Conversas em família

Marcelo Rebelo de Sousa ocupa uma posição de incomparável privilégio na televisão desde o ano 2000. Até ao começo desse ciclo, teve um percurso brilhante como comentador político e director de imprensa, remontando a sua fama de sobredotado aos anos 60. Podemos neste sumário deixar de fora a sua actividade como político e jurista, facetas dialécticas nas suas esferas de acção pública e privada. Neste sentido, Marcelo é uma das mais poderosas fontes de influência da opinião pública ao longo de todo o período democrático, sendo um dos pilares identitários do que signifique ser-se de direita em Portugal. As declarações de pânico de Filomena Mónica em 2010, aquando da sua saída iminente da RTP e não se sabendo se continuaria na TV, são uma ilustração anedótica reveladora da sua importância social e ideológica.

O sucesso de Marcelo é fruto directo do seu mérito intelectual e do seu talento como comunicador. Pertence ao pequeno grupo de pessoas que nasceram para aquilo, estar frente a uma câmara de televisão como se estivessem frente a um amigo na mesa do café. Ele é um Vitorino Nemésio hiperactivo e sem pronúncia açoriana, um José Hermano Saraiva ainda mais fantasista e sem tempo para o lirismo, um Vasco Granja alérgico à paixão soviética mas continuando a explicar o mundo através de bonecos animados. Ninguém lhe contesta o monopólio, não é alvo de calúnias nem de campanhas de ódio. Que faz com tanto poder mediático? Defende os interesses da direita, os quais são os da oligarquia nacional. É um relações públicas da Igreja Católica. E diverte-se dando uso à sua verrina enquanto vai sonhando com a consagração de terminar os seus dias políticos pondo uma prolongada estadia no Palácio de Belém como cabeçalho do seu currículo e memória histórica. Seria a coroação perfeita para este eterno príncipe bem nascido, bem tratado e melhor vivido.

Ora, na homilia deste domingo, com a sua parceira de amores e fobias comuns, deu-se um facto extraordinário: Marcelo não se pronunciou sobre o artigo da advogada Paula Lourenço, no qual se denuncia – com ou sem fundamento, sendo que não se acredita que seja invenção – uma situação de falência do Estado de direito no processo judicial mais importante para a política portuguesa; posto que estão em causa suspeitas de corrupção de um primeiro-ministro e estamos a poucos meses de eleições legislativas, de imediato seguidas de eleições presidenciais, havendo impactos para o PS mesmo sem acusação formada. Marcelo não está sozinho no apagamento da questão, diga-se, sendo esse o critério dos meios e comentadores de direita, como o Observador, o Expresso, o Correio da Manhã e o Sol, pelo menos. Só que Marcelo é Marcelo – ou seja, a sua autoridade moral decorre de conseguir fazer malabarismos no arame, chegando ao ponto de ser ordinário e vil no ataque ao PS, particularmente a Sócrates et pour cause, sem com isso perder o estatuto de uma “imparcialidade” cívica última que todo o sectarismo e baixa política desculparia. Tal estatuto de provedor oficioso da moral da comunidade audiovisual não resiste à deliberada recusa em se pronunciar sobre o que parece ser o maior escândalo de sempre da Justiça portuguesa – isto, se esquecermos o escândalo das escutas ilegais e das sistemáticas fugas ao segredo de justiça com vantagens políticas óbvias e invariavelmente ao serviço da mesma agenda. No mínimo, se achasse que era uma manobra da defesa de Santos Silva e Gonçalo Trindade Ferreira para pressionar os juízes em cima do período de análise dos recursos, o que justificaria a demora com que apareceu o relato, teria a obrigação de equilibrar essa hipótese com a outra, a de poder ter acontecido uma violação grosseira dos direitos de cidadãos portugueses sob detenção da Justiça portuguesa nas pessoas de alguns dos seus mais reputados agentes. Marcelo, na prática, censurou as palavras de Paula Lourenço.

Este Marcelo censor pode então ser visto como epígono de um outro Marcelo que conheceu bem, igualmente dado a monólogos na TV. O Marcelo a cores, por estas e por outras, fica como a versão saída de um aggiornamento forçado pelo 25 de Abril do Marcelo a preto e branco. Ei-lo:

57 thoughts on “Conversas em família”

  1. Este Marcelo é um nojo de criatura. Como é possível darem-lhe espaço para estar todos os domingos mais de meia-hora, em horário nobre de um canal televisivo, a fazer sistemáticamente campanha pelo seu partido e pelos seus apaniguados políticos, isto é a direita, sob a forma de comentador?
    Este homem não é um comentador; é um propagandista, mas um propagandista que utiliza uma pseudo imparcialidade para, com inteligência, reconheça-se, crucificar os seus adversários políticos e enaltecer os seus amigos nos quais só encontra virtudes e nunca se divisa a mais leva critica.
    Só que, como eu, espero que já muitos milhares de portugueses se aperceberam da artimanha do vendilhão e o mandam para um certo sítio, fazendo zaping logo após a sua entrada em cena.

  2. Há homens insubstituíveis, mas muito raros.

    E Salazar era mesmo insubstituível.

    Mas Caetano fez o que pôde.

    Nunca vendeu a TAP, nem os CTT, e até nacionalizou a EEP (EDP) que era inglesa.

  3. Qual é o mal de sair ao Padrinho? O prof. Martelo só engana os
    distraídos, jamais se canditará a Belém, o seu ego não aguentava
    essa derrota ! É visível que, já teve melhores dias viram como se
    abanou na cadeira ao falar na veneranda senhora para quem não
    saiba é a drª. Manuela Ferreira Leite que, na passada semana foi
    lançada como candidata a Belém !?!

  4. O maior escândalo de sempre da Justiça portuguesa que importou na falência do Estado de direito no processo judicial mais importante para a política portuguesa chama-se «Processo dos Hemofílicos». Naquele tempo, a arguida principal escorava-se na mesma estratégia de defesa que José Sócrates – a ofensa ao bom nome, reputação e honra pessoal e institucional, perseguição política e, evidentemente, na pressão pública, tudo veiculado com fugas de informação processual. O TC, essa incrível instituição que supostamente vela pela constitucionalidade da norma e/ou sentido constitucional do preceito ( substantivo e adjetivo), mudou no caso em concreto, o cômputo prescricional em certo tipo de crimes.

    A advogada Lourenço como o advogado Araújo, erram crescentemente. O segundo, porque já devia ter medido o ACUSADOR e colaborar com a Justiça, fazendo valer a alegada razão do cliente em sede própria. Prefere, contudo, seguir com indeferimentos e alegar o conteúdo de blogues da magistratura.

    A advogada, porque devia ter aprendido que, enquanto advogada e elemento da OA, se deve calar publicamente em cumprimento do que estatutariamente está obrigada e, querendo falar, porque alega assistir a violação de direitos do seu Cliente, DIZÊ-LO em sede própria, à entidade própria. O «suponhamos» é simplesmente ou a ilustração da falta do facto suscetível de tutela jurídica, ou, existindo, a falta de CORAGEM e COMPETÊNCIA para vozear CORRETAMENTE os direitos do arguido.

    O comentador MRSousa é inteligente, por isso, não terá vozeado opinião perante o «suponhamos» – este não merece credibilidade. Ou merece-o tanto quanto a queixa crime de uma tal Elina contra a Ministra da Justiça, aquando da recente e caótica reforma da Justiça.

    Posto isto, BEM FEITO para quem gosta de aparecer no écran e nos jornais, apesar de alegar o «sem comentários», mas com uma vontade de «quero ser destaque para declarações». Afinal, os detidos são reclusos em preventiva.

  5. Também não suporto ouvir o Marcelo. Olho aquela cara e sai-me logo o pensamento: mentiroso! E pronto, não vejo nem oiço. Mas sei que ele é a “paixão” de padres e freiras, como se fosse homilia que os abades não conseguem fazer na missa dominical.
    Sobre os abusos dos super magistrados nas detenções da Operação Marquês, o que me espanta é o silêncio de todas as esquerdas. Já nem posso dizer dos “homens bons”, que parece terem atingido o limiar da extinção nesta destroçada democracia. Nunca tinha imaginado que a cobardia e má-fé dos políticos de todas as cores tivesse atingido tamanha dimensão. Não sobrou nada! Estamos a ser testemunhas (passivas) de como é fácil destruir, hoje, um Estado de direito, num curtíssimo espaço de tempo. Nem estofo temos para criar um PODEMOS. Porque os nossos hipotéticos criadores de um Syriza ou de um PODEMOS estiveram na primeira linha para colocar no poder absoluto estes filhos da mãe que nos presidem. Sintomaticamente, o homem que, num certo momento se viu obrigado a reconhecer que estava sozinho a lutar pelas “energias do país”, contra a investida dos troikanos, de fora e de dentro, está preso, humilhado e destruido. SOCRATES Eram tempos em que Mário Soares lhe dava repreensões públicas, colocando-se ao lado do presidente Cavaco pretensamente não informado dos assuntos da governação (acusava Soares, o Mário que agora vai vê-lo à prisão, mas por esses tempos fazia palestras aos jotinhas laranjas na “universidade de verão”. Batemos no fundo, amigos do Aspirina B. Os “bons” aceitam viver na mais completa chafurdice, depois de um punhado de verdadeiros gangsters ter capturado a democracia de Abril. A refinada e provocadora detenção pidesca dos presos da Operaçâo Marquês serviu para mostrar aos “democratas” quem realmente quer, pode e manda “nisto”. Na AR sentam-se um bando de ratos de todas as cores, que servem apenas para embelezar o enterro da democracia.

  6. ò IGNORANTEZE e derivativos – Vais ver e ainda hoje há carpinteiros que afinam outro tipo de vozes. Como tu privilegias os links e lhes copias a mensagem, talvez te inspires nalgum sobre esta concreta matéria – a raridade da insubstituibilidade.

  7. Ele é fartar incapacidades – várias! A democracia tem as costas largas – sobretudo quando lhe dão voz idiotas que não pensam por si próprios.

  8. o marcelo só vai a jogo se lhe garantirem o pagamento da campanha eleitoral e 2ª volta, caso contrário continuará a cagar lérias e pantomineirada no pugrama da esteticista judite.

  9. Desculpem mas o comentário anterior não era para este post mas sim para o comentário de um benfiquista
    vestido de ninfa. Será????? claro que não, não passa de um faccioso a atirar para o intelectual barato.

  10. Ò liãoe , atãoe tás taoe dispeitadu comigo que imitasss o meu nicaneime, hum? num há pruvlema, eue num mimporto, mas oube, pá, eu gosto dos broches da Cartier, sãoe girissimos e no peito ficaoe uma piquena marabilha. tás a bere? tenhu um que é um jaguarre em oiro bué da girro, e no golfe dá cá uma bistaça, que num imaginas. oqueie. oube se és maricas num há pruvlema, eue cuntinuoe a mandar-te ir darre uma curba ao bilharre grande, só dizes asnada e asneirrada. oqueie.

  11. WTF, se escreves «despeitado comigo» e que gostas dos penduricalhos e dos broches Cartier (será do modelo e dançarino Willy Cartier?) é porque o teu tirolês adquiriu mesmo novas dimensões.

  12. atãoe ó willy, tu axas que a cartier se assaloiaba cum um nique naime cumo esse teue? hum?oube, fala logu ingaleze pá, num me benhas com as siglas de tapete, pazinhu. ganda saloio.

  13. IGNATEZE, meue ganda bimbu, eu sirbo-me me salba de prata ou de oiru, pá, nunca em loiça de segunda iscolha, ganda maluco, adorras ber-te ao ispelho. oqueie. bais labar-te, ca trazandas pá.

  14. Ó tirolês: tal como os teus broches são cozidos a forno de lenha, o Willy Cartier e a outra madame que ataca no boulevard da avenida da Liberdade são franceses.

  15. Marcelo Rebelo de Sousa parece uma imitação moderna do seu mentor, porém, com ganhos em hipocria e vaidade. Veja-se e compare-se a vida pública e privada de ambos.

  16. Rapaziada, fiquem tranquilos!
    Já escolhi um novo nick,
    estou agora a experimentar: é bom este?
    Para ser honesto tenho de clarificar duas condições:
    só conta depois de tomar banho
    e
    só conta até à hora de almoço
    (o que dá umas horas).

    No resto do dia uso o numbejonada,
    e vou prós broches,
    gandas malucos aqueles bacanos
    meus amigos.

  17. ó NUMPUXONADA, IGNATEZE meue, já que tás tãoe incomodado comigo, toma lá esta polibalência mas num tisquessas qués o personagem, tá beie? oqueie.

    Sou os IGNATEZES, num puxo nada
    Nem tenho onde puxar
    Sou cumá maçaneta
    E prefiro mamar

    Sou xuxa de coração
    Chupo em qualquer coisa pública
    Subsídios é comigo
    E fui à excursão

    Ó do 44
    Pera aí que já te atendo
    Isto é uma festa diária
    Para mim, fala barato.

    Asneio de hora a hora
    com dor de cotovelo,
    do numbejonada, o meu ídolo
    E num lhe chego a roupa ao pêlo.

    oqueie, sucker, leia-se, çakare.

  18. Willy mai frénd, oube, maze, eue num tenhu nada cum os teus cunhessimentos, tás a bere, tu lá saves, onde andass e onde te furmatas pá, tás a bere?

  19. Valupi, não tem directamente a ver com o Marcelo mas gostava que me informasses, ou indicasses, ou aconselhasses um media português que não seja “de direita, como o Observador, o Expresso, o Correio da Manhã e o Sol, pelo menos”.
    Farto-me de procurar e não encontro mas pode ser aselhice minha.

  20. Ó numxuponada não te xateies cagamelo, atãoe, meteste-te cumigu e lebaste, tás abere? oube, xile aute mai frénde, querre dizerre, acalma-te, meue. ganda maluko, yo bro. querres ca traduza, hum, querres? oqueie ignateze, bá baie labarre as mãoes, ca tua voca, a gente já bimus comu xeira, ta beie?

  21. Hoje o numxuponada esteve parado até às 12:48, que é hora de ir almoçar, eu não dizia? Às 12:49 voltou o numbejonada… Cuidado, todo o cuidado durante a mijinha e o lavar as mãos nas “casas de pasto” deste país, e em todos os urinóis o Aspirima B devia declarar um alerta laranja: se virem alguém com um ar de broche cozido em forno de lenha, a falar um tirolês rústico, tendo um penduricalho na camisa florida que pareça ser um broche Cartier é ele… o numbejonada começou a atacar, cuidado!

  22. gude ivining, ó IGNATEZE, oube, atãoe gostas mesmu de mimitarres, hum? Ovrigada pur me darre impurtâmssia, ó JOSEÉ BICO Malgueta ignancio. ó pazinho tue podes assinarre cum o meue niquenaime, cuntinuass a serre secam ésse, tás a bere? oqueie, eu tarduzo, ése iscumalha da lingua e um dos democratas vurros da carneirrada. Lá bamus cantando e rindu, oqueie.comprimentos e larguras.

  23. Farto-me de rir com este ignatz, mas ele que veja no que se mete! Cuidado com bicos feitos por moreias, ainda por cima fascistas.

  24. Faz días horas vi Marcelo no Chiado.para quien está a ver tanta beleza por primeira vez em Lisboa e admirar tantos monumentos e igrexas cheas de historia, eis aquí un monumento mais. Era ele ciertamente.

  25. Ò dr. JOSÈ BICO da MALAGUETA IGNANCIO, oube, tu num largas a inflamassãoe, pá, e debes istare bué da male, pois ris-te contigo mesmu. Tu já bistes os nomes cum que bens aquie? Hum? Já? táze obcecadu, pá, fogu, fogu, ó ganda vadalhócu, és um peido em andamentu, meue. Ora beie, bolta lá prà porta da penintenciária, pá, mas oube, já num disfarças, ó cagamelo. oqueie, ó xupialista. ganda maluko.

  26. Lisboa parou a ouvir: truztruztruz. há Reis! deixem entrar na memória o espaço da cidade com luz! viva o Reis! por entre vistas da carne gelada, e pedras, que seduz!
    :-)

  27. julio obrigado, assim foi:Já de volta, tenho que dizer que fiquei namorado de Lisboa, Cinco días cheios de emoção, eu físicamente não estivera lá mas quando cheguei vi que eu também era algo do que ahi vi.
    Parabens pela linda cidade e a gente que nela vive.
    Desculpem mas para um galego como eu Lisboa é algo mais que uma cidade mais duma nação de Europa.

  28. Oh Deus so lera o comentario do Julio. Contesto-vos Olinda, Valupi. Grande abraço , espero voltar pronto. Já noutro momento farei comentarios mais longos da minha visita.
    Eu pensei nos amigos que tenho lá, do aspirina, e isso ja axuda a fazer parte de ser mais um dos lisboetas.

    O do Marcelo assim foi, e foi ontem de tarde.

  29. mas quê, Reis, o resto é paisagem? :-) que é isso de não vires ao Porto? fica aqui o convite para um petisco com prosa para quando quiseres cá vir. faço te ficar enamorado por uma francesinha feita por mim :-).

  30. as francesinhas da bécula rivalizam com os bicos do jónadas. depois de comerem essa merda podem fazer um concurso de peidos, sempre poupam na prosa.

  31. IGNATEZES, oube, toue de acordo em concretizarre eça tua sugestãoe, mas oube, para ca operaçãoe tenha sucesso, é prezizo uma cousa: quando forre altura de recitare os bersos que falas, há.-des tare presente, cum a cabeça bem por vaixo da recitaçãoe, tás aberre? oqueie.

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