Exactissimamente

108 thoughts on “Exactissimamente”

  1. A declaração de António Costa, concorde-se ou não, é clara, compreensível. Os dois comentários não o são, exactamente. É pena porque o assunto é demasiado importante, para ser tratado assim. Talvez incompreensão minha.

  2. o antónio costa é primeiro ministro portanto deve saber do que fala, se não souber pode ser que se lixe ou passe a falar menos.
    o pedroso anda em bicos de pés para ser qualquer coisa e diz qualquer coisa com a autoridade de ter sido qualquer coisa. pode ser que o bloco o recrute para dizer as coisas que a catarina diz no mesmo tom de voz e que já estamos fartos de ouvir.
    a marina é boa profissional e engana-se pouco, deve saber do que fala.

  3. como diria o mamadou, olha dois brancos a dar lições de racismo a um indiano, o que ainda se tem que ver em 2021

  4. Eu penso que resulta claro do que o Costa disse que a referência ao Mamadou Ba teve apenas que ver com Portugal ser um país racista ou não. Ele vê que Mamadou acha que sim (desejaria que sim? – Enfim, é seu papel carregar na tónica do racismo), mas todas as instâncias internacionais concluem que não, depois de avaliadas as políticas de integração e de acolhimento de minorias do país. É disso que ele está a falar. O resto é lama gratuita.

  5. donde se conclui que o governo criou em janeiro passado um grupo de trabalho para prevenir e combater uma coisa que as instâncias internacionais dizem não existir em portugal e as estâncias balneares nacionais resolveram dar emprego a 21 marmanjos para fomentar turismo étnico.

  6. Semântico: Portugal não é genericamente um país racista. Isto não é um chavão. Quer apenas dizer que a grande maioria da população não considera a existência de “raças” inferiores e quer dizer também que as políticas públicas visam a integração das minorias. Nada disto exclui o facto muito real de existirem portugueses racistas. E porque o perigo de discriminação existe, criam-se ou apoiam-se instituições que visam prevenir e combater o racismo. Qual a polémica aqui mesmo?

  7. 1. Para a maioria das Pessoas (incluindo as de diferentes cor-de-pele) este Bu é racista.

    2. E faz disso o seu ganha-pão. Assim como milhares de indigentes, que vivem destas associações anti-Portugal, pagos pelos impostos de quem tem orgulho em ser Português. E que não abdicará de lutar contra este ataque à sua Identidade.

    3. Tal como fizemos em 1975, quando, por todo o País nos levantámos, obrigando os Esquerdistas a correrem à pressa para a Alameda, e pedirem-nos desculpa. O Carlucci já apontava os barcos ao Tejo, e os países democráticos da Europa já tinham dito que cortavam o dinheiro aos Abrilistas.

    4. Este Bu, e quem o apoia, usa o mesmo ataque xenófobo, extremista e anti-democrático que os partidos de Esquerda (incluindo o PS) fizeram no 25abril, e na discussão da Constituição na Assembleia Constituinte. Está lá, para os vindouros lerem.

    5. As declarações de António Costa… são o estertor do Regime Abrilista.

    6. O Regime Abrilista (47 anos de oscilação PS-PSD, e dos acólitos de esquerda e de direita que foram capturados pela força dessa gravidade) desmorona-se a cada dia que passa. Está a cair como um castelo-de-cartas.

  8. ” Quer apenas dizer que a grande maioria da população…”

    grande maioria quer dizer exactamente o quê e como? 50% + 1, sondagem, referendo ou é fézada au pif?

    “Nada disto exclui o facto muito real de existirem portugueses racistas.”

    onde, quantos e o grau de perigosidade. basta fazerem uma revista em tronco nu às forças armadas, gnr, sef e polícia, contar as tatuagens de patos donald com bigodinho e cruzes gamadas.

    resumindo: não há, mas pode haver. só o saberemos quando forem legalizados e recenceados, mas entretanto vamos negando que exista problema para não assustar a direita.

  9. Pois, o assunto é muito difícil (até o sistema de “spam” do WordPress quis participar na conversa ao suspender a publicação do último comentário da Penelope, ironicamente devido, precisamente, à semântica ) mas por causa desse obstáculo nascido da sua complexidade devemos tratá-lo com mais recursos cognitivos. Ou seja, devemos ser objectivos, analíticos. Precisamos de ser críticos dos outros, o que fazemos continuamente, e de nós próprios, o que nem todos fazem ou nem sempre fazemos ou muito menos do que as ocasiões propiciam.

    Assim, é óbvio que Portugal não é um país racista. As nossas leis não o permitem, por um lado, e penalizam-no, por outro. Portugal também não é um país racista ao nível da expressão política e sociológica, pois não existe qualquer força política que ameace ter poder para conseguir alterar o quadro constitucional e legal que criminaliza o racismo, assim como não existe um discurso racista na sociedade (venha de populares ou intelectuais) que tenha massa suficiente para ser caracterizador da mesma. Dito isto, em Portugal há racismo – como acontece em qualquer outra parte do mundo.

    Há racismo ideológico, na cabeça de alguns malucos. Há racismo económico e estrutural ou sistémico, em muitas áreas (incluindo aqui partidos e organizações sociais) que não aplicam critérios de diversidade na contratação ou promoção de recursos humanos. E há racismo antropológico, essa reacção instintiva que nos faz temer – portanto, que nos leva a excluir e a discriminar – quem não pertence ao nosso grupo identitário. Esta resposta não se esgota no fenómeno corporal e epidérmico contrastante (as “cores” da pele, os rostos, os cabelos) mas pode nascer por qualquer outra marca identitária, como a língua, costumes, religião, estatuto social, idade, sexo, apelo sexual. Logo, por mais que “as pessoas normais” não admitam serem racistas, posto que não alimentam qualquer ideia acerca da superioridade de qualquer raça e posto que se concebem como defensoras da igualdade e dos direitos humanos, tal não impede que as suas escolhas estejam a contribuir para a perca de direitos e oportunidades para um dado grupo minoritário ou indivíduos avulsos a ele pertencentes. A pulsão antropológica para recear os estranhos, função inerente ao instinto de sobrevivência, gera mecanismos cognitivos automáticos que nos fazem apagar interiormente a dissonância cognitiva entre as nossas regras para exibir publicamente e o nosso comportamento privado. Este fenómeno começa por ser universalmente neutro mas, na civilização onde quereremos viver, acaba por se tornar imoral caso ocorra em adultos com literacia funcional capazes de exercer o direito de voto.

    O que nos leva para a polémica acima retratada por dois excelentes cidadãos, Marina Costa Lobo e Paulo Pedroso. Eles estão a comentar uma frase do primeiro-ministro, também excelente pessoa e de certeza absoluta alguém que abomina o racismo e tudo gostaria de fazer acabar com ele, frase essa que é análoga à de Trump quando comentou a violência racista em Charlottesville. Acerca desse episódio, deixou esta frase para a História: “you also had people that were very fine people, on both sides.” A Marina e o Paulo estão a reagir à constatação de estarem perante a mesma lógica, agora vinda de quem é o líder político mais importante em Portugal na actualidade, e personalidade que não podia ser mais antinómica com o que Trump representa e é. O escândalo justifica-se.

    Claro que se pode desvalorizar e relativizar a situação, remetendo-a para as espontâneas ocorrências do discurso falado e sua falta de preparação e rigor. Contudo, parece-me bem melhor agarrar no caso para exibir o que nele é inaceitável, mesmo abominável, pese não passar de uma questão menor dentro da problemática: Ventura está ao ataque, Mamadu está à defesa; Ventura ataca usando arsenal retórico racista e fascista, Mamadu defende-se usando princípios humanitários; Ventura usa o apelo ao racismo e ao medo como projecto de conquista de poder político para si, Mamadu luta contra o racismo e os racistas em nome de todas as suas vítimas e com a finalidade de acabar com esse tipo de violência.

    Não há, não pode haver, qualquer equivalência. E essa consciência fica ainda mais aguda quando Costa, na ocasião, não justificou em que se baseou para nivelar Mamadu com Ventura. Logo, temos o direito e o dever de exigir que se retracte ou, pelo menos, que se explique melhor caso pretenda ter alguma autoridade moral na matéria.

    É ver: https://www.youtube.com/watch?v=tcqG8IZdPZQ

    E rever: https://www.youtube.com/watch?v=Q_xmPeqcD_A

  10. O primeiro ministro de Portugal , desta vez , merece um dez , numa escala de um a 10. e sim a ascendência dele não é para aqui chamada , a avaliação da sensatez duma pessoa não depende de ser de goa ou lisboa ; ou dessas categorias jurássicas de esquerda /direita. o sectarismo nunca levou a lado nenhum.

  11. Valupi: Tudo certíssimo, excepto que eu nao me indignei com o que disse o Costa neste contexto, peço desculpa. Ouvindo novamente os dois discursos, continuo a não me indignar. Os apelos à punição dos brancos pelo colonialismo por parte de elementos das minorias residentes em Portugal que assumem as dores de povos antigos só por terem nascido em África e terem determinada cor de pele são tão inaceitáveis e tão mal recebidos que dão popularidade e sucesso a uma criatura, como o Ventura, que devia estar nas cavernas. São discursos perigosos, que polarizam a sociedade e instalam o ódio. Penso que foi isso que o Costa quis confrontar. Não somos obrigados a concordar com tudo o que o Mamadou diz, muito menos por paternalismo, e sobretudo se vemos que as suas palavras não favorecem em nada a sua causa.

  12. Mas, Valupi, amigos como dantes? Não sou, nem de perto nem de longe advogada do Costa, mas concordarás que, antes de falar no Mamadou Ba, ele caracterizou bem o fenómeno da sobrevaloração do Ventura e dos factores que para isso contribuem, entre os quais um certo radicalismo de esquerda em relação à nossa história.

  13. Valupi está a faltar à verdade, naquilo que afirmou sobre Mamadou Bu.
    Está a tentar desculpá-lo, para acomodar a ideologia que Valupi professa.
    Valupi está a ser, ainda, ingénua.
    Este seu Post é um acto de desespero, perante a constatação de que Mamadou Bu é racista contra os portugueses e os brancos e pretos que Fanon lhe ensinou na Academia a perseguir.
    Mas o pior, é Valupi não compreender qual é a causa, de que o racismo e outros pretextos circunstanciais são apenas o interruptor.
    Já houve três grandes ensaios em três manifestações de rua, para preparar o que aí vem. Talvez Valupi devesse pedir a alguém que lhe faculte aquilo que as autoridades policiais e militares andam a ver nesse movimentos, que extravasa muito Portugal.

  14. Penélope, Costa falou bem do Ventura, vai sem discussão, o problema está em ter falado mal do Mamadu – problema só para quem o veja como tal pois em si mesmas as palavras são inócuas, amanhã estão esquecidas, e permitem interpretações muito diferentes e todas legítimas.

    Para quem se indignou, ele falou mal do Mamadu porque não sabemos em que se baseia para ter equiparado o seu papel, e o seu discurso, com o papel e discurso de Ventura. Daí eu ter ido buscar aquela parte do discurso do Mamadu que mais polémica gerou, a seguir a ter chamado “bosta” à polícia num momento de intensa emoção por causa de episódios com intervenções de força das autoridades. Se ouviste o mesmo que eu no vídeo, não ouviste nenhum apelo “à punição dos brancos pelo colonialismo”. Nenhum de nenhum. O que há é um discurso densamente intelectual onde a expressão “morte do homem branco” se refere a um símbolo político, histórico, sociológico e psicológico, múltiplas dimensões do colonialismo e dos colonizadores. Mamadu Ba, dentro do que me chegou ao conhecimento, jamais apelou à violação de qualquer lei e ao exercício da violência. E seria absurdo e suicida para a sua causa que viesse promover actos de violência contra seres humanos inocentes só porque são “brancos”. Essa leitura daquele contexto gravado em vídeo não é intelectualmente honesta e tem de ser denunciada implacavelmente.

    Costa não foi forçado por cano de pistola a balizar o debate sobre o racismo entre um populista chungoso e um activista da luta contra o racismo com o qual ninguém está obrigado a concordar no todo ou na parte. Foi uma opção dele, cuja lógica e vantagem seja para o que for de útil e bondoso escapa a quem se indigna com a mesma. Acresce que nós brancos, castanhos ou amarelos que não sejamos vítimas de discriminação por causa da pele podemos muito facilmente apagar por completo a empatia e o respeito pelos princípios, não reconhecendo naquele que sofre o sofrimento que nasce da sua condição física, étnica, social.

    Calhando isso nos acontecer, depois ainda projectamos nessas vítimas a nossa própria condição, exigindo que elas se calem, ou que falem baixinho, ou que tenham maneiras caso pretendam obter a nossa tolerância. Ou seja, há uma pulsão antropológica para dizer dos ataques de ódio do Ventura “ele no fundo tem razão”, dado ele parecer um de nós, e para dizer dos gritos de defesa do Mamadu “apesar de ter razão, devia ter maneiras, respeitinho”, dado parecer muito diferente de nós.

    Solução? A mesma que criou a civilização: pensar para além dos sentidos e da animalidade.

  15. O diálogo entre Penélope e Valupi parece aquele que, na série “Os Marretas”, dois velhos protagonizavam num camarote de um teatro.
    Julgam que o Povo não tem memória.
    Julgam que o Ventura não está bem preparado e documentado. E lhes é inferior.
    Apelidam o Ventura de “perigoso”, de um fenómeno “sobrevalorizado”, que é “racista” e “fascista”. E outros dislates dignos de uma comédia do Parque Mayer.
    E não têem vergonha?
    Basta consultar o arquivo da Assembleia da República, e ler o que disseram os partidos das vossas ideologias durante os anos que impuseram o 25Abril, pela calada da noite, com chaimites, assaltando todos os meios de comunicação social.
    Experimentem ler as declarações de voto na aprovação da Constituição pela Assembleia Constituinte.
    O Ventura brinca com essas vossas narrativas.
    São elas que lhe aumentam o pecúlio de votos.
    Acordem!

  16. Subscrevo a Penélope das 22.08 e não reconheço ao Mamadou, apenas por ser “mais negro”, mais legitimidade para se autopromover a representante máximo do anti-racismo. Até porque António Costa, geralmente “classificado” como “goês”, também tem, tanto quanto julgo saber, ascendência africana negra e não apenas goesa. A não ser que Ba considere a sua “negritude” mais pura, representativa e legítima do que a de Costa.

    Quando Paulo Pedroso diz que Costa alinha “numa equivalência entre Ba e Ventura que põe a defesa do racismo no mesmo plano da sua condenação”, tenho como errada a convicção de que a agenda de Ba seja a “condenação” do racismo. Parece-me mais uma cópia, uma clonagem, do guião americano de um anti-racismo plastificado, oportunista e hipócrita que em nada contribui para combater o racismo estrutural na América e cuja tónica principal é a questão das “indemnizações”, das “compensações financeiras” que os brancos devem pagar pelos prejuízos que a escravatura causou aos negros. Mamadou Ba, que de estúpido não tem nada, sabe que a “perspectiva”, mesmo que longínqua, de recebimento de umas coroas é aliciante para muitos que têm muito pouco e que isso poderá arregimentar algum apoio e militância à sua “cruzada”. Creio que é nisso que aposta, mas algum ressabiamento, por vezes a raiar o rancor, que não consegue disfarçar em nada o ajudará na campanha.

  17. Repito, que talvez seja incompreensão minha, mas onde, em que errou, (muito, pouco ou nada), António Costa quando disse que nem Ventura nem Mamadou representam aquilo que é o sentimento da generalidade do país, felizmente? Alguém explicou com clareza e simplicidade que, infelizmente, não é assim ?

  18. o sr pedroso acima é o mesmo pedroso que foi mandatário da sra ana gomes, certo?
    não é uma coisa que o desqualifique, mas permite conhecer a forma como olha a realidade.

    nem a nível prático nem teórico, a maioria dos portugueses se revê no sr ventura ou no sr ba.
    apenas não gosta de nenhum: são os dois retintamente racistas, fazem disso o seu ganha pão.

    dizia o outro embaixador, citando alguém ou citando-se, “de médico, de louco e de racista, todos temos um pouco”

  19. Discutir o racismo, que se inscreve na nossa própria genética, dificilmente vai levar a curto prazo a uma reviravolta nessa predisposição. Chegaremos lá daqui a algum tempo. Muito ou pouco desconheço. Isto vai continuar a ser discutido por olhares diferentes. O olhar do racista básico traduzido em vai mas é i para a tua terra, o olhar de quem acha que MBa podia ser mais moderado quando se expressa, afinal ele está integrado na nossa sociedade, este é o meu olhar, e o de quem considera que um branco , nesta discussão quase não pode pedir uma discussão acerca deste assunto pois tem de pagar por ele. Sendo assim os alemães hoje seriam todos ainda nazis, os portugueses membros do Santo Ofício e há mais exs. mas estes chegam. A propósito hoje li que uma investigadora da obra de Eça de Queiroz descobriu “opiniões/discurso racista” na sua escrita. É aqui que os puristas querem chegar? Duvido deste caminho. Ah compreendo mais rapidamente as revoltas expontaneas de quem sente que tem menos condições como e onde vive do que estás discussões de intelectuais, no fundo defendo-as a partida.

  20. Depois de muito mais parra do que uva, parece que se chega mais ou menos à conclusão que o que António Costa disse, disse bem e com toda a razão: “nem Ventura nem Mamadou representam aquilo que é o sentimento da generalidade do país. felizmente.”

  21. Manojas, eu mudaria o advérbio para “infelizmente”, porque se o sentimento da generalidade do País não é o de apoiar quem se defende de racistas e luta contra o racismo então tal apatia ou cobardia é que está a explicar o crescente sucesso – portanto, o perigo cada vez maior – de Ventura.

  22. Discordo totalmente da dilatação semântica dos termos racismo e racista, abuso que se está a tornar dominante no linguajar do dia a dia. Já aqui o disse há tempos num comentário, não me vou repetir.
    O mesmo se passa com os termos fascismo e fascista. Quem não quer perceber a diferença entre preconceito racial, discriminação racial e racismo, também não costuma querer perceber a diferença entre conservadorismo (ou até reaccionarismo) e fascismo. Mamadou Ba é useiro e vezeiro nestas e outras confusões deliberadas. Não se trata só de palavras, mas da análise que lhes está subjacente. O homem não tem nada de burro, como aí se diz, mas denota forte inclinação pelo primarismo na argumentação, tal como o Ventura. Penso que os primarismos na análise dos fenómenos sociais, nomeadamente das questões raciais, são perigosos. Acicatam ódios, apelam a instintos básicos, em lugar de incentivar a análise lúcida.
    Nas palavras de Costa não vejo nenhuma “equiparação” nem “equivalência” entre Ba e Ventura. Ele apenas disse que nem Ba nem Ventura representam o sentir da generalidade do país, o que é felizmente verdade. Há muitas outras coisas que não representam os sentimentos predominantes dos portugueses. Ver nisso “equivalência” ou uma “condenação no mesmo pé”, como faz o Pedroso, é uma deturpação deliberada, aliás natural num ressabiado apoiante da ressabiada Ana Gomes. Se eu afirmar que a maioria dos portugueses não se revê nem no fascismo nem no comunismo, estarei a insinuar que fascismo e comunismo são “equivalentes” ou a “condenar ambos no mesmo pé”?

  23. Júlio, traz aí umas citações do Mamadu onde ele faça confusões deliberadas, para minha ilustração. Não estou a ser irónico, apenas curioso e disposto a dar-te razão se a tiveres. Força nisso!

  24. Concordo totalmente com o Valupi e com o Paulo Pedroso.

    O discurso “ninguém é racista a partir do momento em que todos repudiamos o racismo biologico pseudo-cientifico” é de uma total hipocrisia. Com iniciativas e solgans mais ou menos felizes, o que Mamadou Ba pretende não tem nada a ver com privilégios, mas tão so com uma exigência de igualdade substancial, de igualdade que não se fique pela forma e que não se satisfaça com as aparências, justificando as disciminações obvias que a nossa sociedade permite, quando não as encoraja. A sociedade portuguesa, apesar de condenar formalmente o racismo, não deixa de ser desigualitaria e o Costa devia sabê-lo, até porque ele é uma vitima regular de insultos racistas enquanto “indiano”. Nesta matéria, não existem duas posições igualmente excessivas e uma virtude mediana. Ha quem se identifique com a exigência de igualdade verdadeira, e não apenas de papel, e quem se acomode com o sistema hipocrita que apresenta as desigualdades sociais como naturais. Se ainda existe um dominio em que tem sentido fazer a diferença entre esquerda e direita, é este. O que diz o Pedroso , com o aplauso do Valupi, é a unica forma de ser de esquerda que conheço. A afirmação do Costa – por quem tenho muita consideração – é um erro politico obvio. E grave.

    Quanto às miseraveis considerações da Penélope e do Julio, apenas têm a virtude de ilustrar por que caminhos tortos a nossa ma consciência passa, para revestir o racismo e o desprezo de uma indumentaria que salve as aparências.

    Boas

  25. Val: além de ele nunca fazer quaisquer distinções quando fala de racismo e racistas, chama facho e fascistoide a torto e a direito a qualquer tipo de direita — como o Nuno Melo, porque falou de “pessoas de bem”, expressão que Ba imediatamente conotou com o Ventura.

    Difícil ou impossível seria encontrar uma prosa, uma entrevista ou um tweet de Ba em que ele se dê ao trabalho de fazer distinções entre aqueles que condena. Vai tudo a eito pela mesma rasa. Evidentemente, não conheço tudo o que ele até hoje disse ou escreveu.

    Sobre a sua ligeireza, se não irresponsabilidade, grave em alguém com as funções que ele detém, poderia citar aquele passo duma recente mesa-redonda em que ele advogava, citando Frantz Fanon, que “é preciso matar o homem branco”. Não era propriamente um apelo à violência indiscriminada (e racista) contra os brancos, como depois se viu quando corrigiu para “é preciso matar o homem branco assassino, colonialista e racista”. Mesmo assim, o “matar o homem branco” pode vir a ser entendido como um apelo à violência racial por gente primária que o ouça, que não tenha lido Fanon e tenha pouca queda para figuras de retórica. Sobretudo, ao advogá-lo, Ba descredibiliza-se como dirigente da SOS Racismo.

  26. Inexactissimamente.

    “Nem André Ventura nem Mamadu Ba representam aquilo que é o sentimento da generalidade do país. Felizmente.”

    Realmente o que é que esta declaração de AC tem a ver com o que intencionalmente entenderam e dizem os dois tolos Marina Costa Lobo e o Paulo Pedroso para além de quererem comprar uma polémica com o PM para, tal como fez João Miguel Tavares com Sócrates e fazem muitos sempre, afim de chamar a atenção para si próprios?
    A Marina, essa sim, levanta a suspeita sobre si própria de ser algo racista quando levanta a questão a despropósito da condição de ascendência goesa de AC; vá lá, não o chamou de “monhé” como provavelmente fará em família.
    E, claro, depois de sugerir racistamente o ser “goês” de AC serve-se dessa condição do PM para lhe lançar o anátema de que sendo Costa o primeiro ministro e de outra raça não querer representar MB. Mas AC não diz que não o representa, pois é de sua função e dever democrático representar todos portugueses, mas antes que são a maioria dos portugueses que não se vêem representados pelos dois extremos oposto; o racismo de Ventura e o anti-racismo de Mamadu Ba.
    A prova de verdade de Costa é evidente quando a maioria dos portugueses votam ao centro e rejeitam os radicalismos extremistas.

    “Mas é relevante que alinhe numa equivalência entre Ba e Ventura que põe a defesa do racismo no mesmo plano da sua condenação. ”

    Este sociólogo não percebe a noção de “equivalente” e de um salto mágico teslê e passa a descrever uma equivalência inventada para descarregar um incontido ressentimento contra Costa.
    O termo equivalente é uma noção da física e não do sociológico; o equivalente em sociológia pode ser considerado uma igualdade de situações ou modos de vida semelhantes mas não na física; nesta um “equivalente” são duas coisas ou matérias diferentes que causam os mesmos efeitos, por exemplo; um CV (cavalo vapor) equivale a 0,7355 KW ou 37 ºC eqivalem a 98,6 ºF ou quando dizemos que a bomba de Hiroxima equivale a tantos milhões de bombas de dinamite ou que o poder calorífico do hidrogénio é 3,5 vezes o do carbono, etc.
    Ora Costa não se refere a nenhum equivalente quer directa quer indirectamente que inventado e referido por Paulo Pedroso sugere que, tal como a Marina usou o “goês” o Paulo inventou um equivalente para provocar uma contenda polémica nos média e, para meu espanto, também aqui.
    Claro, Costa não respondeu às provocações.

  27. Que tristeza de comentarios, foda-se. Quando o Pedroso diz que é inaceitavel colocar o “racismo” e o “anti-racismo” numa posição simétrica como se fossem duas realidades redutiveis a um excesso, e comparaveis ou mesmo equivalentes, qual é a parte que não percebem ?

    Ah, o Ventura não é racista, ja me esquecia. Foda-se, que comentarios miseraveis !

    Boas

  28. Ó Boas afinal o que não percebes tu na proposição de Costa! Explica lá onde, em que parte da frase de Costa, este diz que há uma situação simétrica ou um equivalente que o próprio PP nem sequer entende o conceito?
    Se queres descortinar algo errado na proposição de Costa o que deves analisar logicamente é a sua frase e não a falsa interpretação do PP, caso contrário cometes o mesmo erro interpretativo deste.
    A isso chama-se partir de premissas erradas para para se obter a conclusão que interessa ao preconceito.

  29. Júlio, aqui nesta caixa, num comentário meu, está o vídeo onde Mamadu aparece a citar o Fanon. Estás a sugerir que ele não o pode fazer num registo que fique gravado e dê para o descontextualizar? Vês no vídeo com quem é que ele está a falar? Consegues apresentar algum exemplo onde Mamadu exceda o seu papel de activista da luta contra o racismo? Aliás, será que reconheces ao Mamadu o estatuto de activista contra o racismo ou vês nele algum tipo de agente subversivo cujo plano é espalhar a violência e o caos por estas bandas?

    Para dares relevância a essa passagem e alimentares essa interpretação – que foi precisamente o que fizeram todos aqueles que aproveitaram esse material para mostrar que haveria uma equivalência ente Mamadu e Ventura, lógica que tem como única finalidade normalizar e branquear o Chega – tens de apagar o resto do que é dito pelo Mamadu antes e depois da citação do Fanon. É tão simples, e tão moralmente obrigatório, como isto.

    Finalmente, ele não vai para a televisão, nem se levanta no Parlamento, a apelar à revolta da negritude contra os branquelas. Ele não nos pretende expulsar da cristandade, isso é o outro que o anda a fazer disfarçado de amante de coelhos.

  30. Neves,

    Mamadu Ba é um militante anti-racista, com maior ou menor felicidade, bate-se por valores a que todos os portugueses democratas subscrevem e que estão claramente consagrados na nossa constituição, que veio felizmente enterrar de vez longas décadas de regime colonialista (o ultimo a vigorar na europa…)

    Colocar o Mamadu no mesmo plan que o Ventura, que procura aproveitar-se dos resquicios do nosso pasado racista e colonialista apregoando a disciminação e o revivalismo, é inaceitavel, a não ser para quem perdeu completamente o norte.

    Mais duvidas ?

    Boas

  31. «apesar de condenar formalmente o racismo, não deixa de ser desigualitaria». deve querer dizer ‘não deixa de ser racista’. em portugal, desigualdades há muitas, e mais graves, além do racismo (sem aspas). e que são muito mais preocupantes, com as quais, os srs jornalistas, deveriam confrontar o primeiro súbdito.

    não vejo em qualquer parte da conversa de costa a defesa da simetria de posições, mas sim indicar duas estátuas que se tentam manter no pedestal.

    quem comenta diz que os comentários são miseráveis: qual é a parte que não percebem?

  32. É ridículo considerar a afirmação de António Costa de um erro político grave. Grave é a interpretação maldosa feita por Paulo Pedroso e Marina Costa Lobo e aqui por alguns comentadores, dessa frase. Claro que António Costa não responderá a provocações dessas ou outras equivalentes, até porque ele estará convencido, e eu penso que com muita razão, que a generalidade do país (a maioria) concordará com o que ele disse. Mas a que propósito a importância de tal controvérsia? Qual a intenção de quem a provocou?

  33. Val, só te faltou dizer que sou um branqueador do Ventura, porque “alimento interpretações” dúbias…
    Eu ouvi tudo o que o Ba disse na mesa redonda, não há descontextualização nenhuma (isso só fazem os que têm o propósito apriorístico de o atacar). Pelo contrário, referi que a frase em causa era uma citação do Fanon e que o Ba não estava propriamente a apelar à violência física contra o homem branco. O que eu realmente disse foi que ele pode ser mal entendido por quem se sente representado por ele. Acrescentei que, como dirigente do SOS Racismo, ele não pode ser descuidado com as declarações que faz, o que implica que ele deve prever e precaver-se contra as tais interpretações e descontextualizações posteriores. Mas tu preferes ver no que eu disse um suspeito “alimentar de interpretações” alheias, para as quais me estou positivamente a marimbar. Argumentos como esse matam a possibilidade de diálogo, como sabes.

    O Ba, em resposta ao Costa, disse que ele “opta pela atitude de Pilatos face ao racismo e ao fascismo”. Um responsável que faz afirmações deste calibre também não me merece grande respeito, lamento.

  34. revendo as palavras do costa e cruzando com declarações recentes do moedas, rio e cavaco dá para concluir que a direita deixa cair o ventura e o ps demarca-se do mamadou, dois activos tóxicos na caça de votos ao centro. fecharam as apostas ao quiz do pedroso, reciclado dum comentário da marina sobre uma afirmação do costa discórdia.

  35. Júlio, é por causa dessa dificuldade cognitiva que a problemática suscita que, nesta caixa de comentários, tenho sempre feito introduções propedêuticas. Tu estás não só a descontextualizar a passagem do vídeo em causa como igualmente descontextualizas os seus efeitos sociológicos e políticos. Fazes isso por mal? Não, claro, és tão boa pessoa como o Costa. Fazes isso por bem? Também não porque estás obrigado a recorrer a sofismas para defender aquela que – na minha interpretação – não passa de uma reacção de antipatia instintiva contra a figura pública a que o Mamadu Ba dá corpo.

    Assim, não serias capaz de arranjar qualquer informação que sustente a hipótese de que “ele pode ser mal entendido por quem se sente representado por ele”. Nem sequer serás capaz, aposto, de elaborar uma qualquer percentagem de risco para essa consequência. Decorre do teu argumento que o Mamadu, ou qualquer outro activista da luta contra o racismo, não pode usar linguagem simbólica e metafórica para discorrer sobre matérias históricas, ideológicas e filosóficas, até morais. E pareces especialmente sensível à bizarra situação em que um maduro qualquer seu apoiante fosse tão bronco que apenas percebesse da expressão “matar o homem branco” a dimensão denotativa e nada de nadinha de nada da conotativa, resultando no seu incontrolado impulso para ir buscar a catana e começar a fatiar europeus colonialistas a passeio nas docas.

    Ora, tu no primeiro comentário afirmaste cheio de confiança que o perigoso Mamadu era “useiro e vezeiro” em fazer deturpações as mais variadas, com evidentes prejuízos para a segurança pública e são convívio entre racistas e antiracistas. Mas o único exemplo que trazes, não por acaso o que foi explorado com o sentido que lhe atribuis como potencialidade precisamente pela direita racista e xenófoba, não admite esse nexo. O homem está a falar de direitos humanos, refere-se explicitamente à necessidade de desconstruir os discursos de ódio e de ter a ousadia de reclamar mais protagonismo político e social para as suas vítimas. Este é o contexto da “morte do homem branco”, o qual ele explicita ao detalhe. Não há no seu discurso a mais leve sugestão de violência. Ele está a reflectir e a tomar uma posição estritamente política, a qual é absolutamente legítima à luz do Estado de direito e dos valores inscritos no ideário dos direitos humanos.

    Quanto a essa frase a respeito do Pilatos, pode não te merecer qualquer respeito, mas o que também se pode dizer dela é que é banal, é típica da intervenção política no espaço público. Nada tem de errado, é uma opinião apropriada para um activista. Não o seria para um académico na academia ou para um governante? Talvez, só que o Mamadu apenas tem como agenda lutar contra racistas, ele não está preocupado com aqueles que não puxam para o mesmo lado, seja porque puxam para o lado contrário ou porque estão apenas a assistir.

  36. Ó Boas, andas tão baralhado e sem perceberes que o que Costa disse não tem nada a ver com as interpretações oportunistas de Marina e sobretudo de Pedroso que até já fazes criticas acerca de frases que não são do “uiui” e não minhas.
    Claro que percebo bem o que é simetria pois até fui bom aluno em geometria descritiva, é o Pedroso e tu também que não entendem o conceito de “equivalente” que é um termo da ciência física e não da sociologia e, como tal, tratam-no como sendo o significado de simétrico porque é o que dá jeito às vossa conclusões preconceituosas.
    A minha discussão não é se o MB ou o Ventura são simétricos para tirar conclusões acerca do Costa que é o que se quer atingir com as falsas e indevidas interpretações de MCL , PP e também de Valupi.
    Se se quer ver um erro acerca de racismo na proposição de Costa temos de analisar analítica e logicamente o texto de Costa e nunca os textos interpretativos enviesados de MCL e PP.
    Essa é a falsa questão em que cai Valupi, Boas e outros nesta discussão, afinal fútil.

  37. Peço desculpa a Valupi e Penélope por ter sido tão cáustico.
    Tentarei mostrar a razão da minha crítica.
    1. O discurso e a narrativa de Frantz Fanon foram apropriados pelos (ditos) “postcolonial studies”. Não há curriculae em ciências sociais e humanas que não os obrigue a estudar. E a “Esquerda” foi formada a aceitar esta narrativa, como imprescindível para a sua questa ideológica.
    2. As frases militantes começadas por “descolonizar… (isto e aquilo)” têm aqui a sua origem.
    3. F.Fanon disse claramente ao que vinha. A tese de todas as suas obras é sempre a mesma (nas suas próprias palavras): “Como curar o colonizado da sua alienação?” (2012, Sciences Humaines, 233, jan2012, p.58). Não se tratava de uma questão científica, mas de uma tarefa política. Di-lo de forma explicita: “A objetividade científica está-me vedada, porque alienado está o meu irmão, a minha irmã, o meu pai” (F.Fanon 1952, in “Pele negra, máscara branca”, reedição Seuil, 2011).
    4. Ora, esta narrativa não-científica, com objetivos políticos, faz o nosso dia-a-dia, aqui, na República Portuguesa em 2021. Vê-mo-la nas palavras-de-ordem de Mamadou Ba.
    5. A “Esquerda” está submetida a este cânon.
    6. Mamadou Ba (ex-Bloco de Esquerda) e outros militantes desta causa Fanoniana, promoveram várias associações (“SOS Racismo”, “Instituto da Mulher Negra em Portugal”, “Brutalidade Policial”, “Consciência Negra”, “Frente Antifascista, Djass – Associação de Afrodescendentes”, etc.).
    7. Que (muito antes de chegar o “Chega”), nas manifestações que fizeram em vários locais do país, gritaram palavras-de-ordem como: “Queremos o fim da GNR e da PSP”… “Portugal não é um país seguro para negros, negras, ciganas e ciganos”… “A Polícia usa violência sistemática nos territórios habitados por pessoas não-brancas, para reprimir e aterrorizar, para subalternizar e desumanizar pessoas negras, ciganas e pobres” … “Em Portugal há abuso policial quotidiano (nas ruas, estações de comboio, autocarros, casas privadas), há discriminação nas escolas e estigmatização territorial” … “Em Portugal o abuso policial e a discriminação são parte do quotidiano da vida de milhares de cidadãos não-brancos que são considerados cidadãos de segunda classe e de segunda geração”.
    8. Estas declarações não correspondem à realidade dos factos. Deturpam a verdade. Têem um objetivo político e ideológico.
    9. Ora, em 2018, no «Ciclo de Conferências de Homenagem a Georges Balandier» na Universidade Sorbonne, Paris/Descartes-Canthel), foram recordadas as palavras de Balandier em 1953, sobre esta mistificação de F.Fanon (ver “Pouvoir, Société, Culture : pourquoi faut-il relire Georges Balandier” / “Colonialism, Power and Culture: why reading French anthropologist Georges Balandier is crucial today”, April 18, 2018).
    10. Passo a citar: “Este des-colonialismo anda de mãos dadas com a promoção de uma visão invertida do mundo, os colonizados africanos usam vocabulário religioso, como se fossem profetas ou deuses. O anti-colonialismo é expresso em categorias messiânicas que reinterpretam completamente a situação de dominação. Por exemplo, hoje, o “movimento Bundu dia Kongo” (“Encontro Kongo”), na RDC (ex-Zaire) é de natureza política e religiosa. Ne Muanda Nsemi, o líder do movimento, é assim um líder messiânico e um senhor da guerra. Que desafia as divisões territoriais da colonização, e quer restaurar o “Império do Kongo” dentro das fronteiras que tinha no século XV”.
    11. E nós, aqui, ingénuos, na nossa paz de alma, a vermos isto… impávidos e serenos.
    12. Talvez seja a nossa sabedoria de Nação, que nos dá esta paciência.

  38. uiui, neves & manojas,

    Quem anda baralhado não sou eu, tenho pena. Vejam o comentario de “rien ne va plus”. A saida idiota de Costa tem exactamente este subentendido : pressupõe que lutar contra as discriminações (portanto a favor da igualdade ) é uma esquisitice comparavel ao saudosismo rançoso do Ventura, que procura atrair os nostalgicos do tempo da outra senhora. Tem complemamente razão o Valupi quando diz que se trata de uma forma de branquear o Chega.

    Criticar o Mamadu Ba por alguma saida menos feliz que tenha tido, ou contraproducente, é uma coisa, possivelmente audivel. Ja coloca-lo nos extremos como figura simétrica do Ventura é outra, completamente diferente. Infelizmente, Manojas, é completamente impossivel não ver que a frase do Costa se situa muito claramente na segunda perspectiva, o que é um erro crasso e grave, pelo menos para quem se diz de esquerda.

    Boas

  39. 1. Aos Esquerdistas, e outros, que aqui defendem Mamadou Ba, pergunto:
    — Porque o Mamadou Ba não defende o verdadeiro racismo e a pós-colonização? Porque está aqui, confortável, a incitar ao ódio e ao racismo, em vez de estar lá onde é preciso lutar hoje contra ele? Porque Mamadou Ba mente, e os Esquerdistas engolem, e ainda nos cospem?

    2. A esses pseudo-defensores do racismo e farsantes do anti-colonialismo faço a mesma pergunta que fez Tidiane N’Diaye em 2008, e novamente em 2020: — “PORQUE TERÃO SIDO OCULTADOS OS FACTOS HISTÓRICOS?”

    2.1. …. “Sete Séculos antes do tráfico de escravos europeu — que não poderia ter, aliás, a dimensão que teve sem a participação dos negreiros árabes e africanos — os Árabes arrasaram a África subsariana durante treze séculos sem interrupção.

    2.2. A maior parte desses milhões de seres humanos que deportaram desapareceu, em resultado do tratamento inumano que lhes foi infligido (castração). Essa dolorosa página da História dos povos negros não foi ainda definitivamente voltada.

    2.3 Esse tráfico começou depois do fornecimento de escravos no Leste da Europa se ter esgotado, quando o emir e general árabe Abdallah ben Saïd impôs aos Sudaneses um bakht (acordo), concluído em 652, obrigando-os a entregar anualmente centenas de escravos. A maioria desses homens provinha das populações do Darfour.

    2.4. E começou aí uma enorme horrorosa punção humana que só terminaria oficialmente no século XX. Muito depois da escravatura na Europa e do tráfico atlântico terem sido reconhecidos, abolidos e punidos.

    2.5. PORQUE TERÃO SIDO OCULTADOS ESTES FACTOS HISTÓRICOS?”

    (Tidiane N’Diaye, 2008, « Le Génocide Voilé», coll. « Continents noirs », Gallimard).
    (Tidiane N’Diaye, 2020, “O Genocídio Ocultado – investigação histórica sobre o tráfico negreiro árabo-Mulçulmano”, coleç. Trajectos, Gradiva).

    2.6. Respondam… se não tiverem vergonha na cara.

  40. Conclusão 1: o Mamadou, por definição, é bom. Assim, quem aqui critica o Mamadou é, por definição, mau. O Mamadou, por definição, luta contra o racismo. Assim, obviamente, quem aqui ou ali, acolá ou acoli critica o Mamadou é, por definição, defensor do racismo. Onde está “por definição” pode, sem alteração de sentido, escrever-se “por decreto”. Decreto de quem? De quem lhe der na mona decretar.

    Conclusão 2: o decretador decreta, está decretado! Quem mijar fora do penico é decapitado! Lewis Carroll reeditado.

  41. Val, encanta-me a tua defesa das tiradas do Mamadou Ba, mas não me convence nada. Exemplos das confusões em que ele é useiro? O twitter dele está repleto de insultos de fascista a tipos como o José Miguel Júdice, de quem diz que, além de racista, é um fascista de sempre e até insinua a sua cumplicidade no assassinato do Padre Max (24 Fev). O caceteirismo verbal desta “intervenção política no espaço público” do dirigente do SOS Racismo é, a meu ver, nocivo para o próprio movimento. Desprestigia-o e descredibiliza-o. Já vimos isso noutros movimentos anti-racistas, nomeadamente na América, onde até ao Martin Luther King se atiraram, acusando-o de conservador e de ser apoiado maioritariamente por brancos.
    Quando se recusa ou se discorda, em certos meios, destes extremismos, é-se logo envolto num clima de suspeição. O gajo será racista? Será fascista? Será um cripto-qualquer-coisa? Aqui já apareceu um moinante a sustentar que no Aspirina havia gente “estruturalmente racista” (julgo que o visado era eu). Tenho zero pachorra para essas merdas. Esta discussão deixou mesmo de me interessar. Só lamento ter alinhado nela.

  42. 1. Recuemos a 21 de julho 2018. Para assistirmos a mais um episódio desta triste farsa dos esquerdistas e dos Mamadou´s.

    2. Ouçam o diálogo entre estes três reputados historiadores:

    3. LRT (professor catedrático de História na Universidade de Coimbra): “O historiador Miguel Cardina afirmou no dia 19 julho 2018, em entrevista ao DN, que Portugal foi “a maior potência esclavagista da modernidade”, e que isso não tem sido devidamente considerado no país.
    Devo dizer ao meu colega que está enganado.

    4. LRT: Em 1800, a população escrava nos Estados Unidos era de aproximadamente 900 mil escravos; mas em 1820, esse número já subira para mais de 1,5 milhões; viria a atingir os 3,2 milhões em 1850; e quase 4 milhões em 1865, convertendo o país no maior reservatório escravista no hemisfério ocidental.

    5. LRT: O Brasil, na época da independência, teria cerca de 1,2 milhões. E estou apenas a falar do hemisfério ocidental, porque havia outras grandes concentrações de escravos na Ásia e em África onde, por exemplo, e segundo Paul E. Lovejoy, o califado de Sokoto, cujo território englobava o norte da Nigéria e dos Camarões e o sul do Níger, teria provavelmente perto de 4 milhões de escravos. Isto é, tantos como os Estados Unidos, mais do que Brasil e todas as colónias das Caraíbas no seu conjunto.

    6. LRT: Ou seja, Portugal não foi nem de longe nem de perto “a maior potência esclavagista”.

    7. JPM (Historiador): De qualquer modo, a questão mais interessante no actual contexto não é a de saber quem teve mais ou menos escravos, e quando e em que circunstâncias. Mas a de saber por que razão se assiste presentemente em Portugal a esta sanha acusatória.

    8. JPM: Por que razão há este afã em apontar o dedo e em agravar e tornar artificialmente mais pesado o que já pesa na história do país. Por que razão, como perguntava Eduardo Lourenço, há esta necessidade de crucificar o passado português.

    9. JPM: A razão é ideológica e política.

    10. JPM: Por isso, e ainda que o que escrevi atrás sejam verdades facilmente comprováveis, não tenho ilusões acerca da capacidade de penetração dessas verdades em certos sectores onde, como tem sido manifesto, a informação não entra nem passa. Há pessoas, dentro e fora da academia, que são impenetráveis a um conhecimento actualizado sobre história da escravatura. Porque usam uma couraça chamada ideologia.

    11. JPM: Ideologicamente falando, e no que se reporta especificamente a esta área da História, essas pessoas habitam um edifício rígido, estanque, feito de dogmas e de certezas absolutas. Se se lhes mostra, com conhecimento apoiado num conjunto ponderado de documentos e numa bibliografia extensa, que estão enganadas e que o seu rei vai nu, o edifício pura e simplesmente desmorona-se. Daí que prefiram não ver, não ouvir nem reconhecer.

    12. JPM: Há, ainda assim, que continuar a tentar mostrar o que aconteceu e como aconteceu, mais para esclarecer a opinião pública do que para tentar convencer quem não quer ser convencido. É inútil mostrar a história a quem está barricado na ideologia.

    13. JPM: No tempo de Salazar, a propaganda do regime fazia dos antigos portugueses os melhores do mundo, heróis sem defeito nem mácula. Agora, os combates ideológicos da extrema-esquerda politicamente correcta empurraram-nos para o lado oposto. E os nossos antepassados passaram a ser os piores do mundo, os facínoras por excelência, os inventores da pior das escravaturas. As criaturas que, seguindo o terrível exemplo de Afonso de Albuquerque, queimaram metade da terra e capitanearam metade dos tumbeiros (navios negreiros). Será possível termos uma visão equilibrada e sobretudo contextualizada do passado?” (JPM, 21/07/2018).

    14. E eu digo:
    14.1. Entretanto, sem qualquer preconceito ou estigma, a Etiópia, 500 anos depois do contacto com os Portugueses, veio cá celebrar esses «Descobrimentos» com palavras de (passo a citar) «Amizade e Fraternidade». Tal como pudemos ver na Exposição que o Museu da Fundação Oriente intitulou «Das Terras do Preste João».

    14.2. E mais recentemente, foi a Índia, através da sua atual Embaixadora em Portugal. No Festival que assinala os 71 anos da independência (proclamada em 15 de agosto de 1947), afirmou (passo a citar): “Todos os alunos na Índia conhecem Portugal e o seu intrépido marinheiro Vasco da Gama” (K. Nandini Singla, 2018, Embaixadora da Índia em Portugal).

    15. Não será tempo de descolonizar esse ódio ideológico a Portugal dos Mamadou’s e dos Esquerdistas?

  43. 1. Aos Esquerdistas, e outros, que aqui defendem Mamadou Ba, pergunto:
    — Porque continuam a ser incompetentes? E a serem enganados pelas vossas ideologias?

    2. No século XV os portugueses conseguem adquirir a técnica de viajar em mar aberto, em vez de ficarem restringidos à orla costeira. O que lhes possibilitou entrar em contacto com povos, que até aí os Europeus não tinham acesso por causa da descontinuidade territorial. Foi, para os Europeus dessa época, nesse momento, a descoberta de um ‘mundo novo’ e de ‘novas coisas’.

    3. Pierre Léon em 1984, juntamente com Bartlomé Bennassar (da Universidade Toulouse-Le Mirail), Pierre Chaunu (da Universidade Paris IV), Guy Fourquin (da Universidade de Lille) e Robert Mantran (da Universidade de Marseille I), na monumental obra em doze tomos editada pela Armand Colin intitulada “História Económica e Social do Mundo”, no vol. 1, tomo II, que a Editora Sá da Costa publicou em 1984, e no capítulo “Explosão planetária: A caminho de uma economia à escala do Mundo”, escreveram:

    3.1. “Estava, pois, reservada ao pequeno Portugal a tarefa de integrar a África, e nomeadamente a África Negra, nos circuitos económicos mundiais e de, depois, criar a rota marítima das Índias. Sabemos já com que equipamentos, com que navios e com que instrumentos de navegação.
    3.2. A ubiquidade portuguesa no princípio do século XV — África ocidental e oriental, Ásia e Insulíndia de Ormuz a Macau, o Brasil de Cabral — nada deve ao acaso, antes se realiza no termo de um esforço secular, concertado, organizado, dirigido pelo rei, uma verdadeira empresa nacional cuja vastidão continua a deixar-nos estupefactos se nos limitarmos a olhar para a Carta e para os números. (….) 1415: tomada de Ceuta: data simbólica, que naturalmente se toma como o início da epopeia portuguesa.” (Léon, 1984, p.390).
    (PM-C, 2011, “A Cultura perante o Património”, FLUL, Universidade de Lisboa, BN)

  44. Oh palhaço, se calhar falar de racismo, ou de discriminação “estrutural” (ou sismética) é capaz de ser o primeiro passo para deixar de colocar a questão em termos de comportamento abertamente boçal e conscientemente agressivo, logo precisamente para pôr de lado os insultos e as disqualificações exageradas que tanto te incomodam… Isto nunca de ocorreu, pois não ?

    Não ha paciência para o coro das virgens ofendidas (“racista” eu, credo !) de cada vez que se fala em transformar o combate contra o racismo numa coisa um bocado mais eficaz, que procura atacar as causas, em vez de se ficar pelo filme habitual da cruzada contra uma hipotética sobrevivência do klu klux klan.

    Quantos mais comentarios falaciosos desse tipo, mais fica claro que a reacção do Costa esta longe de ser inocente. Dizer que o SOS racismo esta como o Chega para a sociedade portuguesa, é de facto defender que o racismo é tão estranho a esta mesma sociedade como os fantasmas que apavoram os parvalhões que seguem o Ventura. Se o Manojas tiver outra leitura da frase, que nos instrua…

    Boas

  45. Júlio, esta discussão é difícil porque gera imediatas e agudas respostas de defesa identitária, por um lado, e porque a matéria é ela própria profunda e desvairadamente ambígua no plano conceptual e político, por outro. Contudo, vejo nessa dificuldade um sinal evidente da sua relevância. É possível fazer caminho apesar do melindre da problemática, basta atender à urgência e emergência das vítimas (que acabamos por ser todos nós quando se passa da discussão do racismo, um tipo de discriminação, para toda e qualquer forma de discriminação – portanto, para situações que já nos aconteceram, estão a acontecer ou irão acontecer fatalmente).

    Se o tema da conversa for relativo à crítica que Mamadu Ba, e supostamente outros activistas da luta contra o racismo, estão a cometer erros aqui e ali, por isto e aquilo, tal não chega sequer a despertar uma brisa de polémica. O Martin Luther King foi polémico, Mandela foi polémico, a Madre Teresa de Calcutá é um poço de polémicas. Pura e simplesmente, apontar falhas a personalidades que intervêm no espaço público é uma actividade inevitável, banal. Por que raio é que o Mamadu teria de colher a tua ou a minha aprovação sem falhas? Seria até absurdo por ser tão improvável. Só que não é disso que se trata, não é disso que falamos, como bem sabes. Tu é que levas a questão para aí porque esse é um reduto defensivo onde a tua identidade antirracista se barrica contra o que vê como ameaça: que alguém pense que estás a defender o Ventura e quejandos de alguma forma só porque o Mamadu te irrita ou causa algum tipo de desconforto.

    Ora, eu também não estaria aqui a gastar o teclado se fosse para esse peditório das críticas ao Mamadu. Estou aqui para outro tipo de prato, as críticas ao Costa. Porque esse Costa é primeiro-ministro, é socialista e é uma das pessoas mais importantes em Portugal por ser um baluarte da defesa das liberdades, da democracia e do melhor que podemos ser como comunidade. Para além de ser ele também uma vítima do racismo, é o líder político adequado ao tempo das actuais convulsões, tal como foi o líder político ideal para suceder ao passismo traidor e fanático. É precisamente por causa da sua importância que ele não merece a nossa cumplicidade, sequer complacência, quando se exibe na sua mediocridade moral e intelectual. Porque é disso que se trata, o ter tido o desleixo de se permitir reagir como se já não fosse um dos supremos representantes da República e um dos supremos defensores da Constituição.

    Ninguém obrigou Costa a construir um remate a declarações suas sobre o populismo e racismo na sociedade portuguesa estabelecendo um paralelo entre Ventura e Mamadu. Essa equivalência é grotesta, inadmissível na sua pessoa de estadista, e ainda não apareceu nesta nossa conversa ninguém capaz de a justificar recorrendo a palavras ou actos de Mamadu Ba que sejam correspondentes a actos e palavras de Ventura. Donde, não precisamos de pintar Costa, ou quem o defenda nesta situação, como racista mas precisamos – por mim falo – de denunciar tudo o que contribua para que racistas verdadeiros, ou meros oportunistas que os usam para a sua agenda política, sejam considerados pares de activistas contra o racismo por um célebre e poderoso secretário-geral do Partido Socialista investido no cargo de chefe do Governo.

  46. Ao boomerang involuntário do anti-racista de aviário Mamadou Ba prefiro a eficácia anti-racista de três bazucas orgulhosamente tugas: Auriol Dogmo, Pedro Pichardo e Patrícia Mamona.

    Para porradões na xenofobia, à fisga torta e sem elástico do Mamadou contraponho as bazucadas do Pichardo e da Dogmo.

  47. Valupi, “sejam considerados pares de activistas contra A CORRUPÇÃO” ou “sejam considerados pares de activistas contra O RACISMO”?

  48. O sacana do bírus da corrupçom empesta tudo, até a prosa dos cavaleiros da triste figura que semos todos noses!

  49. UMA CRÍTICA A VALUPI, 8 de março de 2021 às 1:18:
    1. Julgo que está a subestimar António Costa.
    2. A actuação dele neste caso (nessa declaração pública) é a marca do seu modus operandi, e da sua habilidade política. Faz o mesmo desde sempre. Quem o conhece mais de perto, sabe.
    3. É o modo dele “GERINGONÇAR” os adversários políticos.
    4. Faz o mesmo que Salazar referiu: “quando não se quer resolver um problema, cria-se uma Comissão”.
    5. António Costa, numa primeira fase, marca os limites do território onde quer intervir (neste caso pôs o Mamadou num lado, e o Ventura no outro). Depois, numa segunda fase, convoca todos esses que estão nesse intervalo para um debate aberto e plural (isto é, apanha-os na rede que lançou). Na terceira fase, põe-se no meio, ao alto, a ver qual é a mediana de Gauss. E na última fase, escolhe a narrativa e a decisão política desse centro.
    6. Foi assim que fez a Geringonça com o PCP e BE. Foi assim que capturou Marcelo e Rio. E é assim que quer lidar com este problema antes das Autárquicas, antes que o Ventura tenha 10% de votos (o que daria a Ventura a possibilidade de desempatar entre a renhida disputa entre PS/PSD).
    7. Razão pela qual, julgo que Valupi se precipitou.

  50. 1. Mamadou Ba — como Tidiane N’Diaye (2008/2020) demonstra — usa os “brancos” (neste caso, os brancos portugueses) para ocultar o esclavagismo negro africano (tanto o do passado, como o actual).
    2. Nesses actuais países de África não existem leis, nem as garantias jurídicas e sociais, nem a condenação dos governantes, como há nos países europeus e americanos. Inúmeros países africanos continuam a fazer escravatura e colonialismo sobre outras etnias africanas, mutilação genital e castração. Impunemente.
    3. Defendendo-se da opinião pública Ocidental, acusando-a de racismo. Fazendo manifestações e actos públicos como Lenine aconselhava: “Acusa-os daquilo que fazes. Essa é a melhor defesa”.
    4. O Mamadou Ba além de oportunista, é cúmplice desta ocultação. Engana e deturpa, para obter ganhos políticos, subsídios do Estado, e notoriedade pública.
    5. E ninguém o denuncia?

  51. Depois da minha intervenção de ontem às 19,25 h, ainda nada mais li do que se disse. Faço agora , assim o espero, a última intervenção, talvez inútil, mas não evito dizê-la: Ao proferir a afirmação que fez, António Costa, na minha opinião, apenas quis afirmar que a generalidade do país não se revia na metodologia e agressividade utilizadas por Ventura e Mamadou para atacarem, o que um e outro achavam mal, na defesa do que, um e outro, achavam bem. Admito que mal e depressa é o que, sem reservas, depreendi ou quis depreender, ao ler com atenção a frase em questão . Sim, sem reservas, ocultas, que alguns comentadores poderão ter.

  52. OK, Manojas,

    Repara apenas que o Costa não escreveu “metodologia” nem “agressividade”. Escreveu, isso sim, “sentimento”, o que faz toda a diferença e justifica plenamente a reserva de que estamos a falar. A reserva não me parece ter nada de “oculto”, uma vez que é publicamente assumida por razões suficientemente elucidadas na frase de Pedroso, frase que chega a admitir, alias, que algumas atitudes ou posições de Mamadou Ba possam ser discutiveis.

    Boas

  53. Addenda :

    E se ha atitudes, posições ou afirmações de Madamou Ba discutiveis, então discutamo-las. Não me parece que começar por anatemizar o dito va na direcção certa. E, sim, neste particular, eu faço uma clara diferença entre Mamadou Ba, com quem posso debater, e André Ventura, cujo programa é radicalmente indiscutivel. Vejo que alguns por aqui não a fazem, o que lamento. Em todo o caso, gostaria que o Costa tivesse feito esta diferença, quanto mais não fosse em nome da constituição e dos valores pelos quais ele foi eleito…

    Boas

  54. bom , na realidade , o mama e ventix são equivalentes na capacidade de suscitar discursos inflamadíssimos , que procuram provocar inflamações na sociedade , e prós quais a maioria das pessoas se está borrifando. lá está , o PM está cheio de razão.

  55. a direita apostou no ventrulhas e não seu resultado. agora apostam na fórmula mrpp/1974, conversa de putedo para voto direitolho. não tarda avança uma opa à ana gomes ressabiados s.a. para compra dos 500kgs que sobraram das presidenciais. é vê-los aí acima, os mesmos que faziam manifestações para dizer que não havia racismo em portugal e pediam a extradição do mamadou, agora viraram histéricos apoiantes do sos racismo, devotos do ba e amordaçados.

    esta conversa é para o joão broas que não sabe ler e entender o que leu. a leitura aprende-se mas para a burrice não há solução.

  56. Eh! Valupi, não estás a ir longe demais? Não falta muito para declarares que o Costa é racista.

    É precisamente por causa da sua importância que ele não merece a nossa cumplicidade, sequer complacência, quando se exibe na sua mediocridade moral e intelectual. Porque é disso que se trata, o ter tido o desleixo de se permitir reagir como se já não fosse um dos supremos representantes da República e um dos supremos defensores da Constituição.”

    Um primeiro-ministro tem por missão “pôr água na fervura”, neste caso abrangendo quer o Ventura quer o Mamadou. Foi isso que ele fez. De uma só penada, desvalorizou e ridicularizou o Ventura enquanto extremista (o que é positivo) e remeteu os excessos do sr. Ba, que são por vezes potencialmente incendiários, para o lugar da relativização.

    Quanto ao sr. Mamadou Ba, convinha que revisse os seus métodos de luta. Se eu, portuguesa ou descendente de portugueses, estiver a viver em França, sentir que sou olhada de soslaio devido à minha origem e me lembrar de formar um movimento para gritar que “temos que matar o homem francês e o homem napoleónico” porque não só nos invadiram como nos saquearam as igrejas no século XIX sou capaz de cair no ridículo, não? E ouvir coisas do género “Traz o exército, filha”, não? Escusado será dizer que, pelo caminho, ponho a ridículo os restantes portugueses, muitos dos quais contentes por ali viverem, e não vou a lado nenhum se o meu objectivo for um tratamento não discriminatório.

    Tu perguntas como é que se critica um homem que combate o racismo. Mas aí é que está o ponto. Tal como tem actuado, o Mamadou não combate racismo nenhum. Incentiva-o.

  57. Inacreditavel.

    Mas desde quando é que o Mamadou Ba, ou alias quem quer que seja, apelou a matar o homem branco ? Onde é viste isso Penélope ? Alias onde é que viste alguém, investido na luta contra as discriminações, negar por principio que possa existir uma discriminação contra um branco, ou defender que uma discriminação que vitimasse um branco, fosse ele macho de mais de 50 anos, não mereceria a mesma indignação do que a disciminação que vitima um negro ? E’ o contrario ! Todas as associações que conheço, e presumo que seja o caso do SOS racismo, dizem precisamente o inverso, e muitas dizem até “se conhecerem brancos vitimas de discriminação, ponham-nos em contacto connosco, pr favor, que nos havemos de os defender gratuitamente !”. Acontece que é bastante dificil arranjar exemplos. Pois.

    Isto so visto.

    Boas

  58. « estabelecendo um paralelo entre Ventura e Mamadu. Essa equivalência é grotesta, inadmissível na sua pessoa de estadista,»

    Valupi está aqui a analisar o erro de Pedroso; o dito acima é a repetição de PP que é uma interpretação de cariz politiqueira intencionalmente falsa tal como a de MCL o é; o “paralelismo” e a “equivalência” só existem nos comentários e não na frase de Costa e são desvios de semântica propositados para tirar partido do efeito de uma suspeita sobre AC de racismo ou não suficientemente combatente contra o racismo.
    Além de que a defesa absolutista de MB por Valupi parece ir no sentido de acusar AC de não ser tão ou ser menos contra o racismo que MB como se o tivesse de ser ou não pudesse pensar moderadamente como é seu género de fazer política.
    Repito, se valupi quer tecer uma crítica a Costa é seu dever analisar logicamente o que Costa disse e não o que disseram, por interpretação, os inventores “intérpretes” adversários políticos.
    Valupi sabe bem que, ao longo da história do pensamento, houveram vários pensadores que quiseram aprender grego antigo afim de poderem interpretar na língua original o verdadeiro pensamento dos gregos arcaicos e clássicos; esse é o procedimento certo e não alinhar na 1ª tradução/interpretação que lhe cai à mão.

    «A saida idiota de Costa tem exactamente este subentendido : pressupõe que lutar contra as discriminações (portanto a favor da igualdade ) é uma esquisitice comparavel ao saudosismo rançoso do Ventura,»

    Esta interpretação “subentenddida” do Boas faz lembrar a história da moça que a mãe mandou ordenhar a vaca e quando chegou a casa zangou-se com a mãe porque a vaca não tinha leite: afinal tinha ordenhado o boi.

  59. século XXI : está na altura de matarmos, figuradamente, o homem chinês , digo eu , posto que a China colonizou comercialmente o mundo com cena da globalização , deixando o homem branco de rastos , sem empregos e endividados, com esta coisa reaccionária do Império industrial chinês. que tal ? ridículo ,não é?

  60. joão viegas: Devias ir ver o vídeo que o Valupi gentilmente aqui deixou com as declarações do Mamadou. (mais acima, no primeiro comentário)

    https://www.youtube.com/watch?v=Q_xmPeqcD_A

    Se sobreviveres ao primeiro minuto e meio do vídeo, chegas ao que aqui interessa. O sentido figurado da alusão à morte do homem branco tem tudo para escapar à compreensão dos ouvintes.

  61. OK, Penélope, uma frase provocatoria que, tirada do seu contexto, pode perder o seu sentido obvio, pelo menos para mim : matar o homem branco racista = matar o racista = matar o racismo. O resto da peça mostra que não ha definição do homem branco como sendo necessariamente racista, o que seria uma forma de essencialização que ele afirma combater sem qualquer amibiguidade.

    Tenho pena, mas não vejo nada que justifique a equiparação ao Ventura, que quando fala em expulsaar os ciganos, ou os estrangeiros, oou os portugueses que não são “portugueses de bem” fa-lo de maneira que não tem nada de metaforico.

    Boas

  62. Desculpem o meu regresso, eu já me tinha despedido. Entretanto já só li o João Viegas das 9,55 h o que me fez regressar, para mais uma interpretação da declaração de António Costa, da minha inteira responsabilidade: Nem Ventura nem Mamadou representam aquilo que é a boa índole da maioria dos possíveis dez milhões de portugueses. Porque não poderá ou não não deverá António Costa pensar assim, ou seja, que a maneira de sentir da maioria dos portugueses não se coaduna com a metodologia agressiva usada por Ventura e Mamadou no ataque ao que acham mal na defesa do que acham bem?

  63. João Viegas, sim falei em reservas ocultas e com razão, porque se as não há, porquê todo este arrazoado? Claro que admito estar enganado. Porque não?

  64. Manojas,

    Concedo sem problema que a interpretação que das à frase – que dizes incidir apenas sobre o estilo ou sobre o método usado por Ventura e por Ba para fazer passar as suas ideias (e não sobre as ideias propriamente ditas) – conduzir-me-ia a relativizar as minhas criticas.

    No entanto a tua interpretação esta muito longe de corresponder ao que se ouve à primeira (e mesmo à segunda). A frase é “Nem André Ventura nem Mamadou Ba representam aquilo que é o sentimento da generalidade do pais”. A palavra “sentimento” dificilmente pode remeter para um estilo ou para um método de transmitir mensagens, em contrapartida designa naturalmente a simpatia com a mensagem de fundo transmitida por e por outro. Portanto a interpretatção natural da frase, na minha opinião, é que o sentimento do pais esta num meio-termo entre quem faz do combate às discriminações uma prioridade e quem acha que as discriminações não existem na sociedade portuguesa de hoje.

    Boas

  65. Penélope, a que excessos do Mamadu te referes? Quais são os métodos de luta que ele deve rever, na tua opinião? Em que ocasião foi ele incendiário? Pergunto com genuína curiosidade, pois teria todo o gosto em alinhar na sua censura calhando me aparecerem à frente esses supostos factos que estão a comprometer a luta contra o racismo, como afianças.

    Continuas a usar a passagem de uma conversa em que Mamadu aparece a falar com três pessoas para justificares afirmações punitivas contra a sua figura pública de activista. E isso é ilegítimo do ponto de vista da honestidade intelectual pois ele nessa passagem não fez qualquer apelo à violência, muito menos à morte fosse de quem fosse com órgãos vitais a funcionar. Pura e simplesmente, não é possível que te escape a primária deturpação que consiste em pegar na frase “matar o homem branco”, dita como citação e como metáfora perfeitamente explícita nos múltiplos contextos da sua introdução no discurso e para ilustrar uma reflexão inspirada pelos direitos humanos, e agitá-la como prova de algum tipo de intento assassino, criminoso ou meramente perturbador da ordem e das consciências dos incautos. Repara: se fores por aí, então acto contínuo terás de te insurgir com fulgor infinitamente maior contra todas as celebrações cristãs em que se leiam passagens dos evangelhos como esta (vai apenas um exemplo, podiam ser centenas): «Se o teu olho direito é para ti motivo de escândalo, arranca-o e atira-o para longe de ti, pois é melhor para ti que se perca um dos teus membros do que todo o teu corpo ser lançado na Geena. Se a tua mão direita é para ti motivo de escândalo, corta-a e atira-a para longe de ti, pois é melhor para ti que se perca um dos teus membros do que todo o teu corpo vá para a Geena». Achas que as centenas de milhões de fiéis, os quais começam a ouvir estas mensagens logo na mais tenra infância, ditas por fulanos sisudos com roupas esquisitas e em cerimónias de impressionante autoridade, e que passam o resto da vida a levar com repetições semanais (mínimo) do espectáculo, estão em alto risco de se automutilarem?

    Enquanto isto se passa numa videoconferência, onde o Mamadu se exibe na sua humanidade frágil e sofrida, tens visto o Ventura a usar os piores instintos dos broncos e doentes para instigar um verdadeiro caldo de violência larvar e desumanizadora. Viste o Ventura organizar uma manifestação onde explorou o caso Casa Pia para atacar Pedroso e o PS, em que ligou a “pedofilia” à “corrupção” de Vara e Sócrates, e onde acabou aos berros, na Praça do Município, a prometer prender os apoiantes do 25 de Abril. Tens visto o Ventura a exibir-se com todos os códigos dos ditadores fascistas e a conseguir, apesar disso, recolher o apoio da direita portuguesa mais tradicional e poderosa, do actual PSD aos cavaquistas e passistas. Neste quadro, estar a querer admoestar Mamadu por qualquer “excesso”, excesso esse que nem sequer se consegue indicar, é assustador pelo que revela dos processos cognitivos que explicam o sucesso de Trump, Bolsonaro e Ventura, entre tantos outros da vaga populista de extrema-direita que ameaça as democracias.
    __

    jose neves, assim como não se pode estar moderadamente grávida, é aconselhável não se ser moderadamente contra aqueles que nos desumanizam, violentam e tiram a liberdade. Estás a precisar de regressar aos tais gregos para reorganizares as tuas prioridades axiológicas.

  66. Para esclarecer e terminar: Sou de esquerda, absolutamente independente de qualquer partido, sem qualquer tipo de ligação ou afinidade com o primeiro ministro António Costa, embora tenha conhecido, sem intimidade, Orlando da Costa, e tenha excelente opinião da pessoa que era. Dito isto, em particular João Viegas, mantenho, sem emenda, a minha interpretação, já tão repetida, da declaração de António Costa, que, acredite, li, reli e voltei a ler. Naturalmente, com toda a sinceridade, sem reservas, respeito a sua.

  67. Valupi, tal como faz com o “paralelismo” e a “equivalência” está outra vez a fazer batota silogística entre a “gravidez” que é um facto ou acto único, indiscutível, irrelativizável da genética humana com “aqueles que nos desumanizam, violentam e tiram a liberdade.” que são conceitos relativos do pensamento com uma infinidade de denotações de graus de valorização.
    O mesmo faz quando cita os evangelho à Penélope comparando algo dito num tempo bárbaro com outro algo dito hoje alinhando com a Igreja de que foram ditas como metáforas; o Valupi tem a certeza de que, naquele tempo, se tratava de uma fala metafórica?
    E porque carga de água Valupi faz a defesa absolutista das descargas anti-racistas como metáforas de MB e não dá o mínimo de dúvida ou tolerância ao dito do primeiro ministro A.Costa, pelo contrário, acusa-o de uma equivalência que não existe, falsa? E se Ventura vier declarar que também fala metaforicamente, pois que se saiba, também ele ainda não passou de palavras ou desumanizou, violentou ou tirou a liberdade a alguém, o Valupi vai aceitar ou desculpar?

  68. Valupi: Vou só dizer isto e calo-me. O Mamadou não estava numa igreja, nem numa aula de catequese, nem é pregador. Se assim se vê a si próprio, cruzes credo. Se se deixar de metáforas dúbias, que o reduzem à condição exclusiva de homem negro (por oposição ao branco), só tem a ganhar. Quanto ao mais, estás farto de saber o que eu acho sobre os malefícios para as cabeças das criancinhas das historietas, metáforas e parábolas bíblicas atribuídas a personagens mitológicas e fantasmagóricas. Não fazem bem nenhum e transtornam muitas cabeças. Os conflitos raciais têm muito pouco de metafórico e aleijam, pelo que é preciso ter a noção, na defesa da parte mais fraca à partida, de onde se está e porque se está aqui. A comunidade a que o Mamadou se orgulha de pertencer não veio para Portugal por via da escravatura. A lei portuguesa é anti-racista. Convém que a associação SOS Racismo esteja atenta à sua aplicação e se faça ouvir nos casos em que não é cumprida e que pugne pela igualdade de acesso a certas profissões mais bem remuneradas, o que passa pela sensibilização da dita comunidade para a necessidade de educação.

    E o que é isso da “humanidade frágil e sofrida” do Mamadou? Não estarás tu com uma abordagem demasiado cristã do século XVII em relação à diferença de cor e aos pretinhos? O Mamadou é um belo homem. Considero-o meu igual.

  69. @Manojas, OK

    @Neves : que irritante. O ponto é que as discriminações de que fala Mamadu Ba existem e devem preocupar-nos a todos, enquanto as baboseiras agitadas pelo Ventura são puras fantasias demagogicas. Qualquer pessoa que se diga de esquerda, ou mesmo que subscreva os valores afirmados na nossa constituição, faz esta diferença, que é negada (ou, va la, ocultada) na frase do primeiro ministro quando os trata como dois lunaticos excessivos, no fundo parecidos um com o outro. Posso entender quem, tentando salvar o Costa, procure uma forma aceitavel de interpretar a frase (com algum trabalho em meu entender, mas enfim). Ja tenho menos compreensão para quem diz que, no fundo, a pior maneira de compreender a frase é que esta certa e que é de aplaudir. Tirando um ou outros excesso retorico, não vejo em Portugal nenhum anti-racista que mate brancos, ou que defenda que eles devem ser discriminados. Pôr em causa a cultura anti-igualitaria e os preconceitos que ela carrega não tem nada a ver com isso. Em contrapartida, a politica preconizada pelo Ventura não tem nada a ver com o restabelecimento duma qualquer igualdade. O que ele quer é mesmo discriminar, sem qualquer metafora.

    Boas

  70. Penélope,

    O teu ultimo comentario diz tudo. “Consideras o Mamadou um igual”, logo não existe qualquer discriminação na sociedade portuguesa e ele so pode estar a exagerar, vitimando-se abusivamente para tentar tirar beneficios do facto de uns africanos terem sofrido uns abanões lastimaveis la por alturas do século XVII.

    Pois bem, precisamente porque a discriminação prospera hoje atravês desse tipo de negação (sem ismo), de recusa de encarar a realidade factual que mostra que temos um problema, é que pessoas como o Mamadou fazem muita falta, ainda que possam e devam ser criticados quando têm, como é possivel, iniciativas discutiveis em termos de eficacia. E por isso é que é perfeitamente lamentavel coloca-las num plano igual ao do Ventura.

    Boas

  71. Valupi versus Penélope: “não é possível que te escape a primária deturpação que consiste em pegar na frase “matar o homem branco”, dita como citação e como metáfora perfeitamente explícita nos múltiplos contextos da sua introdução no discurso e para ilustrar uma reflexão inspirada pelos direitos humanos”.

    A citação é tão “perfeitamente explícita como metáfora” que, excepto tu e poucos mais, quase ninguém, entre os frequentadores do pardieiro (e fora do pardieiro), a entendeu como tal. Mas, dando de barato que metáfora foi (o que não me custa admitir), foi também deliberadamente ambígua e provocatória, propositadamente polémica, teve a óbvia intenção de suscitar exactamente as reacções que agora criticas. Ora se o homem quis provocar e chocar, por que carga de água te admiras tu que haja quem fique chocado?

    E sendo evidente que os que aqui criticam o Mamadou são, na sua maioria, pelo menos tão anti-racistas como ele (alguns talvez até genuína e visceralmente mais), evidente é também que “esses supostos factos que estão a comprometer a luta contra o racismo” de supostos têm nada, dado que criam no campo anti-racista divisões desnecessárias, desmoralizantes, contraproducentes e burras. A cor da pele do Mamadou não lhe dá, automaticamente, o direito de ser mais anti-racista do que um lixiviado como eu.

    Acresce que a tentativa de calar Penélope, Neves e outros criando neles o receio de serem colados à chafurdice do demagogo e oportunista Ventura não é digna de ti e de “honestidade intelectual” tem mesmo é nada.

  72. Camacho,

    A “honestidade intelectual” talvez comece por perceber que post do Valupi não é sobre o Mamadou, nem sobre quem o possa criticar (exercicio livre e salutar), mas sobre uma frase do Primeiro Ministro, e mais propriamente ainda sobre a reacção do Paulo Pedroso a esta frase.

    Penso eu de que.

    Boas

  73. muito bem , eu também estou contra quem me desumaniza, violenta e me quer tiram a liberdade , ou seja , o Mamadou , que constantemente me insulta de racista ,que me quer matar .figuradamente , diz ele. , suponho que se refere a aniquilar a cultura onde nasci e fui educada , e que me quer impor um tipo especifico de comportamento, o que vai contra a minha liberdade , que é a discriminação positiva dos não brancos.
    com o ventura poso eu bem , não me quer impor nada , anda a ver se vende a sardinha dele , como todos os outros , e de forma apalhaçada , não parece um guerrilheiro terrorista.

  74. primeiro ministro: gastou 89 caracteres para dizer o que pensa
    marina lobo: usou 243 caracteres para comentar o primeiro ministro
    paulo pedroso: emite discorda da marina com 249 caracteres
    aqui no caixote de comentários: vamos em 77 comentários e 79.187 caracteres sobre aquilo que o pedroso pensa ou diz-que-pensa.

  75. joão viegas: O Mamadou faz muito bem em insurgir-se contra o Chega e contra quem comete crimes ou ostraciza outros por puro racismo. Descobri este texto dele do ano passado, publicado no Expresso (https://expresso.pt/cronica/2020-08-14-Nao-me-pecam-calma-porque-estou-cansado-dos-vossos-pedidos.-Ate-quando-continuarao-a-dizer-que-eu-sou-igual-aqueles-que-me-querem-matar-), onde faz isso mesmo. Mas continuo a afirmar que a esmagadora maioria dos milhões de portugueses existentes não faria nenhuma das coisas que ele refere. E isso deve ser louvado e incentivado, em vez de alterado para pior, como ele parece querer fazer, pintando o racismo em Portugal com tintas trágicas que de todo não ostenta. Porque, não sejamos ingénuos: há violência em Portugal entre pessoas de cor e crimes de pessoas de cor contra brancos, como aconteceu não há muito tempo no Campo Grande. A intervenção da polícia em certos bairros também não deve ser fácil. O Mamadou desempenha o seu papel (desejo-lhe sucesso), mas o papel do Costa (para voltar ao princípio) é outro, evidentemente.

  76. OK, Penélope,

    Concordaras que, apesar do papel do Costa ser diferente do dum militante anti discriminações como o Ba, esse papel também não consiste em minimizar as discriminações ou em trazer areia para a camioneta daqueles que as negam ou, pior, que as querem institucionalizar. Infelizmente, julgo que não estamos a exagerar quando dizemos que a frase do Costa se presta a esta critica, o que pessoalmente lamento.

    Quanto ao resto, não sou especialista nos ditos do Mamadou Ba, mas confesso que, tendo cambaleado ao principio (como tu) ao ouvir frase que citas, fui ouvir mais atentamente e acho bastante convincente o que diz o Valupi. Acho que se trata mesmo de uma citação descontextualizada. Mas muito melhor que achar, vou ler o livro de Frantz Fanon, que anda la por casa e em que nunca peguei, lamentavelmente. Se me enganar, prometo vir aqui dar a mão à palmatoria.

    Boas

  77. Os casos apontados por Ba no Expresso em 14/8/2020 são actos criminosos praticados por pessoas de pele escura e de etnia cigana, ou retaliações de roubos e agressões feitas por elas.

    São delitos de crime comum, puníveis de acordo com a Lei em vigor, democraticamente escrutinada pela maioria dos eleitores.

    Tal como são crimes, contra a mesma Lei em vigor, a mutilação genital que os africanos de pele escura fazem em Portugal, onde Ba faz a sua pregação ideológica e política. E o impedimento que a comunidade cigana faz às raparigas e mulheres de acesso à escola.

    Isso sim, crimes raciais e xenófobos que Ba e os seus seguidores calam impunemente.

    Basta consultar os relatórios e analisar com objectividade e imparcialidade.

    Mais uma vez, Ba mente e manipula com objectivos raciais e de incitamento ao ódio e xenofobia.

  78. Não basta ler F. Fanon, e os artigos dos jornalistas e bloquistas.

    Com tantos disparates que para aqui têem dito, devem começar por ler o que é básico:

    AMSELLE, Jean-Loup (2008). Critique postcoloniale: attention aux dérapages. Sciences Humaines, n.º 193, 2008 mai, pp.1-5.

    ASHCROFT, Bill & GRIFFITHS, Gareth & TIFFIN, Helen (eds.) (1995). The Post-colonial Studies Reader. London: Routledge.

    BASTIDE, Roger (1956). La causalité externe et la causalité interne dans l’explication sociologique. In Cahiers Internationaux de Sociologie, n.º 21, 1956.

    BISSELL, William Cunningham, 2005. “Engaging Colonial Nostalgia”. Cultural Anthropology. May 2005, Vol. 20, No. 2: 215-248.

    CLIFFORD, James (1994). Diasporas, Cultural Anthropology 9(3), 302-338.

    GILROY, Paul (1993). The Black Atlantic: Modernity and Double Consciousness. Cambridge, Harvard University Press (Cap. 1).

    MEYRAN, Régis (2012 Jan). Le Renversement du Ciel: Parcours d’anthropologie reciproque, [in Alain le Pichot & Moussa Soe (dir.), Ed. CNRS]. In Sciences Humaines, n.º 233, Janv. 2012, p.68.

    MITCHELL, Timothy, 1998. “Orientalism and the Exhibitionary Order”, in The Visual Culture Reader, ed. Nicholas Mirzoeff: Routledge.

    MOHANTY, Chandra (1998). Under Western Eyes. Feminist Scholarship and Colonial Discourses, Feminist Review 30, 61-88.

    MOLÉNAT, Xavier (2012 Jan.). Repenser l’unité du genre humain. Sciences Humaines, n.º 233, Jan.2012, pp.56-57

    N’DIAYE, Tidiane 2008, « Le Génocide Voilé», coll. « Continents noirs », Gallimard.

    ROSALDO, Renato (1989). “Imperialist Nostalgia”, Representations 26 (Special Issue: Memory and Counter-Memory), 107-122.

    SAID, Edward W. (1995/[1978]), Orientalism. Western Perceptions of the Orient, London, Penguin (Introdução, e Afterword à edição de 1995).

    SCHNEIDER, Arnd (2000). Sítios de Amnésia e Não-sítios de Memória: a Identidade e o Outro no trabalho de quatro artistas uruguaios.

    SPIVAK, Gayatri C. (1985). Can the Subaltern Speak? Nelson, G. & L. Grossberg (eds.), Marxism and the Interpretation of Culture, London. Macmillan.

    WILLIAMS, Patrick & Laura CHRISMAN (eds.). (1994). Colonial Discourse and Post-Colonial Theory, London: Longman.

    YOUNG, Robert J.C. (2001). Postcolonialism. An Historical Introduction. Oxford: Blackwell.

  79. joão viegas
    8 de Março de 2021 às 9:55
    Repara apenas que o Costa não escreveu “metodologia” nem “agressividade”. Escreveu, isso sim, “sentimento”, o que faz toda a diferença e justifica plenamente a reserva de que estamos a falar.

    joão viegas
    9 de Março de 2021 às 8:52
    Posso entender quem, tentando salvar o Costa, procure uma forma aceitavel de interpretar a frase (com algum trabalho em meu entender, mas enfim).

    joão viegas
    9 de Março de 2021 às 10:11
    talvez comece por perceber que post do Valupi não é sobre o Mamadou, nem sobre quem o possa criticar (exercicio livre e salutar), mas sobre uma frase do Primeiro Ministro, e mais propriamente ainda sobre a reacção do Paulo Pedroso a esta frase.

    joão viegas
    8 de Março de 2021 às 23:12
    Portanto a interpretação natural da frase, na minha opinião, é que o sentimento do pais esta num meio-termo entre quem faz do combate às discriminações uma prioridade e quem acha que as discriminações não existem na sociedade portuguesa de hoje

    joão viegas
    9 de Março de 2021 às 8:52
    …faz esta diferença, que é negada (ou, va la, ocultada) na frase do primeiro ministro quando os trata como dois lunaticos excessivos, no fundo parecidos um com o outro.

    Boas,
    Às 9,55h estavas quase a entender ou mesmo entendeste e, para não te contrariares, viraste pró lado; desligaste da palavra “sentimento” usada por Costa; este diz que o sentimento da maioria (generalidade) está equidistante (não equivalente) de um centro ou meio termo (linha de terra em geometria descritiva) das pessoas do país.
    Estiveste quase lá mas não quiseste entender o resto.

    Às 8,52h do dia 9 voltaste a entender novamente a nossa razão mas como achaste que isso era dar razão a Costa de viraste-te oura vez para os intencionalmente falsos argumentos de “equivalência” da interpretação PP.

    Às 10,11h do dia 9 reconheces que o post do Valupi não é sobre MB “mas sobre uma frase do Primeiro Ministro, e MAIS PROPRIAMENTE ainda Sobre a Reacção do Paulo Pedroso a esta frase.”
    Descuidaste-te e dizes exactamente o que venho dizendo desde o primeiro comentário.

    Às 23.12 do dia 8, depois de te bateres com argumentos de simetria e de “equivalência” que traduzes por simetria, porque tal como o PP e Valupi não entendem o termo correcto de equivalente da física, tens a lata de mandar a simetria e a “equivalência” relativamente ao centro às malvas quando afirmas que, “é que o sentimento do país esta num meio-termo entre quem faz do combate às discriminações uma prioridade e quem acha que as discriminações não existem na sociedade portuguesa de hoje”.
    Isto é, o meio-termo do sentimento dos portugueses está entre “o combate ao racismo, BA” e “quem acha que não existem discriminações racistas, AC” e não entre as posições de BA e de Ventura como facilmente se deduz da frase de Costa.

    Às 8:52 de 9 Março Boas estabelece uma diferença entre o bem e o mal nas pessoas de MB e Ventura para argumentar que tal diferença é negada (ou, vá lá, ocultada) na frase de Costa tratando-os como excessivos lunáticos no fundo parecidos um com o outro.
    Ora a frase de Costa não oculta nem desoculta (à imagem do oráculo pítico), ele tem em mente, precisamente, os excessos equidistantes de sentido opostos de um de outro para centrar a sua ideia de que a generalidade do país não está com eles; é tão só isto.

    Conclusão,
    Salta à vista que quando se argumenta sem razão a lógica torna-se uma espécie de retalhos de batata cortada ad-hoc.

  80. Neves,

    Misturas frases onde descrevo a minha posição com frases onde descrevo posições alheias, mas por muito que tentes, não consegues mostrar nenhuma incoerência nos meus comentarios, porque não ha. Repara que mudar de ideias não tem mal em si, e eu não teria pejo em confessa-lo se fosse o caso, mas não é. O que eu escrevi, desde o primeiro comentario até ao ultimo, é rigorosamente a mesma coisa. Isto até é bastante facil de aferir, porque calha, excepcionalmente, eu ter estado sempre a defender a mesma posição do que a do Valupi, que também não mudou de ideias neste fio de comentarios. Não tenho culpa nenhuma que não saibas ler, nem esta ao meu alcance ensinar quem é capaz de escrever absurdos como este “(Costa) diz que o sentimento da maioria (generalidade) está equidistante (não equivalente) de um centro ou meio termo (linha de terra em geometria descritiva) das pessoas do país”.

    O unico “descuido” que posso ter tido, foi talvez imaginar que seria possivel ter uma conversa racional contigo. Descansa, não volta a acontecer tão cedo.

    Boas

  81. ” nem andré ventura nem mamadou ba representam aquilo que é o sentimento da generalidade do país. felizmente”

    gostava que alguém me explicasse qual o problema desta afirmação ou será que deveria ter dito isto:

    ” o andré ventura e o mamadou ba representam aquilo que é o sentimento da generalidade do país. felizmente”

    ou:

    ” o andré ventura representa aquilo que é o sentimento da generalidade do país e o mamadou ba não. infelizmente e felizmente respectivamente”

    ou ainda esta:

    ” o andré ventura não representa aquilo que é o sentimento da generalidade do país e o mamadou ba sim. felizmente e infelizmente respectivamente”

  82. «vamos ver lá se nos entendemos»,

    A resposta é simples: Representam.
    Muito mais do que os pedrosos, doutores, eminências pardas, e outros tontos que para aí andam, a quem o Povo não passa cartão.
    Por isso é que os Comentadores e Bloguistas anteriores andam aflitos sem saberem onde se meter.

  83. Penélope, dizes muito bem, o Mamadu não estava numa igreja nem é pregador. Ele é activista e líder da luta contra o racismo, e estava numa conversa com mais 3 pessoas. Não sabemos como nem porquê a conversa ganhou a notoriedade que agora tem, ela que é uma dos milhares de milhões de conversas que é possível ir buscar à Internet, mas não custa a perceber que foi exclusivamente pelo potencial persecutório e irracionalizante que está a explicar esta nossa conversa. É só o que conseguimos inferir do que vemos. Eu não tenho acesso ao que foi falado antes nem ao que foi falado depois do excerto disponível. Mesmo assim, parece evidente que ele não estava a discursar para pessoas com dificuldades cognitivas graves ou com cadastro como arruaceiras e perseguidoras de brancos. Pelo contrário, a sua audiência parece estar ao nível dele, exibindo sinais de entender o tipo de discurso intelectual, culto, usado e de partilhar da mesma experiência como vítimas do racismo.

    Este assunto é muito difícil porque ameaça a identidade de cada um de nós e a problemática sofre os efeitos da dissonância cognitiva onde nos sabemos instintivamente discriminadores de terceiros por inúmeras razões, incluindo a cor da pele e a nacionalidade, e da impossibilidade comum de o admitirmos, criticarmos e compreendermos de forma a nos livrarmos das disfunções e injustiças, até riscos, que tais pulsões geram. Por cima disto, o facto de usarmos linguagem escrita para debater tal matéria gera imediatamente uma dinâmica de “reductio ad Hitlerum” onde se extremam posições por causa dos mecanismos mentais defensivos para manter a integridade daquela identidade que grita furiosa “não sou racista e ai daquele que o sugira sequer pelo piscar dos olhos”. Apesar dessas dificuldades – por causa delas, acrescento – o assunto tem é de ser cada vez mais e mais bem discutido. Implacavelmente.

    Não há qualquer ambiguidade na metáfora usada porque, no próprio segmento que tem servido para todos os abusos e explorações por verdadeiros racistas, o Mamadu faz a hermenêutica cuidadosa da passagem que foi buscar num repente da memória. Ou seja, nem sequer podemos inferir que o Mamadu seja apoiante ou apreciador do Fanon, ou que concorde mais ou menos com as suas ideias ou obra ou exemplo, apenas podemos admitir que a expressão “matar o homem branco” foi naquela ocasião da sua fala um instrumento útil para explicitar o seu ponto de vista – o qual, como o mesmo vídeo exibe, decorre dos próprios valores inerentes à concepção da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Donde, só por cegueira cognitiva, ou intencional deturpação, é possível continuar a ver nessa expressão qualquer intento de promoção da agressividade e violência física. Convido-te ao seguinte exercício: transcreve o que o Mamadu está a dizer e depois lê o conjunto da ideia assim obtida.

    Quanto à humanidade frágil e sofrida do Mamadu, começo por me referir à dificuldade intransponível para mim pelo facto de eu não poder saber o que é não ser branco numa sociedade enormemente de maioria branca. Logo, é para mim inevitável que me escapam inúmeras situações onde há explícita ou implícita discriminação contra quem não seja branco. Porque Portugal está cheio de racistas? Não necessariamente, nem aparentemente, mas porque Portugal, como todos os restantes países, está cheio de discriminadores. Os motivos para discriminar alguém são mais que muitos e, quando tocam a cada qual, aí essa vítima tenta defender-se, apela à justiça de quem a rodeia, luta ou submete-se e desiste.

    Mas o próprio vídeo tem um momento cândido de humanidade universal, emotiva e nisso frágil, que é relativo ao relato que o Mamadu faz da sua ida ao Brasil e da sua vivência lá nessa ocasião. Convido-te também a apreciares essa passagem com curiosidade antropológica e empatia.

  84. Boas,
    Apanhaste um erro cometido por alguma mistura e troca de frases entre os 5 comentários às tuas baralhadas de retórica ilógica com que enches os teus comentários, contudo certamente que percebeste o sentido do meu pensamento visto que está bem expresso nos comentários “Às 23.12 do dia 8” e “Às 8:52 de 9 Março”, aliás, como em todos os comentários por mim aqui expressos e bem definidos pelo que o erro serviu de pretexto para teres balbuciado mais uma pedantice como essa de que ensinas alguém.
    Mas para teres a certeza do meu pensamento exacto acerca do posicionamento de Costa e dormires descansado podes ler a frase como tendo sido escrita assim:
    “(Costa) diz que o sentimento da maioria (generalidade) está equidistante (não equivalente) de um centro ou meio termo (linha de terra em geometria descritiva) das pessoas do país tais como BA e Ventura”.

    E, sim, termino com este diálogo pois senão com tal “professor da mula russa” ainda fico sábio como uma mula, também.

  85. aqui o doutor da mula russa é o kmacho por equivalência de menções a linques moscóvios.

  86. O Mamadou deveria ,em lugar de ter fugido para um país de racistas, ter lutado pelos seus e estar imensamente preocupado com as carradas de conflitos e guerras étnicas e religiosas em África ; aproveitava também para avisar todos os seus irmãos , sem fazer distinção de etnia , tribo ou religião , que não devem por um pé na Europa , porque somos muito , muito , maus , aqui , neste continente onde o homem branco continua vivo.
    Deveria ser mais Mia Couto , tentar ressuscitar o Homem Negro , com quem tanto temos de aprender, e menos Fanon.. no fundo não passa dum etnocentrista ocidentalizado sem piada nenhuma.

  87. fui ali buscar uma frase do Mia , para contextualizar :

    “Na verdade, ainda falta que a economia seja descolonizada do ponto de vista do seu modo de nos pensarmos, ou seja, os pilares do pensamento ainda estão profundamente enraizados na época colonial”

  88. “A resposta é simples: Representam.”

    o ventrujas não representa de certeza: 1,29%, 67.826 votos e um deputado.
    o mamadou nunca foi a votos.

    “Muito mais do que os pedrosos, doutores, eminências pardas, e outros tontos que para aí andam, a quem o Povo não passa cartão.”

    o pedroso foi eleito várias vezes deputado do ps com muito mais votos que o ventrujas. os outros não sei quem são, pela descrição e sem cartão da casa do povo devem ser chiganos.

    “Por isso é que os Comentadores e Bloguistas anteriores andam aflitos sem saberem onde se meter.”

    ui… foi a única coisa certa que disseste

  89. Depois desta longuíssima e calorosa controvérsia penso que só há uma conclusão a tirar: Com o acordo de uns e o desacordo de outros, nem André Ventura nem Mamadou Bo representam aquilo que é o sentimento da generalidade do país. Felizmente.

  90. Manojas,

    Cada um que tire as conclusões que entender. Por mim, vejo, quanto muito, sinais que mostram que a contaminação dos espiritos pelo discurso conservador de tipo trumpo-bolsonarista, que pretende apresentar a defesa da igualdade de direitos como uma forma de extremismo, não progride apenas nas tascas… Acho lamentavel. Lamento ainda mais que um primeiro ministro que se diz socialista e que eu ajudei a eleger, por calculo eleitoralista ou por qualquer outra razão, contribua claramente para esta contaminação com frases infelizes como a que deu azo a este debate, e dou o meu aplauso a pessoas como o Paulo Pedroso, que compreendem que é importante manter-se vigilante nesta matéria, porque infelizmente os retrocessos acontecem e que o Estado de Direito nunca se deve considerar como uma conquista definitiva.

    Boas

  91. “Cada um que tire as conclusões que entender. Por mim, vejo, quanto muito, sinais que mostram que a contaminação dos espiritos pelo discurso conservador de tipo trumpo-bolsonarista, que pretende apresentar a defesa da igualdade de direitos como uma forma de extremismo, não progride apenas nas tascas… Acho lamentavel.”

    eu acho lamentável é a tua hipocrisia, acusares os outros daquilo que praticas.

    “Lamento ainda mais que um primeiro ministro que se diz socialista e que eu ajudei a eleger, por calculo eleitoralista ou por qualquer outra razão, contribua claramente para esta contaminação com frases infelizes como a que deu azo a este debate, e dou o meu aplauso a pessoas como o Paulo Pedroso, que compreendem que é importante manter-se vigilante nesta matéria, porque infelizmente os retrocessos acontecem e que o Estado de Direito nunca se deve considerar como uma conquista definitiva.”

    mais do mesmo, volto a lamentar hipocrisia dum mentiroso que faz campanha pelo psd, diz que ajudou a eleger o costa (antes tinhas ajudado a eleger o sócras) e agora que o marcelo foi reeleito aplaudes o mandatário da ana gomes.

  92. Inacio,

    Não sejas parvo. Se encontrares um unico comentario meu, aqui ou onde quiseres, que possa ser caracterizado como propaganda proto-fascista, ou mesmo como a favor do PSD, xuta ai. Não encontras népia, nem és capaz de explicar onde à que os meus comentarios acima, neste post, se prestam a semelhante critica. A verdade nua e crua é que o Costa achou que podia aproveitar-se da fascização dos espiritos para disqualificar um militante anti-discriminações, distanciando-se assim dos valores que deveriam nortear a sua acção e os seus discursos. Nada a ver com as eleições presidenciais, nem com as tuas guerrinhas miseraveis, bem ao jeito de muitos comentadores. Quando o Paulo Pedroso dizia mal da justiça (com aplauso meu na altura), como isso podia abonar em favor de socrates, ele era considerado por ti como o maior. Agora que apoiou a Ana Gomes*, passou a ser um infame traidor. Foda-se, não ha paciência.

    * Esta é outra : também não és capaz de encontrar um comentario meu apelando a votar na Ana Gomes. Votei nela, decidindo-me à ultima da hora, mas não me lembro de ter apelado a isso. Mas no teu pequeno mundo de sempiterno benfica-sporting, quem não canta contigo é necessairamente um cão infiel. Mais uma vez, não ha paciência.

    Um beijo grande para ti

  93. “Quando o Paulo Pedroso dizia mal da justiça (com aplauso meu na altura), como isso podia abonar em favor de socrates, ele era considerado por ti como o maior.”

    quando o paulo pedroso era do ps e estava com o ps, agora demitiu-se do ps e não está com o ps. nunca o considerei maior nem menor, teve o respeito que merecia e agora não tem.

    o que mais há por estas caixas de comentários são escritos teus a defender ou louvar ideias de direita, cartihas psd e dirigentes ou aliados facholas, a tua condescendência com o chega é enternecedora.

    o gajo que diz ter votado sócras, costa, ana gomes à posteriori, defende a direita com e sem argumentos e fica histérico quando se denunciam os brochistas da direita, quer passar por socialista para dar força ao anti-socialismo que promove. exemplos: serve qualquer comentário que tenhas escrito nos últimos 10 anos.

  94. “o que mais há por estas caixas de comentários são escritos teus a defender ou louvar ideias de direita, cartihas psd e dirigentes ou aliados facholas, a tua condescendência com o chega é enternecedora.”

    Basta um. Se ha assim tantos, ha de estar nas tuas fracas capacidades encontrar um. Não te inibas pa…

    Bjs

  95. achas que me ia dar ao trabalho de te desmontar mais uma vez? para viró-disco-e-toca-o-mesmo já não há paciência nem sou teu empregado para te dar corda à ventoinha?
    já todos perceberam o que andas aqui a fazer, a credibilidade daquilo que argumentas e os objectivos da tua idiotice supostamente útil à causa dos travestis de esquerda.
    resumindo: baralhar e dar de novo.
    o valupi que te ature.

  96. Não foste capaz de encontrar…

    Que tristeza e que falta de nivel. Suspeito que nem sejas o inacio de ha uns anos atras, mas apenas uma triste mascara usada por um dos comentadores rascas que têm aparecido por aqui ultimamente, analfabetas funcionais, reformados bêbados que ja nem se lembram bem o que sonharam um dia fazer na vida e que, agora, não têm onde cair mortos. Paciência, dizes tu ? Foda-se, paciência é o que é preciso para ver este blogue, que ja teve interesse, soçobrar puxado para baixo por comentadores idiotas da tua laia.

    Mas não quero que fiques sem mais uma beijoca, a ultima, que a minha vida não é isso. Ciao, tens licença para desimpedir o intestino aqui em baixo.

  97. Não há volta a dar, não se esfalfem mais, conformem-se, nem o Ventura nem o Mamadou…et e tal. Mas para além disso, o que é lamentável, embora não inexplicável, é a sanha com que alguns dos comentadores se atiraram ao 1º Ministro devido à afirmação feita, mesmo não querendo concordar com ela. Claro que a explicação está no tipo de ressentimento de cada um ou da cor do seu clube político, que não será, certamente, cor de rosa.

  98. O prometido é devido e, apesar de ser pouco provavel haver ainda leitores nesta caixa, ca vão algumas observações a seguir à leitura de “Peau noire, masques blancs” de Frantz Fanon, que nunca tinha lido, apesar de ser um classico :

    1. A frase “é preciso matar o homem branco” não se encontra no texto. A frase é uma simplificação de uma frase do prefacio escrito por J-P Sartre, que na altura teria chocado o proprio Frantz Fanon ao ponto de o levar a querer explicar-se com o filosofo. A historia é contada aqui (https://www.youtube.com/watch?v=Q_xmPeqcD_A ). As outras citações contidas no artigo são, essas sim, extraidas do texto de F. Fanon.

    2. O livro de F. Fanon é todo ele dirigido contra a essencialização inerente ao racismo, o cientifico e o “cultural”. Na medida em que ele atribui esta representação à cultura “branca” (europeia), ele pugna pelo combate contra esta cultura, até ao seu desparecimento, em beneficio de uma representação do homem verdadeiramente humanista e universalista, que não nega a humanidade do negro, do amarelo, etc. Nem a humanidade, nem a “identidade propria”, o que implica que esta ultima não seja representada apenas, ou principalmente, por contraste, a partir da visão europeocentrista do “homem branco”.

    3. Apos leitura do F. Fanon, fui ouvir de novo os quatro minutos da peça a que se refere a Penélope, onde o Mamadou se refere de facto, atribuindo-a a F. Fanon (erradamente portanto), à ideia de “matar o homem branco”. Para quem se dê ao trabalho de ouvir o que ele diz, fica claro que esta citação se insere num discurso completamente virado contra a cultura do odio. De facto, ele diz “é preciso matar o homem branco assassino, colonial e racista”, o que é obviamente uma forma de dizer que é preciso matar o racismo, ou, mais propriamente, a cultura racista (que ele afirma ser propria da Europa ; e mais concretamente ainda do Eurocentrismo que tornou racista o homem branco, levando-o a definir a sua propria identidade, e por tabela o que ele vê com “humanidade” , na diferença em relação aos outros, os “barbaros” tidos por incultos, e nomeadamente os negros, considerados como animais desprovidos de humanidade.

    4. Atribuir à frase do Mamadou Ba um proposito racista, por analogia com os discursos racistas do passado, e fazer como se ele estivesse a apregoar uma guerra contra os homens brancos, ou o assassinio dos homens brancos, ou sequer a sua menorização, escravização, etc. é não querer compreender o que ele esta a dizer. Mais concretamente, é disqualificar o que ele diz caricaturando, devirtuando o sentido transparente do proposito, substituindo-lhe outro, fantasmagorico, que ilustra perfeitamente o que Manadou Ba diz um pouco mais à frente : não é por acaso que existe em muitos homens brancos, sobretudo naqueles que não querem verdadeiramente a igualdade, uma verdadeira psicose em frente à reivindicação de uma identitade negra, uma identidade negada durante séculos e que, precisamente, não é suspeita de racismo (como o é a identidade branca por razões historicas conhecidas).

    5. Releio os muitos comentarios a este post, e revejo-me totalmente no que diz o Mamadou Ba e acho que, infelizmente, ele tem mais razão do que nunca quando vemos o Primeiro ministro, certamente por inatenção ou ma informação, apresentar o que ele diz como uma forma de extremismo parecda, ou simétrica, das teorias abertamente discriminatorias de um Ventura, cujo programa é restabelecer a “ordem natural” desigualitaria consagrada durante o fascismo.

    Boas

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