A arma da semântica

Este Sábado o Conselho de Ministros começa a “debater” o corte na “despesa” do Estado.

Diz-se que somando os estimados 3 mil milhões de Euros e os 800 milhões de Euros (contabilizados como riscos orçamentais), o corte ronda os 4 mil milhões.

Amanhã é dia 9 de Fevereiro e o plano dos cortes, esta “reforma do Estado”, tem de ser apresentado até ao fim do mês.

Não me lembro de tamanha patologização da política. A arma do Governo é a palavra. É uma arma poderosa, que esconde e induz, que mente e engana, que tira e destrói, tudo a coberto de eufemismos, essa bomba atómica dos piores dos Regimes.

Não há reforma ou refundação do Estado, como é evidente. Não estamos em 1822, nem em 1911, nem em 1933, nem em 1976. Esses são momentos de reforma do Estado.

 A reforma ou refundação do Estado tem um significante profundo, não é um número correspondente ao falhanço governamental de uma dada conjuntura.

Reformar o Estado não é manter a nomenclatura “Estado Social de Direito” e cortar o seu conteúdo com uma semântica que tenta destruir o consenso alargado existente na sociedade portuguesa, que sabe por que razão saúde pública é para todos, ricos e pobres.

Atualizar as funções do Estado a cada momento histórico, torna-las mais eficientes, fazer diagnósticos periódicos acerca do funcionamento da AP e tomar medidas é um dever; destruir o discurso constitucional, com uma semântica própria dos poderes absolutos, à conta das contas que falham, é inadmissível.

Não podemos confundir o poder da palavra e a palavra do poder.

 No P3

 

 

 

 

13 thoughts on “A arma da semântica”

  1. “Não estamos em 1822, nem em 1911, nem em 1933, nem em 1976. Esses são momentos de reforma do Estado.” Pois muito bem. Quase que aposto a minha virilidade em como nos anos que referes, a maioria das pessoas, pensou, “Não estamos em altura de reformar o Estado”, tal como agora vocês o fazem.

    Toda a esquerda quer ser à força toda, ser mais papista que o papa. Poupem-me.

  2. TímidoFev 8th, 2013 at 11:40

    Enferma o seu comentário de, pelo menos, duas falhas graves: Primeiro porque as reformas do Estado, a entidade que nos representa a todos e não apenas alguns, devem ir ao encontro da vontade da “maioria das pessoas”e não contra a vontade da maioria das pessoas. Cidadãos esclarecidos dispensam pseudo iluminados que os orientem; Segundo, a percentagem de eleitores que votaram Pedro Passos Coelho, se contarmos o partido mais votado que foi a abstenção, foi de 25% o que, convenhamos, pouca legitimidade lhe dá para virar o país do avesso. Ainda por cima quando nada disto foi sufragado nas urnas.
    Finalmente, não seja maniqueísta na divisão simplória de esquerda vs direita: poucas pessoas, neste momento, se revêem nos partidos políticos.

  3. Isabelinha

    Gosto de ler os teus comentários por seres séria, coerente com o teu ideário político, embora nao concorde, mas respeito. Resumindo és intelectualmente honesta, coisa rara nos dias que correm, tanto na política, como aqui no blog, em muitas das intervenções dos janízaros do sultao Socrates.
    No entanto tenho umas observações a fazer. Hoje, Sábado, começa a ser debatido, o início de uma nova fase da vida da República portuguesa. O nosso Governo vai puxar pela máquina de calcular e cortar em quatro mil milhoes de euros nas contas do Estado. Isto, indubitavelmente, irá alterar a estrura do Estado e as suas funções e não será apenas, uma mera melhoria da eficiência deste, como tu afirmas.
    Numa perspectiva formal, podes ter razão que não há nenhuma refundação do Estado, mas na prática existe. Pois o Orçamento de Estado é a base de um Estado, uma vez que é a materialização de todas as funções que este desempenha e que estão expressas na Constituição. No futuro, se estes cortes conseguirem ser implementados, acabará por obrigar a que haja a necessidade em fazer uma nova Constituição, porque a actual deixará de fazer sentido.
    beijos

  4. Amigo Francisco, tão cedo a tratar dos cereias? Eu também, já os comi em mingau porque o estômago já não aguenta pequenos-almoços com muita “sustância”. Também o tenho sensível a outras coisas por isso sou muito dado ao vómito. Deixando para segundas núpcias que um Orçamento é aquilo que um homem quiser, vejo que aguarda com expectativa os famigerados cortes e a falta de sentido da Contituição. Na realidade tudo vos corre de feição…até o prémio de seguro.
    Já agora faço-lhe um pedido, humildemente. Não rotule quem não concorda com a palavra da salvação. Faz-me lembrar outros tempos que já me assaltam a memória, mas que ainda teimo em enxotar.
    Sinceramente não o sabia um especialista em História do Império Otomano, o que torna, ainda mais, estimulante a troca de ideias consigo. E o qual é o papel do meu amigo na estrutura administrativa do Império? Um Bach-Khaznadji ? Não, claro que não, a esse está destinado o papel de nos ir…ao bolso e abrir o caminho para a necessidade de uma nova Constituição (Francisco dixit). Um Bach-Sayyâr ? Não, também não. Esse é o papel do mini-Mendes, o de trazer e levar recados. O de Kapi Kullari, vitíma do sistema do Dévchirmé? Não, está fora da conjuntura. É ofensivo. Talvez para si esteja reservado o de Khodjat-El-Kaïll (Director os domínios e meios de transporte – no Império eram os camelos).
    Não sei se o amigo Francisco também me inclui no número dos janízaros…mas não se acanhe, porque já há muito tempo que virei a marmita (Sinal que os janízaros do Odjak entravam em revolta) e não só contra esta corja.
    Esperando que os cortes que saírem da tão desejada, por si, reunião de hoje, onde com toda a certeza, os “menistros”, dada a importância da mesma, comparecerão em traje de passeio, lhe agradem. E que sejam destribuídos milhares de cordões de seda (utensílio que funcionava como sinal apelando ao suicídio…no Império Otomano, está bem de ver) aos reformados, pensionistas, madraços de elevadas posses e rendimentos,
    Sou do meu amigo, com quem é um prazer terçar ideias num contexto ainda democrático, venerando e obrigado.
    jafonso
    PS. Quanto à D. Isabel, também gosto dela. Deixe-se dessas intimidades de Isabelinha, não é próprio de um homem de negócio.

  5. Onde está cereias, leia-se naturalmente cereais. Queria “cereias” , amigo Francisco? Eu também gostava… se ainda tivesse vida para isso. Olhe vou trabalhar que hoje é dia de visitar a minha mãe, uma daquelas madraças de 94 anos que está a dar cabo, com a sua choruda reforma, do orçamento da segurança social e por extensão a ser um entrave à revisão da constituição e aos amanhãs que chilreiam.

  6. jafonso

    Também me rotulo, para não pensares que é só para os outros. Por isso, continuando pela história otomana, faço parte dos um grupo muito restrito denominado por” jovens turcos”, cujo o seu líder Pedro Passos Coelho, ficará conhecido como o “Ataturk português” pela refundação do Imperio.
    Enquanto o teu grupo de janizaros ficou conhecido na História pelo osbcurantismo, retrocesso e fundamentalismo, o meu grupo de “joves turcos” ficará conhecido pelo progresso, laicização e modernização do Império.

    PS:jafonso, dizes que também gostas da Isabel. Quem te disse que eu gostava dela? Eu gosto da forma como escreve e da sua coerência e pelas razões que nao me vou repetir. Desculpa ser um bocado prosaico, mas na minha terra onde cresci (Amadora), embora viva hoje em outras paragens, só dizemos que gostamos de uma mulher, depois de ter dado “um passagem” pela respectiva.
    E depois o facto de eu a tratar por Isabelinha, não ser próprio de um homem de negócios, então tens de me explicar, o que sabes sobre negócios?

  7. Jafonso

    Esqueci-me de te dizer! Estou desde as 6:00 da matina a ler relatorios económicos e do mercado de cereais.
    A tua sorte é o mestre de escola Ignatz ainda deve estar a ibernar, de outra forma ja estava a chamar atenção para a “Cereia” em vez de sereia.

    Abraço amigo

  8. ler relatórios às 6 da matina é mau gosto e falta de imaginação. levanto-me às 10, como os cereais, cago nos económicos e limpo o cu aos relatórios. não tenho nada a ver com a conversa acima, mas a isabelinha atrai muito a merda.

  9. Amigo Francisco Rodrigues,
    O post que te tentei mandar era longo, mas perdio-o nesta máquina do demo. Além de velho sou abrunho. Como já deu para ver estamos nos antípodas um do outro… ideologicamente. E discordamos quanto a alguns conceitos sobre o Império Otomano…mas deixa lá.
    No entanto, lembro-me, do último parágrafo:
    Ah, a Amadora!!! A Minabela, o Ninfa (do Sr. Gonçalves “o Polidor”), o Pigalle, a Lobélia, o Lido, o Recreio Artísticos, a Académica da Amadora e os seus bailes ( os Sheiks foram lá tocar, ainda com o Paulo de Carvalho na bateria), a equipa de rugby do Estrela e o velhinho pelado onde jogávamos que nos dava cabo do físico, os bifes da “Ti Maria”, as otomanas patuscadas na Toledo.
    Deixaste-me a lacrimejar, acordaste o saudosista que há em mim…bora lá alugar um barco a remos e refundar o Império, podemos levar o Moedas como gajeiro.
    Desculpa lá, do resto não me “alembro”.
    Repeitosos cumprimentos
    jafonso
    PS. Agora tenho de confessar que não gostei muito daquela da “passagem” por uma mulher.
    Só quisesses dizer passar e cumprimentar respeitosamente. Era o que querias dizer? Não era? Agora vou trabalhar que já ganhei muito tempo aqui na Pharmácia.

  10. Isabel

    Sabado, Carlos Moedas falou na implementação de medidas para uma poupança estrutural na despesa. Como te dizia, não é uma mera tentativa para melhorar a eficiência do Estado. O que o Governo está a preparar, é algo mais profundo que vai alterar, em muito, as funções que nós hoje consideramos serem da responsabilidade do Estado e estão escritas na Constituição.
    Em relação à eficiência do Estado, já o Socrates tinha começado a fazer e bem, mas não chega.

    um bom dia para ti

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