou na sua soberba e ódio.

Alvíssaras, Louçã descobriu um socrático honesto!

Está a fazer muito bem ao Louçã a licença sabática. Atente-se neste incrível texto:

Afinal, havia dinheiro para salários e pensões

Tudo nele é incrível. Começa logo pelo seu começo:

Emanuel dos Santos foi Secretário de Estado do Orçamento dos governos Sócrates entre 2005 e 2011. Estão feitas as apresentações.

Que mais há para dizer de quem esteve ao lado de Sócrates? Nada. A sua experiência profissional, a sua formação académica, a sua produção intelectual, quiçá as suas fotografias de férias com a família e o cão, tudo isso se apaga por ter estado sob a influência do mafarrico.

Segue-se uma recensão didáctica e progressivamente empática do livro “Sem Crescimento não há Consolidação Orçamental” onde, incrivelmente, Louçã junta a sua voz à de Emanuel dos Santos no argumentário contra a atoarda da bancarrota iminente em 2011 por culpa do Governo PS. A conclusão, agora de ambos, é à prova de estúpidos: podíamos ter passado por 2011 sem precisar de recorrer a um empréstimo de emergência – portanto, sem ter perdido a soberania.

Aqui chegado, Louçã salta do comboio e vai abancar no apeadeiro do sectarismo. O esforço tinha sido tremendo e ele precisava urgentemente de descansar depois de tanta trepidação nos carris da boa-fé. E termina o escrito com o faduncho do “governo de esquerda” e seus miríficos poderes.

Ora, regressemos a Março de 2011: nem Portugal estava à beira da bancarrota, nem existiam gorduras no Estado, nem seria possível escapar ao contexto económico internacional, nem seria possível fugir do contexto político europeu, nem se desbarataram fortunas com aeroportos, TGV, PPP, auto-estradas e escolas. Pura e simplesmente, havia um Executivo que reunia alguns dos governantes mais capazes de toda a política nacional, todos eles confrontados com gigantescos e indomáveis problemas que nasciam tanto da caótica actualidade como da constrangedora longa história da economia portuguesa e da adesão ao Euro. Quer Louçã convencer-nos de que não se deu conta da conjuntura? Quer Louçã dizer-nos que não percebeu o plano da direita, ainda por cima uma direita mentirosa, decadente e incompetente como nunca se tinha visto antes, nem sequer com Santana Lopes? Quer Louçã garantir-nos que a responsabilidade de um partido de esquerda com representação parlamentar, perante aquelas e estas e outras evidências, se realiza no derrube de um Governo também de esquerda só porque este não correspondia ao tipo de esquerda que Louçã criou na sua brilhante cachimónia e do qual é o feliz proprietário monopolista?

É incrível o que o fanatismo faz à inteligência própria, mas ainda mais incríveis são as consequências devastadoras do que se passou na Assembleia da República no dia 23 de Março de 2011.

Como uma luva

Smartness is an ability to absorb new facts. To walk into a situation, have something explained to you, and immediately say, “Well, what about this?” To ask an insightful question. To absorb it in real time. A capacity to remember. To relate to domains that may not seem connected at first.

Bill Gates in The Rich and How They Got That Way, 2001

__

Obrigado, Jorge Xavier

Duarte Marques, um novo benchmark da chungaria

Vale bem a pena – pena no seu sentido de castigo e de sofrimento, mas também de tristeza e dó – ler a entrevista do Duarte Marques. Estamos perante o presidente da JSD, perante um deputado e perante um marmanjo de 32 anos.

Vou saltar por cima da cultura da calúnia de que é fervoroso praticante, por cima da activa tentativa de criminalizar ex-governantes socialistas, por cima das recordações psicadélicas a respeito de Merkel (neste último caso, com grande dificuldade) e por cima da oferta de porrada a Sócrates. Vou apenas comentar a seguinte passagem:

Não tem motivo para se manifestar?

Tenho imensos. Acho até que os portugueses se começaram a manifestar demasiado tarde. A indignação que está hoje na rua devia ter acontecido há quatro ou cinco anos.

Há quatro ou cinco anos estávamos em 2008 ou 2007, dizem. Duarte Marques lamenta não ter visto os portugueses na rua manifestando indignação igual à que exibem hoje, e não devemos duvidar da sua sinceridade. Infelizmente, a entrevistadora não lhe perguntou o que poderia ter causado essa comoção nacional in illo tempore. Seria o facto de o défice estar controlado e abaixo dos 3% pela primeira vez em décadas? Seria o facto de a pobreza e a desigualdade estarem a diminuir pela primeira vez em décadas? Seria o facto de se estar a fazer o maior investimento em educação, ciência e tecnologia da democracia? Seria o facto de se ter uma política de exportações de alto e crescente sucesso? Seria o facto de se ter uma estratégia vanguardista para o sector energético? Seria o facto de se estar a conseguir modernizar o tecido empresarial? Seria o facto de se ter conseguido a sustentabilidade da Segurança Social? Seria o facto de se estar a conseguir tornar muito mais eficiente o Estado? Seria o facto de Portugal e o Governo português irem acumulando prestígio e influência internacional?

De facto, razões não faltavam para a indignação dos cidadãos que se identificam com o Duarte Marques e que contam com ele para pôr isto na ordem. Lá isso, é factual.

Público adopta modelo do dr. Relvas

Das várias inovações no campo da comunicação social que a existência do dr. Relvas como ministro trouxe para a sociedade, desde a sua peculiar relação com a liberdade de imprensa e a privacidade dos jornalistas até à sua permanência no Governo estar agora indexada ao grande negócio da venda da RTP, uma das mais curiosas e mais rápidas decisões foi a censura de Estado sobre o património de intervenções públicas do anterior Executivo. Faça-se o teste: ir aqui e carregar em MENSAGEM DE NATAL DO PRIMEIRO-MINISTRO NA ÍNTEGRA. Depois aferir o resultado e tirar algumas conclusões (mas só se for caso disso, não é obrigatório).

Assim como o dr. Relvas tratou de boicotar o acesso de milhares e milhares de páginas às fontes para as quais tinham ligação, assim o Público acaba de imitar o feito e varreu milhões de links que ligavam milhões de pessoas. Como isto foi feito a propósito do lançamento da nova versão do seu website (já agora, uma desilusão), e como esse lançamento foi embrulhado em profecias de gurus que nos avisaram para radicais mudanças no que é hoje a Internet, é provável que no futuro a Internet abdique por inteiro do hipertexto e da interactividade e se concentre no trabalho de refundação do mundo como se não houvesse amanhã nem, em especial, ontem.

O reino da estupidez

Já tínhamos governantes que desconhecem por completo o programa e promessas eleitorais dos partidos a que pertencem. Já tínhamos ministros que estão contra as medidas que eles mesmos aprovam. Já tínhamos o Presidente da República desaparecido em rebate. Eis que chegam, finalmente, os secretários de Estado que estão em condições de contar a verdade aos cidadãos pela primeira vez:

Cúmulo da desfaçatez

Hélder Rosalino está tão-só a transmitir um recado de Vítor Gaspar. Um recado que não pode causar qualquer surpresa, pois se há sentimento que o ministro das Finanças nunca escondeu é o do seu enfado, ou desprezo, pelo mundo dos políticos e da política. Ele é mais é contas, tabelas, parcelas, resultados instantâneos no Excel. E o que tem a dizer acerca dos tipos que o convidaram para o Governo, de caminho mostrando quem é que usa calças no Executivo, ficou cristalino nas palavras do Hélder: “Sejam sérios e calem-se com essa tanga das gorduras.”

Se já é oficial que “não há gorduras no Estado”, Gaspar dixit, então não fica pedra sobre pedra dos discursos que invadiram o espaço público durante os últimos anos e que serviram de desculpa para o derrube de um Governo que tinha um programa adequado à correcta visão de um Estado sem gorduras, um Estado magricelas e a precisar de se alimentar bem e de fazer exercício para criar músculo.

No entanto, contudo, todavia, sendo Portugal um país ocupado por portugueses, mais esta prova da trágica golpada que arruinou o País ficará soterrada pela estupidez reinante.

Do Memorando e da memória

Os responsáveis do PSD – dirigentes, representantes, governantes e deputados – já disseram que o Memorando é o que é por sua decisiva influência durante as negociações com os credores, que o Memorando corresponde exactamente à visão, ao diagnóstico e aos propósitos programáticos dos social-democratas e que o Memorando precisava de ser ultrapassado por em certos pontos não ir tão longe na alteração das funções do Estado como o PSD ambicionava. Esta conversa durou até ao princípio de 2012. Depois, perante o crescente descalabro gasparino, começaram a dizer que o Memorando era a incontornável causa da austeridade que impunham aos portugueses, que o Memorando era uma herança que tinham recebido dos socialistas, que o Memorando era o que era porque o Governo de Sócrates assim o quis e que eles nada tiveram a ver com isso e se limitam a cumprir com as obrigações assumidas por outros.

Para além da sua natureza gelatinosa, estes fulanos entram em êxtase de avacalhamento sempre que têm a oportunidade de repetir a cassete da culpa do PS por todos os males conhecidos e por conhecer neste rectângulo e ilhas. E têm essa oportunidade várias vezes ao dia, por vezes com intervalo de apenas minutos ou segundos entre duas doses. Como no debate do Orçamento para 2013:

Continuar a lerDo Memorando e da memória

Singulis major, universis minor

Se nem em ditaduras as repressões policiais conseguem acabar, sequer diminuir, com as manifestações, ainda menos em democracias. O efeito será exactamente o oposto. A queda do Bloco Soviético e a “Primavera Árabe” são exemplos cristalinos deste princípio: quando o povo sai à rua não é possível assustá-lo, só massacrá-lo ou convencê-lo. Mas imaginemos que algum louco no Governo tinha imaginado que conseguiria – e sem ser descoberto! – pôr agentes disfarçados de anarco-pedreiros a servir calhaus aos colegas fardados até se considerar que estavam reunidas as condições para avançar de bastão em riste e partir a cabeça a meia dúzia de adolescentes, velhos e mulheres na esperança de que, sei lá, deixa cá ver, a CGTP e o PCP não voltassem a ter vivalma nas suas acções de luta. Ver pessoas que julgávamos em condições mentais suficientes para tirar a carta de condução, e outras que admiramos intelectual e moralmente, a alinharem nessa febre paranóide é uma espectacular lição quanto à facilidade com que se pode dar uma intoxicação cognitiva. O exemplo das fotografias de um tipo que se andou a passear junto da primeira linha do Corpo de Intervenção, e que até aparece num vídeo a gesticular sem máscara para um dos polícias que permanece imóvel de escudo erguido, é um gigantesco monumento à imbecilidade.

Continuar a lerSingulis major, universis minor

“O que é que se passou, senhor deputado?!”

Outubro de 2012. Um primeiro-ministro de um país da União Europeia roga a um deputado da oposição que lhe explique o que se passou no tal país e no Mundo durante o período compreendido entre 2005 e 2011. O ambiente é de feira do gado, o estilo é de taberna. Ver para crer:

Dias depois, a chanceler de outro país da União Europeia aproveitou estar a passeio no país do tal primeiro-ministro para o ajudar a perceber o que se terá realmente passado:

Uma das coisas divertidas da passagem de Angela Merkel por Lisboa – para além da “photo opportunity” do letreiro “governo de Portugal” – aconteceu quando a chanceler, na conferência de imprensa ao lado de Passos Coelho, lembrou a origem da crise do euro. Deve ter sido esquisito para quem está habituado a culpar “o Sócrates” ter ouvido a todo-poderosa Angela explicar que, por causa da crise financeira desencadeada nos Estados Unidos, e da sua propagação à Europa, os governos europeus desataram a apostar no investimento público para conter o descalabro das suas economias. Só que entretanto os investidores começaram a desconfiar de algumas economias (as mais frágeis) e a duvidar da fiabilidade de alguns para pagar as respectivas dívidas. Esta foi a explicação de Merkel, perante um Passos Coelho que arrumou a um canto o discurso habitual do “vivemos acima das nossas possibilidades” e se concentrou no verdadeiro desastre nacional – um grave problema de produção.

Fonte

Revolution through evolution

Women Eager to Negotiate Salaries, When Given the Opportunity
.
Ask Gini: How to Measure Inequalit
.
Systematic Incarceration of African American Males Is a Wrong, Costly Path
.
‘Mindful Eating’ Equals Traditional Education In Lowering Weight And Blood Sugar
.

Hormone oxytocin may keep men monogamous, study suggests
.
Looks matter, even when it comes to money
.
Practicing meditation or exercising might make you sick less often
.
Physicist Elected to Congress Calls for More Scientists-Statesmen
.
Not What You Consciously Thought: How We Can Do Math Problems and Read Phrases Nonconsciously
.
Study Identifies Four Family Cultures in America
.
Does the Color Green Boost Exercise’s Effects?

Vencidos da troika

Quem gosta de política gosta do Louçã. Gosta muito, tanto quanto a sua excepcionalidade. E tão mais quão menos se identificar com ele. Porque o desacordo ideológico, intelectual e moral permite uma objectividade centrada no homem e não no chefe.

Embora o Bloco seja o Louçã, e sendo duvidoso que o partido lhe sobreviva caso o Chico saia mesmo de cena, Louçã é mais do que o Bloco. O que ele fez no PSR foi igualmente notável, pois já então conseguiu ocupar o espaço entre o PS e o PCP, chegando a eleitorados jovens e urbanos com uma promessa de lirismo credível. O seu instinto de marketing cedo mostrou ser apurado, utilizando linguagens e códigos onde se escondia o radicalismo e se vendia o vanguardismo. Era a síntese perfeita à esquerda: a pureza ideológica do PCP com a ligação à sociedade e ao futuro do PS. Ou assim se fez parecer.

É por tudo isso que a sua despedida do palco, mesmo que temporária ou simulada, merece uma ponderação mais funda sobre tão influente figura. E basta comentar o seu último discurso, na abertura da Convenção do BE, para termos um retrato transparente da sua pessoa política. São 30 minutos extraordinários. 30 minutos de demagogia, fanatismo, hipocrisia, narcisismo e desonestidade intelectual sem o menor vestígio de consciência, quanto mais de vergonha. 30 minutos de culto da personalidade e de rédea solta à megalomania e ao farisaísmo. E, no entanto, tal não impede que se reconheça o seu valor: também por sua causa Portugal melhorou nos últimos 30 anos.

São variadas as calamidades do foro lógico que aquele discurso oferece à contemplação. Contudo, porque ele se constitui como o enésimo ataque à outrance ao PS, assim se misturando a sua obsessão com a homenagem a companheiros mortos e a saudação a companheiros vivos, talvez o mais apropriado seja sairmos dessa mistela de duvidoso gosto e ficarmo-nos pelo cenário. Nele se pode ler, por todo o lado, o lema do evento: “vencer a troika”. Isto significa que o partido que viabilizou a perda da soberania e a entrega do País à dupla Passos-Relvas, e cujo líder chegou na altura a dizer que desse modo se estava a sair da crise, se transformou numa entidade cujo único desígnio é o de lutar contra o seu passado. É que existiu realmente uma altura em que a Troika poderia ter sido vencida e um Governo disposto a combater ao lado do BE nessa patriótica batalha, mas não é nesta altura nem será em nenhuma outra por vir. O mal está feito, o que resta acontecer será uma penosa recuperação.

Eis um facto histórico que diz o essencial a respeito de Louçã como político e como cidadão.

Polícias contra polícias

__

Nesta imagem vemos vários polícias em acção. À esquerda, temos o polícia do blusão preto com o símbolo branco no braço, com a mochila, com as luvas e com o gorro. Este polícia notabilizou-se por haver cumprido à risca o protocolo das infiltrações e, tal como mandam os manuais do infiltrismo, ter ido várias vezes à linha da frente nas escadarias trocar palavras com os seus colegas fardados, quiçá dando informações ou pedindo instruções e depois voltando ao fight dos pedreiros libres. Há fotos onde se vê este polícia mesmo juntinho aos outros polícias, pelo que escusam de vir para cá com teorias de que não senhor e coiso e tal pois as fotos não mentem como sabe qualquer estudante com um razoável conhecimento da estética do estalinismo. Mesmo junto dele, segurando um cartaz onde se lê o intrincado argumento Aqueles que fazem da revolução pacífica algo impossível farão com que a revolução violenta seja inevitável, está outro polícia que momentos antes ou momentos depois foi fotografado a passear um sinal de trânsito à frente dos seus colegas de cara destapada. Como este polícia também usa um blusão preto e um gorro, há uma corrente que afirma estarmos perante o desdobramento holográfico do polícia da esquerda, no que seria mais uma prova de o Governo estar a usar tecnologias de última geração cedidas pela CIA. Contudo, a geringonça ainda apresenta algumas imperfeições, pois o polícia da direita não tem mochila, não tem luvas e até o gorro difere por apresentar uma abertura para a boca. Pormenores a resolver em futuras versões, certamente. Colhe igualmente apontar aquele ou aquela polícia que empunha um cartaz onde se pode ler o fatal Morte ao Governo, e ainda o polícia que está a puxar lume ao fogaréu com a perícia de um profissional.

Mas o melhor é apreciar-se o vídeo respectivo, onde se pode admirar toda a extensão deste estupendo conflito entre polícias que, pese embora uma ou outra cacetada mais agreste, não impede que eles continuem todos amigos.

Naquele dia, lembram-se?

«Alertei, no dia 1 de janeiro de 2010, procurando chamar a atenção dos agentes políticos para inverter o rumo que nós estávamos a seguir (…) Nós estamos numa situação de recessão que não conhecíamos há algum tempo, na medida em que em dois anos a economia portuguesa caiu cerca de 4,5%. É uma situação muito, muito pior do que aquela que já se antecipava – mas alguns não quiseram acreditar – e que hoje temos de enfrentar», afirmou Cavaco Silva.

15 de Novembro de 2012

__

Cavaco lembra, quase 3 anos depois, que houve um certo dia em que disse uma certa coisa. Essa era a coisa certa, e a coisa verdadeira. Mas algo funesto aconteceu: os incréus não acreditaram, como é aliás seu hábito por ser essa a sua retorcida natureza.

Aproximemo-nos deste paradigmático símbolo da direita portuguesa, o político há mais tempo no activo, o nosso reeleito Supremo Magistrado da Nação. Para além de tudo o resto que nele é exemplo e excelso, este homem não mente aos portugueses. Já o afiançou vezes sem conta. Quem mente são os outros, aqueles que acumulam esse vício imoral com a incredulidade a seu respeito. Aliás, quem quiser conhecer a verdade – repito: a verdade; insisto: a verdade – sobre aquilo que diz e faz o Presidente da República, basta ir ao website da Presidência. Lá, está a verdade. Pelo que este estadista revela eficiência máxima na utilização dos canais digitais para agregar a verdade e disponibilizá-la aos seus utilizadores. Como também vê crescer a fama e os amigos por usar a plataforma Facebook em complemento ao website da Presidência, não erramos se dissermos estar Cavaco por esta altura capaz de produzir verdades com uma percentagem de pureza bem acima dos 100% – talvez mesmo já tendo atingido o “Pico de Moisés”, assim conhecido entre os investigadores esse nível em que uma figura pública consegue chegar a conteúdos com 250% de verdade só pela Internet.

Mas concentremo-nos. Atenção. Atenção à data: 1 de Janeiro de 2010 à noitinha. Quer isso dizer que não se justificou alertar o País para qualquer berbicacho de especial importância antes. Isto é óbvio, para além de ser evidente. Caso tivesse sido necessário avisar os agentes políticos mais cedo, o nosso veríssimo e responsabilíssimo Presidente não teria ficado placidamente à espera do dia 1 Janeiro de 2010 à noitinha. Mas igualmente quer dizer que deixou de ser necessário fazer novos alertas mais tarde, pois não se referem outras datas. Aliás, tendo em conta que o Presidente da República reúne semanalmente com o Primeiro-Ministro, há boas razões para supor que esta agora recordada comunicação só se tornou pública por ter calhado no feriado do Ano Novo e não estar previsto nenhum encontro entre os dois chefes nesse dia.

Cândida e pesarosamente, Cavaco lamenta que alguns agentes políticos não tivessem de imediato invertido o rumo que se estava a seguir no dia 1 de Janeiro de 2010 à noitinha, rumo que diferia substancialmente do rumo seguido em 30 de Dezembro de 2009 à tardinha ou em 15 de Junho de 2008 de manhãzinha, só para referir outras datas em que de Belém não veio nenhuma chamada de atenção a merecer atenção. E é bem verdade, para sempre ficaremos com essa dúvida a pairar sobre as nossas cabeças. A dúvida relativamente a esse regime onde as arbitrárias palavras de um homem obrigassem um Governo democrático a abdicar da sua legitimidade e do seu programa. A dúvida diz apenas respeito à designação, pois já sabemos que o conceito de democracia não se aplica. Que nome teria essa aberração?