O debate do Orçamento foi fértil em achincalhamentos do PS:
Atente-se: estava em discussão um plano que, tirando o núcleo apátrida do Governo, é unanimemente considerado injusto, inviável e irracional – talvez ainda inconstitucional. Dir-se-ia que, no mínimo, o PS iria levar ao tapete um Governo de alucinados cercado por todos os lados. Só que a estratégia do PSD foi a de criar uma manobra de diversão a respeito do Estado social enquanto ia repetindo à exaustão a cassete troglodita da culpa do PS por qualquer um dos inúmeros males da actualidade. Para quem era, chegava. Era para o Seguro.
Como este vídeo mostra, a sua recusa em falar do passado é absoluta. Nem sequer para defender a honra de Maria de Lurdes Rodrigues e demais centenas de participantes num dos mais complexos e ambiciosos programas de melhoramento da escola pública, a qual num momento de sã e louvável ingenuidade deixou sair a exclamação de que o projecto da Parque Escolar tinha sido “uma festa”. O modo canalha como a expressão de imediato passou a ser usada para a baixa política é um atestado da profunda decadência da direita partidária portuguesa.
Nunca o saberemos, mas podemos imaginar. Imaginar o que diria Francisco Assis perante ataques tão soezes – e tão broncos! – caso o partido tivesse reconhecido o óbvio a respeito dos dois candidatos a secretário-geral do PS. Um, é um tribuno de excepcional qualidade, alguém que nunca vacilou durante o tempo em que chefiou a bancada e alguém que alia a integridade ética com o pensamento da política e com a coragem cívica. O outro, é uma penosa imitação de um líder, alguém que tem um percurso cujo objectivo é ele próprio e alguém que pretende refundar o PS através do apagamento da sua história, da sua obra e da sua luta. Daí Seguro estar constantemente a remeter para afirmações suas em vez de assumir a responsabilidade de defender o partido e os seus quadros. E daí Seguro, como se vê acima, andar a implorar à direita para que não fale mais no passado. Pelos vistos, um passado que o envergonha ou do qual tem asco.
Reina no Parlamento um ambiente de taberna, onde os ministros e deputados da coligação estão em permanente algazarra infantilóide. O nível não pode ser mais baixo, porque já roça o palavrão e a estalada. Esta seria a oportunidade imperdível para os reduzir à sua miséria política e moral. Em vez disso, assistimos a trocas de risinhos entre Passos e Seguro, quais amigalhaços divertidos com o teatro onde simulam divergências sérias e brincam aos países.
Na São Caetano, no salão principal, nunca se apagam as velas por baixo do retábulo onde a imagem de Seguro é venerada sete vezes ao dia com os votos de longa vida à frente do PS.



