Bafo de onça

Cavaco já tinha sido o autor da comunicação ao País mais aparvalhada de sempre, quando deixou a sociedade à beira de um ataque de nervos durante um dia inteiro só para aparecer a falar das normas do Estatuto Político-Administrativo dos Açores, normas essas que ele próprio não enviou para o Tribunal Constitucional para serem fiscalizadas. Uma tonteira que até levou figuras gradas da direita a ficarem de boca aberta.

Cavaco já tinha sido o mentor de uma nunca antes vista, nem sequer imaginada, golpada mediática com origem na Presidência da República cujo intento era a deturpação de dois actos eleitorais. Cavaco ficou em silêncio, assim alimentando a conspiração, até ao momento em que os protagonistas da operação foram denunciados. Mas, mesmo aí, ele deixou no ar a suspeição lançada. Quando finalmente foi obrigado a assumir uma qualquer responsabilidade pelo episódio, fê-lo de forma acintosa e afrontosa, pois não só manteve Fernando Lima em funções como continuou a justificar a golpada com a sugestão de ter a segurança das suas comunicações pessoais ameaçada. Este caso é o maior escândalo de sempre do regime em democracia, inclusive ultrapassando em dano moral o que se passou no BPN, pois a comunidade foi conivente com ele e premiou com mais um mandato a escabrosa violação constitucional.

Cavaco já tinha sido o primeiro Presidente da História a fazer um discurso de vitória rancoroso, de um fel e desvario ao nível dos linchamentos populares. Mais uma vez, os seus apoiantes e a imprensa rapidamente desvalorizaram a ocorrência. Todavia, o que ali se expôs era inegável: aquela indivíduo dava sinais de não estar à altura do cargo.

Cavaco já tinha sido o actor de uma nova e fatal golpada que arruinou o País. Ao fazer do seu primeiro acto oficial no segundo mandato o início do derrube do Governo, ao arrepio de tudo o que andou a prometer na campanha eleitoral, altura em que chegou a dizer que uma segunda volta faria subir os juros da dívida e que só ele poderia garantir a tão necessária estabilidade política num tempo crítico como aquele, o Supremo Magistrado da Nação mostrava que acima do interesse do País estava um plano de conquista do poder pelo poder e custasse o que custasse a quem custasse. Não se concebe qualquer outro dos anteriores Presidentes a levar a cabo tamanha conspurcação do seu juramento.

Eis que temos mais uma novidade absoluta no regime, as declarações de Cavaco na entrega dos prémios Gazeta. Há que desmontar desde logo a pretensão de se ter tratado de uma tentativa de humor, de um exercício de ironia ou não sei quê dessa tipologia. Tais predicados existiram nas suas palavras, sim, mas meses antes, quando partilhou com o povo a sua aflição por não ter reforma suficiente para as despesas. Agora, estamos perante alguma coisa que pode ser tudo e um par de botas mas sobre a qual temos a certeza certezinha de que não se trata de humor nem de ironia. Ver o Chefe de Estado a brincar com o empobrecimento, a miséria, a fuga de Portugal de centenas de milhares, o desespero de milhões, a irresponsabilidade governativa, a cobardia presidencial e o potencial descalabro do regime não pertence ao registo da comédia. Pertence à sua irmã grega.

Este episódio cria um berbicacho do camandro aos agentes políticos e demais figuras públicas congéneres, pois quem não o denunciar e exigir consequências será cúmplice. O concidadão que ocupa o Palácio de Belém não tem legitimidade moral, quiçá discernimento cognitivo, para continuar a representar Portugal a esse nível. E isto não é matéria de opinião, é uma básica questão de respeito próprio – o de cada um de nós, que o de Cavaco há muito se evaporou na sua soberba e ódio.

11 thoughts on “Bafo de onça”

  1. Por parte do agente politico PS aposto que vai ser, mais ou menos, assim:
    “O Partido socialista não comenta em público, em privado ou em cooperativa as argoladas, o partidarismo, o humor da treta ou as sacanices do senhor presidente da república.
    O partido socialista precisa muito de sua excelência o senhor presidente da república, não só para confirmar que Sócrates era um estafermo mas também para nos ajudar a moderar o extremismo do senhor primeiro ministro, para que o PS possa voltar abster-se nas votações e seguindo à risca o plano imaginado pelo seu grande líder já vai para mais de 10 anos, voltar ao poder em 2015”.

  2. A calhordice da alforreca de Boliqueime não cessa de me espantar. E eu até que já lhe dou um grande desconto devido aos tremores…

    Enfim, temos que esperar que a desgraça múltipla que caiu sobre o País amaine.

  3. Temos um Presidente e um PM feitinhos um para o outro. Lima, o tal da intentona, Relvas e Portas são os acompanhantes a condizer. Que ramalhete, santo deus! O que a democracia havia de parir ao fim de 38 anos. Sim, porque excepto o Lima, os outros forama votos e até tiveram o PCP e o BE a apadrinhar.
    Só me ocorre dizer: merecemos isto. A cereja em cima do bolo seria eleger o aldrabãozeco do Marcelo para suceder a Boliqueime.

  4. A figura em apreciação, não passa de um “mito” com pés de barro que, sempre se
    serviu do País e dos portugueses cuja, coroa de glória foi ter “papado” o João Salgueiro
    no tal congresso da Figueira da Foz! Nunca mostrou fibra para ser um verdadeiro Esta-
    dista, optou pelo “low profile” e, ser um bom aluno nos dez anos como p.ministro!
    Sentiu-se ofuscado pela desenvoltura de José Sócrates, pela sua abertura para a moder-
    nização do País algo que ele não foi capaz de fazer, sentindo-se atingido na sua preten-
    sa “aura” e atacado pessoalmente com caso BPN, partiu para a intriga porque, na realida-
    de nunca foi muito frontal, deu apoio público aos detratores do Primeiro Ministro em fun-
    ções, até pediu informes sobre o negócio PT/TVI! Só não sabia em que cartório foi feita
    a escritura da casa da coelha, um mísero professor que nada percebia dos papéis da SLN
    ou BPN coisa tratada por amigos de confiânça!
    Se é como diz o seu silêncio ser de ouro … de que será feito o tal prefácio que enfeita a obra prima das suas intervenções discursivas em 2011? Há dúvidas que acabe o mandato!

  5. Caro Farto, fartinho, o problema é precisamente este, toda a gente lhe dá um grande desconto, como se fosse possível dar descontos a alguém que exerce tal função. Espanta é que « o concidadão que ocupa o Palácio de Belém não tem legitimidade moral, quiçá discernimento cognitivo, para continuar a representar Portugal a esse nível. E isto não é matéria de opinião, é uma básica questão de respeito próprio – o de cada um de nós, que o de Cavaco há muito se evaporou na sua soberba e ódio.», seja tolerado e apresentado como alguém que está acima de qualquer suspeita, apesar dos factos contradizerem ao longo de todo o seu percurso, o miserabilismo da sua figura. Este rei andou sempre nu…

  6. Valupi, olha o que eu apanhei no facebook. Tens alguns “poréns” mas relembra casos antigos que raramente são citados.

    Meu caro Ilustre Prof. CAVACO SILVA,

    Tomo a liberdade de me dirigir a V. Exa., através deste meio [o Facebook], uma vez que o Senhor toma a liberdade de se dirigir a mim da mesma forma. É, aliás, a única maneira que tem utilizado para conversar comigo (ou com qualquer dos outros Portugueses, quer tenham ou não, sido seus eleitores).

    Falando de eleitores, começo por recordar a V. Exa., que nunca votei em si, para nenhum dos cargos que o Senhor tem ocupado, praticamente de forma consecutiva, nos últimos 30 anos em Portugal (Ministro das Finanças, Primeiro Ministro, Primeiro Ministro, Primeiro Ministro, Presidente da República, Presidente da República).

    No entanto, apesar de nunca ter votado em si, reconheço que o Senhor:
    1) Se candidatou de livre e espontânea vontade, não tendo sido para isso coagido de qualquer forma e
    foi eleito pela maioria dos eleitores que se dignaram a comparecer no acto eleitoral;
    2) Tomou posse, uma vez mais, de livre vontade, numa cerimónia que foi PAGA POR MIM (e por todos
    os outros que AINDA TINHAM, nessa altura, a boa ventura de ter um emprego para pagar os seus
    impostos);
    3) RESIDE NUMA CASA QUE É PAGA POR MIM (e por todos os outros que AINDA TÊM a boa ventura de
    ter um emprego para pagar os seus impostos);
    4) TEM TODAS AS SUAS DESPESAS CORRENTES PAGAS POR MIM (e pelos mesmos);
    5) TEM TRÊS REFORMAS CUMULATIVAS (duas suas e uma da Exma. Sra. D.
    Maria) que são PAGAS por um sistema previdencial que é alimentado POR MIM (e pelos mesmos);
    6) Quando, finalmente, resolver retirar-se da vida política activa, vai ter uma QUARTA REFORMA
    (pomposamente designada por subvenção vitalícia) que será PAGA POR MIM (e por todos os outros
    que, nessa altura, AINDA TIVEREM a boa ventura de ter um emprego para pagar os seus impostos).

    Neste contexto, é uma verdade absoluta que o Senhor VIVE À MINHA CUSTA (bem como toda a sua família directa e indirecta).

    Mais: TEM VIVIDO À MINHA CUSTA quase TODA A SUA VIDA.

    E, não me conteste já, lembrando que algures na sua vida profissional:
    a) Trabalhou para o Banco de Portugal;
    b) Deu aulas na Universidade.

    Ambos sabemos que NADA DISSO É VERDADE.

    BANCO DE PORTUGAL: O Senhor recebia o ordenado do Banco de Portugal, mas fugia de lá, invariavelmente com gripe, de cada vez que era preciso trabalhar. Principalmente, se bem se lembra (eu lembro-me bem), aquando das primeiras visitas do FMI no início dos anos 80, em que o Senhor se fingiu doente para que a sua imagem como futuro político não ficasse manchada pela associação ao processo de austeridade da época. Ainda hoje a Teresa não percebe como é que o pomposamente designado chefe do gabinete de estudos NUNCA esteve disponível para o FMI (ao longo de MUITOS meses. Grande gripe essa).

    Foi aliás esse movimento que lhe permitiu, CONTINUANDO A RECEBER UM ORDENADO PAGO POR MIM (e sem se dignar sequer a passar por lá), preparar o ataque palaciano à Liderança do PSD, que o levou com uma grande dose de intriga e traição aos seus, aos vários lugares que tem vindo a ocupar (GASTANDO O MEU DINHEIRO).

    AULAS NA UNIVERSIDADE: O Senhor recebia o ordenado da Universidade (PAGO POR MIM). Isso é verdade. Quanto ao ter sido Professor, a história, como sabe melhor que ninguém, está muito mal contada. O Senhor constava dos quadros da Universidade, mas nunca por lá aparecia, excepto para RECEBER O ORDENADO, PAGO POR MIM. O escândalo era de tal forma que até o nosso comum conhecido JOÃO DE DEUS PINHEIRO, como Reitor, já não tinha qualquer hipótese de tapar as suas TRAPALHADAS. É verdade que o Senhor depois o acabou por o presentear com um lugar de Ministro dos Negócios Estrangeiros, para o qual o João tinha imensa apetência, mas nenhuma competência ou preparação.

    Fica assim claro que o Senhor, de facto, NUNCA trabalhou, poucas vezes se dignou a aparecer nos locais onde recebia o ORDENADO PAGO POR MIM e devotou toda a vida à sua causa pessoal: triunfar na política.

    Mas, fica também claro, que o Senhor AINDA VIVE À MINHA CUSTA e, mais ainda, vai, para sempre, CONTINUAR A VIVER À MINHA CUSTA.

    Sou, assim, sua ENTIDADE PATRONAL.

    Neste contexto, eu e todos os outros que O SUSTENTÁMOS TODA A VIDA, temos o direito de o chamar à responsabilidade:
    a) Se não é capaz de mais nada de relevante, então: DEMITA-SE e desapareça;
    b) Se se sente capaz de fazer alguma coisa, então: DEMITA O GOVERNO;
    c) Se tiver uma réstia de vergonha na cara, então: DEMITA O GOVERNO e, a seguir, DEMITA-SE.

    Aproveito para lhe enviar, em nome da sua entidade patronal (eu e os outros PAGADORES DE IMPOSTOS), votos de um bom fim de semana.

    Respeitosamente,
    Mário Antunes

    [Como não sei muito de etiqueta sobre as trocas e citações entre blog e FB, se entenderes que não é conveniente, não publiques].

  7. já ouvi dizer que os ex.presidentes ainda vivos, e os familiares dos já falecidos, não querem estar na fotografia ao lado da de cavaco.a soluçao encontrada parece ser a seguinte: uma sala dos bens amados e outra dos mal amados (sem direito a aquecimento central…) onde ficará cavaco ao lado de americo tomas sidonio pais e outros.

  8. Não sei quem terá sido o assessor idiota que convenceu o obstipado de Boliqueime de que tem jeito para humorista, mas do que não pode haver dúvidas é que o salário de tal assessor deve ser imediatamente incluído nas famigeradas “gorduras do Estado” cuja salutar eliminação devia ter acontecido há muito.

    Tenho cá em casa uma tábua de engomar com mais sentido de humor do que o pobre desgraçado. Aliás, até a sanita o bate aos pontos, a avaliar pelas bem apanhadas piadas que já lhe ouvi quando nela me sento para cagar, proporcionando-lhe o despretensioso espectáculo dos meus humildes entrefolhos. É verdade, caros amigos, companheiros e confrades, a minha cagadeira consegue largar piadas que deixam a anos-luz, em sentido de humor e sofisticação, as graçolas de pau do burgesso da Quinta da Coelha, incapazes de provocar um sorriso que seja até no pai de todos os alarves.

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