Arquivo da Categoria: Valupi

Revolution through evolution

Teacher prejudices put girls off math, science, study suggests
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‘Walking Football’ phenomenon has great health benefits
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Employees become angry when receiving after-hours email, texts
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Keep calm, anger can trigger a heart attack!
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Introverts prefer mountains
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Ancient and Modern Cities Aren’t So Different

“It was shocking and unbelievable,” says Ortman. “We were raised on a steady diet telling us that, thanks to capitalism, industrialization, and democracy, the modern world is radically different from worlds of the past. What we found here is that the fundamental drivers of robust socioeconomic patterns in modern cities precede all that.”
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Professor Examines Causes of Financial Crises

“Part of what makes good economists is that they can hold two different ideas in their mind at the same time,” Knoop said. “They can worry about deficits while also understanding the advantages of them, and try to balance things. They’re able to weigh all of the different trade-offs.”

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Tempo de acordar

No mundo do marketing português, o que se entende por “redes sociais” nem sequer chega ao Twitter, fica-se pelo Facebook. Tudo o resto, com excepção para acções pontuais com blogues, não merece investimento. Nesse mundo já aconteceram alguns escândalos com marcas que viram centenas, e milhares, de comentários negativos sobre os seus produtos ou serviços aparecerem nas páginas azuladas que o outrora puto esperto inventou. As mesmas aflições ocorreram com o Pedro, no tempo em que ainda era o Pedro, e com Cavaco, coisa que nunca deixou de ser. Destes episódios nasceram duas ilações, uma conhecida e outra que vou revelar em primeira mão:

1ª – O que acontece nas “redes sociais” fica nas “redes sociais”.

2ª – Os escândalos com origem nas “redes sociais” que chegam à comunicação social são oportunidades imperdíveis para quem pretenda superar a crescente fragmentação mediática e atingir a maior audiência possível.

Assim, o mundo dos blogues, do Facebook, do Twitter e das caixas de comentários das edições digitais da imprensa não tem relevância política – isto é, não influencia os resultados eleitorais, apenas serve como um gratuito e gigante grupo focal. Mas um conteúdo pode ganhar força nesse meio para se tornar num acontecimento jornalístico. Nesse caso, ele transforma-se numa bola de neve mediática e oferece-se para ser aproveitado. Se a lógica for promocional – como se fez em Hollywood desde o princípio do século XX, e se repetiu na indústria da música Pop (Madonna, como exemplo supremo), e logo depois na indústria das celebridades (com a genial Paris Hilton a dar o passo final que Madonna apenas simulou) – o escândalo favorece a sua autoria e cria ou reforça uma dada marca. Se a lógica for adversativa – como no campo das actividades comerciais, estatutos institucionais e disputas políticas – o feitiço pode virar-se contra o feiticeiro. Porque se abre a oportunidade para o alvo do ataque dispor de um protagonismo mediático que, talvez ou muito provavelmente, não conseguiria obter apenas recorrendo aos seus recursos.

O caso das declarações de António Costa é paradigmático destas dinâmicas. O que ele disse perante uma plateia de chineses a 19 de Fevereiro passou então sem merecer atenção porque, de facto, se trata de uma banalidade. Há várias formas de justificar que Portugal esteja diferente para melhor sem com isso estar a entrar em contradição com a evidência: estamos também muito pior. O que criou a notícia foi a sua exploração política em registo de chicana, de imediato amplificada e densificada pelo aparato formidável da máquina mediática da direita portuguesa. Ora, foi aqui que Costa voltou a revelar ter sérios problemas de clarividência estratégica.

O que haveria a fazer era sorrir, feliz da vida, e agradecer aos ranhosos pela extraordinária oportunidade de poder ocupar todos os noticiários e destaques noticiosos. E isso, para mais, num dia em que se lançava a nova versão do Acção Socialista, no qual estava uma entrevista sua à espera de ser promovida. Poderia ter marcado uma conferência de imprensa de urgência, ou poderia ter corrido os espaços de informação de todos os canais televisivos por onde quisesse passar, pois todos tinham interesse em tê-lo em estúdio ou frente a uma das suas câmaras. A ocasião era perfeita para malhar nos fanáticos sem dó nem piedade. Em vez disso, assistimos a desorientação partidária, declarações de Costa sem impacto e ao envio de um SMS cujo argumentário ainda conseguiu fragilizar mais a sua posição. Um desastre em termos de relações públicas e gestão de imagem.

Não sei por experiência própria nem por informações de terceiros, mas parece-me que Costa será um líder que não se preocupa em ter equipas que o ajudem no processo de decisão. Os erros estratégicos não são de agora, foram notáveis em 2013 e durante a campanha contra Seguro. O período que já leva como secretário-geral não mostra melhoras, como se pode avaliar pela ineficácia da retórica parlamentar, pelas sondagens e pelo sentimento de não estar a ser castigador para com aqueles que nos castigaram – e castigam – pelas piores razões. Contudo, vai sempre a tempo de acordar.

A direita espanhola explica

El ministro ha reiterado que la economía española ha dado un giro radical gracias al tirón de la demanda interna y a la inversión, y ha dicho que entre las razones de este crecimiento está la de "no haber pedido el rescate".

En este sentido ha recordado las condiciones que la Troika impuso a países como Portugal, Irlanda, Grecia o Chipre, y ha dicho que además los países que han solicitado el rescate han tenido una mayor caída del PIB que los que no lo han solicitado.

En su opinión, la petición de un rescate "supone una agresión a la autoestima nacional", ha afirmado, al tiempo que ha asegurado que no se trata de un problema de financiación sino de "diseño", ya que "te lo hacen desde fuera".

"En España no sabemos lo que supone un rescate desde el punto de vista de sus implicaciones y precisamente la troika no se caracterizaba por tener un exceso de sensibilidad política. Te tocan las pensiones, la educación, el IVA, la sanidad, prácticamente todos los impuestos", ha dicho, tras insistir en que el país "pierde su autonomía en política económica".

"Eso sin duda no ha ocurrido en España y quien lo dice, de verdad no es consciente de las implicaciones que tiene", ha lamentado en relación a las declaraciones de algunos dirigentes políticos durante el debate del estado de la nación.


Luis de Guindos

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Oferta do nosso amigo Lucas Galuxo

A direita dos bruxos e dos bruxedos

Santana Lopes acabou ainda por meter Paulo Portas ao barulho nesta situação, afirmando sempre não acreditar que esta fiscalização possa ter a ver com uma eventual candidatura presidencial. “Dizem-me também às vezes que no CDS fazem alguma coisa sem o dr. Paulo Portas saber? Não, numa coisa destas custa-me a crer. Mas muitas pessoas dizem-me: ‘Não, ele sabe de tudo’. Mas quer dizer… não acredito. Só se comesse muito queijo. Com o que tem passado pela vida não ia fazer partidas destas a ninguém.”

A inspecção à Santa Casa e as presidenciais: Santana não acredita em bruxas, mas…

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Negar que se quer dizer o que intencionalmente fica dito é um dos mais vulgares sofismas que nos afligem no consumo do quotidiano político. É um golpe baixo, definindo quem o usa como cultor da baixa política. Assim, é muito mais frequente em políticos de direita do que de esquerda, por termos uma direita decadente e a baixa política ser o seu ecossistema favorito. A direita portuguesa ou é brilhante, como Adriano Moreira, ou é isto que vemos na citação: um constante emporcalhamento da cidade, a paixão pelas conspirações, o medo e o ódio como pontos cardeais.

Lula da Silva, na sua visita a Portugal em 2013, deixou um alerta que não perdeu nem perderá actualidade:

Quando a direita tem medo de perder o poder, ela começa a induzir a sociedade a não gostar da política, começa a dizer mal da política. Temos de ter a coragem de dizer à juventude que, em vez de largar a política, deve entrar na política, para que o jovem venha a ser o político com que sonha. É preciso politizar a juventude. Se ninguém presta para você, entre você na politica.

Os populismos na versão PSD e CDS, para quem o PS é um partido de corruptos, ou na versão de Cavaco Silva, para quem só ele é que sabe e se porta bem, e ainda na versão dos comunas, para quem a democracia liberal não passa de mais um ardil do capital, comungam todos desse permanente envenenamento onde a política é apresentada como o palco das maiores canalhices e onde todos mentem por princípio e pulsão.

Eis aqui o presidenciável Santana – que recorreu, ou deixou que alguém recorresse por ele, a uma campanha negra para apresentar o seu maior adversário das legislativas de 2005 como homossexual e que quis, ou deixou que alguém quisesse por ele, lançar o caso Freeport em cima das eleições – a sugerir que há membros do Governo que utilizam recursos do Estado ao serviço de interesses partidários ocultos e com o objectivo de atacar a sua imagem. Alguém se escandalizou com a sugestão? Foda-se, este é o país onde a Procuradora-Geral da República pode dizer ainda pior e, provavelmente, nem uma brisa lhe irá descompor a pose. Este é o país que não quer saber dos direitos dos cidadãos desde que esses cidadãos não sejam dos seus – ou até sendo, para a miséria ser completa. Aliás, teremos mesmo um Parlamento neste país?

Os políticos podem não prestar, alguns, mas aqueles que se recusam a assumir a sua responsabilidade política são ainda piores. E são os políticos que não prestam que mais têm a ganhar quão maior for a apatia e cobardia à sua volta.

Acredite, se ler no PSG

PSG-Sócrates

António Costa falou de mais? O melhor está sempre para vir

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Pedro Santos Guerreiro não quis ficar de fora e veio a correr juntar-se à festa dos direitolas. A função dos jornalistas da imprensa escrita é escrever, não haverá surpresa por aí. Mas coloca-se a questão: o Balsemão sabe que anda a pagar salários de vedeta a vedetas que escrevem sem terem nada para dizer? Talvez seja esse mais um dos berbicachos das edições digitais e desta irresistível tendência para se nivelarem por baixo, a quantidade expulsando a qualidade.

PSG nada tinha para dizer acerca da chicana feita a partir de uma frase ambígua e equívoca do António Costa, compreensivelmente. Pelo que se lembrou de ir buscar Sócrates – “What else?” – a 2005, ano em o PSG não estava no Expresso e talvez nem sonhasse vir a estar. Ou sonhasse, tanto faz. Comecemos por lhe dar os parabéns, apostando estes 10 euros que tenho no bolso em como mais ninguém no Universo inteiro se conseguiria lembrar do episódio. E, de seguida, olhemos para a estupidez que se conseguiu publicar e fazer cobrar. Nesta estupidez, PSG garante que o sentido denotativo reclamado por Sócrates era falso por comparação com o sentido conotativo imposto pelo Expresso e pelo PSG. De que fala esta mente brilhante? Da “verdade”, uma verdade “inconveniente”, e a qual é do nosso conhecimento comum. Nós “hoje sabemos” que o pior estava a caminho. Fim da discussão.

Recapitulemos: em 2005, Sócrates sabia que o pior estava para vir, por algum deslize terá transmitido essa verdade a um jornalista do Expresso, o jornal revelou a verdade ao mundo, Sócrates terá ficado furibundo porque não queria que o mundo conhecesse a verdade e inventou uma tanga das suas, mas 10 anos depois o grande PSG veio repor a verdade da verdade, apelando à comunidade para que reconheça que o Expresso é que tinha razão em matéria de coisas piores que estejam para vir, e que certamente continuará a ter razão até ao fim dos tempos.

De facto, quando se contempla o que aconteceu a Portugal depois de 5 de Junho de 2011, até apetece levar Sócrates a tribunal por não nos ter avisado do que estava para vir… hã? O quê? Ele avisou? Tens a certeza? Certezinha?… hum… Só acredito se ler no Expresso.

Os traidores e a sua dívida pública

Hoje

Portugal emite dívida a 10 anos com taxa de juro mais baixa de sempre

Ontem

Governo viola meta da dívida e falha inversão de tendência

Segundo o Banco de Portugal, que é a entidade responsável pelo apuramento da dívida pública oficial, o rácio ficou em 128,7% do produto interno bruto (PIB) em 2014 em vez dos 127,2% inscritos no OE/2015. Em 2013, o rácio da dívida ficou em 128%. Ou seja, voltou a piorar em vez de ter caído. A inversão de tendência fica assim, adiada por mais um ano.

Significa isto que os contribuintes portugueses devem agora cerca de 224,5 mil milhões de euros aos credores nacionais e estrangeiros, tendo o governo PSD/CDS agravado esse endividamento em 2,6 mil milhões de euros mais do que estava no orçamento aprovado no final do ano passado pela maioria de direita.

O Governo diz que a dívida portuguesa é sustentável, mesmo com as perspetivas de crescimento anémicas que se perfilam para os próximos tempos e para a falta de potencial da economia (subcapacidade, falta de novo investimento).

No tempo em que os animais falavam

PSD quer saber “onde está o dinheiro” que fez aumentar a dívida pública

O PSD "quer saber porque é que o país passou de um endividamento de 80 mil milhões para 160 mil milhões de euros em pouco mais de seis anos", disse hoje, em Coimbra, Marco António Costa.

"Onde está o dinheiro" se "não foram feitas grandes obras públicas", como o TGV ou o aeroporto e "se as estradas foram construídas para serem pagas nos próximos anos", questionou o vice-presidente dos sociais democratas, que falava, ao princípio da noite, em Coimbra numa sessão de apresentação dos candidatos do seu partido às eleições de 05 de junho, por aquele distrito.

Quando o PSD "decidiu pôr um ponto final nas aventuras em que o PS estava a lançar o país, com PEC [Pacto de Estabilidade e Crescimento] sobre PEC, numa atitude completamente irresponsável e insensata" demonstrou ter razão", afirmou aos jornalistas, à margem da sessão, Marcos António Costa.

“Este programa está muito além do memorando da troika”

"Portugal está hoje com a maior dívida pública de que há memória". Passos Coelho referiu ainda que "o país tem um nível de desemprego que ameaça a coesão e a justiça social". Para o líder do PSD, é necessário colocar a economia portuguesa "a crescer".

Passos acusa elementos do Governo de serem “incapazes”

"Nós somos capazes. Nós vamos pôr o Estado a fazer mais austeridade e vamos aliviar os portugueses. O que precisamos é de ser mais competitivos para pôr a economia a crescer. Se não, nunca sairemos desta espécie de maioria de pobreza", disse. "Para pôr a economia a crescer e criar emprego, temos de arrepiar caminho", afirmou.

No reino onde a impunidade acabou

A manchete de hoje do Correio da Manhã dava como certo que Sócrates continuaria em prisão preventiva. Isso significa que desde ontem, quiçá de anteontem, alguém nesse jornal já sabia aquilo que hoje vários outros jornais não conseguiram confirmar durante parte do dia – alguns chegando a noticiar que Carlos Alexandre ainda não tinha tomado uma decisão, finalmente sendo dito que só nesta tarde ela foi tomada.

Quem foi o informador? Foi a defesa? Como é possível que um juiz se preste a este papel, e logo neste caso? Não está mesmo a acontecer nada de profundamente irregular, ilegal e criminoso neste processo? Há quem esteja a receber dinheiro do CM pelas informações? Ou o CM obtém as informações de graça porque se trata de uma operação política e a transferência de informações ocorre entre aliados? Existe alguém à frente do Ministério Público?

Que país de merda é este?

Entre os bons livros e o Correio da Manhã

Na TSF discutiu-se a liderança de António Costa, com o diagnóstico geral de estar a ser de bera para baixo. Embora haja diversos aspectos objectivos no seu exercício da liderança do PS e da oposição para tal resultado, não deixa de ser penoso que, dos 5 opinadores convidados pelo responsável do programa, 4 sejam famigerados anti-socráticos: Paulo Baldaia, Nuno Saraiva, David Dinis e António Costa (jornalista). Salvou-se da opinião única o Pedro Adão e Silva, cuja análise não chegou para impedir que o secretário-geral socialista acabasse sovado. A única constatação positiva foi a de não termos ouvido os funcionários do partido que no tempo de Seguro invadiam a antena para atacar soezmente Costa e Sócrates e elevar Seguro à condição de santo. Quase ninguém ligou para o defender, e os que foram por aí não tiveram eficácia argumentativa.

Adivinho que Costa se esteja a borrifar para este programa e o que nele foi dito. E até se pode dar o caso de estar cheio de razão. Será este episódio apenas a espuma dos dias para quem se sente confiante de chegar ao período eleitoral e recolher o prémio anunciado. Um prémio ditado pela lógica: o PS irá sempre vencer, resta só saber se com ou sem maioria absoluta. O seu percurso mostra um político profissional que tem obtido troféus menores mas suficientes para fazer dele uma das maiores promessas para suceder a Sócrates nos cargos e na influência. A vitória sobre Seguro teve o efeito de redimi-lo da má imagem deixada com o recuo de 2013 e parecia ir-se abrir uma nova fase na política nacional. Só que tal ainda não aconteceu e, nesta altura do campeonato, já ninguém sabe quando começará e ainda menos em que consistirá.

Sem dúvida, é sensato adiar a apresentação de propostas governativas quando tantos e tão decisivos são os factores sujeitos a uma volatilidade caótica no espaço europeu e mundial. É sensato ter equipas de especialistas a trabalhar para blindar um programa que se quer adequado à missão de reconstrução económica e social depois da devastação dos fanáticos. Mas qual é a sensatez de não ter um discurso sobre a forma como esta direita afundou o País só para usufruir do poder e empobrecer os cidadãos por fanatismo e ódio? Qual é a sensatez de se ficar calado perante os escândalos na Justiça e a perseguição que se faz a pessoas ligadas ao PS – portanto, também ao PS – a partir deles? Qual é a sensatez de se ficar indiferente a ver um caricato e desonroso Passos Coelho ganhar debates no Parlamento a um mortiço Ferro Rodrigues? Felizmente, não sou militante nem simpatizante do PS, o que evita ter de me dilacerar nessa inexplicável ausência de sentido.

A política não é um domínio que se esgota nas questões económicas e sociais. Especialmente para um contexto onde essas respostas tenham de ser adiadas, é necessário falar de justiça. Portugal precisa de políticos que tenham a capacidade de se afirmarem nessa dimensão donde depende tudo o resto que define uma comunidade. Falar de justiça não é ser moralista nem populista, precisamente ao contrário: falar de justiça pode implicar exibir a coragem de passar por imoral ou amoral. Pelo menos, é o que se ensina nos melhores livros sobre a matéria. Ou não devemos esperar tal de quem foi um distinto colaborador do Correio da Manhã?

Revolution through evolution

Basic personality changes linked to unemployment, study finds
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Oscar’s Women: Are Female Roles as Accessories to Great Men?
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Can you judge a man by his fingers? Link between relative lengths of index and ring fingers in men and behavior towards women
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Sexual reproduction has another benefit: It makes humans less prone to disease over time
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How to Avoid a Bad Hire
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Amaranth Seeds May Prevent Chronic Diseases
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The Sound of Intellect: Job Seeker’s Voice Reveals Intelligence

Estado de direito, espécie em via de extinção

«Com a legitimidade de quem no primeiro Governo de António Guterres, enquanto ministro das Obras Públicas, enfrentou a corrupção na Junta Autónoma de Estradas, com uma sindicância que levou ao fecho daquele organismo estatal, Cravinho propunha então um conjunto de ideias em que constava já a criminalização do enriquecimento ilícito. A proposta mereceu a oposição de vários socialistas, a começar pelo líder do PS e primeiro-ministro José Sócrates, e a terminar no líder parlamentar de então, Alberto Martins, que travou formalmente a iniciativa. O incómodo que o pacote Cravinho causou entre os socialistas levou mesmo a que Sócrates nomeasse João Cravinho como representante de Portugal na administração do BERD, despachando-o assim para uma espécie de prateleira dourada em Londres até ao final do seu consulado governativo.»

Com uma década de atraso

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São José Almeida pertence ao grupo de jornalistas, com cópia exacta num grupo de políticos (estou a pensar em ti, Ana Gomes), que degrada o espaço público de cada vez que escreve textos como este acima citado. Aparentemente, são posições inquestionáveis contra a corrupção. Ao nos aproximarmos, o fedor a impotência e calúnias genéricas torna irrespirável o ambiente criado.

Neste parágrafo, volta uma das pulhices repetida aos anos e vezes sem conta por pregoeiros armados em representantes do clamor do povo. Eis o que se afirma num jornal dito de referência por um dos seus mais importantes quadros redactoriais: que João Cravinho foi um herói da luta contra a corrupção, e que este herói foi comprado por políticos que não queriam lutar contra a corrupção. Certo? Certíssimo. Sócrates e Alberto Martins, “incomodados” com o “pacote” do Cravinho, deram-lhe um pontapé no dito e lá foi ele para onde o mandaram ir; satisfeito e, segundo a São José Almeida, até agradecido. É que ninguém o obrigou a aceitar a “prateleira dourada” e abdicar da sua missão higiénica, pelo que temos de concluir pela cumplicidade de Cravinho com a máfia do PS (a qual está feita com a máfia do PSD e do CDS, como qualquer esquerdista puro e verdadeiro aprende desde o berço). Também de referir que em passo algum é apresentado qualquer argumento que explique a posição do PS ao tempo.

Para que serve este tonto emporcalhamento? Para nada de nadinha de nada a não ser o gozo decadente de o poder fazer sem consequências. O ataque lançado contra casos não identificados onde há sinais de riqueza que escapam na sua génese ao conhecimento da articulista é primário de mais, confundindo-se com a expressão de uma posição ideológica onde qualquer riqueza seria proibida ou, em alternativa, passava a ter de ser aprovada pela incorruptível São. Estamos neste grau de sofisticação intelectual.

Este artigo é paradigmático da suspeita que o Pedro Marques Lopes deixou na secção extra do Bloco Central a propósito da denúncia da Paula Lourenço. É de audição obrigatória para quem se interesse pelo Estado de direito e conta com um complemento igualmente a não perder do Pedro Adão e Silva sobre a questão.

Lapidar

O segredo de justiça não está salvaguardado em Portugal?

Creio que a pergunta é retórica. Está por demais à vista de todos que é sistematicamente posto em causa. E, não obstante a sistemática violação de segredo de justiça em inúmeros processos discutidos na comunicação social, a culpa morre quase sempre solteira e quando encontra um culpado é o jornalista que protegeu a fonte.

Aliás, atualmente, a regra é como se sabe a publicidade do inquérito, a qual só pode ser afastada pelo Juiz de instrução, a requerimento do arguido, do assistente ou do ofendido, que determinará a sujeição a segredo do processo quando entenda que a publicidade prejudica os direitos daqueles sujeitos processuais, ou, por iniciativa do Ministério Público, quando os interesses da investigação o justificam, caso em que a decisão do Ministério Público carece de validação pelo Juiz de instrução.

De uma coisa tenho a certeza, a existência de segredo num processo não se justifica sem um interesse processual sério na sua manutenção, seja do arguido, do assistente ou da investigação. E o segredo muito menos se justifica quando, sem que haja qualquer interesse sério, a sua manutenção prejudique o arguido como acontece bastas vezes em processos mediatizados.

Com efeito, o que se verifica algumas vezes na prática é que a manutenção do segredo associado à incapacidade de evitar as fugas de informação sobre elementos do processo, provocam na opinião pública a formação de juízos e convicções sobre a culpa dos visados sem que exista culpa formada transitada em julgado, criando uma pressão perfeitamente dispensável sobre os Magistrados que acusam e julgam e sobre os arguidos. Estes julgamentos à pressa feitos na praça pública são bastante perniciosos para o sistema judicial, pois, ao criarem uma expectativa nos cidadãos relativamente a um determinado desfecho num processo, se o mesmo não se verificar, resultará fortemente abalada a confiança dos cidadãos no sistema. Aliás, tais expectativas, verdadeiramente, não podem ser criadas nem devem existir, pois o processo só termina com o transito em julgado duma sentença.

Nos casos mediatizados, mesmo quando a condenação acontece, a dúvida fica muitas das vezes se a condenação existiu porque é justa ou se existiu para satisfazer a opinião pública. Antecipar o resultado da justiça na praça pública em momento algum deu bom resultado.

Quem acha que são os principais responsáveis pelas fugas de informação?

As fugas de informação dos processos podem e devem ser investigadas. Muitas das vezes, não é difícil perceber quem são os responsáveis. Basta discernir quem são os intervenientes processuais que têm acesso à informação divulgada. Se todos, se apenas alguns. Se forem os investigadores apenas, terão que ser estes os responsáveis, mais não seja pela incapacidade de impedirem a fuga de informação quando o processo está à sua guarda. Se todos os intervenientes têm acesso a todos os elementos do processo, então, há que discernir a quem serviu a divulgação.

in “A falta de constituição como arguido só pode ser uma grande distracção”

Erro de casting

Na melhor tradição de Marcelo Rebelo de Sousa, Pedro Adão e Silva tirou da cartola a lebre Ferreira Leite como candidata presidencial favorita para um cenário em que o PS seja Governo. Estava criado um facto político que surpreendeu mais por ter vindo de quem veio do que pelo nome vindo à baila. Aliás, o problema da proposta radica exclusivamente no proponente.

Na sua abstracção, o raciocínio do Pedro é bondoso e útil. Trata-se de conseguir levar o PSD de volta para a social-democracia, depois da devastação do fanatismo “liberal” que de liberal só teve a libertinagem com que nos empobreceu com cortes salariais e nos serviços do Estado e como esmagou pelos impostos. Se mais não destruíram foi porque não puderam. Valeu-nos o Tribunal Constitucional, genuíno representante do verdadeiro liberalismo. A perspectivada derrota de Passos e a sua saída da presidência do PSD abrirão essa possibilidade. Nesse cenário, o melhor seria ter um Presidente da República oriundo do tecido partidário do PSD de modo a impedir à direita radicalizações estéreis e boicotes suicidas perante um Governo socialista, e ainda a ser ponte para a união de esforços na hercúlea tarefa de reconstrução nacional à espera de patriotas. O que também fica implícito neste argumento é a previsibilidade de o PS não chegar à maioria absoluta, hipótese que poderia acabar por obrigar a um bloco central. Como se vê, estamos mergulhados em bom senso.

Destacar-se as posições de Ferreira Leite quanto à austeridade, à dívida e ao Estado social por contraposição aos fanáticos é ainda continuar a trilhar a via do bom senso. Só que a corda não chega até Belém. O bom senso cria estima, não justifica honra. E o lugar de Presidente da República, para mais estando conspurcado pelas vilanias e sectarismo de Cavaco, pede uma personalidade que tenha um trajecto impoluto de dignificação da intervenção política. Não é o caso de Ferreira Leite. E não é possível que o Pedro sofra dessa amnésia.

Conversas em família

Marcelo Rebelo de Sousa ocupa uma posição de incomparável privilégio na televisão desde o ano 2000. Até ao começo desse ciclo, teve um percurso brilhante como comentador político e director de imprensa, remontando a sua fama de sobredotado aos anos 60. Podemos neste sumário deixar de fora a sua actividade como político e jurista, facetas dialécticas nas suas esferas de acção pública e privada. Neste sentido, Marcelo é uma das mais poderosas fontes de influência da opinião pública ao longo de todo o período democrático, sendo um dos pilares identitários do que signifique ser-se de direita em Portugal. As declarações de pânico de Filomena Mónica em 2010, aquando da sua saída iminente da RTP e não se sabendo se continuaria na TV, são uma ilustração anedótica reveladora da sua importância social e ideológica.

O sucesso de Marcelo é fruto directo do seu mérito intelectual e do seu talento como comunicador. Pertence ao pequeno grupo de pessoas que nasceram para aquilo, estar frente a uma câmara de televisão como se estivessem frente a um amigo na mesa do café. Ele é um Vitorino Nemésio hiperactivo e sem pronúncia açoriana, um José Hermano Saraiva ainda mais fantasista e sem tempo para o lirismo, um Vasco Granja alérgico à paixão soviética mas continuando a explicar o mundo através de bonecos animados. Ninguém lhe contesta o monopólio, não é alvo de calúnias nem de campanhas de ódio. Que faz com tanto poder mediático? Defende os interesses da direita, os quais são os da oligarquia nacional. É um relações públicas da Igreja Católica. E diverte-se dando uso à sua verrina enquanto vai sonhando com a consagração de terminar os seus dias políticos pondo uma prolongada estadia no Palácio de Belém como cabeçalho do seu currículo e memória histórica. Seria a coroação perfeita para este eterno príncipe bem nascido, bem tratado e melhor vivido.

Ora, na homilia deste domingo, com a sua parceira de amores e fobias comuns, deu-se um facto extraordinário: Marcelo não se pronunciou sobre o artigo da advogada Paula Lourenço, no qual se denuncia – com ou sem fundamento, sendo que não se acredita que seja invenção – uma situação de falência do Estado de direito no processo judicial mais importante para a política portuguesa; posto que estão em causa suspeitas de corrupção de um primeiro-ministro e estamos a poucos meses de eleições legislativas, de imediato seguidas de eleições presidenciais, havendo impactos para o PS mesmo sem acusação formada. Marcelo não está sozinho no apagamento da questão, diga-se, sendo esse o critério dos meios e comentadores de direita, como o Observador, o Expresso, o Correio da Manhã e o Sol, pelo menos. Só que Marcelo é Marcelo – ou seja, a sua autoridade moral decorre de conseguir fazer malabarismos no arame, chegando ao ponto de ser ordinário e vil no ataque ao PS, particularmente a Sócrates et pour cause, sem com isso perder o estatuto de uma “imparcialidade” cívica última que todo o sectarismo e baixa política desculparia. Tal estatuto de provedor oficioso da moral da comunidade audiovisual não resiste à deliberada recusa em se pronunciar sobre o que parece ser o maior escândalo de sempre da Justiça portuguesa – isto, se esquecermos o escândalo das escutas ilegais e das sistemáticas fugas ao segredo de justiça com vantagens políticas óbvias e invariavelmente ao serviço da mesma agenda. No mínimo, se achasse que era uma manobra da defesa de Santos Silva e Gonçalo Trindade Ferreira para pressionar os juízes em cima do período de análise dos recursos, o que justificaria a demora com que apareceu o relato, teria a obrigação de equilibrar essa hipótese com a outra, a de poder ter acontecido uma violação grosseira dos direitos de cidadãos portugueses sob detenção da Justiça portuguesa nas pessoas de alguns dos seus mais reputados agentes. Marcelo, na prática, censurou as palavras de Paula Lourenço.

Este Marcelo censor pode então ser visto como epígono de um outro Marcelo que conheceu bem, igualmente dado a monólogos na TV. O Marcelo a cores, por estas e por outras, fica como a versão saída de um aggiornamento forçado pelo 25 de Abril do Marcelo a preto e branco. Ei-lo: