Ao cuidado do “Diário de Notícias” e seu dono

Caro Marco,

Temos de falar sobre os 7 euros e 90 cêntimos que te dou mensalmente. Estou preocupado. Comecei a ficar preocupado quando apareceu o Bugalho, um dos melhores amigos do Camilo Lourenço. Depois fiquei muito preocupado quando saiu o Pedro Marques Lopes, de quem sou o maior fã no rectângulo a seguir à família, amigos e adeptos do FCP. Agora, a preocupação ameaça dar lugar ao pânico pois fiquei com a ideia de ter visto nas tuas instalações uma personagem muito parecida com a Joana Amaral Dias. Confesso que não apanhei o que disse pelo que poderá ter sido uma ilusão, uma miragem ou um pesadelo acordado. Mas também poderá ser verdade que tu ou alguém por ti se tenha lembrado de começar a dar dinheiro a essa figura de proa da indústria da calúnia. Ora, calhando confirmar-se o pior, o cenário será de catástrofe.

É que, pá, é uma catástrofe um gajo querer dar dinheiro a jornais com jornalistas que façam jornalismo e quase não ter por onde escolher por causa da poluição dos pulhas no editorialismo sectário e na opinião tóxica e decadente. O DN, até tu teres comprado a casa, era um desses últimos bastiões de integridade sob o comando do Ferreira Fernandes. Com a desinteressante Rosália Amorim, uma máquina de platitudes nos seus copiosos editoriais, começa a desenhar-se uma crise para a nossa relação financeira actual.

Vou dar-te mais uns tempos para pensares bem no assunto dos meus 7 euros e 90 cêntimos mensais, que tanta falta te fazem. Mas o relógio já está a contar. Olha no que te vais meter, são 7 euros e 90 cêntimos, praticamente 8 euros. Ao mês. Valerá a pena arriscares tamanha perda por causa de uma caluniadora profissional?

7 thoughts on “Ao cuidado do “Diário de Notícias” e seu dono”

  1. O DN é o “meu” jornal há muitos anos, e também estou a ficar desiludido com o que lá se vem passando nos últimos tempos. Primeiro o Bugalho, agora a Dias, começa a ser de mais. Ainda não larguei, até porque não saberia para onde ir. Mas está por pouco.

  2. o galinha quando era puto foi ao cine teatro de porto de mós ver o jurassic park e quando regressou a casa pediu ao pai para fazer uma cena daquelas numa pedreira da família que estava inativa, cheia de sucata e empregados à espera do patrão. o pai do moço estava mais virado para receber algum do que gastar umas coroas nos caprichos do filho e vai d’aí falou com o contabilista e mandou vir o quercus, ou equivalente à data, para estudar a possibilidade de transformarem a pedreira em património da natureza e entrar com monte de sucata para os cálculos indemnizatórios da negociata. foi assim que descobriram pegadas de dinossauro e receberam uma indemnização fabulosa pelo filho ter visto o filme do spilberg. a partir daí entraram no mundo dos ricos e do glamour empresarial da era cavaco e a galinha dos ovos de dinossauro nunca mais parou. portantes o futuro do diário notícias não vai ser muito diferente.

  3. Queriam imprensa livre ou, pelo menos, com alguma imparcialidade e independência? É fácil, fundem e dirijam um jornal com essas caracteristicas, porque actualmente, em Portugal, não há nenhum, é que nem sequer um. É triste, mas é a pura das realidades, na apagada e vil tristeza deste país.

  4. Renzo, porque é que acha “fácil” fundar um jornal em Portugal, ainda por cima um que faça da isenção e da independência a sua bandeira? Estou mais inclinado a achar tal projecto uma impossibilidade.

    É preciso ter suficiente poder económico para se poder perder dinheiro com um jornal em Portugal. Todos são deficitários. Ora quem tem poder económico está plenamente satisfeito com o Público, o CM, o JN e o Expresso no que respeita ao jornal de papel, com a SIC, a TVI e a CMTV no que respeita à televisão e ainda com as versões online de tudo isso, mais a TSF, o Observador e pouco mais.

    A RTP – televisão e rádio – muda alguma coisa nessa situação, dado ser a única onde o poder económico e a direita não imperam, pelo menos directamente, e isso reflecte-se no maior pluralismo e menor enviesamento da informação. O deficit da RTP é pago pelos contribuintes, pelo que a empresa é em princípio obrigada a assegurar o pluralismo (um somatório de parcialidades) e também a tal imparcialidade informativa, que de resto é sempre alvo de controvérsias. Mas mesmo a RTP não está de pedra e cal, pois tem sido repetidamente ameaçada de extinção pela direita nas últimas décadas.

    Quem não é de direita, em Portugal, tem basicamente duas maneiras de reagir ao dominante condicionamento e enviesamento direitista da informação e da opinião. Para a informação interna, é tentar seleccionar as notícias e as colunas pelos jornalistas e comentadores que as produzem, saltitando de canal em canal, de rádio em rádio, de site em site e vice-versa, fazendo do zapping e da migração entre fontes uma ferramenta primordial para a manutenção da saúde mental. Para a informação externa, é mais fácil, porque há jornais bastante legíveis e mais ou menos isentos em quase todos os países civilizados, e todos estão online. Além disso, por 30 ou 50 euros anuais posso ter acesso a um dos melhores jornais do mundo.

    Mas há uma terceira maneira de reagir à mordaça direitista: é não dar um cêntimo à Sonaecom, à Impresa, à Cofina, à Media Capital e às outras chafaricas. É obrigá-las a ter um prejuízo ainda maior.

    Volto à questão inicial: quem é que em Portugal tem dinheiro e está interessado em perdê-lo apenas e somente para manter um jornal isento, plural e independente? A resposta é, obviamente, ninguém. Já nem falo do problema que é haver cada vez menos leitores de jornais

  5. Foda-se !
    Toda a gente implica comigo !
    Com relação ao tema, tou comó Júlio, presentemente, opto por ler jornais estrangeiros .
    Que obviamente têm notícias estrangeiras .
    A única coisa garantida como certa na imprensa escrita, é o obituário .

  6. não querendo chover na vossa festa, isso dos jornais estrangeiros não será por não estarem sufientemente por dentro da politica interna dos tais países estrangeiros? o poder económico que aqui manipula a informação não o fará lá fora? é mais fraco? não há jornais completamente alinhados com espectros/partidos políticos em Inglaterra? em Espanha? na França?

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