Ele próprio o afirmou numa entrevista ao canal inglês ITV antes da Convenção do Partido Democrático americano e próximo da publicação pela Wikileaks de e-mails pirateados da Comissão Democrática Nacional, que indicam que funcionários do partido apoiaram a título privado a nomeação presidencial de Hillary Clinton. (notícia no New York Times)
At one point, Mr. Peston said: “Plainly, what you are saying, what you are publishing, hurts Hillary Clinton. Would you prefer Trump to be president?”
Mr. Assange replied that what Mr. Trump would do as president was “completely unpredictable.” By contrast, he thought it was predictable that Mrs. Clinton would wield power in two ways he found problematic.
First, citing his “personal perspective,” Mr. Assange accused Mrs. Clinton of having been among those pushing to indict him after WikiLeaks disseminated a quarter of a million diplomatic cables during her tenure as secretary of state.
“We do see her as a bit of a problem for freedom of the press more generally,” Mr. Assange said.
“Freedom of the press“, diz ele. Sabendo que poderia dividir os democratas, acirrar os ânimos dos apoiantes de Bernie Sanders e favorecer assim, indiretamente, o candidato republicano, Assange usa da sua liberdade de imprensa, eventualmente garantida pelos russos, que parece preferirem também Trump, para vingar um ódio pessoal. De notar ainda como ser “totalmente imprevisível” (qualidade atribuída a Trump) é, para Assange, uma boa coisa. É caso para acreditar que está à espera de boas surpresas vindas do inenarrável candidato republicano.
Os jornalistas dos Panama Papers emudeceram para não levantarem ondas prejudiciais aos seus amigos; este publica fugas conseguidas sabe-se lá por quem para intervir politicamente em nome de uma vingança pessoal. São todos extraordinariamente isentos. Sim, é verdade que o New York Times, que também não tem que gostar do Trump e não gosta, sabe que o que publica tem uma intenção e também um efeito. A notícia é, porém, objetiva e pertinente. Dir-me-ão que o “leak” do Assange também era pertinente (embora quase ineficaz), porque ele preferia o Sanders (que não é má pessoa, só demasiado sonhador e utópico e com menos hipóteses de vencer a nomeação). Mas a verdade é que não era o Sanders que iria ganhar a nomeação e muito menos derrotar o Trump, caso tivesse sido nomeado. A questão é, pois, a seguinte: o Assange quer o Trump como presidente dos Estados Unidos? A sério?? Até o nosso PCP já conseguiu descortinar algumas diferenças entre os nossos dirigentes locais, quanto mais este pateta quando está em causa o governo da maior potência militar do planeta.


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