Um dos melhores discursos presidenciais de sempre, o melhor de Marcelo

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Na minha imaginação ingénua e romântica, ligo este discurso – finalmente sem vestígios de sectarismo ou megalomanias palacianas – à entrada de Bernardo Pires de Lima como responsável para a área política na equipa presidencial. Porque estamos perante alguém que representa a direita não decadente, a direita decente e patriótica (para dar ênfase a uma forte passagem das palavras ditas ontem na Assembleia da República).

Obviamente, não faço ideia se a conexão é real. Nem sequer sei se o Bernardo actualmente se identifica como sendo de direita, sequer de centro-direita. Porém, caso não se identifique, tenho a dizer que será pena.

A paupérrima direita portuguesa está reduzida ao mais do mesmo dos golpistas mediático-judiciais da Cofina e do Observador, dos sebastianistas de Massamá, do rancor e sonsaria de Cavaco, do desvairo patareco do Rio, do fascismo-tachismo do Ventura e do inesgotável festim dos caluniadores profissionais. Estes infelizes irão continuar o belo serviço de se afundarem no esgoto a céu aberto da sua decadência pesporrente, porque acabam por preferir o bolso cheio a qualquer sacrifício que os obrigue a pensar no interesse nacional. Pode ser bom para a esquerda mas será mau para a comunidade dos que querem viver em liberdade.

A liberdade cresce e frutifica só quando entroncada no bem comum e tendo as suas raízes mergulhadas na diversidade de tudo e de todos.

12 thoughts on “Um dos melhores discursos presidenciais de sempre, o melhor de Marcelo”

  1. marcelo não gostou de ser colado, dias antes da posse, ao “portugal amordaçado” do cavaco e respondeu-lhe. cavaco fez birra e saiu de fininho depois de ter mandado dizer à comunicação social que se ia embora porque “teve de regressar a casa”. no próximo episódio consegue que o marcelo assine a ficha de inscrição no ps e supera a marca anterior da geringonça.

  2. Não me identificando em pleno com Bernardo Pires de Lima, tenho de reconhecer que a sua colaboração com a RTP enquanto comentador é o mais decente e os seus comentários têm a qualidade
    Boa aquisição do PR para o que para aí vem.

  3. Quase a concordar com Valupi, excepto na insistência desse regime “esquerda/direita” e na crítica que faz a Ventura.

  4. De todas as frases proferidas no discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, a que me tocou mais foi: — “A Nacionalidade não ser apenas o sítio de nascença”.

    O que remete para um Ser definitivamente separado do corpo (mero robot).

    E para a discussão provocada por Valupi em “Exactissimamente”.

  5. Rui e Valupi,
    Há nessas escolhas, uma, que merecia um forte debate.
    Refiro-me a António Damásio.
    Não sei se há aqui espaço para isso.
    Noutro sítio, tive essa discussão com um nick designado «Vento».

  6. Concordo absolutamente com o penúltimo parágrafo. É apenas a constatação de uma evidência, se não se esteve a dormir durante quarenta e tal anos.
    Quanto à parte da fantasia sobre a direita “não-decadente”:
    Também acho o Pires de Lima bastante sóbrio, mas isso não quer dizer peva.
    Vamos ver se ele se vai comportar patrioticamente ( e insurgir-se) quando o Celinho arregaçar as garras contra o governo, criando a “indesejada” crise política para levar os do clube ao pote.

    Para já, que é o que lhes interessa, montou guarda ao tesouro com medo que os xuxas gastem tudo em apoios.

  7. Infelizmente, acho que a malta de esquerda que votou Celinho não sabia que estava a contribuir para empossar o novo 1° ministro de um governo sombra.

    É que eu vi o Costa a piscar o olho quando disse que o Presidente era um bacano, caguei no papão do Ventas e votei João Ferreira.

    O problema é que o PM não deve ter pensado que até a malta de esquerda sonha com a direita “não- decadente” e ia votar em peso no surfista reformado.
    Também, ou era isso, ou ainda se estava a falar na derrota retumbante do PS nas presidenciais.

  8. “Infelizmente, acho que a malta de esquerda que votou Celinho não sabia que estava a contribuir para empossar o novo 1° ministro de um governo sombra.”

    todas as hipóteses são possíveis. não seria a primeira vez que o be e o pcp votariam para derrubar um governo ps e ajudar a direita a “chegar” ao pote.

    “É que eu vi o Costa a piscar o olho quando disse que o Presidente era um bacano, caguei no papão do Ventas e votei João Ferreira.”

    acredito quando apresentares o vídeo dessa cena. também há quem tenha votado no ferreira e não sinta necessidade de o afirmar. não conheço nenhum votante do ferreira que acreditasse na sua vitória.

    “O problema é que o PM não deve ter pensado que até a malta de esquerda sonha com a direita “não- decadente” e ia votar em peso no surfista reformado.”

    nota-se que o pm não pensa, que tu percebes disso a potes e que votar no ferreira resolveu esse problema.

    “Também, ou era isso, ou ainda se estava a falar na derrota retumbante do PS nas presidenciais.”

    talvez tivesse uma derrota rebundante, mas para isso tinha de concorrer e dar o cu ao manifesto. foi suficientemente esperto para não o fazer e espero que o meta no bolso como tem feito com outros artistas, a bem da democracia.

  9. Marcelo disse neste seu discurso que em março de 2016 (quando tomou posse pela 1ª vez) se punha a questão de saber se o governo (de Costa) iria prosseguir a política de equilíbrio orçamental do governo anterior. Adiante, declarou:

    “Portugal continuou o caminho das contas equilibradas. Fê-lo, acelerando compensações sociais e reforçando o sector público, o que, sendo o programa dos novos governantes, se opunha ao rumo dos seus antecessores. Sairia do processo de défice excessivo em 16 de junho de 2017. (…) Daria passos importantes no equilíbrio orçamental, na internacionalização, no digital, nas exportações, no turismo, na inovação e nalguma mudança agrícola, sabendo, em vários domínios, aproveitar caminhos antes desbravados. Atenuaria, suavemente, a pobreza e algumas desigualdades sociais. Reforçaria o prestígio e o protagonismo externo, nas Nações Unidas, no Eurogrupo, na Organização Internacional para as Migrações, nas forças nacionais destacadas, nas missões solidárias, como em Moçambique, na cultura, na ciência, no desporto. Iria, porém, adiando investimentos ou transformações mais profundas em competitividade empresarial, infraestrutura, administração pública, Serviço Nacional de Saúde e, em parte, na Justiça.
    À entrada de 2020 (…) Portugal, com excedente orçamental e, de novo, convergência económica com a Europa, esperava encarar anos de crescimento duradouro, num ambiente político, todavia, muito diverso daquele de 2016, mais fragmentado e mais complexo, conhecendo a chegada ao sistema de novas forças políticas e sociais (…)”.

    Dando uma no cravo, outra na ferradura, o PR reconheceu sem particular entusiasmo os progressos conseguidos entre 2015 e 2020, sem contudo nomear o governo de Costa (foi “Portugal” que os conseguiu, não o governo) e sublinhando duas vezes a “continuação” do equilíbrio orçamental do governo anterior e o aproveitamento dos alegados “caminhos desbravados” pelo dito. A pobreza foi atenuada, mas só “suavemente”. De repente surge, não se percebe como, o “excedente orçamental”, sem referir que tal acontecia pela primeira vez em meio século. Reconhecendo que o governo de Costa “reforçou o sector público”, depois afirma, repetindo os argumentos da oposição, que o mesmo governo descurou o investimento em infraestrutura, administração pública, Serviço Nacional de Saúde e Justiça.
    Tudo somado, Marcelo foi igual a si próprio, o que ainda o deixa muitíssimos pontos acima do seu predecessor, o Cavaco do célebre discurso raivoso e demagogo de 9 de março de 2011, em que disse que “há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos”, algo que depois se esqueceu de repetir durante os quatro anos em que o seu amigo Coelho empobreceu Portugal e espoliou o “comum dos cidadãos” até ao osso.

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