Tribunal ou demissão

Esta novela das sanções está a deixar-me deveras furiosa. Imagino ao Governo. Vão ser aplicadas, não vão ser aplicadas, são punitivas (por 2015), são preventivas (preventivas do quê, se provocam desgraça maior no curto prazo? Além de que ser preventivo é ilegal), só serão aplicadas se no prazo de três semanas o Governo não anunciar mais medidas de austeridade para reduzir o défice, que, a propósito, já está a ser suficientemente reduzido sem mais medidas…, são aplicadas apenas a Portugal, são também aplicadas a Espanha (que, a propósito, nem fala disso; por cá, a CS, esmagadoramente de direita, está a adorar empolar o tema), e mais outras tantas incógnitas no meio de “notícias” sem fonte identificada da Comissão, logo prontamente parangonadas. Estes disparos sobre o nosso país, alegadamente por causa de duas décimas de desvio, não pode ser positivo e não está a sê-lo. Tem consequências. E o mais trágico é que cada vez me parece mais difícil um recuo das chamadas «instâncias europeias» encarregadas do chicote. Vamos descer ao nível da imploração? Já descemos?

A direita portuguesa, totalmente imoral, como sempre, deixou-se das iniciais e artificiais humildade e indignação e resolveu agora aproveitar a possibilidade real de sanções (se é que não as está a incentivar nos bastidores) para dirigir a responsabilidade para o Governo atual, dizendo claramente que um governo-marioneta como o de Passos conseguiria todos os perdões. O descaramento, tal como a sede de poder e o gosto pela triste figura, é descomunal. No fim de todo este suspense e, pior do que isso, de toda esta campanha de destruição do atual governo, se chegarem mesmo a impor-nos sanções, não me parece que reste qualquer alternativa a António Costa que não seja o recurso corajoso para o Tribunal de Justiça Europeu (há fundamentos) ou a demissão pura e simples acompanhada da denúncia veemente e internacional destas jogatanas político-ideológicas, que arruínam um país para o tornar mais dependente.

Com o caos político gerado no Reino Unido por causa do «sim» à saída da União Europeia, os alemães (já que são alemães os que recentemente se têm pronunciado), pressentindo os ganhos que a deslocação do centro financeiro, ou de parte dele, de Londres para Frankfurt lhes pode trazer, sentem-se ainda mais reis e senhores do «feudo europeu» e é já à descarada que ameaçam um país que ousou eleger um governo que, embora não desrespeite os seus compromissos financeiros externos, não alinha pela cartilha do empobrecimento competitivo (uma autêntica falácia)  nem pela submissão a Berlim. É também à descarada que anunciam, pela voz do ignóbil Schäuble, a intenção de tomar decisões que a todos afetam e vinculam na Europa, mas apenas com alguns Estados-Membros à sua escolha.

Não tendo nunca sido aplicadas sanções a nenhum país que tenha violado os limites do défice, o sentimento de injustiça só pode crescer e alimentar o desencanto, e o mal-estar, com os atuais líderes do projeto europeu. Não sei quando é que os europeus (em geral, e nós também) aprendem que é sempre desastroso entregar a liderança de um projeto comum aos alemães. Primeiro, lixamo-nos todos. No fim, sobre os escombros, e ao contrário do futebol, lixa-se a Alemanha. Não sei como evitar esta fatalidade. No entanto, ela está à vista de todos.

10 thoughts on “Tribunal ou demissão”

  1. Talvez criarmos um FMI de esquerda, um grupo de acompanhamento do defice socratico, um Utao com os galambas deste país e por aí fora, teriamos só opiniões favoráveis ao governo do nº2 do socrates, o sr dão sebastião Costa. Sé conseguissem investidores venezuelanos ? que não se deixam influenciar pela medidas todas maravilhosas do Centeno e Catarina teriamos um paraíso aqui. Depois bastava uma moeda propria para conseguirmos dinheiro para pagar as pensões, ordenados, SNS , enfim aquelas miudezas que a UE nos facilita, que paguemos a prestações e fundamental , as gerações futuras que paguem!.Assim podemos gozar em paz as socratices e galambices maravilhosas.

  2. Caro Antonio Cristovao e que tal um FMI imparcial, acompanhado por gente imparcial, com uma uniao europeia com lideres imparciais, que nao mudam de opiniao consoante o que as pessoas elegem para o governo dos seus paises? Eu sei que voce pensa que isto tem piada, porque voce apoia um determinado partido que compete contra o que esta no governo, por isso imagino que na sua cabeca o que vai é que “pimenta no rabinho dos outros é refresco para mim”, mas desengane-se, seja qual for o partido que la estiver, o rabinho com pimenta é o seu, ja devia ter percebido depois de 4 anos a enfiarem-lhe por aí todas aquelas Weisswurst.

  3. Se dúvidas ainda existissem, acerca da parvoíce e atraso mental do “cristóvio”, acabaram de vez. É mesmo estúpido!!!
    E ao contrário do jfferra, eu mando-o mesmo: Ó cristóvio, vai à merda!!!

  4. Era uma vez uma bela e harmoniosa família, com um pai tido por brilhante educador e pedagogo. Um dia, um dos filhos pedalou demasiado depressa na bicicleta, estampou-se numa curva e partiu uma perna. Tratada a dita, ao fim de algum tempo o puto começou a ter sessões de fisioterapia regulares. Filho obediente e disciplinado, não faltava a uma sessão e fazia tudo o que o paizinho mandava. A recuperação, porém, não avançava à velocidade que o senhor previra e o rapazinho continuava a coxear. O que fez, então, o brilhante educador, para acelerar a recuperação do rebento? Elementar, meu caro Watson: partiu a outra perna ao puto!

  5. o ‘el pais’ de ontem não trazia uma linha dedicada ao tema das sanções. devem ser loucos estes espanhóis: a acreditar na imprensa portuguesa também eles ‘estão na mira’ das temíveis sanções…
    não andará a imprensa portuguesa a fazer o frete a alguém?

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