Cineterapia

Vai ver este filme
Lincoln_Spielberg

Vai ver este filme. Talvez seja o melhor Spielberg de sempre. Sem dúvida, o mais fordiano.

Vai ver este filme. Uma beleza. Ternura.

Vai ver este filme. Vem descobrir, ou celebrar, as mãos sujas de liberdade sem as quais a democracia não nasce nem vence.

Revolution through evolution

Men Married to Women With Higher Incomes More Likely to Use Erectile Dysfunction Medication
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Cupid’s Arrow: Light Shed On Laws of Attraction
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Playtime: Affectionate, Less Controlling Mothers Have Strongest Relationships With Their Children
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Men Are from Mars Earth, Women Are from Venus Earth
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The Brilliance of the Dog Mind
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Twenty-One Minutes to Marital Satisfaction: Minimal Intervention Can Preserve Marital Quality Over Time
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Targets of Bully Bosses Aren’t the Only Victims
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Why Norway Is Paying a South American Country To Not Cut Down Its Trees
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Mediocre Managers as Damaging as the David Brents of the Workplace, According to New Study
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Food on the Mind: 20 Surprising Insights From Food Psychology
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Having a Tony Stark in the Office Is Fine as Long as You Hire a Pepper Potts
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What Are Dogs Saying When They Bark?
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Study Finds It’s Better, Healthier to Give Than Receive

“Piqueno Livro Laranja” de Oliveira e Costa

Foi então que alguém disse, numa reunião qualquer, que o Sócrates andava a fazer quilómetros para os tascos e rulotes da Margem Sul em ordem a receber os envelopes castanhos com que andou a vender o Freeport aos bifes. Aquilo deixou-nos a pensar… envelopes… e logo dos castanhos… o sacripanta dum raio… Nisto, tive uma visão: sacos beges. Muitos. Grandes. Do tamanho das sacas de farinha de 50 quilos. Era genial: a malta só tinha de encher o saco no banco e despejá-lo em casa. E dava para reutilizar o mesmo saco uma série parva de vezes!

Era nestes pormenores que se via a nossa sofisticação e superioridade face aos foleiros do PS que nem roubar com pinta sabiam.

Capítulo 11, A Linha de Masssa

Seguro lava mais branco

Pode dar-se o caso de Seguro ter a estratégia certa; isto é, conseguir mesmo chegar a primeiro-ministro com este discurso onde camaradas seus com responsabilidades governativas anteriores sejam retratados como mentirosos e cobardes. Tudo é possível neste universo quântico. Mas os factos são os factos:

– Ninguém obrigou Seguro a candidatar-se a secretário-geral do PS na situação em que iria suceder a Sócrates e ficar condicionado pelo Memorando.

– O silêncio cúmplice com a direita a respeito do passado do PS que foi mantendo até 5 Junho de 2011, e o qual manteve até à presente crise interna, é algo completamente estranho e disfuncional, até aviltante, na história do partido.

– Ao permitir-se injuriar os “quatro últimos Governos” (??) por atacado, equivalendo os contextos e razões que levaram ao não cumprimento das promessas eleitorais respectivas, Seguro verbaliza o maior branqueamento que é possível fazer-se da golpada de Passos-Relvas utilizando o seu próprio partido como instrumento dessa operação.

Seguro repete, repete e repete que nada tem prometido porque é o único político em condições de carácter para cumprir seja lá o que for que venha a prometer quando chegar o tempo das promessas. Pelo meio, anuncia-se como mais um salvador que, com a sua transcendente coragem, vai finalmente fazer as reformas que mais ninguém conseguiria realizar.

Pois, nada disto mereceria o gasto de uma caloria ao cidadão apaixonado pela cidade não fosse o actual regime democrático estar dependente do PS para se sustentar num compromisso republicano onde impere a racionalidade e o bem comum. O que faz do PS um partido demasiado importante para ser deixado a sufocar afogado no poço sonso desta vexante liderança.

Socratopatia

Assim que Cavaco e Santana abandonaram o poder, em 1995 e 2005, não mais foram alvo dos extremados insultos e aversão que marcaram o seu exercício governativo. Puderam nos anos seguintes usufruir do espaço público sem sofrerem qualquer estigma ou perseguição oriunda da esquerda, sequer da extrema-esquerda.

Não é esse, jamais será, o destino de Sócrates. A caminho dos dois anos depois de abandonar o poder, o cerco continua. Provavelmente, não passou um único dia em que o seu nome não tenha sido invocado por um governante, deputado, dirigente partidário, publicista, jornalista ou participante popular numa qualquer rubrica de discussão aberta na comunicação social. E esta atenção em nada diz respeito a um balanço e discussão de boa-fé da sua actividade como primeiro-ministro, algo que a ser feito muito enriqueceria o debate político, e até a cultura portuguesa, fossem quais fossem os resultados. Nada disso. Quem fala em Sócrates obsessivamente pretende continuar a castigá-lo e a usá-lo como bode expiatório.

Há dois, e só dois, tipos de figuras que não largam Sócrates: os pulhas, que exploram as vantagens da constante e alucinada calúnia para efeitos de hipocrisia e alienação política ou para ganhos comerciais; os broncos, que são o fruto da miséria, tanto a económica, como a intelectual, como a moral. Tudo somado, é muita gente junta. As campanhas negras tiveram, e continuam a ter, sucesso – inclusive junto de militantes e actuais dirigentes socialistas! Para milhares, quiçá milhões, de portugueses já nada poderá resgatar o bom nome daquele político que foi alvo das maiores e mais ousadas conspirações que aconteceram em Portugal depois do 25 de Abril.

Veja-se o que aconteceu no Público: acaba de ir buscar ao Correio da Manhã, onde estava como peixe na água, o João Miguel Tavares. Este ser pertence a um grupo de profissionais da indústria da calúnia que depende de Sócrates para o seu ganha-pão e que tem no Pacheco Pereira o lendário mentor e perene inspiração. É claro que se adivinha haver ali algo mais, uma genuína perturbação mental. Contudo, eles trocam o seu ódio por dinheiro e, remédio santo, exibem-se em níveis óptimos de vitalidade quando invocam a diabólica entidade.

Neste mesmo Público encontramos uma brilhante pista para o diagnóstico da epidemia, pela mão de outra e celebérrima vedeta na indústria da calúnia:

Ninguém deve acreditar em coincidências, sobretudo quando os actos políticos têm como protagonistas políticos de apurado faro como provaram ser os “socráticos”.

Zé Manel, 8 de Fevereiro de 2013

É mesmo assim: se mete socráticos, não há coincidências. A realidade torna-se cristalina e, súbito, é tudo muito simples. O que há é perfídia, maldade e perigo para a gente séria. E quem serão os terríveis socráticos? É qualquer um que tenha sido visto a tomar um café com Sócrates, ou mesmo quem não berre pela prisão dessa gatunagem com os decibéis suficientes. É o Pedro Silva Pereira, obviamente, esse paspalho sem qualidades. É o Vieira da Silva, esse monstro que esmaga laranjas ao pequeno-almoço. É o temível Lello. É o prestigiado Ricardo Rodrigues, um líder que arrasta multidões sempre que não anda ao gravador. É o Costa, mas só caso se deixe contaminar pela presença de tão detestáveis parceiros. É a cona da minha mãe (juro). Mas, acima e antes de tudo, é quem apareça com “apurado faro“.

Percebe-se. Contra o apurado faro, não há perfume que consiga disfarçar o bafo putrefacto que emana de quem vendeu a inteligência à oligarquia.

Estado da oposição

Governo eliminou intencionalmente ligação à SLN

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Franquelim Alves: Nuno Melo não disfarça o embaraço

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Álvaro Santos Pereira invocou carta de 2 de Junho de 2008 para demonstrar que Franquelim Alves denunciou fraude do BPN.

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“Menos de um terço” das PPP são dos governos de Sócrates

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O regresso do TGV

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UTAO: Buraco na receita pode comprometer défice

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Sondagem da Eurosondagem para o Expresso e SIC relativa a fevereiro revela uma ligeira recuperação dos sociais-democratas e uma pequena perda dos socialistas.

A arma da semântica

Este Sábado o Conselho de Ministros começa a “debater” o corte na “despesa” do Estado.

Diz-se que somando os estimados 3 mil milhões de Euros e os 800 milhões de Euros (contabilizados como riscos orçamentais), o corte ronda os 4 mil milhões.

Amanhã é dia 9 de Fevereiro e o plano dos cortes, esta “reforma do Estado”, tem de ser apresentado até ao fim do mês.

Não me lembro de tamanha patologização da política. A arma do Governo é a palavra. É uma arma poderosa, que esconde e induz, que mente e engana, que tira e destrói, tudo a coberto de eufemismos, essa bomba atómica dos piores dos Regimes.

Não há reforma ou refundação do Estado, como é evidente. Não estamos em 1822, nem em 1911, nem em 1933, nem em 1976. Esses são momentos de reforma do Estado.

 A reforma ou refundação do Estado tem um significante profundo, não é um número correspondente ao falhanço governamental de uma dada conjuntura.

Reformar o Estado não é manter a nomenclatura “Estado Social de Direito” e cortar o seu conteúdo com uma semântica que tenta destruir o consenso alargado existente na sociedade portuguesa, que sabe por que razão saúde pública é para todos, ricos e pobres.

Atualizar as funções do Estado a cada momento histórico, torna-las mais eficientes, fazer diagnósticos periódicos acerca do funcionamento da AP e tomar medidas é um dever; destruir o discurso constitucional, com uma semântica própria dos poderes absolutos, à conta das contas que falham, é inadmissível.

Não podemos confundir o poder da palavra e a palavra do poder.

 No P3

 

 

 

 

“Piqueno Livro Laranja” de Oliveira e Costa

No princípio, éramos todos honestos. Com frequência diziamos verdades uns aos outros e até a alguns estranhos. Mas depois, com o passar repetitivo das estações, reparámos que o Constâncio nos estava a provocar com a sua passividade, com a sua indiferença. Isso magoou-nos muito, muito. Começar a roubar, e cada vez mais, foi a única forma que encontrámos para conseguir aguentar a dor.

Maldito sejas, Constâncio, que nos arrastaste para uma vida de luxúria e estadias prolongadas em Porto Rico.

Capítulo 22, Formas de Pensar e Métodos de Trabalho

Mas quem pensa este homem que é?

Seria admissível que, por exemplo, Ricardo Salgado, ou até Faria de Oliveira, viessem dizer em público que recomendariam a pessoa X ou Y para uma determinada pasta do Governo? E então se fosse no Governo anterior?
Pois Fernando Ulrich não só desenvolveu um gosto surpreendente pelo palco como também entende que pode dizer tudo – desde ofensas reiteradas aos cidadãos privados de meios de subsistência até sugestões para pastas do Governo (que até implicam a substituição ou a retirada de poderes ao ministro atual). Este é um país que nunca imaginámos possível.

O presidente executivo do BPI considerou hoje o secretário de Estado-adjunto, Carlos Moedas, como um homem apto para “comandar” o trabalho de revitalizar a economia portuguesa em virtude da sua experiência de trabalho com a troika.

Todo um sistema constitucional e legal corrompido como se nada se passasse

É difícil escrever todos os dias sobre os atropelos, por parte do Governo, às praxes, ao bom senso, ao respeito pelo próximo, à perceção básica de que a Constituição é a lei das leis, a isto que só a quem não tem sentido de Estado parece muito. Não é muito.

É a fronteira.

Este decreto-lei nº 19/2013, de 6 de Fevereiro não pode passar pelas esquinas das notícias mais sonantes. Trata-se de um dos precedentes mais perigosos que vi em matéria de direitos, liberdades e garantias, concretamente ao direito à contratação coletiva (artigo 56/3 da CRP.

O Governo, apesar de nem sequer poder legislar sobre a matéria, já que a mesma é reserva relativa da AR – artigo 165º – o que significa que necessitaria de uma lei de autorização -, no escurinho do Conselho de Ministros, aprova o DL nº 19/2013.

Sem qualquer respeito pela negociação coletiva – é mentira comprovada que o tenha feito – inventa esta nova forma de tornear acordos coletivos de trabalho de que não gosta: extingue-os pela pena de um nº 1 de um artigo 9º do decreto-lei em causa. Isso mesmo: extingue-os. Os trabalhadores que correspondem ao IFADAP deixam de ter o seu ACT.

É justo perguntar: a lei fazia isto?

Não.

Por força da entrada em vigor da Lei nº 12- A/2008, de 27 de fevereiro, que estabelece os regimes de vinculação, de carreiras e de remunerações dos trabalhadores que exercem funções públicas, bem como da Lei nº 59/2008, de 11 de Setembro, que aprova o regime jurídico do contrato de trabalho em funções públicas, os trabalhadores do IFAP, sujeitos ao regime dos trabalhadores bancários, passaram a ser também trabalhadores em funções públicas. Respeitando o direito à contratação coletiva, nos exatos termos em que o mesmo é delimitado constitucionalmente e pelo próprio Tribunal Constitucional – estas pessoas não leem Acórdãos? – as leis em causa asseguram que se mantêm os ACT em vigor, os quais só se podem extinguir por acordo ou por denúncia pela entidade empregadora, a qual só se torna eficaz dez anos após a última revisão global do ACT.

 

Quais são os limites? Que pensará quem faz uma coisa destas? Que a competência da AR é uma formalidade e não uma regra orgânica essencial da democracia? Que tudo o que já foi escrito e decidido jurisprudencialmente sobre o direito, liberdade e garantia à contratação coletiva pode ser revogado num preceito “ a ver se ninguém dá por isso?” E de futuro? Cada vez que apareça um ACT que “incomode” revoga-se o mesmo?

E o PR? Promulga este atentado aos direitos dos trabalhadores, mesmo com precedentes claros do TC?

Isto é todo um sistema constitucional e legal corrompido como se nada se passasse.

(No Público de hoje)

“A Fraude”: sairá drama ou farsa?

Desde ontem está em cena na SIC “A Fraude”, peça dramática em quatro actos.

Oxalá não saia farsa!

Na publicidade que têm feito diz-se que a investigação descobriu coisas novas e vai trazer à luz do dia certos nomes que andavam na penumbra. Conhecendo do que a casa gasta, não me admirava nada que os tais nomes, descobertos pela SIC, de novos implicados no caso BPN fossem, por exemplo, José Sócrates, Teixeira dos Santos, etc. A ver vamos. Para já uma certeza: Constâncio vai estar sempre na baila, como era de esperar.

Quaisquer que tenham sido as falhas da supervisão ou a “ingenuidade” de Constâncio (esta confessada pelo próprio no primeiro inquérito parlamentar ao BPN, como ontem vimos na primeira parte da reportagem), um dos aspectos da história que a direita e a extrema-esquerda mais retiveram foi o facto de o então governador do Banco de Portugal ser socialista. Caía que nem ginjas. O partido dos banqueiros corruptos, o PSD, agradeceu ao deputado Melo a maneira habilidosa como conduziu o interrogatório para inculpar a supervisão, poupando assim os quarenta ladrões do bando laranja. A extrema-esquerda, na sua enésima convergência política com a direita “lacaia dos monopolistas”, explorou quanto pôde o caso BPN na tentativa imbecil de lançar lama sobre Constâncio, sobre o PS e sobre o governo socialista. Leia-se o famoso relatório do Semedo sobre o caso BPN, que não anda longe do que os comunistas disseram, se a alguém interessa o que disseram.

Idênticas “falhas” de supervisão ocorreram em todos os países, a começar pelos EUA. Sabemos hoje que o sistema financeiro não estava preparado, em lado nenhum, para as altas manigâncias e para o grau de banditismo bancário que levaram à crise financeira iniciada em 2008. Em particular, o BP, com um regime legal datado do cavaquismo, não tinha os meios indispensáveis para detectar essas fraudes, intervir atempadamente e evitar a bandalheira em que se caiu. Já o afirmou com toda a clareza um dos raros banqueiros portugueses em cuja palavra e inteligência confio, José da Silva Lopes.

Claro que também havia um ambiente injustificado de confiança, a rondar a condescendência, que anestesiou muitos responsáveis. Esses economistas todos – uns banqueiros, outros supervisores, outros ainda políticos – conheciam-se pessoalmente das faculdades onde leccionaram (sobretudo do ISE, da Nova e da Católica), do Banco de Portugal onde quase todos trabalharam e das salgalhadas políticas em que andaram envolvidos sob diversos estandartes. Oliveira e Costa tinha sido secretário de Estado dos Assuntos Fiscais no X governo (Cavaco Silva) – e, antes disso, director da supervisão bancária no Banco de Portugal!!! Hoje perguntamo-nos como foi possível que se tivesse nomeado a raposa para fiscal do galinheiro…

Não se imaginava, antes da débacle de 2008, as proporções da irresponsabilidade e do malfeitorismo desse e de outros banqueiros. Um anterior governador do Banco de Portugal, António de Sousa, já se confessou arrependido de ter atribuído licença de funcionamento ao Banco Privado Português, apesar das profundas desconfianças que lhe terão suscitado (diz ele hoje) o modelo de negócio do BPP e a pessoa do seu presidente, o Rendeiro. Era preciso não só muita informação e muita convicção pessoal, como também muito apoio político para que um governador do BP se atrevesse a matar no ovo o negócio desses banqueiros abandalhados – alguns deles muito piedosos, outros com fortíssimas ligações no partido laranja – que pululavam no BCP, no BPN e no BPP (lista não exaustiva). Aliás, o sistema que nos rege nunca nomearia para governador do BP alguém que tivesse vestígios genéticos de desmancha-prazeres ou de estraga-festas. A mim e, possivelmente, a outros como eu, o BP mais parece uma oligarquia em que umas dezenas de indivíduos que se conhecem de ginjeira se cooptam uns aos outros, se protegem e se perdoam pecadilhos, independentemente da família política. O resultado está à vista.

Vítor Constâncio e os então responsáveis directos da supervisão fizeram, ainda assim, muito ou quase tudo o que podiam fazer com a informação, as competências legais e os meios de intervenção de que dispunham. Recordemos que enquanto alguns tentam agora, por oportunismo político e rasquice ingénita, assacar enormes responsabilidades à supervisão e acusá-la de ter fechado os olhos às manigâncias ou malfeitorias que se praticavam nos bancos citados, muitos banqueiros da nossa praça – entre os quais Jardim Gonçalves, Filipe Pinhal, João Rendeiro e os cavaquistas Tavares Moreira e Oliveira e Costa – acusavam precisamente o BP, e Vítor Constâncio muito em particular, de perseguição assanhada à sua nobre actividade financeira. Leiam-se as entrevistas, os artigos e os livros que essa pandilha publicou desde 2008. Para isso, sempre se valeram também do facto de Constâncio ser socialista, insinuando que o governador do BP estava contra o mundo da finança talvez por ser anticapitalista…

Quaisquer que tenham sido as “falhas” de Constâncio, ele tem por si esta circunstância importante: o ter estado entre o fogo dos políticos rascas, que o acusavam de uma coisa, e o fogo dos banqueiros delinquentes, que o acusavam exactamente do contrário. A julgar pelos seus adversários, está absolvido.

Despacho da Presidente da AR sobre a constituição da tal da comissão para discutir a “reforma do Estado”

ASSEMBLEIA DA REPLÚBLICA

Exmo. Senhor

Presidente do Grupo Parlamentar do Partido Socialista

No Despacho n° 51/XII, solicitei a indicação de membros para a Comissão Eventual para a  Reforma do Estado, aprovada pela Resoluçäo da Assernbleia da República n.° 4-a/2013

Porém, os GP do CDS e do PSD indicaram os seus representantes

 

 Ora:

I. A Constituiçao estabelece uma diferença com efeitos normativos entre os Partidos Políticos que suportam o Govemo e os que fazem parte da Oposição no Parlamento. Isso resulta da estrutura constitucional do Parlamento e  explicita-se,por exemplo, nos arts. 114° e 176°, n. 3 da CRP.

2. Ao assumir-se constitucionairnente a existência de “dois lados”, dá-se consequência ao princípio do contraditório que estrutura o debate democrático.  O contraditório é, aliás, um dos métodos que fundam o elemento da “presunção da constitucionalidade das leiss”.

3. Não tendo sido indicados pelos Partidos da oposição para aquela Comissão Eventual para a Reforma do Estado, não fica garantido o mínimo de contraditório. O que obsta, enquanto persistirem estas condições, ao conferimento de posse.

4. Mantenho, de resto, a posição e os argumentos que assumi em Conferência de Líderes.

Maria da Assunção A. Esteves

Presidente da Assembleia da Republica

Lisboa, 5 de Fevereiro de 2013

 

Comunicado

 

 

Portugal ratifica Convenção de Istambul em vésperas do Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina

 

Portugal depositou hoje o instrumento de ratificação da Convenção do Conselho da Europa para a Prevenção e o Combate à Violência Contra as Mulheres e a Violência Doméstica, tornando-se no primeiro país da União Europeia a fazê-lo.

A Convenção de Istambul traduz um avanço metodológico e operacional na eliminação das violências contra as mulheres e as raparigas e na consagração dos seus direitos humanos.

Todos os anos milhões de mulheres sofrem vários tipos de violências: Mutilação Genital Feminina, Crimes de Honra, Casamentos Precoces e casamentos forçados, Violência Sexual, Violência Sexual em Situações de Conflito, Violência Doméstica.

Os números das Nações Unidas são reveladores: 70% das mulheres sofrem pelo menos um destes tipos de violência. E não se trata de um problema de mulheres, mas outrossim de um problema coletivo, da sociedade e apenas uma solução coletiva lhe poderá pôr cobro.

E a Convenção de Istambul é o corolário desta consciência global traduzida em normas que se querem vinculativas.

O reconhecimento pela Convenção de que determinadas violências contras as mulheres e raparigas são violações graves aos direitos humanos é um avanço em prol da construção de um mundo com mais dignidade para todas as pessoas.

A circunstância de esta ratificação ser feita na véspera do Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina (que se celebra amanhã dia 6 de Fevereiro) é prenunciadora de um novo empenho global na prevenção e eliminação do crime de Mutilação Genital Feminina.

Combater as violências contra as mulheres e raparigas, combater a Mutilação Genital Feminina é o amanhã que queremos, é um mote para a ação global.

Portugal tem liderado, de várias formas, este processo e a Assembleia da República tem sabido estar à altura deste combate internacional, regional e nacional. E fazemo-lo em nome da dignidade humana.

E não porque é algo que possamos fazer, mas sim porque é a coisa certa a fazer.

 

Grupo Parlamentar Português sobre População e Desenvolvimento

 

Este Djaló é que é um ganda craque

“De facto a excisão não está no Islão e nos ensinamentos do Profeta Maomé também não vimos nada disso, até porque as filhas do Profeta, as filhas dos seus discípulos, não foram submetidas à excisão. Isto é um uso e costume de certas comunidades islâmicas”, declarou o imã Mamadu Aliu Djaló, da mesquita central de Bissau.

O imã Djaló, que é também o segundo vice-presidente do Conselho Superior dos Assuntos Islâmicos, defendeu que, com a adopção da Fatwa, “todos os líderes religiosos islâmicos” guineenses “sabem que devem abandonar esta prática”.

Líderes islâmicos proíbem excisão genital na Guiné-Bissau