Arquivo da Categoria: Valupi

Ao cuidado do “Diário de Notícias” e seu dono

Caro Marco,

Temos de falar sobre os 7 euros e 90 cêntimos que te dou mensalmente. Estou preocupado. Comecei a ficar preocupado quando apareceu o Bugalho, um dos melhores amigos do Camilo Lourenço. Depois fiquei muito preocupado quando saiu o Pedro Marques Lopes, de quem sou o maior fã no rectângulo a seguir à família, amigos e adeptos do FCP. Agora, a preocupação ameaça dar lugar ao pânico pois fiquei com a ideia de ter visto nas tuas instalações uma personagem muito parecida com a Joana Amaral Dias. Confesso que não apanhei o que disse pelo que poderá ter sido uma ilusão, uma miragem ou um pesadelo acordado. Mas também poderá ser verdade que tu ou alguém por ti se tenha lembrado de começar a dar dinheiro a essa figura de proa da indústria da calúnia. Ora, calhando confirmar-se o pior, o cenário será de catástrofe.

É que, pá, é uma catástrofe um gajo querer dar dinheiro a jornais com jornalistas que façam jornalismo e quase não ter por onde escolher por causa da poluição dos pulhas no editorialismo sectário e na opinião tóxica e decadente. O DN, até tu teres comprado a casa, era um desses últimos bastiões de integridade sob o comando do Ferreira Fernandes. Com a desinteressante Rosália Amorim, uma máquina de platitudes nos seus copiosos editoriais, começa a desenhar-se uma crise para a nossa relação financeira actual.

Vou dar-te mais uns tempos para pensares bem no assunto dos meus 7 euros e 90 cêntimos mensais, que tanta falta te fazem. Mas o relógio já está a contar. Olha no que te vais meter, são 7 euros e 90 cêntimos, praticamente 8 euros. Ao mês. Valerá a pena arriscares tamanha perda por causa de uma caluniadora profissional?

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FODA (Fear of Dating Again) is a thing now
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The role of adult playfulness in romantic life
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Study: 94% of older adults prescribed drugs that raise risk of falling
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Don’t Like Exercise? Try a Hot Tub Soak
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What happens in your brain when you ‘lose yourself’ in fiction
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Picking up a book for fun positively affects verbal abilities
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High emotional intelligence ‘can help to identify fake news’
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Perguntas simples

Se é para gamar pela calada, vale mais um gajo ir a correr inscrever-se na Maçonaria ou será melhor tentar sacar uns milhões de dinheiros públicos à pala de 1063 formandos para nove aeródromos municipais, todos na região Centro?

Saltos lógicos, afiança o mano Costa


in O século do BES e do Marquês

*_*

Mesmo entre aqueles que ficaram radiantes com o aparecimento da Operação Marquês, e com a sucessão de castigos e humilhações para Sócrates e terceiros a ele ligados, há um limite de consciência caso não tenham entrado já num buraco negro de fanatismo e de ódio sem regresso possível. Surge quando reconhecem que a transformação da acusação num megaprocesso colado ao universo BES e à PT, e ainda com a CGD à mistura, só pode vir a gerar um oceano de cocó ao bater na cachimónia de juízes que não tenham medo da pulharia – pois, após se ter amontoado 13.500.000 ficheiros informáticos (sim, treze milhões e quinhentos mil ficheiros informáticos), 53 mil páginas de papel, 35.000 escutas, recolhidos dados bancários sobre 500 contas, ouvidas mais de duas centenas de testemunhas, e vamos deixar de fora a papelada dos anexos, não se encontrou uma singela prova de corrupção. Toda a acusação está sustentada numa única e pícara testemunha chamada Hélder Bataglia, a qual relaciona Ricardo Salgado com Carlos Santos Silva contra a palavra de ambos, e a qual é considerada comprada de forma ilícita pelo Ministério Público com um análogo da delação premiada.

Ricardo Costa é um desses que se vai reposicionando caso a decisão de Ivo Rosa deixe cair a corrupção (o que, por inerência, fará cair o branqueamento) e se limite à valoração da acusação no domínio fiscal. Não é preciso ser bruxo nem especialmente dotado de sinapses para antecipar esse desfecho como o mais provável dada a demora do juiz alvo de campanhas negras incessantes na Cofina e no Observador. Se fosse com o Calex, os 10 dias previstos teriam sobrado pois ele, muito antes da acusação ter sido formulada, já tinha condenado o arguido à sua guarda constitucional através desse instituto jurídico chamado “entrevista na TV”, tendo de seguida acusado todo o sistema judicial de conspirar contra si por causa de um sorteio; assim voltando a mostrar com exuberância os predicados que lhe dão o estatuto de herói na indústria da calúnia. Pelo que, muito provavelmente, Ivo Rosa não tem parado de teclar ao longo destes longos meses do seu silêncio, tamanha a logística de engenharia reversa em causa para desmontar a montanha de nada. Se, no entanto, e contra as expectativas, a acusação de corrupção se mantiver, então, e à mesma, a demora para decidir terá ficado absolutamente justificada e terá sido feita boa Justiça. É esperar, qualquer resultado será legítimo e valioso posto que Ivo Rosa ainda não deu qualquer motivo para se duvidar da sua integridade, tem sido exactamente ao contrário.

Aqueles que montaram a Operação Marquês enganaram-se, cometeram algum tipo de erro que os levou, por descuido, para este megaprocesso considerado um monstro impossível de julgar? Nem as pedras da calçada papam essa carambolice. Rosário Teixeira e Joana Marques Vidal, algures no tempo, tiveram de tomar a seguinte decisão: continuavam a investigar na sombra com o que já tinham recolhido, na esperança de encontrar provas de corrupção que blindassem a acusação, ou avançavam para a prisão de Sócrates e consequente terramoto político e social sem elas, na fezada de que iriam aparecer quando abarbatassem os telefones e computadores dos bandidos ou quando apertassem mauzões com a escumalha nos interrogatórios? Repare-se que o calendário da Operação Marquês não foi justificado por ninguém com autoridade no mesmo. Isto é, não sabemos por que razão Sócrates foi detido no final de Novembro de 2014 e não em Outubro ou Dezembro, por exemplo. Todavia, sabemos outras coisas, factuais. Sabemos que alguém no Ministério Público – em Julho do mesmo ano – resolveu publicitar que existia uma investigação em curso a Sócrates. Qual terá sido a lógica dessa violação ao segredo de justiça? Foi para ajudar o suspeito, permitindo-lhe apagar ficheiros, destruir telemóveis e combinar versões com os seus cúmplices durante 4 meses? Ou a única explicação terá de ser encontrada num outro calendário a correr paralelo ao da investigação, o da política? À Procuradoria-Geral da República, desconfio, chegam notícias do exterior. Dava para ver que Seguro precisava de uma ajuda, tal como deu para ver que Costa, na véspera de ser entronizado secretário-geral do PS, tal coincidindo com a entrada num ano eleitoral de legislativas, precisava de uma bomba debaixo do palco donde iria começar o ataque ao passismo. Essa bomba chamou-se Operação Marquês.

A acusação que saiu em 2017 é a concretização das campanhas negras que decorriam desde 2008, altura em que ao rancor de Jardim Gonçalves e Belmiro de Azevedo, entre outros oligarcas, se juntou o de Pacheco Pereira conselheiro de Ferreira Leite e o da Casa Civil de Cavaco Silva, para onde toda a direita corria exigindo que o Presidente derrubasse o monstro, salvasse os anéis. E foi o que ele tentou fazer. Falar da Operação Marquês sem falar do Face Oculta e da Inventona de Belém não se deve à amnésia ou estupidez, é necessário para ocultar os protagonistas e suas ligações, o modus operandi e o modus faciendi, os contextos, os pretextos e os subtextos. Resumindo, como já foi dito por tantos, na Operação Marquês quis-se julgar o “regime” – ou o “sistema”, para adaptar à retórica mais recente. Mas trata-se de um “regime” e de um “sistema” reduzidos ao período entre 2005 e 2011, e que, milagre dos milagres, deve a sua corrupção à sobre-humana capacidade de um solitário gigante: José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.

Altura de perguntar ao Ricardo Costa: se em Novembro de 2014, sendo ainda muito mais gritante do que agora, não havia prova directa e era preciso dar saltos lógicos para construir uma acusação com as consequências políticas, sociais, financeiras e humanas que esta tem, uma acusação que irá provocar abalos na democracia caia para que lado cair, valeu a pena? Estás a curtir, mano?

Sócrates não mudou radicalmente o Brasil – garante este especialista na Operação Marquês

Daniel Oliveira sentiu necessidade de ir buscar Sócrates para concluir um brevíssimo apontamento em que estava em causa comentar os mais recentes desenvolvimentos na situação judicial de Lula. E o resultado é extraordinariamente ordinário.

Primeiro, não se percebe qual foi a necessidade a justificar a ida até à Ericeira naquela altura em que falou. Se houvesse algum nexo noticioso na actualidade entre a Operação Lava Jato e a Operação Marquês, ou entre Lula e Sócrates, eu não estaria agora a gastar o meu teclado. Só que não há, e foi o próprio Daniel quem garantiu que nunca houve nem haverá. A sua intervenção é apenas negativa, resolveu dizer coisas precisamente porque não havia nada para dizer. Daí ter-se armado em Zandinga do comentariado e ter feito uma profecia a respeito de Sócrates. Como bom feirante, serviu um prato onde irá sempre sair a ganhar: se se confirmar, virá a correr dar voltas à pista sob o aplauso dos colegas repetindo “Já tinha dito, eu é que o topo”; se não se confirmar, continuará a adormecer fantasiado de valentão que assustou e calou o mafarrico.

Depois, a partir do que disse podemos inferir que esta vedeta da opinião política dita de esquerda tem uma visão da Operação Marquês que não destoa em nada de nadinha de nada do que um José Manuel Fernandes, um Rui Ramos e um João Miguel Tavares martelam semanalmente: que Sócrates, independentemente do que Ivo Rosa ou qualquer outro juiz venha a decidir sobre o caso, é corrupto sem margem para a mínima dúvida; que existem provas concretas, ou de alguma maneira evidentes, de corrupção; que Rosário Teixeira e Carlos Alexandre foram exemplarmente imparciais e paladinos do Estado de direito e da Constituição ao longo de todo o processo; que não existe a menor suspeita de se ter violado o princípio do juiz natural; que a confluência do poder estatal e político de Cavaco Silva, Passos Coelho e Joana Marques Vidal na altura em que se inicia a investigação e quando se prende Sócrates é uma coincidência absolutamente irrelevante; e que, acreditem borregos, o espectáculo montado para a sua detenção no acto de regressar voluntariamente ao País, número que foi antecedido de uma violação do segredo de justiça com a finalidade de prejudicar Costa e favorecer Seguro nas eleições no PS, e número onde se distribuiu por jornalistas o racional que viria a ser usado (ipsis verbis) para justificar a sua prisão preventiva ainda antes de ter feito qualquer declaração às autoridades, tudo isto, portanto e para este bravo da esquerda pura e verdadeira, não teve qualquer significado nem importância. Ou seja, desconfiamos que o Daniel Oliveira já não vê televisão desde que desligou o aparelho lá de casa logo nos primeiros segundos da entrevista a Carlos Alexandre, em 8 de Setembro de 2016.

Finalmente, e será o aspecto mais patético (vergonhoso? assustador?) do seu argumento, vir dizer que Sócrates não é Lula porque este “mudou radicalmente o Brasil” leva-nos para o salão de convívio de Rilhafoles. Porque então, se é para entrar nessa reinação enquanto não passa o enfermeiro com os comprimidos, será de lembrar que Lula não é Churchill, que o próprio Churchill não é nenhum Obama, que o Obama jamais poderá ser um Carlos Magno, e que o dito Carlos Magno está muito longe de alguma vez vir a ser considerado um Péricles. Isto parece-me indiscutível, tão indiscutível como ver na declaração absurda deste tão calejado e profícuo comentadeiro a expressão da sua recusa em ser intelectualmente honesto para com os resultados da governação de Sócrates até ter rebentado a crise económica mundial de 2008. Com Sócrates – e daí o pânico de morte da direita e a vingança da oligarquia – houve crescimento económico, redução da pobreza, redução do desemprego, modernização do Estado, renovação das escolas e do ensino, progresso social, defesa das minorias e das mulheres, educação e formação para os mais velhos e mais carentes, investimento na ciência e na tecnologia, agressividade comercial nas exportações, vanguardismo ecológico, prestígio internacional, escrupuloso respeito pelas instituições e pelo Estado de direito, clima de total liberdade democrática. Isto é, tudo o que Sócrates ambicionou para Portugal, e que realmente começou a conseguir realizar nos primeiros três anos como primeiro-ministro, corresponde a um típico modelo de políticas social-democratas que em nada diferem do que Costa propôs ao PCP e BE para obter o seu apoio em 2015. O que é diferente está nas circunstâncias económicas e financeiras, bem distintas, de cada conjuntura mas a essência e o espírito são os mesmos, mutatis mutandis.

Não fez o mesmo que Lula no Brasil? Claro que não, até porque tal não era possível seja qual for o ponto de vista da comparação – enfim, a menos que o Sr. Oliveira explique como, recorrendo ao seu génio de estadista e notável experiência governativa, e prometo dar-lhe os 10 euros que tenho no bolso se nos obsequiar com essa fineza. O que há a realçar no persecutório acrescento que fez questão de deixar no programa é a sua lógica primária, sectária, animalesca: “Gosto do Lula, é cá dos meus, por isso dou a cara e o coiro por ele contra os pulhas. Não gosto do Sócrates, não é da minha esquerda, por isso alinho com os pulhas e contribuo no que puder para o seu linchamento.”

Vermos este papel a ser representado num estúdio da SIC, pertencente ao Grupo Impresa que dá a este artista os rendimentos mensais com que desfruta de uma qualidade de vida muito acima da média, não me parece (nem ao velho Marx) despiciendo. Será um caso de exemplar dedicação ao trabalho e, quiçá, de excesso de zelo? Não sei, embora não custe a adivinhar que o seu patrão aprecia ter as botas a brilhar. Todas lambuzadas.

Rosário Teixeira cooptou o esgoto a céu aberto


in Ivo Rosa já decidiu destino da Operação Marquês

*|*

Façamos o exercício de espremer a prosa, procurando os factos implícitos:

– É um facto que Ivo Rosa considerou ter Sérgio Azenha cometido um crime ao publicar informação a que só acedeu por usufruir do estatuto de assistente no processo.
– É um facto que o desembargador Ricardo Cardoso não só não sanciona o crime de Sérgio Azenha como lhe dá um prémio extensível a outras violações deontológicas cometidas enquanto jornalista no passado e que venha a cometer no futuro.
– É um facto que Rosário Teixeira admite que um jornal pode servir como auxiliar na produção de prova através de esquemas ocultos do público.

A partir dos factos, podemos e devemos elaborar as suposições mais prováveis:

– É uma suposição altamente provável que Rosário Teixeira tenha montado uma parceria com o jornalista Sérgio Azenha (pelo menos com ele, mas muito provavelmente com outros jornalistas, editores e directores de órgãos de comunicação social) para provocar reacções em certos alvos a partir de conteúdos veiculados pelo dito jornalista enquanto este simulava, simula ou simulará fazer jornalismo.
– É uma suposição altamente provável que Rosário Teixeira tenha fornecido ao jornalista Sérgio Azenha informações específicas, verdadeiras e/ou falsas, para desse modo obter material passível de ser incluído num processo que depende exclusivamente da “prova indirecta”, situação em que as escutas ganham mais poder indiciador ou até probatório.
– É uma suposição altamente provável que as relações entre alguns procuradores e juízes e o universo mediático da Cofina não se limite a este episódio mas que se estenda por centenas ou milhares de episódios ao longo de muitos anos, e com pública e celebrada parceria a nível institucional (participação de figuras gradas da Cofina em acções oficiais de magistrados, cobertura mediática especial, culto de personalidade a certas vedetas da “luta contra a corrupção”, ataques a adversários avulsos e a alvos políticos em sinergia com a agenda de certos procuradores e juízes).

O jornalista, Rui Gustavo, optou por contar o episódio acima descrito numa caixa à parte, assim lhe dando o merecido destaque. Embora ele não se permita deixar qualquer ilação, ela tira-se a si própria, quebra a casca do ovo e sai a rastejar: o crime da violação do segredo de justiça, e o seu uso para retirar direitos às vítimas e tentar condicionar as autoridades judiciárias, ocorre em Portugal num ecossistema que mistura abusos de poder por procuradores, crimes de jornalistas e cumplicidades de juízes, todos se protegendo mutuamente e sabendo-se blindados na capacidade para evitarem o apuramento da verdade e as respectivas consequências. Agora, ficámos a saber que é possível usar profissionais com a carteira de jornalista para iludir certos alvos e levá-los a certas respostas com utilidade para a percepção de culpabilidade donde se constrói uma acusação pelo Ministério Público.

Este quadro de obliteração do Estado de direito democrático sem que Presidente da República, Governo e partidos sequer ousem olhar a besta nos olhos conta com raríssimos denunciadores. Um deles é o Garcia Pereira, e, apesar de também não ir além da rama por razões que ignoro, o que aqui nos deixa são fatais peças deste puzzle: Onde páram agora os Moros da nossa praça?

Fedes, Tânia

Na Cofina, usa-se a liberdade de imprensa para fazer títulos onde se trata um juiz em funções como criminoso e cúmplice de criminosos. É essa a única interpretação do cabeçalho acima exposto, o enésimo ataque a Ivo Rosa e, por inerência, ao edifício judicial e à Constituição – portanto, ao interesse público e à ordem democrática. Darei 10 euros a quem me indicar qualquer resposta, por mais leve ou ambígua que seja, que tenha a assinatura de algum representante do Ministério Público, dos tribunais, da Presidência, do Governo ou dos partidos com representação parlamentar face a esta “notícia” – saída na primeira página do mais importante jornal diário nacional – onde se diz que Ivo Rosa é o inimigo nº 1 de Portugal e dos portugueses.

A intenção da Cofina, e de outros órgãos de comunicação que igualmente atacam Ivo Rosa, é a de ir explorando comercialmente o sensacionalismo, por um lado, e a de assassinar o carácter de um juiz português de forma a que se garanta um efeito de escândalo, ameaças e perseguição caso ele não conceda à Cofina et alia o troféu da confirmação em pleno da acusação do Ministério Público contra Sócrates, pelo outro.

Os representantes sindicais dos procuradores e dos juízes são useiros e vezeiros em mostrar que se sentem ameaçados pela simples existência da classe política. Classe política que não se importa de ver procuradores e juízes (quantos, quais?) a cometerem crimes em conluio com órgãos de imprensa. Crimes que aproveitam aos interesses corporativos de procuradores e juízes, ao negócio da comunicação social e à agenda de certos partidos e certos políticos. É um ciclo vicioso e viciante.

Sócrates deixou de estar sob a alçada do Estado de direito? O ostracismo e linchamento que se abate sobre a sua pessoa, e sobre a de terceiros com ele relacionados no passado e/ou no presente, tornou-se uma prova definitiva do carácter moral, cívico e político de cada um de nós. Não só pelos fundamentos da vida em comunidade onde precisamos de viver em segurança mas também, ou até mais, pelas condições subjectivas em que nos concebemos como seres merecedores de respeito, decência e justiça.

Perante a inaudita e ubíqua violência daqueles que querem consumar na “Operação Marquês” o processo político que lhe deu origem e lhe moldou o desenvolvimento, quem calar, consente. Quem consentir, quer.

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Entretanto em Rilhafoles

«No final de uma reunião por videoconferência com o Presidente da República, sobre a situação da pandemia, Rio foi questionado se concordava com o antigo chefe de Estado Cavaco Silva que, no sábado, numa iniciativa do PSD, defendeu que Portugal vive "numa situação de democracia amordaçada."

"O termo 'amordaçada' é obviamente uma questão de português, não sei exatamente o que o professor Cavaco Silva ou o professor Marcelo Rebelo de Sousa - que tem uma visão ao contrário - entendem pela palavra amordaçada. Eu não iria por aí, mas devo reconhecer que há alguns episódios onde, efetivamente, é notório que há aqui um exagero de controlo por parte do Governo", afirmou.

Como exemplos, apontou a nomeação portuguesa para a procuradoria europeia ou a transição direta do ex-ministro das Finanças Mário Centeno para o cargo de governador do Banco de Portugal.

Mas é na área da comunicação social que Rio considerou existirem sinais mais preocupantes.

"Quando nós abrimos as televisões e vimos os programas de comentários, identifiquem-nos lá comentadores que não sejam afetos ao PS e, quando não são afetos ao PS e são afetos ao PSD, [os que] não são contra a direção nacional do PSD... Isso para mim é absolutamente evidente", afirmou.

Questionado se tal é da responsabilidade dos órgãos de comunicação social ou se se deve a pressões do Governo, Rio deu uma resposta ambígua.

"Em primeira linha, é das direções das televisões que convidam aquelas pessoas ou não outras, tem de perguntar se o fazem por mote próprio ou por pressão do Governo. Há aquele termo muito popular: que determinadas pessoas são mais papistas que o papa... Não sei há mais papistas que o papa ou se é o papa diretamente", afirmou, considerando que tem sido "um fenómeno que se tem agravado ultimamente".»

Fonte

Costa: medíocre, desleixado e perfeito

António Costa não escolheu ser primeiro-ministro em pandemia, e se pudesse alterar o passado essa surgiria como uma experiência que iria manter fora das suas memórias. Não por causa do eventual desaire eleitoral nas próximas legislativas que os adversários e inimigos se babam a dar como certo em consequência da crise económica já presente e em agravamento imparável, antes por ser um dos mais ingratos papéis aquele que um primeiro-ministro tem de assumir neste tipo de crise de saúde pública – o dele e o de todos os colegas no Executivo, especialmente o da ministra da Saúde (cujo protagonismo estóico e heróico deve ser repartido com Graça Freitas que não pertence ao Governo). Aliás, o papel destas pessoas é muito mais difícil e penoso do que a semântica de “ingrato” comporta, elas estão a passar por uma vivência traumática em tudo equivalente a ficarem retidas num cenário de guerra.

António Costa também não imaginou ao longo da sua vida, até chegar às eleições de 2015 como secretário-geral do PS, que viria a ser o co-autor (mas primeiro subscritor) de uma revolução no sistema partidário português ao conseguir destruir o bloqueio à esquerda que vinha da práxis e herança de Cunhal e que se estendia a Louçã. Concorreram para tal variadas e desvairadas circunstâncias, como sempre no caldo aleatório dos acontecimentos, embora a menor das quais não terá sido a consequência trágica dos idos de Março de 2011. Foi dele, contudo, o mérito de ter aproveitado, para criar um melhor futuro para todos em Portugal, as oportunidades desse presente imprevisto que levaram ao primeiro Governo formado sem o partido com mais deputados – oportunidades que continuam a revelar-se, infelizmente, tão insólitas que parecem irrepetíveis dado o sectarismo endógeno no PCP (menos, graças a Jerónimo e aos ventos da História) e no BE (muito mais, por causa de todos lá dentro e à sua volta).

António Costa é primeiro-ministro e secretário-geral do partido mais votado numa altura em que a direita portuguesa há muito que bateu no fundo e só agora começa a suspeitar que está na altura de parar de escavar. O contraste entre a qualidade política dos quadros do PSD, CDS e IL com os do PS, PCP e Bloco é tão alto que nem dá vontade de gozar. E se enfiarmos o Chega no retrato, ao pasmo junta-se o nojo. Esta diferença de talento nos recursos humanos em cada lado do espectro não é de agora, pois há três décadas que os filhos-família, a elite da oligarquia financeira-económica, faz a sua vida fora de Portugal ou com visceral repulsa pela existência pobretana e chungosa dos políticos que queimam pestanas a legislar e sujam as mãos e a camisa no circuito da carne assada. Enquanto na esquerda o talento implica sempre uma matriz ideológica que enche motivações e agrega vontades, na direita o cinismo e o individualismo antropológicos apenas são eficientes na gestão do poder mas não conseguem ter produção intelectual por falta de alimento e vocação. O resultado é a baixa política, a chicana tribunícia, o golpismo como estímulo máximo da adrenalina e testosterona, a pulsão incontrolável para a violação do Estado de direito como prerrogativa de classe, e o erotismo do ódio político nascido do usufruto do privilégio e da ferocidade da desigualdade.

Este António Costa não tem uma Cofina que lhe persiga adversários políticos, não tem um grupo Impresa que seja arma de manipulação e arremesso ao serviço do militante nº1 do PS, não tem jornalistas altamente influentes na RTP a comportarem-se como editorialistas fanáticos para o ajudar, não tem um único órgão de comunicação que trabalhe para a sua agenda, é exactamente ao contrário. E, no entanto, consegue comunicar com a comunidade a partir dos seus defeitos e fragilidades, gerando simpatia, empatia e confiança. Liderando sondagens quando os carolas, meses antes, davam como fatal a sua queda. O fenómeno talvez esteja relacionado com uma genuína ausência de ambição pelo cargo, pelo topo da pirâmide, supostamente revelada in illo tempore em conversa com Vicente Jorge Silva. A sua mediocridade (que quer dizer normalidade, que suscita proximidade), o seu desleixo (não se importando de ser visto como friamente pragmático ou até cobarde no trato de questões de substância idealista) acabam, nesta lógica, por compor um líder perfeito para o Portugal que somos. O País que olha para a sua direita, olha para a sua esquerda, e só encontra projectos de tiranetes e ante-projectos de fantasistas.

Vamos lá a saber

Qual será a racionalidade científica e/ou sociológica para limitar os horários dos hipermercados?

Esta questão persegue-me desde o começo dos confinamentos pois a experiência de ir às compras nesses espaços parece desmentir por completo a lógica que está a justificar as limitações ao restante comércio. Os hipermercados e supermercados têm estado sempre abertos e, mesmo quando se impõem limitações à entrada, as pessoas dentro dos recintos comportam-se sem qualquer distanciamento físico. Porque tal não é possível no trânsito pelos corredores e nas bichas ou aglomerações por isto ou aquilo – com muitas cometendo várias infracções às regras de segurança e com quase todas tocando nos produtos expostos como se estivéssemos em 2019.

A evidência é necessariamente a de que a inescapável roçadura com dezenas de potenciais portadores do vírus a cada ida às compras – centenas e milhares, diariamente, para alguns funcionários dos hipermercados – não é fonte de contágios. Se fosse, os números continuariam a ter subido a pique desde Março de 2020. Nesse sentido, o bom senso parece aconselhar precisamente o contrário, a extensão dos horários dos hipermercados, o que traria a vantagem de diluir a afluência e diminuir a ansiedade nos consumidores por causa da actual redução dos horários e da presença das multidões.

Enfim, que me está a escapar?

Um dos melhores discursos presidenciais de sempre, o melhor de Marcelo

__

Na minha imaginação ingénua e romântica, ligo este discurso – finalmente sem vestígios de sectarismo ou megalomanias palacianas – à entrada de Bernardo Pires de Lima como responsável para a área política na equipa presidencial. Porque estamos perante alguém que representa a direita não decadente, a direita decente e patriótica (para dar ênfase a uma forte passagem das palavras ditas ontem na Assembleia da República).

Obviamente, não faço ideia se a conexão é real. Nem sequer sei se o Bernardo actualmente se identifica como sendo de direita, sequer de centro-direita. Porém, caso não se identifique, tenho a dizer que será pena.

A paupérrima direita portuguesa está reduzida ao mais do mesmo dos golpistas mediático-judiciais da Cofina e do Observador, dos sebastianistas de Massamá, do rancor e sonsaria de Cavaco, do desvairo patareco do Rio, do fascismo-tachismo do Ventura e do inesgotável festim dos caluniadores profissionais. Estes infelizes irão continuar o belo serviço de se afundarem no esgoto a céu aberto da sua decadência pesporrente, porque acabam por preferir o bolso cheio a qualquer sacrifício que os obrigue a pensar no interesse nacional. Pode ser bom para a esquerda mas será mau para a comunidade dos que querem viver em liberdade.

A liberdade cresce e frutifica só quando entroncada no bem comum e tendo as suas raízes mergulhadas na diversidade de tudo e de todos.

Começa a semana com isto

Resposta ao quinto fundamento da inconstância. E prova-se aqui como são mui firmes na virtude e no bem as mulheres

Quanto ao quinto fundamento contrário, em se dizer que as mulheres são inconstantes e mudáveis, digo que esta fama lançaram delas os namorados, dos quais elas, mui importunadas e combatidas, porque lhes querem lançar a perder a honra e a vida, lhes prometem muitas coisas que não cumprem; e não têm culpa, porque assim lhes fazem eles quando as requerem, que lhes prometem montes e mar de ouro e depois tudo fica no ar e com nenhuma coisa cumprem. Pois, logo, não é muito elas também serem mudáveis e não cumprirem, porque o fazem por conservar seu direito. E a quem quebra a fé, não é muito quebrarem-lha, e antes haviam de ter nisso mais rigor. E elas andam para se guardar e eles para as enganar; e por isso elas lhes fazem estes enganos e estas variedades, de que os homens comummente se queixam, e portanto lhes não devemos poer culpa.

Em as outras coisas, assim se mudam os homens como as mulheres. Quantos há que o que prometem pela manhã negam à noite, e ora querem ora negam! Algumas vezes é bom o variar, porque do sabedor é mudar em melhor o conselho, porque o que hoje parece bem, depois, por outra nova razão, não parece assim, e cada hora temos novos pareceres e não havemos de haver vergonha de corrigir nossos erros. O variar é natural aos homens e às mulheres, porque nosso estado consiste em perpétuo movimento. E não é de repreender se, segundo a variedade dos tempos, se variem os estatutos humanos; e por isso os doutores dão diversos conselhos, e as leis cada dia corrigem umas as outras, e em um reino se guarda um costume e em outro mui diferente, e uma ordem reza um costume e outra reza outro; e tudo procede da mudança que fazem os homens, aos quais naturalmente toda mudança e coisa nova apraz. E não pode menos ser na mudança das leis e estatutos, porque é tanta a malícia humana, que, para defraudar uma lei, cuidam e fazem mil malícias, donde veio o provérbio «Feita a lei, cuidada a malícia». E por isso em coisas é necessária cada ano uma lei e um corregimento. Assim que todas as coisas se mudam, homens, mulheres e tempos; e por isso não nos devemos espantar das mulheres, as quais, por se guardarem de nossos enganos, não é muito que nos enganem, como a que dependurou a Virgílio no cesto. Onde vem que dizem os juristas que a mulher casada que for doutrem requerida pode dizê-lo ao marido e dar hora ao amigo para que venha e o espanque sem ter, por isso, pena. E portanto esta inconstância em toda parte se acha, e muitas houve que foram mui firmes.


[…]

Espelho de casados – Dr. João de Barros – 1540

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Quick-learning cuttlefish pass ‘the marshmallow test’
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Bute dar dinheiro à Netflix

Chama-se Ethos, ou então Bir Baskadir.

Passa-se em Instambul, ou então no mundo.

Descreve o choque cultural e social na Turquia contemporânea, ou então descreve o conflito universal entre sociedades rurais e indivíduos urbanos.

Permite-nos descobrir o quotidiano de um país do Médio Oriente, ou então do mais exótico país europeu.

Revela dimensões da religiosidade muçulmana com as quais até ateus se podem identificar, ou então ao contrário.

Tem actores muito bons, ou então tem uma excelente direcção de actores.

Para lá destas suficientes razões para descobrir uma bela obra de ficção, talvez as histórias contadas sejam mais próximas da vivência e valores portugueses, do nosso “ethos”, do que se fosse uma série televisiva criada na Finlândia, na Alemanha ou na Inglaterra. Tem ainda dois bónus para a audiência lusitana: uma referência directa a Portugal, num dos episódios, e dá a ver em palco um autêntico sósia do Tony Carreira, tanto no fácies, como no visual, como na musiqueta.

À atenção dos forretas: a Netflix não se importa de ser gamada, pelo que é possível ver tudo à borla; basta aproveitar o mês de oferta e desistir a seguir.