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Temos um primeiro-ministro numa tecnoforma impecável

"Hoje começamos a perceber que por mais desagradável, por piores notícias que possam parecer algumas que nos invadem a casa à hora mediática dos telejornais, é melhor saber e enfrentar as más notícias do que varrer para baixo do tapete, fazer de conta e usar o dinheiro dos contribuintes para pagar a falta de ética, de escrúpulo", afirmou o primeiro-ministro e líder do PSD, Pedro Passos Coelho, numa intervenção na Festa do Pontal, que se realizou em Quarteira e que marca a 'rentrée' política dos sociais-democratas.

Defendendo a necessidade de olhar as coisas como elas são, Passos Coelho reconheceu que se vivia em Portugal "uma economia em que certos privilégios se iam reproduzindo de ano para ano" por quem estava no Governo e por quem financiava a economia.

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"Só à medida que o tempo passa nos vamos apercebendo bem dos privilégios, para não dizer da falta de ética que vigorava entre muita gente que vivia entre a política e os negócios e os negócios e a política", frisou Passos Coelho, sem nunca referir algum caso concreto.


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Passos Coelho, admitiu, contudo, existem ainda pessoas "em quase todos os partidos" que continuam ligadas ao passado e que acreditam que "que depois deste interregno" se poderá voltar àquilo que era.


Portugal visto do Pontal

Pedro, não sejas piegas

Agora que algum socrático (quem mais teria perfídia, e vagar, para tanto?) veio pôr porcaria na ventoinha só para assustar os portugueses, deves sair da tua zona de conforto, dar por terminadas as malabarices com a Assembleia da República e a Procuradoria, e contares finalmente à malta se aquilo com a Tecnoforma foi de facto o regabofe de levantar voo que todos temos a certeza que foi.

As eleições que se lixem, Pedro, como estás sempre a lembrar. Nós queremos é que tu tenhas uma política de verdade, custe o que custar. O desvio colossal entre o que até agora disseste e o que o mero bom senso manda que tivesses dito está a sair-te do lombo. Vê lá isso, não te refundes antes do tempo.

Por aqui é que vamos

“Os portugueses vivem aquém das suas possibilidades”

Costa – 2015

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O combate ideológico no Portugal de 2015 é este e mais nenhum. De 2008 à Troika, da Troika a Passos, uma direita decadente explorou as colossais crises internacionais e as inauditas golpadas internas para alcançar o que durante décadas julgou impossível obter apenas com o recurso ao voto: a degradação abrupta dos funcionários públicos, dos serviços do Estado, dos reformados e da classe média. Embrulharam na retórica vil do castigo histórico aos estroinas e madraços da ocidental praia lusitana, esse revanchismo contra o 25 de Abril, um desvario guloso que afundou o País no resgate de emergência – para o qual havia alternativa – e numa austeridade fundamentalista além-Troika que violou a racionalidade orçamental, económica e social. Usaram as nossas fraquezas endémicas e sistémicas para nos enfraquecerem ainda mais.

Antes de se discutirem os números futuros, quaisquer números, temos de acertar contas com quem nos tratou como gado para abate. Temos de restaurar o respeito por nós próprios.

A cruzada de Seguro é Nobre

António Vitorino decidiu logo após o último debate tornar público que apoia Costa. António Vitorino é o socialista mais cerebral de que há registo molecular e até ontem à noitinha quis aparecer institucionalmente equidistante. Algo de arrebimbomalho se terá passado, portanto. Também teria graça conhecer a opinião de Guterres sobre o que aconteceu nesta terça-feira na RTP entre dois dos seus meninos de outrora. Aceitará o incensado proto-pré-candidato à redignificação da Presidência da República ser apoiado por um secretário-geral do PS que tem contra si 40 anos de construção da democracia portuguesa?

Seguro berra contra a podridão do regime. Garante ser capaz de a eliminar com as espadeiradas fatais da sua santidade. Mas enquanto não sair de cena, e do próprio partido que odeia e concebe como coisa sua, não fará prova dessa capacidade. No entretanto, é inegável que a sua cruzada é Nobre.

Costa, pá…

Foi vexante testemunhar a inabilidade de Costa para lidar com a desonestidade intelectual de Seguro. A confrangedora desonestidade intelectual de Seguro. Só se saiu bem na parte em que mostrou ser para si matemático o que para Seguro era absurdo. Mas durante quase todo o debate, num crescendo de estupidez comunicacional, Costa atolou-se na estratégia de Seguro. Inacreditável.

Depois veio o momento canalha, com Seguro a encher de merda centenas de milhares de ecrãs televisivos por esse Portugal fora. A forma como Costa respondeu foi acertada. Lamentavelmente, não mostrou saber até chegar aí com quem estava a debater o futuro do PS.

Uma tarde bem passada no Campo Pequeno

As críticas feitas a Costa por este se recusar a apresentar soluções de governo sem para tal estar mandatado têm vindo da esquerda e da direita. Há força nelas pois é inquestionável que tudo e todos na cena política nacional ganhariam em conhecer o que Costa tem a dizer a respeito. Ou seja, é cómodo exigir-lhe um programa eleitoral mesmo que esteja a um ano das eleições e nem sequer seja o secretário-geral do PS, nada mais parece contar para a vozearia. A sua recusa em especificar o teor das soluções, contudo, é o que melhor defende a racionalidade da sua eventual acção futura. Por exemplo, Seguro foi eleito líder do PS com a promessa de ir limpar o partido dos socráticos corruptos e mais nada de concreto. Recorde-se o que ele disse antes das eleições socialistas em 2011 e no congresso da entronização onde apresentou as suas prioridades. É uma mão-cheia de nada.

Em especial, as críticas que vêm da direita poderiam levar a um útil – ou tão-só divertido – exercício de honestidade intelectual. Seria assim: primeiro listavam-se os direitolas que não se têm calado com essa conversa, depois seriam recolhidos por autocarros com ar condicionado e transportados para o Campo Pequeno, e dali só seriam libertados quando opinassem sobre o que Passos Coelho prometeu para se abraçar ao pote. O Pedro protagonizou a maior fraude eleitoralista de que há memória na democracia portuguesa, tendo jurado ir acabar com os sacrifícios, não aumentar impostos, não despedir funcionários públicos, conseguir libertar a economia e salvar a juventude. Foi com esse programa, para o qual também jurou ter as contas todas feitas e devidamente vistoriadas pela Troika, que ele ganhou as eleições. E esta burla foi feita estando António Borges, ideólogo do PSD passista, no FMI com o pelouro da Europa. Borges não só sabia desde 2010 o que a Troika iria fazer em Portugal como trabalhava para que as suas consequências fossem as mais demolidoras, o seu sonho delirante sendo o de que não ficasse pedra sobre pedra do Estado social. Que diriam os direitolas sobre o valor político e moral do que o homem de Massamá fez se fossem obrigados a dizer alguma coisa? Em público, nada. Entre os amigalhaços, que foi muito bem feito, que assim é que é, vale tudo.

Não critico Costa por estar a exibir competências ligadas à inteligência e à coragem nestas matérias voláteis e imprevistas das políticas económicas e de finanças. Critico-o é por não ter falado o suficiente do trauma que se abateu sobre o País por causa da decadência rapace do PSD e do CDS.

Uma sova homérica

O último debate entre Seguro e Costa tem uma crucial diferença: não há mais ninguém para convencer a se predispor a votar. Isso implica um imediato corolário: neste momento, o resultado final já está concretizado, faltando só ser apurado. Quem se inscreveu para votar não tem dúvidas acerca do vai fazer com o seu voto – pelo contrário, foi por ter uma certeza consolidada numa esperança que os simpatizantes se deram à maçada da inscrição. Neste aspecto, as primárias configuram uma situação menos similar à de umas eleições universais e mais análoga à de uma eleição colegial.

Tal consciência do óbvio poderá levar a alterações, ou evoluções, nas estratégias dos candidatos; pressupondo que eles têm alguma (assunto em aberto, para espanto de quem esperava ver em Costa melhor profissionalismo de campanha). E também aqui há uma crucial diferença: quem se inscreveu para votar Costa em situação alguma ponderará mudar o seu voto para Seguro, mas tal lógica não se repete entre os apoiantes de Seguro. O voto em Seguro – se excluirmos o daqueles a quem fez promessas e o de fanáticos como Ana Gomes – nasce de um apelo emocional básico e basista que se agarra a competências cognitivas diminuídas, baixa cidadania e iliteracias várias. O seu grupo-alvo é o dos leitores do Correio da Manhã, o seu embrulho retórico é o do moralismo anti-políticos. Ora, algumas destas cabeças são recuperáveis até ao dia da eleição, seja porque poderão mudar de voto perante a consciência de estarem a ser enganadas, seja porque poderão desistir de votar por esgotamento da confiança em Seguro (o que equivale, no contexto das primárias, a darem directamente o seu voto a Costa). Por sua vez, os eleitores de Costa apenas terão de manter a motivação inicial – entretanto reforçada pela deriva degradante e terrorista de Seguro – para não faltarem ao último acto do processo.

Neste quadro, Costa tem uma estratégia ganhadora seja qual for a estratégia de Seguro no último debate. Consiste ela em ignorar olimpicamente o seu opositor e falar exclusivamente para o País – ou seja, exibir uma pose de Estado e assumir-se como o próximo primeiro-ministro a discursar já em plena posse de funções. Indo por aqui, Costa marcará pontos caso Seguro tente competir com ele quanto a qualidades de liderança e competência política, e marcará o dobro, ou triplo, desses pontos caso Seguro volte ao choradinho do coitadinho que odeia muito, muito, muito o malandro que ameaça tirar-lhe a chupeta.

Contudo, se a coisa se passasse ao meu gosto, Costa abdicaria de Olímpia e iria para Tróia. Lá chegado, encheria o peito da fúria de Aquiles e vingaria a traição que Seguro fez a 40 anos de história do PS. Ver o principal pilar político da democracia portuguesa nas mãos de um fulano que tem tanto (ou ainda mais) de estúpido como de populista justifica uma sova homérica.

Revolution through evolution

1 in 5 Men Reports Violence Toward Intimate Partners
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Domestic violence likely more frequent for same-sex couples
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Must Women Be Seen to Be Heard?
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Fighting parents hurt children’s ability to recognize and regulate emotions
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Spouse’s personality influences career success, study finds
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Dogs respond to goal-directed behavior at similar level to infants
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Human Sense of Fairness Evolved to Favor Long-Term Cooperation -> com um vídeo imperdível

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A direita à direita adora a esquerda à esquerda

O LIVRE pediu para ser recebido pelo BE. A metade masculina do BE aceitou receber o LIVRE. O mês era Setembro. O ano 2014. Frente a frente Semedo e Tavares. Rezam os cronistas que a reunião durou “cerca de uma hora”. “Cerca de uma hora” é o eufemismo usado no jornalismo para descrever reuniões que duram cerca de meia hora. As reuniões que duram cerca de meia hora gastam em média 15 minutos entre o momento em que os convidados chegam e aquele em que partem, depois de todas as conversas de salão e idas à casa de banho estarem completadas. Pelo que não erraremos por muito se pensarmos que o BE dispôs-se a bater bolas com o LIVRE durante um quarto de hora. 15 minutos inteirinhos em que o futuro da esquerda foi esculpido e avenidas revolucionárias se abriram em direcção à grande união vitoriosa, pura e verdadeira. No final, Rui Tavares veio dizer que valeu a pena, que os amanhãs irão cantar, que eram todos grandes amigos. Enfim, é uma questão de esperar mais um bocadinho e a festa sairá à rua. João Semedo também tinha dizeres a pedirem soltura depois da sessão de mútuo esclarecimento. Revelou que o BE é muita bom para o povo e que o LIVRE é muita mau para esse mesmo povo. Isto porque o LIVRE admite coligar-se com o PS, um partido da direita. Quão de direita? Não importa, a lógica é a de todos os racistas: basta um tom mais escuro, uns caracóis mais indomáveis, e temos pretalhada pela frente. Se aceitam conviver com o PS, concluiu Semedo embora com outra fraseologia, então vão para o caralho que vos foda e desamparem-me a loja, filhas da puta dum cabrão.

O BE sabe bem o que está a fazer. Está a tratar o LIVRE exactamente como é tratado pelo PCP. Por sua vez, o LIVRE adoraria poder tratar o PS como foi tratado pelo BE. Só que não pode, pelo menos oficialmente. Esta tragicomédia da esquerda portuguesa não é completamente irracional. Aliás, tem sido cuidadosamente protegida pela direita, a qual não se cansa de cobrir de elogios tudo o que cheirar a comunista. É esta seriedade, esta integridade, esta fibra de mais valer quebrar do que torcer dos fabulosos combatentes esquerdistas que enche de segurança a direita à direita do PS.

Vamos lá a saber

Mas não haverá ninguém nesta terrinha que queira investigar o uso sistemático das fugas ao segredo de justiça em conluio com jornalistas amigos para efeitos de manobras políticas? Será que o poder judicial está acima da Lei? Não existirá uma única força política capaz de fazer frente a esta república de juízes e amanuenses do Ministério Público? Vamos mesmo deixar que a democracia e o Estado de direito continuem a ser pervertidos para benefício de uns tantos pulhas e gáudio de tantos broncos?

O título decisivo (do “Expresso” e quiçá do PSG)

A entrada de Pedro Santos Guerreiro no Expresso levou a uma mudança de estilo que me deixou dividido quanto à sua bondade. Trata-se do engraçadismo nos títulos, à mistura com uma cópia do registo anglo-saxónico da informação digital servida já mastigada e em pequenas porções. A promessa é a de tudo poder ser explicado com o máximo de clareza e descontracção e o mínimo de esforço e perda de tempo para o leitor – as questões da actualidade reduzidas amiúde a numerais de digestão rápida, à tirania do lúdico sem vestígio de pathos. O PSG nos seus textos já mostrava quão viciado estava na duvidosa arte do trocadalho, daí não ser uma surpresa que queira uma Redacção à sua imagem e inverosimilhança.

Tenho estado a patinar na ambivalência porque se, por um lado, o registo me parece descredibilizar o jornal por o aproximar do amadorismo e irresponsabilidade dos blogues, por outro lado, a solução poderia ser defendida com o argumento da renovação demográfica e do triunfo da cultura digital, ambas eventual ou supostamente a apelar a novos e mais difusos códigos de comunicação na imprensa. E assim estive até há pouco, quando tropecei nisto:

O momento decisivo (da Escócia e não de Cartier-Bresson) contado em 11 capas de jornais

Que felicidade. A minha dilaceração acabou. Tudo graças ao zelota pimpão que conseguiu enfiar o Cartier-Bresson num título sobre o referendo escocês. Um fanático que merece o meu mais aliviado agradecimento. E até aposto que o requinte absurdo desta avaria tem as assinaturas do Pedro, do Santos e do Guerreiro.

Tendo ficado estabelecida a natureza ridícula do estilo em vigor, espero que não se acanhem e não se limitem ao decisivo fotógrafo. Ele há tanto maduro para meter nos títulos à doida. É que nem o céu será limite.

Seguro é um perigo

António José Seguro contou que, à chegada ao restaurante de Viseu, alguém lhe disse que ele era "um perigo".

"Um perigo para os interesses, um perigo para aqueles que em Lisboa querem que tudo permaneça na mesma, que haja uma evolução na continuidade. Mas nós estamos aqui para dizer que vamos fazer a mudança", garantiu.

Para o líder socialista, há que combater a "falta de confiança nas instituições", porque "quem está errado não é o povo, quem está errado é quem, com opacidade, protege interesses e não faz o apuramento da verdade, o esclarecimento total".

Fonte

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O PS nunca esteve perante uma tão grande ameaça à sua identidade e função na democracia portuguesa. Ameaça tão mais extraordinária quanto a enorme maioria dos seus militantes e dos opinadores profissionais não a viu chegar. Só que as coisas são como são, e são estas: o actual secretário-geral diz à boca cheia que a quase totalidade dos ex-dirigentes do PS, a começar por Mário Soares e a acabar em Sócrates, passando por Alegre e Costa, são corruptos e protegem corruptos.

Digamos o óbvio, este discurso já nada tem a ver com uma retórica mais exaltada, mais patarata, para efeitos de campanha. O tempo da retórica durou três anos, período em que Seguro se apresentou como o impoluto que vinha moralizar os costumes degradados e degradantes da escumalha política. Agora, nesta fase, Seguro declara preto no branco que lidera um partido com uma história criminosa onde ninguém se salva a não ser ele, os seus e quem se converta à sua verdade.

Será interessante ver como é que Costa irá unir o partido caso ganhe e observar as atitudes daqueles que neste momento estão com Seguro. Será interessante do ponto de vista político, sociológico, psicológico e até antropológico. Mas nada se compara com o que poderá acontecer no PS caso Seguro ganhe. Essa seria uma experiência que é literalmente inimaginável dado o radicalismo demente em que se colocou. Quem ficaria ao seu lado? Quem apareceria nas listas de deputados? Qual seria o registo seguinte, regresso à versão Passos Coelho II ou continuação da febre populista?

Seguro vestiu a camisola de ser um “perigo” para os bandidos de “Lisboa”. É ele quem o diz. Com orgulho. Aos berros. Em nome do “povo”. E está cheio de razão.