Singulis major, universis minor

Se nem em ditaduras as repressões policiais conseguem acabar, sequer diminuir, com as manifestações, ainda menos em democracias. O efeito será exactamente o oposto. A queda do Bloco Soviético e a “Primavera Árabe” são exemplos cristalinos deste princípio: quando o povo sai à rua não é possível assustá-lo, só massacrá-lo ou convencê-lo. Mas imaginemos que algum louco no Governo tinha imaginado que conseguiria – e sem ser descoberto! – pôr agentes disfarçados de anarco-pedreiros a servir calhaus aos colegas fardados até se considerar que estavam reunidas as condições para avançar de bastão em riste e partir a cabeça a meia dúzia de adolescentes, velhos e mulheres na esperança de que, sei lá, deixa cá ver, a CGTP e o PCP não voltassem a ter vivalma nas suas acções de luta. Ver pessoas que julgávamos em condições mentais suficientes para tirar a carta de condução, e outras que admiramos intelectual e moralmente, a alinharem nessa febre paranóide é uma espectacular lição quanto à facilidade com que se pode dar uma intoxicação cognitiva. O exemplo das fotografias de um tipo que se andou a passear junto da primeira linha do Corpo de Intervenção, e que até aparece num vídeo a gesticular sem máscara para um dos polícias que permanece imóvel de escudo erguido, é um gigantesco monumento à imbecilidade.

Terá a polícia agido mal? Se sim, quando e porquê? E terá agido mal por decisões erradas do comando, por razões inerentes aos processos que treinam para intervenções desta tipologia ou agido mal por falha individual? É que assim como há imagens de gratuita violência por parte de alguns agentes, outras há que mostram o que é suposto acontecer em qualquer parte do mundo em situações similares, outras mostram agentes a dominarem com rigoroso profissionalismo o espaço que estavam obrigados a conquistar, e outras ainda mostram agentes a levantar pessoas caídas no chão por terem tropeçado na fuga. A exploração sensacionalista dos feridos e suas escoriações, a que se junta a estupidez de estar a criticar o alcance geográfico da acção policial quando se iam acendendo fogos na via pública em diferentes pontos da cidade, prolonga e alimenta a politização da carga policial e, paradoxalmente, impede a sua avaliação do ponto de vista metodológico e factual. Fazer da polícia o braço armado do inimigo só serve os interesses populistas, demagógicos e niilistas. As forças da autoridade, em democracia, são inevitavelmente a parte fraca – embora superiormente resistentes ao ponto de conseguirem manter essa mesma ordem democrática.

Não há forma, não há meio, não há desculpa para escapar à constatação: o que de mais impressionante aconteceu na tarde e noite de 14 de Novembro em frente ao Parlamento foi a cumplicidade de todos aqueles que nada fizeram para impedir os ataques aos polícias ou que se foram embora depois de eles terem começado. A sua permanência no local significava que esperavam assistir a um de dois desfechos: ou à entrada em acção da polícia ou à vitória da pedrada. E o seu abandono do local queria dizer que não assumiam qualquer responsabilidade pela defesa da democracia. É que as pedradas estavam a ser dirigidas contra os defensores da sede do poder popular. Imaginemos, então, que os polícias fugiam. E que os heróis da calçada à portuguesa subiam as escadarias e avançavam para as portas do Palácio. Que faria a populaça mirone? Continuaria a olhar bovinamente? Ou juntar-se-ia à revolução? E que fariam a seguir os valentes que tinham corrido com os bófias? Acaso não tentariam invadir o antro dos deputados corruptos? E para quê a invasão se não fosse para violar, conspurcar e destruir esse símbolo do poder que já tinham anunciado ser maligno, a democracia representativa? A malta pacífica e inocente continuaria a deixá-los em paz vendo a Assembleia da República a arder?

Cada pedra atirada contra aqueles cidadãos cuja profissão consiste em arriscarem a sua integridade física na defesa do Estado de direito foi uma pedrada atirada contra a liberdade. Somos hoje uma terra de cobardes.

81 thoughts on “Singulis major, universis minor”

  1. é realmente uma análise objetiva dos acontecimentos principais…acontece que muita gente se entretém com análises especulativas e teorias da conspiração. ..
    nem um, repito, nem um único comandante operacional no terreno arriscaria a vida dos seus homens com propósitos que não fossem o do cumprimento da missão atribuída. sim, porque os polícias correram sérios perigos físicos, que os calhaus não eram nada meigos. o desconhecimeto é, no entanto, o melhor amigo da imbecilidade…

  2. Compete à polícia manter a ordem pública! A manifestação da CGTP tinha terminado e o
    palco retirado! Foram identificados muitos agentes à cívil no meio dos manifestantes,
    qual era a sua missão? Logo que foram removidas as barreiras metálicas e começou o
    concerto da pedrada, sendo meia ou uma dúzia de “pedreiros”, porque não foram cer-
    cados pelos agentes infiltrados para os fardados os capturarem? Tiveram todo o tempo
    do mundo para levantarem a calçada, mais de uma hora atrás dos escudos porquê?
    Não entrando em teorias da conspiração, sendo o “modus operandi” já conhecido da
    polícia, não se podia ter optado por outra actuação que evitasse o chamado “varrimento”
    de tudo e todos? Razão, para não se poder considerar muito correcta a actuação das
    autoridades, se é verdade que, o MAI esteve a supervisionar a defesa da Assembleia !!!

  3. Laga o vinho Valupi…

    Não estive em São Bento e não sei dizer se as pessoas que la estavam eram mirones ou não. Mas, por falar em mirones, sei de alguém que, desde a semana passada, não consegue tirar os olhos dos nossos mediocres guerrilheiros de pacotilha, e esse alguém és tu…

    Diz-me la, exceptuando o caso perulogico do Carlos Videira do 5 dias, viste por ai muitas pessoas a enaltecer, ou mesmo a desculpar, quem atirou pedras de calçada aos policias em São Bento ? Eu não vi…

    O que eu vi, que é muito diferente, foram pessoas a levantar duvidas sobre a forma como a policia actuou para responder. E, algumas dessas pessoas, com bom senso, fizeram-no em nome da propria eficacia da acção policial. Ja te ocorreu que, ao agir à toa, a policia (ou quem lhe deu ordens) tornou bastante mais dificil, quando não completamente impossivel, sancionar legalmente os autores das desordens ? O que equivale também, a dizer-lhes para virem de novo em força da a proxima vez, ja que havera espectaculo certo e projecção garantida para as suas intervenções militantes ?

    E ja te ocorreu, também, quão grotesco é bradares pelo respeito da lei contra quem esta, apenas, a levantar duvidas sobre a legalidade do procedimento da policia ?

    Como é obvio, estas questões bizantinas não te incomodaram, tão concentrado que estavas a assistir ao espectaculo do erguer masculo da tua consciência civica em toda a sua pujança…

    Estas inquieto com o palacio de São Bento, templo da legalidade ? Mas que consistência tem a tua inquietação se, em nome dela, estas disposto a abdicar completamente da preocupação pelo respeito da lei ?

    Boas

  4. “O que eu vi, que é muito diferente, foram pessoas a levantar duvidas sobre a forma como a policia actuou para responder.”

    pois, esse é o assunto do dia, o argumento imbecil para desculpabilizar o ninguém tem a lata de defender. nesta altura o que interessa é desviar atenções dos prejuízos e dificultar a responsabilização dos crimes cometidos. agora as evidências não interessam para nada, bora lá discutir o manual de repressão violenta de pedrada pacífica, que temos nova manif no fim do mês para discutir as teses e reclamar o arquivamento dos processos da desordem anterior.

    “E, algumas dessas pessoas, com bom senso, fizeram-no em nome da propria eficacia da acção policial.”

    uih… uih… somos um país de técnicos em repressão policial e que se preocupa bués com a eficácia da bófia, até tou admirado de ainda não terem aparecido gráficos comparativos da eficácia das ramonas europeias e da imbecilidade do viegas.

  5. “Somos hoje uma terra de cobardes.”
    Sempre que o Governo fala sobre o Orçamento de Estado, penso o mesmo: São cobardes que nos Governam. Sempre que vejo, todos os dias, casos de corrupção cujo desfecho é sempre favorável ao prevaricador, penso o mesmo: são cobardes que nos Governam.
    Sempre que não vejo o Presidente Cavaco, penso o mesmo: é cobarde.
    Sempre que vejo a impossibilidade de, no futuro próximo, uma viatura, cujo ano de matrícula seja anterior a 2000, impossibilitada de circular no centro de Lisboa, penso: são cobardes, onde anda o Zé?
    Sempre que vejo a redução de 0,5% na sobretaxa do Irs, com tentativa de “diluir” um ou dois subsídios em 12 meses, para que o roubo fiscal de que somos alvo não se note tanto na folha de salário, penso: são cobardes aqueles que nos Governam, sobretudo aqueles que cospem ordens na Europa.
    E agora, vai continuar a olhar bovinamente?

  6. “Sempre que vejo a redução de 0,5% na sobretaxa do Irs…”

    onde vês uma redução de 0,5% eu vejo um aumento de 3,5%, muda de lentes.

  7. Ignatz, ainda pensei que ao te referires à minha miopia sofresses de cegueira nocturna, tal o conhecimento da matéria a que te referes. Ao reler o que escreveste, cheguei à conclusão de que é acefalia, na medida em que tenho a tua opinião mas por semântica apenas lhe dei aquela forma, coisa que não entendes, lamento.
    Ainda assim, congratulo-te por não teres ficado a olhar bovinamente.
    Cumprimentos

  8. Dizes, João Viegas: “O que equivale, também, a dizer-lhes para virem de novo em força da próxima vez.” Convém não esquecer a inestimável vantagem do conhecimento garantido, para a próxima vez, da impunidade como recompensa, depois de hora e meia a fazer merda, pois sabem de antemão que beneficiarão de um generoso pré-aviso de cinco minutos para se porem na alheta antes de os apedrejados reagirem como deviam reagir ao fim de cinco minutos.

    Não posso deixar de reconhecer que senti uma certa admiração pelos tomates daqueles gajos que aguentaram hora e meia de apedrejamento, mas gostaria de uma explicação racional para essa hora e meia de passividade. Por mais que o Valupi barafuste contra as teorias da conspiração, o profissionalismo que reconheço nos que aguentaram as pedradas não joga com a aparente incompetência de quem lhes deu ordens para aguentar. Racionalmente, só entendo a coisa se não se tiver tratado de incompetência mas de táctica deliberada, visando determinados fins estratégicos, nomeadamente que, na próxima manifestação, é provável que muita gente pense duas vezes antes de lá meter os pés, por várias razões: ou porque não quer levar porrada da polícia ou porque não quer que a confundam com os energúmenos.

    Também não posso garantir que havia polícias infiltrados a atirar pedras aos colegas fardados, mas nestas coisas, como em tudo, só os burros não aprendem. No ano passado foi assim:

    http://www.jn.pt/PaginaInicial/Seguranca/Interior.aspx?content_id=2156488&page=-1

    http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2173824&seccao=Fernanda%20C%E2ncio&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco

    E todos sabemos que o Governo é o mesmo, o ministro é o mesmo, a polícia é a mesma, julgo que a estrutura de comando é basicamente a mesma. Não é abusivo concluir que os objectivos continuam os mesmos. Sei também que é natural que até inteligências médias aprendam com os erros cometidos, pelo que não me admiraria que, face à merda que a coisa deu no ano passado, este ano se tivesse optado pelo outsourcing. No fundo, trata-se de escolher os métodos de gestão mais eficazes. É claro que isto não passa, para as gentes de fé, de teorias da conspiração, mas o certo é que sempre fui, desde que me conheço, o sacana de um incréu, graças a Deus e à Virgem Maria.

    P.S. – Mais uma teoria da conspiração: posso estar a ser injusto, mas pareceu-me que alguns dos energúmenos faziam uma eficaz pontaria aos escudos dos polícias, principalmente aos escudos de corpo inteiro, poupando os dois ou três com escudos mais pequenos que não protegiam as pernas. E sei também que se fosse eu a atirar pedras daquelas, àquela distância, durante hora e meia, pelo menos esses tinham saído de lá com as pernas partidas, por mais joelheiras que tivessem. Sorte a deles que em Portugal o baseball é desporto pouco popular e os energúmenos eram todos fracos lançadores.

  9. Considerando os aspectos táctico-desportivos:

    1) De um lado, a promissora e esfuziante juventude das claques futebolísticas (reconhecíveis desde logo, e à légua, pela letra e ritmo dos slogans encantatórios), radiante por poder livremente agredir, apedrejar e se possível até incinerar a bófia, escaqueirar aquilo tudo e levar os móveis dali para fora, à la Barroso na sua fase MRPP, e sem a mínima necessidade de gastar neurónios, graças ao apoio tácito — quando não explícito — da manifestação residual envolvente.

    2) Do outro lado, as falanges de defesa da democracia, aguentando estoicamente até se verem obrigadas a avançar com uma vanguarda de pares de hóplitas (um defensivo, o outro ofensivo com movimentos livres) e uma segunda linha, mais ligeira, de pares compostos por um humano e um canídeo, destinados a impedir actuações na retaguarda da primeira pelos elementos adversos por ela ultrapassados.

    Todas as contas feitas, um espectáculo sem baixas fatais, muito mais interessante e inofensivo do que as horas e horas de desporto e discussões desportivas estupidificantes televisionadas, de noite e de dia, chova ou faça sol, com ou sem austeridade.

  10. Imagino os comentários se a carga tivesse começado às primeiras pedras. Tentem imaginar também. Não é difícil.

  11. Há uma tese conspiratória que diz que a manifestação tinha pessoal disfarçado de polícia na escadaria, a impedir a polícia verdadeira de carregar à primeira pedra, ou, pior ainda, à primeira cancela derrubada, como recomenda o Manual de Civilidade e Boa Educação do Bloco de Esquerda Destinado aos Trabalhadores Policiais, prefaciado por Daniel Oliveira.

    Mais maquiavélico ainda, é de esperar, na próxima manifestação, pessoal manifestante disfarçado de polícia infiltrada no seio da hoste manifestante, de onde se segue que a polícia de choque se deve recusar terminantemente a falar, ouvir ou sequer olhar sem agitar ameaçadoramente o casse-tête na direcção de qualquer civil que lhe passe ao alcance, seja ele quem for, a fim de não alimentar especulações por parte dos inúmeros intérpretes dos seus gestos e atitudes.

    Uma hipótese de minimizar os estragos colaterais de futuras manifestações, por outro lado, poderia ser a de enquadrar os lançadores de pedras por pessoal devidamente disciplinador e obrigar a polícia a actuar em cuecas, mais ou menos assim: Pim-pam-pum na Galileia.

  12. oh rui (h)ouve alguma redução? anunciaram um aumento de 4% e depois aprovaram 3,5%, tu e mais uma cambada de malucos acham que se trata de uma redução de 0,5 %. aprende a fazer contas, compra uns óculos e aproveita para aprenderes a escrever coisas que se percebam.

  13. durante a manifestação, no percurso para s. bento, já se verificavam actos de vandalismo, como rebentamento de petardos, incêndio de atm e grafitagem de instalações do bcp, tudo visível e audível no filme do americano, referência nacional do que é bom e isento, de impostos, digo eu. ainda não ouvi a cgtp referir-se ao assunto, mas como é hábito, não são responsáveis pelos actos isolados dos manifestantes e quando o mandachuva sindical diz: “se o governo não ouve o povo a bem, ouve a mal”, não está a incitar à violência, está a fazer um discurso para as massas exercendo o direito de liberdade de expressão.

  14. 1. parece que há quem acredite que, por exemplo um ministro, possa ordeanar livremente ao um superintendente da policia coisa do género ” ai e tal, deixam que a coisa aqueça, os magalas aguentam as pedradas e os insultos, e, à ordem minha e não outra, carregam com brutalidade”.
    2. bem, até poderá aconter, se o tal superintendente o não mandar de imediato para o caralho. Que só se cumprem ordens legítimas, e seria motivo para demissão imediata do ministro;
    3. além do mais, subsistia ainda uma cadeia hieráquica ao próprio superintendente, mesmo que esse fosse alinhado com “o regime”, se fosse o caso, a qual pelas razões já apontadas poderiam o poderiam mandar à merda, se o tipo estivesse a brincar em serviço.

    para quem não sabe: os polícias só estão obrigados a cumprir ordens legítimas, entendendo-se por tais, aquelas que do seu cumprimento não resulte crime ou infração.

    leiam menos ficção..

  15. “… os polícias só estão obrigados a cumprir ordens legítimas…”

    se o macedo não pode dar ordens à bófia, quem é que manda e dá ordens legítimas à polícia? se calhar funciona em autogestão e quem manda é o camarada do sindicato.

  16. A “especialização” de certas unidades da policia num certo tipo de actuação dita de “manutenção da ordem publica” – extremamente violenta, cobarde, desproporcionada – cujo objectivo é dissuadir aterrorizando manifestantes potenciais, foi decidida e implementada por duas personagens sinistras: José Magalhães (que enquanto no PCP se especializou nessas áreas) e o abichanado Rui Pereira.

    A utilização de agentes provocadores faz parte das tácticas que os policias andaram a aprender sabe jeová por onde.

  17. jrrc,quem manda nos policias é o MAI.A ordem para aguentar e avançar foi depois de conversa entre o chefe direto das policias e o ministro,que fez a gestão da “coisa” da forma que mais lhe conveio.o armenio,sabia que isto ia acontecer e como tal” transportou o povo para o SITIO!

  18. oh degrau alcoolizado!

    a “manutenção da ordem publica” é sempre extremamente violenta, cobarde, desproporcionada e o objectivo é dissuadir aterrorizando manifestantes potenciais

    tens razão, os gajos que assaltam bancos queixam-se do mesmo quando são apanhados e o escritório de advogados que lhes dá assistência, invariávelmente o mesmo, tamém. já o taxista comum, que há dentro de nós a gritar vingança, queixa-se que não lhes acontece nada e aquilo a polícia prende o tribunal solta de imediato. apanha um taxi que ficas esclarecido numa bandeirada.

  19. se os mirones têm dado de frosques e não ficassem a aplaudir a lapidação aquecendo as costas aos descalceteiros o espectáculo tinha acabado por falta de assistência e isolamento do agressor, assim comeram nos cornos para aprenderem a respeitar a autoridade e deixarem de ser solidários com vandalismo. agora são todos inocentes, desproporções, timings d’ataque, tóinologos viegas a emitirem papers com análises científicas sobre a performance da bófia e ensaios literários do escalrracho sobre o rolar dos calhaus, em amaricano rolling stones.

  20. Já agora mais uma observação para os que andam a defender a utilização de canhões de água como alternativa carinhosa a um ou outro empurrão corpo a corpo, quando não é o momento apropriado para explicações pormenorizadas sobre a relatividade das culpas e o que se pretende é evacuar locais para pôr cobro a desacatos.

    Num espaço de circulação limitada como aquele em que decorreu o confronto, onde os veículos em questão não poderiam manobrar à vontade nem, obviamente, subir ou descer escadarias, e em cujas áreas limitrofes existem, ainda por cima, apenas pequenos muros de protecção contra desníveis súbitos com vários metros de profundidade, o que teria resultado do uso de jactos de água à pressão, para além das inevitáveis constipações e documentos pessoais estragados, teria sido uma série de pescoços partidos por quedas desamparadas e choques contra paredes.

  21. à falta de imagens que testemunhem as conspirações branqueadoras de ambos os fiascos greve geral e manifestação botam imagens da greve geral de março e andam a maquilhar velhas com ketchup para convencer os tansos.

  22. A democrática Wehrmacht e as ainda mais democráticas SS do Adolfo, quando eram atacadas pela Resistência francesa, ou belga, ou soviética, tinham o muito salutar hábito de arrebanhar os moradores dos prédios de onde eram alvejados, encostá-los à parede e enchê-los de chumbo na hora. Às vezes, para mais garantia de eficácia, fuzilavam bairros inteiros ou aldeias inteiras. Muitíssimo bem feito, guincharia o coliforme hiperactivo parvalhatz e mais alguns idiotas que por aqui se andam peidando nos últimos dias, se fossem vivos à época. E a duas mãos aplaudiriam, se mãos tivessem e não cascos, como é o caso. Pois quem manda aqueles cabrões deixar os sacanas usar os seus prédios, as suas ruas, os seus bairros, as suas aldeias, para cuspir chumbo em cima dos gloriosos guerreiros do Reich, em vez de os expulsar imediatamente escada abaixo ou, no mínimo, denunciá-los à bófia do tio Adolfo?

  23. E o que dizer daqueles milhares de sacanas judeus que em Varsóvia deixaram que outros judeus usassem os prédios onde habitavam para cuspir pedras de chumbo sobre os inofensivos guerreiros teutónicos, quando estes, cumprindo ordens, coitados, se limitavam a arrebanhar diariamente uma quota razoável de moradores para encher comboios a caminho de Treblinka ou Auschwitz?

    E o que fazer com aquela cambada que ainda ontem, hoje e certamente amanhã, em Gaza, não agarra à mão os sacanas do Hamas e os deixa usar impunemente as suas casas, as suas ruas, os seus olivais, para lançar rockets contra os pobres israelitas que não lhes fizeram mal nenhum? Virão logo os desmancha-prazeres alegar que os gloriosos representantes do povo eleito andam há dezenas de anos, todos os dias, a roubar-lhes as terras, as casas, a água, a liberdade e a dignidade, pormenores obviamente insignificantes que não são chamados ao caso. O que tem o cu a ver com as calças? Porrada neles, foda-se! Chumbo neles, refoda-se! Vivesse o coliforme parvalhatz em Gaza e por certo já teria montado um pombal para remeter para Telavive mensagenzitas tresandando a civismo hiperactivo e apontando a dedo os energúmenos que lhe estragavam o sossego do bairro.

    E é igualmente evidente que os energúmenos do Hamas, se não fossem uns cobardes, punham-se em campo aberto a atirar os foguetes e mísseis, de preferência com alvos pintados no peito e na cabeça, como diz qualquer manual de guerrilha que se preze. Toda a gente sabe que era isso que faziam os judeus que matavam ingleses na Palestina antes da independência, em 1948, e só os falsificadores da História é que se atrevem a afirmar que eles punham bombas em hotéis, pela calada, e matavam quem calhava. Morrem cem habitantes de Gaza por cada três israelitas, indigna-se a cambada. Ora porra, não é evidente que cada israelita vale por mil palestinianos? Mas que digo eu!? Por um milhão de palestinianos! Não querem comer bomba? Elementar, caríssimos: agarrem à mão os malandros dos rocketeiros do Hamas e entreguem-nos aos gloriosos nazionistas. Problema resolvido! Em alternativa, podem ir-se todos embora e entregar Gaza aos eleitos do Senhor, que farão por certo muito melhor uso daquelas maravilhosas praias daquele maravilhoso Mediterrâneo, enchendo-as de belíssimos resorts para americanos e alemães cozerem o coirão ao sol.

    Por que porra de carga de água é que os habitantes da Tugalândia não aprendem com a História e se comportam em conformidade, agarrando à mão quem lhes perturba o sossego do bairro? Mas que falta de inteligência e de civismo.

  24. Dir-me-ão que os arruaceiros que apedrejaram a polícia em São Bento não têm qualquer semelhança com os resistentes ou guerrilheiros que referi nos comentários anteriores e eu concordo absolutamente. Mas o exagero da comparação pretende apenas realçar o absurdo que é estabelecer quase como dever cívico que cidadãos comuns, sejam eles manifestantes, mirones ou moradores, se constituam na obrigação de levar a cabo operações ad hoc de manutenção da ordem pública, ou, em alternativa, ajudem a polícia denunciando quem lhes pareça suspeito. E também não me parece razoável exigir-lhes que abdiquem de circular na via pública, ou mesmo nos seus bairros, só porque a polícia acha que dá muito trabalho separar o trigo do joio e é mais fácil aplicar a máxima de que a porrada, quando nasce, é para todos.

  25. “Dir-me-ão que os arruaceiros que apedrejaram a polícia em São Bento não têm qualquer semelhança com os resistentes ou guerrilheiros que referi nos comentários anteriores e eu concordo absolutamente. Mas o exagero da comparação pretende apenas realçar o absurdo…”

    o absurdo é dizeres que não tem qualquer semelhança e depois fazeres comparações tipo feira de borba e olho do cu. tirando isso, o ensaio literário não tá mal, uma comédia sobre a calçada portuguesa em 3 actos, exaltação, purificação e redenção da violência pedreira que nos transporta à alemanha de hitler e gaza de hoje, com as ambiguidades de quem não quer perder o combóio sem cuidar do destino.

  26. Joaquim Camacho, já cá faltava o definitivo argumento ad hitlerum e o «ohé!» todo piroleiro aos «tueurs à la balle ou au couteau» para nos lembrar que durante a 2ª Guerra Mundial quem usava uniforme não tinha o direito de se defender contra paisanos dotados de armas letais, e muito menos ao abrigo das leis da guerra. No entanto, lembro-lhe que essa excepção aos princípios legais e morais só é usualmente reconhecida como válida quando o ataque é levado a cabo em trajo civil inconspícuo e pelas costas do atacado. Ora no caso vertente, havia pelo menos alguma uniformidade que permitia reconhecer os apedrejadores; o ataque não foi, nem pelas costas, nem ao balázio ou à facada; e nem sequer estamos ainda em estado de guerra. Logo, a excepção não se aplica e a polícia estava no direito de se defender.

    Como diria a dra. Rute Remédios: «cheeerto?»…
    _________

    NOTA (marginal, ao abrigo das Novas Oportunidades): não se esqueça que o processamento da informação é árduo e deve ser levado a cabo ao nível encefálico, que não da simples membrana timpânica, por muito que ela vibre com as musiquinhas giras. Experimente, por exemplo, esta proposta; vídeo de introdução aqui.

  27. o nhanha 1/2relles aproveita para negar que tenha havido uma, quanto mais duas grandes guerras, houve sim umas manifestações violentas que obrigaram o hitler a tomar medidas repressivas. claro que isto serão as cenas dos próximos capítulos.

  28. Ignatz, larga os tijolos e volta para o buraco (houve quem te reconhecesse na manif).

    Ah, é verdade, eu sei que abusas do Canal de História, mas não acredites em tudo o que ouves: claro que a Grande Guerra, como a Guerra das Laranjas ou a Guerra dos Cem Anos, foi só uma, não foram duas: é o nome dela.

    É também conhecida por Primeira Guerra Mundial (embora não o tenha sido) e não deve ser confundida com a Segunda Guerra Mundial ou Guerra que Nunca Mais Acaba (só quando acabar é que o pessoal a poderá examinar em toda a extensão; até lá convém continuar a usar sem moderação os vinte minutos diários de ódio contra o Emanuel Goldstein [*], culpado disto tudo e muito mais).
    __________________

    [*] Codificado, sim, mas shhhh…

  29. oh Joaquim Camacho:
    como bem deves saber, o Hamas, em podendo, exterminaria toda a população israelita;
    israel, podendo, seleciona os seus alvos, e não extermina toda a população da faixa de gaza.
    procura mais longe, que ainda v~es muito perto…

  30. JRRC, os israelitas já foram exterminados. As indemnizações aos poucos miraculados é que ainda não foram pagas. Acho que vão ser exigidas à diáspora palestiniana que tinha a mania que aquilo era dela.

  31. oh nhanha! tazme a confundir com o daniel oliveira do tijolo de esquerda que diz ter andado a pregar piss & love às multidões ululantes.

  32. Nãaaaa. Já te topo à légua (e a ele também). E para já, para já, isso é o que ele diz. Se tivesse andado para ali a pissar tinha-se logo destacado um bófia e tinha-o multado, que isto de estados totalitários não é brincadeira nenhuma.

  33. ao comentador ignatz,
    bem observado e com boa ironia: é óbvio que “a contestação pedrada” é a verdadeira responsável pela desordem em cadeia que, na verdade, pretendiam provocar A Polícia cumpre o seu papel, obter as imagens que lhe forneçam meios para identificar os hooligans e respectivos apoiantes. Quem tenha visto as imagens, como eu vi, não pode ter dúvida que os manifestantes da rectaguarda acicataram e apoiaram a violência dos ditos hooligans.
    O nuno Santos esteve muito bem, desde quando é que colaborar com as forças da ordem é crime? Crime é apoiar as forças da desordem…

    E aquela do ketchup está muito bem apanhada. Há que desmascarar esta escumalha, força Ignatz.

  34. Gungunhana, tinha de ti outra ideia e nunca me passaria pela cabeça que serias capaz de negar ou tentar justificar, ou simplesmente “explicar”, os crimes nazis nos países ocupados durante a II Guerra Mundial. É claro que não vou argumentar contigo em tal assunto, pois já percebi que seria pura perda de tempo. Apenas te digo, para evitar mal-entendidos, que a minha condenação dos crimes sionistas na Faixa de Gaza e Cisjordânia ocupadas tem a mesma exacta motivação que me leva a sentir asco, revolta e indignação contra os crimes de que foram vítimas, às mãos do nazismo, os povos da Europa em geral e, em particular, os seis milhões de judeus dizimados em campos de concentração e os 22 milhões de civis e militares russos, ou soviéticos, assassinados pelos sonhos desvairados do Adolfo filho de puta.

  35. jrrc, em relação ao conflito israelo-palestiniano, vejo duas hipóteses:

    1 – Ou percebes tanto do assunto como eu de lagares de azeite, pelo que engoles acriticamente o bombardeamento maciço de propaganda com que nos tentam afogar diariamente.

    2 – Ou percebes bem de mais e alinhas conscientemente nesse bombardeamento mentiroso.

    Para o caso de a primeira ser a verdadeira, sugiro-te como antídoto que aprofundes as posições e análises sobre o que ali se passa feitas por alguns judeus israelitas, insuspeitos de “anti-semitismo” (e olha que há muitos mais):

    – Uri Avnery
    – Norman Finkelstein
    – Ilan Pappé
    – Tanya Reinhart (já morreu, mas o que escreveu continua disponível)

    E para te ajudar a perceber ainda melhor a coisa, aconselho-te, por exemplo, a leitura deste relatório da Amnistia Internacional:

    http://www.amnesty.org/en/library/info/MDE15/027/2009 (terás de fazer download do PDF)

    Poderás ainda procurar numa livraria o livro “O Desafio da Água no Século XXI”, publicado pelo Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança, com coordenação científica de Viriato Soromenho-Marques e editado pela Editorial Notícias. Vais às pp. 291 a 303 e talvez comeces a perceber qualquer coisinha.

    Ou encomendas à revista National Geographic o número de Novembro de 2003 e lês as pp. 36-45. Um amigo meu fez isso há pouco tempo e mandaram-lha pelo correio. Tem a vantagem de a apresentação ser mais bonitinha, com mapas detalhados, a cores e tudo. Só uma besta não percebe.

    Ou vais simplesmente à Net e procuras “Water in the Israeli-Palestinian Conflict”. Acredita que, em vez de deixares que te afoguem em propaganda, tens lá material para te afogar em lucidez.

    Só para teres um gostinho, sabias que um terço da água consumida em Israel tem origem no chamado Aquífero da Montanha e que o bendito aquífero se situa quase exclusivamente em território palestiniano da Cisjordânia ocupada? E que outro terço vem do lago Tiberíades, também chamado Mar da Galileia, lago Kinneret para os israelitas, na zona de fronteira entre Israel e os montes Golã sírios ocupados por Israel desde 1967? E que o rio Jordão (que depois de sair do Tiberíades flui, na fronteira entre a Cisjordânia e a Jordânia, até ao Mar Morto) está reduzido a um fio de água salinizada porque os israelitas construíram a partir do norte do Tiberíades um canal que percorre Israel de Norte a Sul e, na prática, refaz o Jordão exclusivamente em território israelita? E que o Jordão serve apenas para os israelitas nele injectarem água de algumas fontes salinizadas dos Golã, evitando que ela vá parar ao Tiberíades e agravando ainda mais o problema do Jordão? E que esse canal (Conduta Kinneret-Negev ou National Water Carrier) chega, como o nome diz, até ao deserto do Negev, abastecendo inclusivamente a central nuclear de Dimona? E que passa a dois ou três quilómetros da Faixa de Gaza e dele não sai uma gota para os palestinianos, que bebem exclusivamente água engarrafada porque a que lhes sai das torneiras está irremediavelmente salinizada? E que, portanto, apenas um terço da água consumida em Israel tem origem em território israelita, nas fronteiras internacionalmente reconhecidas, podendo acrescentar-se a isso o direito ao usufruto de metade da água do Tiberíades? E que o apetite de Israel pelo Sul do Líbano vem do projecto bem antigo de se apropriarem do troço final do rio Litani, que nasce no vale de Bekaa, fluindo no Líbano de norte para sul e fazendo depois uma inflexão para oeste, em direcção ao Mediterrâneo, numa zona que fica a quatro quilómetros da fronteira israelita e a uns 20 quilómetros do rio Jordão? E que existe há muito um projecto para desviar o Litani para sul, nessa zona, e canalizá-lo para o Jordão, aumentando o caudal de água com que este desagua no Tiberíades? E que este é o único e exclusivo motivo da invasão do Líbano em 1982 (a pretexto dos rockets palestinianos), bem como da guerra de 2006 (a pretexto do Hezbollah) e das que ainda estão para vir (a pretexto do que na altura for mais conveniente)? E que essa é também uma das principais motivações para o desejo israelita de dar cabo do Irão, a pretexto do alegado programa nuclear militar, dado ser este país o principal apoiante do Hezbollah, único e exclusivo obstáculo à apropriação do Sul do Líbano e do rio Litani por Israel? É fácil perceber que um Irão reduzido a pó (e Israel tem meios para isso) não poderia continuar a fornecer material militar ao Hezbollah, dando o Sul do Líbano, de mão beijada, aos ladrões sionistas.

    É claro que o mais provável é não saberes nada disto, na hipótese 1, ou saberes e colaborares na mistificação, na hipótese 2. Fica, porém, descansado que estás bem longe de sozinho na tua santa ignorância, na hipótese 1. Se te enquadras na hipótese 2, coisa de que duvido, não preciso de te dizer que pertences a um ultraminoria, mas digo-te que tal ultraminoria é para as pessoas de bem uma escória que apenas merece desprezo e repúdio.

  36. Joaquim Camacho disse: «não vou argumentar contigo em tal assunto, pois já percebi que seria pura perda de tempo».

    Se achas que argumentar é perda de tempo e pregar não é, de que é que estás à espera para te alistar nos Combonianos?

  37. Perda de tempo é:

    – Argumentar com alguém que acredita que em Fátima, há perto de cem anos, uma excêntrica que há dois mil anos emprenhou sem foder regressou com o ainda mais excêntrico hobby de esvoaçar por cima de uma oliveira enquanto debitava idiotices às criancinhas.

    – Argumentar com um adiantado mental que nos tenta convencer de que Hitler era um inocente escuteiro, fervoroso admirador de Madre Teresa de Calcutá, e tinha o generoso hábito de criar gigantescos campos de férias para judeus, russos, ciganos, deficientes e tutti quanti, onde recuperavam forças para mais um ano de trabalho.

  38. Joaquim Camacho,
    cada um luta com as armas que tem. Eu, como ando aqui vai para cinco anos, apetece-me contrariar o aborrecimento ortodoxo, mesmo fascisóide que tem vindo a tomar conta do aspirina (basta ver a predominância de um certo tipo de comentários) mas sobretudo cinzento e sem chama. Fazes muto bem em chamar os bois pelos nomes. Eu também o faço, mas os bois têm fraco poder de entendimento e de vez em quando canso-me. Mas depois vou a outras paragens e descanso-me. :))
    http://www.youtube.com/watch?v=1wklgehHnDE

  39. Joaquim Camacho disse [em itálico]:

    Perda de tempo é:

    – Argumentar com alguém que acredita que em Fátima, há perto de cem anos, uma excêntrica que há dois mil anos emprenhou sem foder regressou com o ainda mais excêntrico hobby de esvoaçar por cima de uma oliveira enquanto debitava idiotices às criancinhas.

    Joaquim Camacho, partilho o seu cepticismo e vou até ao ponto de não acreditar na existência histórica de um indivíduo concreto com um bilhete de identidade do império romano de nome Jesus Cristo, quanto mais de sua mãe. E refiro-me ao que para mim é uma questão rigorosamete histórica e não teológica. O que não concordo é que argumentar os factos puramente históricos e/ou a sua investigação — deixando a teologia para outras digressões, mais especulativas e menos rigorosas — seja uma perda de tempo.

    Do mesmo modo não acredito no alegado vasto plano secreto alemão para exterminar toda uma raça na esperança de que os historiadores do futuro não fossem capazes de determinar o que lhe tinha acontecido e pudessem concluir que tinha sido raptada pelos marcianos, resultando de um tal processo seis milhões de judeus assassinados que os poucos estudos demográficos até hoje realizados desmentem, e isso sem planifição nem ordens escritas a nenhum nível, nem método de extermínio estudado e seleccionado pelos proverbialmente eficientes alemães, nem orçamento ou controle burocrático para uma tal operação, deixando-a à imaginação de uma catrefa de improvisadores locais telepáticos ou alertados para a conspiração secreta do governo através de cadeias de piscadelas de olho e sussuros malandrecos a todos os níveis, que depois se saíram com engenhocas genocidas como as alegadas câmaras de vapor, electrocução, exaustão Diesel de diminuta toxicidade ou pesticida Zyklon. E, é claro, não deixando o menor vestígio da apocalíptica carnificina em nenhuma das alegadas localizações, absolutamente precisas mas supostamente inacessíveis a exames forenses conclusivos devido a terem sido constituídas brigadas de trabalho que em plena débacle, com as tropas alemãs a recuar em todas as frentes, andaram a desenterrar os milhares de toneladas de restos humanos dos campos de extermínio e a vaporizá-los pelo fogo sem deixar vestígios.

    De facto não acredito em teorias da conspiração deste calibre, mas não estou de modo algum fechado a discutir os alegados factos. Quem costuma estar fechado à discussão é: 1) quem sabe que se aceitasse discutir ficaria reduzido a posições racionalmente indefensáveis; 2) quem não atinge sequer a distinção entre as noções de verdade e falsidade históricas à margem do credo religioso, porque não funciona a esse nível de honestidade intelectual.

    – Argumentar com um adiantado mental que nos tenta convencer de que Hitler era um inocente escuteiro, fervoroso admirador de Madre Teresa de Calcutá, e tinha o generoso hábito de criar gigantescos campos de férias para judeus, russos, ciganos, deficientes e tutti quanti, onde recuperavam forças para mais um ano de trabalho.

    Obrigado pelo «adiantado» com que me brinda, demonstrando mais uma vez a pertinência da teoria da relatividade mental restrita, mas onde é que eu tentei convencê-lo de disparates como esses?

  40. Edie, note aliás que a notícia não está actualizada, pecando por omissão: não são três, são meia dúzia, e bem preparados para iniciar holocaustos a sério. Como escreveu o israelita Martin van Creveld, da Universidade Hebraica de Jerusalém, aqui citado no Guardian:

    “We possess several hundred atomic warheads and rockets and can launch them at targets in all directions, perhaps even at Rome. Most European capitals are targets for our air force. Let me quote General Moshe Dayan: ‘Israel must be like a mad dog, too dangerous to bother.’ I consider it all hopeless at this point. We shall have to try to prevent things from coming to that, if at all possible. Our armed forces, however, are not the thirtieth strongest in the world, but rather the second or third. We have the capability to take the world down with us. And I can assure you that that will happen before Israel goes under.”

    Por mais estranha que pareça aos nossos preconceitos, a verdade vem sempre ao de cima, mas se preferir continuar a viver aí na terrinha mais quente de Portugal, faça favor. Vá lá, cante comigo: Weeee all live in…

    ;^)

  41. gungunhana,
    o holocausto já foi e está a ser perpetuado por Israel, via Alemanha e via USA, que é a verdadeira “terra quentinha” dos sionistas, a verdadeira terra prometida de onde tudo se controla. Não sei se entendeu bem as minhas preferências, o própro gungunhana terá de ser mais explícito nas suas.
    O ataque civilizacional árabe é tão condenável quanto o israelita, mas não confundir a apropriação de recursos circundantes (Cisjordânia, Palestina, etc) por parte do estado religioso de Israel, por motivos de poderio económico, com legitimidade de qualquer tipo. Esta atitude de supremacia alimenta a contrária.
    Que não lhe escape a ironia do clip sobre o sítio where we all live in…

    E chame o fascismo pelo seu verdadeiro nome, que não tarda estamos a levar com ele…Que digo?Já estamos a levar com ele em plena Europa, em pleno Portugal, com pezinhos de veludo e não o reconhecemos porque, como diz o José Gil, que algumas vezes, poucas, acerta, apagamos da memória “genética”os nosso registos, por medo de existir com eles às costas, e aí a cantiga é outra. A não ser que…
    http://www.youtube.com/watch?v=0NBMqZo8U8Q
    The End

  42. Amiga Edie, esta coisa do apedrejamento de São Bento cheira-me assim a modos que a peido não assinado em sala superlotada. “Alguém se peidou!”, protesta sem demora o anónimo “progenitor”, mas, para correcta informação do pagode, só por sorte um lapsus linguae o levará a exclamar um mais rigoroso “Alguém se peidei-me!”. Foi isso que aconteceu na manif do ano passado, também em São Bento, onde foram apanhados em flagrante, mas parece que os lapsos foram corrigidos este ano. Creio, porém, não ser abusivo admitir que o mais certo é a bufa ter tido origem na fábrica do costume.

    Anda por aqui tudo entusiasmadíssimo, excitadíssimo, molhadíssimo, com “a polícia também é do povo”, a “polícia defensora das instituições democráticas” e outras manifestações gasosas de piedoso wihshful thinking, e já todos parece terem esquecido o activíssimo e empenhadíssimo papel dos sindicatos das várias bófias no derrube do também democrático Governo anterior.

    Dizia o Botas de Santa Comba (que a terra lhe pese como chumbo sobre os ossos carcomidos) que, “em política, aquilo que parece é”, e ali, cara amiga, do que se trata mesmo é de política, pura e dura.

    A propósito dos The Black Keys, aproveita aqui o cota empedernido para te agradecer o ocasional upgrade nas músicas do tempo de agora. Lembram-me os The Doors:

    http://www.youtube.com/watch?v=JSUIQgEVDM4&feature=related

  43. amigo Camacho, efectivamente os fins são sempre semelhantes. Há qualquer coisa de belo e também de doloroso nos fins…já ali atrás deixei outro. A semelhança com os Doors é intencional. As novas gerações apanham coisas que escapam aos mais cotas (felizmente, não a todos, e estes não são cotas, são apenas mais velhos). Quanto ao resto,há muito situacionismo nestas coisas, deixemo-nos de palavreado, há mesmo muito corporativismo e umbiguismo. Mas como sou uma romântica incorrigível – e levo nas orelhas, aqui e em todo o lado, por isso – acredito que há um sentimento de comunhão e empatia entre alguns e alguns. Vi polícias a desobedecer às ordens: bater em toda a “coisa” que mexa. Sim, porque estamos coisificados neste regime, é uma das poucas certezas que tenho. Dentro da disciplina (para)militar ver polícias com o cassetete levantado, sempre levantado, mas sem baixar, perante mulheres que os interpelavam quanto à violência cega que os colegas efectuavam…não fizeram nada. Porque era um protesto verbal com o qual, provavelmente o agente se identificava. Que dilema, não é?
    Isto não foi polícia, foi política a instrumentalizar a tensão psicológica de civis e polícias para os colocar uns contra os outros. Temos de ser mais inteligentes do que eles.
    Agradeço-te o eco , pensava que estava a dar música para o boneco. Olha, rimei.:)

  44. quanto ao depoimento da Fernanda Câncio, é mais que uma achega, é a essência do que tem de ser discutido. Mas não resolve o tal dilema: sujeita-se, por ordens superiores, a polícia a uma situação prolongada de agressão, quando estão treinados para reagir e controlar essa mesma agressão. E depois, quando estão em ponto rebuçado por não actuarem de acordo com aquilo para que foram treinados, dá-se-lhes ordem para rédea solta. Nessa altura, vês polícias a desancar cegamente e outros não. Porque a rédea está solta ao critério da reacção pessoal de cada um. Porque as regras foram subvertidas por quem teria que cuidar do seu cumprimento. E cada pessoa- polícia ou não – é uma pessoa. Os decisores instruiram no sentido da anarquia e decidiram que uma anarquia era legítima e outra não.
    http://www.youtube.com/watch?v=JH-7kc4Qm2Y

  45. Disse Edie (em itálico):

    gungunhana,

    o holocausto já foi e está a ser perpetuado por Israel, via Alemanha e via USA, que é a verdadeira “terra quentinha” dos sionistas, a verdadeira terra prometida de onde tudo se controla.

    É em parte verdade. Mas a relação entre Israel e os Estados Unidos pode ser comparada à imagem da cauda que abana o cão, muitas vezes até de formas insuspeitadas ou jamais mencionadas. Recomendo-lhe, por exemplo, a leitura deste livro: Final Judgment. Acredite que vale a pena: está lá tudo, mas é a única teoria que jamais é abordada em voz alta. A razão é provavelmente a mesma por que tantos países democráticos proibem, sob pena de prisão, «negar» um único alegado acontecimento histórico, considerado verdadeiro por imposição legal.

    Não sei se entendeu bem as minhas preferências, o própro gungunhana terá de ser mais explícito nas suas.

    Preferências em que domínio? Explícito quanto a quê e por que razão? Que têm a ver as preferências seja pelo que for com a qualidade dos argumentos? Se, por exemplo, o estripador de Lisboa (para já nem falar no malvado E. Goldstein) disser que a Terra é esférica, ela deixa de o ser?

    (?)~~ :^(

    O ataque civilizacional árabe é tão condenável quanto o israelita, mas não confundir a apropriação de recursos circundantes (Cisjordânia, Palestina, etc) por parte do estado religioso de Israel, por motivos de poderio económico, com legitimidade de qualquer tipo. Esta atitude de supremacia alimenta a contrária.

    Sim, mas não percebo muito bem onde quer chegar com isso, ou sequer se vem a propósito do alegado «Holocausto» com maiúscula de que falávamos (a saber: tentativa alemã de extermínio dos judeus + câmaras de gás genocidas + aproxte. 6 milhões de judeus mortos).

    Que não lhe escape a ironia do clip sobre o sítio where we all live in…

    Qual ironia? Já o Cavaco não pode deitar a cabeça de fora do Facebook que não comece logo tudo a imitá-lo…

    E chame o fascismo pelo seu verdadeiro nome,

    Que é…?

    que não tarda estamos a levar com ele…Que digo?Já estamos a levar com ele em plena Europa, em pleno Portugal, com pezinhos de veludo e não o reconhecemos porque, como diz o José Gil, que algumas vezes, poucas, acerta, apagamos da memória “genética”os nosso registos, por medo de existir com eles às costas, e aí a cantiga é outra. A não ser que…
    http://www.youtube.com/watch?v=0NBMqZo8U8Q
    The End

    Isso não é só no dia 21 do mês que vem?

  46. gungunhana,
    qual é parte do genocídio vendido como verdade histórica com a qual não concorda? Partamos daí e depois passamos aos acessórios:por exemplo, fascimo é fascismo, não é faxismo. E não, o inverno do descontentamento pode acontecer em qualquer estação de metro ou outra do quotidiano. Pena que tenha perdido o comboio, mesmo no Fim.

  47. e mais: na próxima manifestação, para quem ainda tiver tomates para participar, depois deste aviso, vão todos com máscaras – cirúrgicas, de montanha, ski, lenços palestinianos, qualquer coisa, só pra dificultar o trabalho de pesquisa junto das televisões. Para já temos a SIC a negá-las e a TVI a dizer que vai pensar, mas que se facultarem, serão as imagens que tornaram públicas, nos telejornais. A manobra de dispersão, afinal, não durou noite fora, dura e dura e dura e não pára. Órgãos de comunicação social não cooperantes, pensem bem. Estão sob vigilância do estado democrático…estamos, aliás, todos sob vigilância apertada.
    http://www.youtube.com/watch?v=4xljFT44Y1Y

  48. A propósito da achega da Fernanda Câncio, que por vezes acerta mas desta feita mete água, ela procura descrever uma agressão irracional contra objectos inanimados por parte de polícias presumivelmente raivosos e transtornados a ponto de, à falta de manifestantes nas vizinhanças, atacarem as suas bicicletas ao pontapé, mas o que me parece que se vê nos vídeos da internet são os esforços para retirar os ditos velocípedes do caminho com o óbvio propósito de o desimpedir e evitar quedas por cima deles.

    Edie, o casse-tête dos polícias «levantado perante mulheres que os interpelavam», a menos que seja baixado sobre as ditas, não quer necessariamente dizer «toma lá disto»; pode querer dizer «agora não posso ser interpelado, nem convém que fiquemos aqui os dois parados a levar pedradas na tola».

  49. Edie, eu sei que há polícias e polícias, e que os interesses e problemas deles não são diferentes dos nossos, mas, na grande maioria das vezes, fazem aquilo para que foram treinados sem problemas de consciência, atrevo-me a dizer que, demasiadas vezes para o meu gosto, até com prazer.

    Há bons profissionais na polícia, há boas pessoas na polícia, mas o certo é que um curriculum é um curriculum é um curriculum e leões herbívoros, nesta selva, são fenómeno de probabilidade equivalente à do Bigfoot, do Monstro de Loch Ness ou da Virgem em parapente de 1917.

    Geralmente, entre isto:

    http://www.youtube.com/watch?v=5IDMjwUuG3k

    e isto:

    http://www.youtube.com/watch?v=tSKDTK6tRGs

    a escolha acaba por não ser nossa.

  50. mas hoje não se dorme?
    amigo Camacho, a minha primeira impressão é a de que misturar um grego com chineses pode não ser boa ideia (joking).Quanto à alternativa da guerra dos pequenos contra os grandes e tal…a escolha não é nossa? A escolha é sempre nossa. Pode é custar cara.Mas a não escolha (i.e.submissão incondicional, que é o que temos agora) também nos fica muito cara. Resta escolher, é a única réstea de poder que nos resta. E quem disse que, em democracia, esse poder se restringe ao momento eleitoral?

  51. Só agora vi o teu último comentário. Digo que a escolha não é nossa apenas no sentido em que as circunstâncias nos empurram para uma e não para outra. É nossa, tens razão, mas os condicionalismos que a ela nos levam não o são.

  52. já perto da almofada…este foi um bom momento para sossegar. Faz-me lembrar ” you’re only very small and life flows within you and without you”.
    Adivinha quem disse (amanhã).
    B.S. e B.S. para ti também.
    Obrigada.

  53. Perguntou a Edie: «Qual é parte do genocídio vendido como verdade histórica com a qual não concorda?»

    Do alegado genocídio conhecido como «Holocausto», todas as três. Contrariamente ao que lhe dizem:

    1) Não há qualquer vestígio, ou sequer possibilidade verosímil, de uma ordem de extermínio dos judeus ter existido. Pelo contrário o que existe, e em grande abundância, desde a mensagem dirigida por Göring a Heydrich e da reunião de Wannsee que se seguiu, são referências a uma «solução final territorial» do que se designava por «problema judaico», passando pelo internamento e evacuação para leste, para fora das fronteiras nacionais, para utilização como mão de obra forçada durante a guerra, a partir da chamada Operação Reinhardt. Ou seja, o móbil primeiro do alegado crime, a famosa ordem de extermínio racial que durante tanto tempo os propagandistas procuraram em vão até se verem obrigados a reduzi-la a um hipotético desejo expresso oralmente e transmitido por piscadelas de olho e expressões codificadas, pelos vistos esponteaneamente decifradas pelo típico burocrata alemão, não chegou sequer a existir.

    2) As alegadas câmaras de gás genocidas presentes um pouco por toda a parte durante os processos de Nuremberga e as primeiras décadas do pós-guerra, que subitamente se cansaram de saltar de um lado para o outro, fixando-se nos pretensos «campos de extermínio», e sobretudo no de Auschwitz, são demonstravelmente falsas. Algumas foram até falsificadas (com instalação de chuveiros falsos e tudo…) inicialmente pelos aliados ocidentais, como as de Dachau e Natzweiler-Struthof, ou soviéticos, como as de Auschwitz-Birkenau e Oranienburgo, e mantidas depois pelas autoridades de ambas as Alemanhas. Ou seja, a arma do alegado crime não existiu, tendo sido falsificada, aliás de modo primário e incoerente.

    3) O número de seis milhões é apontado como falso por todas as indicações de que dispomos: inferência estatística a partir de amostragens conhecidas, estudos demográficos a partir dos próprios dados das organizações judaicas, e até das implicações matemáticas dos números oficiais de «sobreviventes» actualmente vivos. Nas estimativas mais fidedignas — propaganda política ou religiosa à parte — o número provável de judeus mortos durante a guerra, de todas as causas e incluindo os combatentes regulares e irregulares, deve situar-se entre um e dois milhões, e desse número o total que morreu nos campos de concentração, de 1934 a 1945, deve andar entre os 200.000 e os 400.000. Ou seja, o crime de genocídio, que não é igual a um simples somatório de todos os efeitos, desejados ou não, da mais mortífera guerra da história, com o seu cortejo de violência, privação, doença e destruição, não existiu.

    Claro que isto não é discutir, isto é só expor em três breves parágrafos, sem descer aos pormenores. Para discutirmos, teria de ter a bondade de me informar de que parte do «Holocausto» vendido como verdade histórica é que não duvida. No entanto, se me disser que para si, perante a magnificência do edifício holocáustico, as dúvidas não contam, não poderei senão seguir a sua aproximação Gestalt e recomendar-lhe a leitura deste breve mas excelente artigo:

    Context and Perspective in the ‘Holocaust’ Controversy

    Excerpto:

    “The conclusion is inescapable and requires only elementary logic. It is comparable to the syllogism: ‘I see no elephant in my basement; an elephant could not be concealed from sight in my basement; therefore, there is no elephant in my basement.’ […] It is demanded that we believe that these ‘events continental in geographical scope, of three years in temporal scope, and of several million in scope of victims,’ all transpired without one relevant party being cognizant of them. It is like telling me that, while I saw no elephant when I looked in my basement, he was there anyway. Also while I was sitting in my living room I did not notice that the elephant managed to come upstairs and romp about a while, relevant stairways, door openings, and floors having suddenly miraculously become compatible with such activities. Then the elephant dashed outside into a busy mid-day shopping district, and then walked several miles back to the zoo, but nobody noticed.”

    Boa leitura. E pense bem: três anos seguidos de câmaras de gás genocidas a funcionar ininterruptamente, dia e noite, nos mesmos locais do crime, e nem uma única valiosa chapa fotográfica batida, oficial ou clandestinamente, dos sensacionais procedimentos em curso nesses prodigiosos matadouros humanos sem paralelo histórico, para além das famosas «selecções à chegada» na rampa de Birkenau (homens para um lado, mulheres e crianças para o outro, se reparar bem, mas claro que niguém espera que se vá dar ao trabalho de reparar em pormenores)…

  54. Disse eu próprio mais acima, correndo o risco de não ser entendido: «Do alegado genocídio conhecido como “Holocausto”, todas as três [partes]».

    Explicando-me melhor: o «Holocausto» não é uma alegação do género «um belo dia, Hitler gaseou uma pessoa de persuasão judaica na casa de banho do seu apartamento de Munique», ou «durante uma operação de limpeza na retaguarda, numa floresta da Ucrânia, o grupo Dirlewanger passou pelas armas toda a gente que encontrou numa determinada aldeia e até se divertiu a tirar fotografias da sinistra proeza».

    Alegações desse género — verdadeiras ou falsas, não é o que nos interessa neste momento — não são o que define o tal «Holocausto» a que se exige que todos, crentes e incréus, sacrifiquemos. Esse «Holocausto», como toda a gente que não tenha passado os últimos 50 anos na Amazónia profunda sabe, é outra coisa. Podemos resumi-lo assim:

    — Equação do «Holocausto»:

    H P ^ G ^ (N aprox = 6 x 10^6)

    Em que:

    H: Holocausto
    P: Plano de extermínio
    G: Câmaras de gas genocidas
    N: Número de judeus em falta

    Como não existe vestígio algum da veracidade de P (vácuo absoluto em torno de alguma hipotética ordem ou transmissao de ordens, estudos, orçamentos, «codificações» etc.) e existem amplas provas de que tanto a alegação G como a alegação “N aprox = 6 x 10^6” são falsas, a conclusão é que o pseudo-facto histórico H é falso.

    Q.E.D.

  55. Diacho. o html fez desaparecer a dupla implicação. Passo a corrigir: em vez de…

    H P ^ G ^ (N aprox = 6 x 10^6)

    … leia-se:

    H «=» P ^ G ^ (N aprox = 6 x 10^6)

  56. Disse a Edie: «fasci[s]mo é fascismo, não é faxismo».

    A ideia da ortografia criativa em «fáxista» é acentuar as projecções fantasmáticas, não é aderir à causa.

  57. chii… que desarrumo, parece que esta noite houve baile com a direita fina e a esquerda grossa. oh escalrracho, falta de gosto essa porra do vangelis, experimenta este com o sócio 10.000 russos, gravado uns milimetros antes de estourar o maio 68, é a mesma merda, mas resulta melhor pelo efeito nostálgico da coisa. tás a ver ou o partido não te deixa?

    http://www.youtube.com/watch?v=yu7D0bTuQvU

    as sextas à noite do aspirina são o máximo, o hnahna dá lições de táxismo em cuneiformes e a edie exemplifica com bitles.

  58. Ignatz disse: «parece que esta noite (…)»

    Ignatz, aqui na finca o fuso não coincide com o da Parvónia, e os bitles por acaso fui eu que comecei, mas foi calculado.

  59. Edie, não adivinhei mas já sei quem foi. Confesso, porém, que tive de usar a cábula estralinética do Google para chegar lá. Copy Paste e dois segundos, melhor que comprimido anti-Alzheimer.

  60. Cada cacetada atirada contra aqueles cidadãos cuja participação tem como sentido a defesa do Estado de direito foi uma cacetada atirada contra a liberdade. Somos hoje uma terra de cobardes.

    Há gente que tem ódio às pessoas, e esse ódio não é exclusivo deste governo nem do Cavaco. È uma sociopatia como qualquer outra.

    Como disse atrás, há polícias, políticos e sociedade civil que entende isto e polícias, políticos e sociedade civil que não. Os polícias que entenderam não massacraram gente pacífica (para o Val, esta última categoria não existe, na medida em que se se vão embora, são cúmplices dos terroristas, e se ficam, embora gritando para não atirarem mais pedras (www.youtube.com), também merecem cabeça partida. Aliás, mostras de narizes e cabeças partidas é uma manobra sensacionalista tanto mais que sabemos que a maioria dos feridos foram polícias. Também no youtube se vê que os encapuçados das pedras saltam o muro e bazam debaixo do olhar complacente dos polícias, ficando o campo livre para a desanca nos outros. O crânio de uma pessoa vale mais que uma queimadela num multibanco? È o povo, stupid!

    Quanto ao objectivo – os profissionais da desoredem safam-se e os restantes manifestantes levam- penso que o objectivo está conseguido A mensagem passou. Resta saber se na próxima os restantes manifestantes percebem este aviso: são tão culpados como aqueles que não travaram, com justiça popular, e portanto ficam em casa, ou não: juntam-se aos do lenço na cara, o que seria um grande mal; porque se já não inocentes agora, imaginemos nesse cenário. Então aí a legitimação da rebaladaria de estado está completa.

    “Terá a polícia agido mal? Se sim, quando e porquê? E terá agido mal por decisões erradas do comando, por razões inerentes aos processos que treinam para intervenções desta tipologia ou agido mal por falha individual?”
    Tantas perguntas para quê? O facto de o MAI estar fechado a inquéritos não demonstra já a resposta?

    (enfim, tudo isto é de somenos importância, com toda a contestação que Sócrates teve na rua e fora dela, não foi preciso esta actuação que só serve desculpas do governo para um crescendo de violência. E há gente que se diz opositora e que alinha neste jogo.O governo agradece).

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