O título decisivo (do “Expresso” e quiçá do PSG)

A entrada de Pedro Santos Guerreiro no Expresso levou a uma mudança de estilo que me deixou dividido quanto à sua bondade. Trata-se do engraçadismo nos títulos, à mistura com uma cópia do registo anglo-saxónico da informação digital servida já mastigada e em pequenas porções. A promessa é a de tudo poder ser explicado com o máximo de clareza e descontracção e o mínimo de esforço e perda de tempo para o leitor – as questões da actualidade reduzidas amiúde a numerais de digestão rápida, à tirania do lúdico sem vestígio de pathos. O PSG nos seus textos já mostrava quão viciado estava na duvidosa arte do trocadalho, daí não ser uma surpresa que queira uma Redacção à sua imagem e inverosimilhança.

Tenho estado a patinar na ambivalência porque se, por um lado, o registo me parece descredibilizar o jornal por o aproximar do amadorismo e irresponsabilidade dos blogues, por outro lado, a solução poderia ser defendida com o argumento da renovação demográfica e do triunfo da cultura digital, ambas eventual ou supostamente a apelar a novos e mais difusos códigos de comunicação na imprensa. E assim estive até há pouco, quando tropecei nisto:

O momento decisivo (da Escócia e não de Cartier-Bresson) contado em 11 capas de jornais

Que felicidade. A minha dilaceração acabou. Tudo graças ao zelota pimpão que conseguiu enfiar o Cartier-Bresson num título sobre o referendo escocês. Um fanático que merece o meu mais aliviado agradecimento. E até aposto que o requinte absurdo desta avaria tem as assinaturas do Pedro, do Santos e do Guerreiro.

Tendo ficado estabelecida a natureza ridícula do estilo em vigor, espero que não se acanhem e não se limitem ao decisivo fotógrafo. Ele há tanto maduro para meter nos títulos à doida. É que nem o céu será limite.

9 thoughts on “O título decisivo (do “Expresso” e quiçá do PSG)”

  1. o expresso, à semelhança da concorrência, já percebeu a transição de poder que se aí vem e está em fase de adaptação para sobreviver ao novo regime mantendo a antiga clientela. o guerreiro representa isso, um novo mandato, sem ter ido a eleições.

  2. varios jornais mudaram de direção,com a clara intençao, de combater o proximo governo liderado pelo tózero ( segundo sondagem nas caldas da rainha )nunca vi tanta mudança em muitos anos de vida.já lá vai o tempo em que o director mantinha-se no cargo durante décadas mesmo com eleiçoes.li ontem o jornal i e aquilo levou uma volta para pior de 380graus!

  3. Terá que ver com o prestígio de Cartier-Bresson e a
    qualidade das suas fotos ? Podendo uma sua foto
    ser capa de muitos jornais???

  4. É capaz de ser isso, J. Madeira . Especialmente tendo em conta a qualidade estratosférica das capas-fotos que resolveu colar por lá como ilustração …. O Henri deve estar a dar voltas no caixão.

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