Saudades do Oriente romântico por nós inventado

O Oriente violento está agora mais próximo. Na Turquia, as dezenas de milhares de pessoas que, no âmbito de um golpe de Estado desta vez não falhado, estão a ser expulsas dos serviços públicos por suposta traição – professores, reitores de universidades, governadores civis, militares, polícias, magistrados, funcionários – vão fazer o quê, vão pensar e sentir o quê, vão viver do quê e vão viver onde? Como pensará Erdogan manter a paz no país? Fuzilando estas dezenas de milhares de pessoas? Abrindo-lhes as portas para a Europa, quer dizer, para a Grécia (olha quem) e a Bulgária, esperando que prossigam para bem mais longe? E se estas pessoas encontrarem muros (ou armas), que cada vez mais se erguem e erguerão, à medida que o número de atentados executados por muçulmanos e o sentimento anti-imigração forem aumentando na Europa?

É claro que o risco é grande de alguém disparar sobre Erdogan ainda antes. Mas, dado o apoio de que goza, não faltava mais nada à Europa do que uma Turquia em guerra civil. Se não acontecer, tenho um receio igualmente grande: uma vez o país islamizado, com as mesquitas a comandarem a rua, como parece já estar a acontecer, será muito difícil reverter a situação, como vemos nos países da chamada «primavera árabe». E assim ficaremos paredes meias com a barbárie e o obscurantismo, que pensávamos um pouco mais distantes. E, se o Ocidente se mostrar hostil, o que impedirá uma população islamizada de simpatizar com o DAESH? Há quem diga que já não antipatizam muito, nem a nível oficial.

Se alguém tiver uma solução para o problema que a neo-selvajaria, seduzida por – e inspirada na – violência gratuita de muitos filmes de Hollywood (basta ver a propaganda do EI), coloca à paz no mundo, que a anuncie. Por mim, coroá-lo ou coroá-la-ei rei ou rainha do universo. A tarefa exige grandes dotes intelectuais e estratégicos. E não vale estar constantemente, e sempre de modo incompleto, a falar nas causas e nas responsabilidades do Ocidente. O que está feito, está feito e a violência existe mesmo entre correntes do islão e data de há séculos. O Ocidente tem jogado com os antagonismos intrarreligiosos para defender os seus interesses em cada caso. O caso mais recente foi na Síria. Mas não esteve só. Os seus aliados árabes e muçulmanos (mesmo os pontuais) estabeleceram acordos e pactos com o Ocidente. Uma solução para o futuro é o que se precisa. Possivelmente não bastará a paciência (apostando que esta onda passará) e os milhões gastos em reforço da segurança, aliás, muito fácil de contornar por quem não tem problema nenhum em morrer. Estarão para breve ditaduras violentas também no Ocidente?

11 thoughts on “Saudades do Oriente romântico por nós inventado”

  1. Putin que invada a Turquia … mate os maus , corte a cabeça ao erdogan , mostre na televisão , e instaure a democracia à mode israelamérica , tipo bush e iraque-

  2. a 3 º guerra há-de começar por alguma ponta , e o sitio por donde é costume começaemr é mesmo ali ao lado da turquia.. de esta não nos livramos , escusas de pedir soluções , não há. é ir começando a construir os bunker.

  3. No presente, tal como no passado (‘n’ civilizações já desapareceram), a SOBREVIVÊNCIA é uma coisa difícil e complicada!
    .
    —» Há que lutar pela sobrevivência!
    .
    .
    Todos diferentes, Todos iguais… isto é: todas as Identidades Autóctones devem possuir o Direito de ter o SEU espaço no planeta!
    .
    Quando se fala no (LEGÍTIMO) Direito à Sobrevivência de Identidades Autóctones [nota: Inclusive as de ‘baixo rendimento demográfico’… Inclusive as economicamente pouco rentáveis…] Nazis-Económicos (nazis-à-USA) – desde há séculos com a bênção de responsáveis da Igreja Católica – proclamam logo: «a sobrevivência de Identidades Autóctones provoca danos à economia…»
    [nota: os nazis-económicos (nazis-à-USA) provocaram holocaustos massivos em Identidades Autóctones]
    .
    .
    .
    P.S.
    -» Nazismo não é o ser ‘alto e louro’, bla bla bla,… mas sim a busca de pretextos com o objectivo de negar o Direito à Sobrevivência de outros!
    -» Os ‘globalization-lovers’ nazis que andam por aí… buscam pretextos… para negar o Direito à sobrevivência das Identidades Autóctones.
    -» Pelo contrário, os separatistas-50-50 { separatismo–50–50.blogspot.com/ }não têm um discurso de negação de Direito à sobrevivência de outros… mais, os separatistas-50-50 não são anti-imigração… isto é, os separatistas-50-50 apenas reivindicam o Direito à Sobrevivência da sua Identidade!… LEIA-SE: os ‘globalization-lovers’… que fiquem na sua… desde que respeitem os Direitos dos outros… e vice-versa!

  4. http://www.livroscotovia.pt/catalogo/detalhes_produto.php?id=80

    Ó Penélope, tens de ler uns capítulos do Edward Said para iniciares essa karmika «tarefa [que] exige grandes dotes intelectuais e estratégicos» (pois, apesar do groove do título, o post é um completo engano).

    «Se alguém tiver uma solução para o problema que a neo-selvajaria, seduzida por – e inspirada na – violência gratuita de muitos filmes de Hollywood (basta ver a propaganda do EI), coloca à paz no mundo, que a anuncie. Por mim, coroá-lo ou coroá-la-ei rei ou rainha do universo», ui?

    Essa tua neoselvajaria é o quê, afinal? Bárbara pois ali «a violência existe mesmo entre correntes do islão e data de há séculos», uma cena endémica? Hoje até pede meças ao posts do João Lopes incensado no altar (eis uma cena oriental) do Valupi!

  5. ai que título tão lindo que faz sonhar! a solução é essa mesma: sonhar. se sintonizarmos, cada um no mundo inteiro, o nosso pensamento e palavras – uma espécie de programação neurolinguística colectiva – no oriente romântico, sem ser à moda trágica do ocidente, vamos conseguir. :-)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.