Arquivo mensal: Fevereiro 2013
Podem já encomendar o mármore
Os fulanos que deixaram Portugal com um Governo minoritário no meio da maior crise económica mundial dos últimos 80 anos só para o derrubar logo que as condições fossem propícias custasse o que custasse às contas do Estado e à vida dos portugueses, que encheram a comunicação social de ódio, conspirações e deturpações grotescas durante três anos, que levaram a extrema-esquerda a votar na sua golpada para entregarem a soberania do País aos credores e assim obterem esse escudo e carta branca para desmontar o Estado social, que mentiram à má fila do princípio ao fim da campanha eleitoral, que tratam os indígenas como calaceiros e estroinas, que fizeram do crescimento da pobreza e da emigração as únicas metas políticas que conseguem atingir, que lançaram o maior aumento de impostos da nossa história, que dizem exactamente o contrário do que andavam a berrar na oposição, são também os mesmos que pretendem fazer de cada cidadão um fiscal das finanças para o saque ao seu vizinho. Entretanto, nem mesmo este escândalo onde a incompetência rivaliza com a inimputabilidade consegue despertar a direita, alvoraçar o centro ou unir a esquerda, sequer encher ruas que ainda recentemente fervilhavam contra os malvados socialistas.
Isto merece estátua. O casal Passos-Relvas bem merece uma estátua como espectacular conquistador de dez milhões de mansos.
Passos na sua finest hour
A atitude elegante e oportuna de Passos vista a partir da Galiza: O Grândola explode na Assembleia da República
Oferta do nosso amigo reis.
Cavaco hiberna. Não ganha para mais
Perante os números desastrosos da execução orçamental e da economia divulgados pelo INE, o Governo preocupa-se exclusivamente com os erros de previsão, que irá procurar emendar, diz. Nunca se viu um bando de governantes tão completamente indiferente à situação económica, laboral e social do país que os elegeu. Uma situação que consideram natural e, logo, inconveniente corrigir. Pior, consideram errado corrigir. Aliás: não há nada a corrigir (a não ser as previsões), porque esta é, para eles, «a» correção.
Perante isto, haveria que haver alguém à altura de lhes fazer engolir em direto o rol de falsidades que diariamente lançam para o espaço público para justificar tão desvairadas execuções orçamentais – assentes no confisco de metade dos rendimentos das pessoas, deixando tudo à míngua, na transferência para o Estado dos fundos de pensões da banca ou na venda de empresas públicas históricas e bem geridas. Nada disto devia suscitar orgulho, mas os patetas orgulham-se. O argumento de fundo a que mais recorrem quando confrontados é o da situação catastrófica que lhes foi alegadamente deixada em herança (pressupõe-se que depois de em tudo colaboraram para prevenir essa “catástrofe”, não foi?) e que, pobres coitados, se esforçam por remediar. Esta é a versão. Deturpada. Mentirosa. Mentem, por um lado, porque sempre confessaram querer operar uma revolução na economia mal chegassem ao poder (que passava por destruí-la para dar lugar à Fénix), reconhecendo que a Troika lhes dava uma boa oportunidade. Para isso, era basicamente necessário retirar o Estado de onde não era chamado (a economia) e cortar umas gorduras. Acontece que, até agora, ainda não foram capazes de dizer aonde e a quê é que o Estado é chamado, apesar de já terem dado algumas pistas e muito pouco abonatórias, e que as gorduras afinal chamam-se pessoas, postos de trabalho e rendimentos. Mentem, por outro, porque já sabiam da situação em que colocaram o país ao chumbarem sucessivas medidas de contenção orçamental a partir do final de 2009 (e foram várias), altura em que já não havia maioria absoluta e a especulação financeira fazia estragos nos juros da dívida pública, e ao desprezarem irresponsavelmente o acordo patriótico estabelecido por Sócrates com as instituições europeias em Março de 2011 para evitar que caíssemos na situação da Grécia. Foram responsáveis. Fizeram cair o Governo. Deitaram para o lixo um acordo fundamental (que agora se preparam para reeditar, sobre milhares de emigrados, desempregados e destroços de empresas). Partilham das ideias neoliberais da Troika. Estão a executar as políticas que defendem, com ousadias jamais imaginadas. Porque culpam então o antigo Governo pela destruição atual do país?
Mais: alguém lhes pergunte se os números conhecidos afinal são bons ou são maus? É que nem isso dizem com clareza. Se respondem que este “ajustamento” é doloroso mas inevitável, então só podem achar que os números são bons e, nesse caso, não se compreende a descida à linha de fundo da “culpa é do Sócrates”. Se, pelo contrário, entendem que a situação está efetivamente difícil de controlar e o país a um passo do abismo, o que tem o Governo anterior a ver com isso, já que este é o seu (deles) programa? Não haverá ninguém naquela Assembleia que os confronte com estas contradições?
A narrativa leva ultimamente uns adornos: apesar do esforço para corrigirem os erros da “banditagem” que, além de construir obras faraónicas, “asfixiava a democracia”, como diziam, a tarefa está a revelar-se difícil (suspiram Luís Montenegro, Matos Correia, Ribeiro e Castro, etc.); a recessão na Europa, sabem como é. Porém, nesse esforço, o Governo inspira tal confiança aos mercados que até já vai dispensar a Troika, é apenas uma questão de escolha do melhor momento. Em suma, no fundo, são uns artistas. Tudo está a correr bem. Em que é que a saída da Troika vai melhorar a situação dos desempregados, dos pobres e da economia, não dizem, mas gostávamos bastante de saber.
Chegamos a 2013 e constata-se, portanto, que a estupidez dos eleitores e a sua responsabilidade neste programa os impede de protestar perante uma situação objetivamente trágica. Muitos dos que se vão embora também votaram nesta gente. No meio do desastre, a tranquilidade da maioria é absoluta, Portas incluído: até já o Relvas, não sei se repararam, esse perito em esquemas de duvidosíssima seriedade que nunca deveria ocupar um cargo governativo, nem na Abecásia, aparece com a maior das naturalidades a falar na conferência de imprensa que se segue ao Conselho de Ministros em representação do Governo!
Estou, por isso, convencida de que, por este andar, se amanhã o desemprego chegar aos 20%, a única coisa que acontece é vermos o Dias Loureiro a falar também em nome do Governo.
Não sejas piegas, imita o Viegas
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Ao explicar a descida da produção de riqueza nacional anunciada esta quinta-feira pelo INE, Álvaro Santos Pereira lembrou que «as previsões macroeconómicas são sempre sujeitas a um grau de incerteza que depende de circunstâncias externas».
«Nos últimos meses, é sabido que a economia europeia teve um comportamento bastante inferior ao que era esperado e por isso mesmo isso refletiu-se nas nossas exportações, ou seja, na procura externa».
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Nunca o PSD teria permitido que o número de desempregados chegasse a 700.000!!! Teria criado de imediato medidas de incentivo à criação de emprego, tal como algumas que já propõe neste documento. Não estaria sempre a queixar-se de uma crise internacional onde todos os outros já estão a crescer.
Mas mesmo nestas condições tão difíceis como as que estamos a passar, existem diferentes caminhos que se podem seguir: o Nosso é o de conseguir, simultaneamente, responder a um programa de emergência social de forma a estar sempre ao lado dos mais desprotegidos (idosos, doentes, desempregados, famílias em risco social) e, simultaneamente, iniciar um processo de retoma de uma rota de crescimento na nossa economia, essa sim, geradora de confiança, riqueza, emprego e um futuro com esperança para os nossos filhos.
PROPÓSITOS E LINHAS ORIENTADORAS DO PROGRAMA ELEITORAL DO PSD – Eleições 5 de Junho de 2011
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Doa a quem doer
125 mil empregos perdidos em 3 meses.
923 mil pessoas desempregadas.
Só 300 mil recebem subsídio de desemprego.
Estamos a falar de uma taxa de desemprego de 17%.
Muitas destas pessoas vão perder o direito à habitação também por causa da lei dos despejos. Basta terem sido cumpridoras até ao dia terrível.
Quantos sinos terão de dobrar para ser consensual que o memorando, revisto pelo PSD ou mesmo antes disso, não se adequa à nossa realidade?
E é neste clima que vamos para a frente com o corte de 4 mil milhões de Euros nas funções sociais do Estado?
Será possível?
Despedir facilmente, cortar, desproteger, tudo num abismo de recessão não é “custe o que custar”.
É doa a quem doer.
Francisco Assis comenta João Assunção Ribeiro
Uma governação de esquerda nunca poderá reclamar sucesso enquanto corporações e elites determinarem a realidade mais do que a legitimidade democrática o faz. Não vale de nada querermos submeter os mercados à política quando não conseguimos sequer submeter elites e corporações nacionais à política e aos políticos democraticamente legitimados.
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3. Infelizmente têm-se vindo a manifestar preocupantes sinais populistas na vida política portuguesa. Uns à direita e outros à esquerda. Uns na maioria e outros na oposição. Perturbam-me sobretudo, como é compreensível, aqueles que afectam o Partido Socialista. Quando vejo figuras do meu próprio Partido a acolherem o discurso protofascista do ataque às elites tenho razões para ficar preocupado. Muito preocupado até.
Público, 14 de Fevereiro
E não esquecer que querem fazer da água um negócio
Foi você que deu emprego a este charlatão?
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Pré–pote
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Passos: «Há um exército de desempregados»
Passos Coelho diz que valor da taxa de desemprego é um sinal “evidente” da recessão
PSD acredita que flexibilização laboral vai reduzir desemprego
PSD quer ajudar desempregados de longa duração e jovens
Passos Coelho acusa Sócrates de não se preocupar com os mais de 700 mil desempregados
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Pós-pote
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Passos Coelho diz que desemprego deve aumentar e que previsões podem falhar
Os Pedros estão com medo, e o caso não é para menos
A ler
Fernando Medina: Por uma nova política económica II
Gente que representa o futuro
Sondemos
O absoluto, o territorial e o absoluto territorial
Paulo Rangel especializou-se em juridiquês, que recentemente desenvolve em público, com algum maneirismo, diga-se, a propósito da lei de limitação de mandatos autárquicos. Uma lei, convém lembrar, da qual foi ele o co-autor. Hoje no Público disserta longamente sobre a democracia, as liberdades, a limitação das liberdades individuais, a constitucionalidade dessa limitação, etc., para em primeiro lugar responder aos que, como os comunistas, invocam as liberdades da Constituição para se eternizarem em cargos autárquicos e, em segundo, julgávamos nós, para fundamentar devidamente a sua posição sobre a dita lei. E parecia até que o barco argumentativo navegava em águas calmas, consensuais e sem nevoeiro. Não chegou, porém, a bom porto. Quando finalmente decide “clarificar” a sua conclusão, começa por declarar sem problema querer perceber-se a si próprio e depois enreda-se numa linguagem omissa e totalmente ambígua que ofusca qualquer pensamento transparente. Porque não diz Rangel claramente que o espírito da (sua) lei é a limitação meramente terrirorial dos mandatos? Porque se enrola em conceitos como a restrição parcial e a restrição temporária – e não complementa a frase “[…]num concelho ou freguesia não fica interdito de se candidatar a qualquer outra função ou de exercer qualquer outro cargo público” com um simples e esclarecedor “noutro concelho ou noutra freguesia”? E porque termina o parágrafo dando a entender, afinal, que a limitação é de funções (logo, absoluta e não territorial), dizendo que a suspensão de funções dura apenas quatro anos, findos os quais os visados já se podem candidatar à presidência de qualquer executivo autárquico? Irra, que confusão!
Paulo Rangel não evoluiu nada desde que o vi num programa da RTP Informação a meter as mãos pelos pés sobre esta mesma matéria. Conclui-se, por conseguinte, que a lei foi propositadamente deixada ambígua e Rangel faria melhor em não voltar ao tema se não o quer “desambiguar”.
Aqui fica o excerto em causa:
“O que tem de fazer-se é interpretar a norma em causa; não a dando, portanto, por interpretada à partida. É preciso, pois, ver qual é a intenção da lei (não a do legislador — que, como se sabe, de resto, ao tempo, ignorou a questão). Perscrutar, portanto, quais os fundamentos e as razões de ser da lei. E perceber se estes determinam uma restrição de carácter absoluto ou uma restrição de carácter territorial. Porque, valha a verdade, se a restrição operada pela lei tiver carácter absoluto em termos territoriais, ela nada tem de arbitrário, desproporcionado ou desrazoável. O presidente de câmara ou de junta que tenha exercido três mandatos num concelho ou freguesia não fica interdito de se candidatar a qualquer outra função ou de exercer qualquer outro cargo público. Ou seja a restrição é parcial, puramente parcial! Mais: está directamente relacionada com a função que exerceu efectivamente durante 12 anos (em detrimento, aliás, de outros cidadãos). Mas mais ainda: a restrição não será apenas parcial, será estritamente temporária! Passados quatro anos sobre a proibição, os visados já se podem candidatar à presidência de qualquer executivo autárquico, em qualquer circunscrição do país.”
Quem não pode, arreia
A renúncia do Papa devia dar que pensar a alguns que andam para aí a arrastar-se nos cargos que ocupam. O Cavaco é um deles. Raramente é visto e quando aparece, inevitavelmente, são sempre mais as críticas do que os elogios. Vai ficar na História como o Presidente menos popular desde que há democracia. Imagine-se se tivesse de aparecer tantas vezes em público como o Papa. Mas tal como Bento XVI, em vez de ficar irremediavelmente ligado aos escândalos de pedofilia, vai ser lembrado por ter tido coragem para renunciar, também Cavaco poderia dar a volta à História seguindo-lhe o exemplo. Seria um enorme favor que faria ao País, aposto que choveriam aplausos. Além disso, poderia continuar a fazer aquilo em que é um verdadeiro especialista: trabalhar na sombra. E as anonas também ficariam muito agradecidas. Ou talvez não.
Chefe é chefe
Já sabíamos que o “Laboratório de Ideias” do PS esteve pensado para ser o veículo da promoção interna do Carrilho, assim mostrando aos socráticos que se deviam preparar para serem tratados abaixo de cão. A sonsice vingativa não correu bem, porém, tendo Carrilho de alegar uma estupidez qualquer para desistir do lugar. Agora, Seguro anuncia que o “Laboratório de Ideias” está cheio de chefes de família, que o Secretário-Geral é um chefe de família e que os chefes de família distinguem-se por fazerem contas à vida.
A facilidade, a genuinidade, a espontaneidade – aliás, o orgulho – com que Seguro se identifica com uma visão patriarcal da família é coerente com o culto de personalidade de que é o primeiro e mais entusiasmado militante. Tendo em conta que o homem afiança estarem dezenas, ou centenas, ou milhares de outros chefes de família a debitarem sentenças no “Laboratório de Ideias”, é altamente provável que ainda se veja este PS a defender que devem ser os maridos a decidir se as mulheres podem ir trabalhar ou estudar. Tudo em nome do corte com o passado que nos levou à bancarrota.
Seremos os últimos a saber, mas isso agora não incomoda ninguém
Longe vão os tempos em que a direita, na oposição, trepava pelas paredes se não fosse informada com antecedência de todas negociações do Governo de então com as instituições europeias. Ficámos a dada altura a saber que um telefonema não era suficiente. Para não cair o Carmo e a Trindade, a oposição, o PR e o Parlamento tinham de estar a par de tudinho e com tempo. Outros tempos. Agora, no Poder, o Governo de direita decide cortar 4 mil milhões nas funções do Estado, e o que faz? Cobardemente, antes de tornar públicos os tais cortes, pede primeiro a bênção da troika. O que aparentemente não incomoda ninguém. A comunicação social mal noticiou o último Conselho de Ministros. Pelos vistos, acreditaram no primeiro-ministro que veio dizer que a reunião não tinha como objectivo discutir esse assunto, mas lá vão lembrando a data da próxima avaliação da troika. E a oposição anda entretida com outros assuntos. Sabemos que o que importa agora são as autárquicas, mas o PS, por exemplo, devia tirar um bocadinho para pedir coerência ao Governo e exigir o que a direita exigia quando era oposição, ainda mais agora que tudo mudou e que o Seguro vai passar a defender os Governos de Sócrates com unhas e dentes. A menos que o António Borges tenha razão e este corte brutal seja apenas uma questão acessória.
Votava neste
Ri. É um puto (65 aninhos). É brasuca. Deve ser um bom garfo. Daria um credível Frei Tuck num qualquer seriado da Globo. E tem o nome mais português de todos os nomes apontados como candidatos à sucessão de Bento XVI: João Braz de Aviz.
É exactamente desta fibra, e desta linhagem, que a Igreja Católica precisa para um novo fôlego de humanismo.
Na veia
“A guerra das calças” – Shyznogud
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O Pedro já escreveu e eu trago para aqui – Ana Matos Pires
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A estupidez devia pagar imposto
João César das Neves. Eu bem sei que os jornais procuram dar espaço a opiniões plurais para não afastarem leitores. Mas só se o DN pretende dar voz ao mofo e à estupidez que não só toma por real na sociedade portuguesa como também pretende tornar séria é que se compreende que seja dado espaço semanal a pessoas que não satisfazem os mínimos – nem de racionalidade, nem de objetividade, nem de inteligência. JCN é um fanático religioso. Da primeira à última linha, nada se aproveita.
Hoje proclama do alto do seu púlpito que a verdadeira crise, a que destrói Portugal, não tem a ver com falta de dinheiro (e cita Mateus, que critica a ênfase dada ao dinheiro). Não, que ideia tão tola. O dinheiro é um pormenor e passageiro. Por outro lado, diz-nos o iluminado, não é fatal que haja recessão, nem dificuldades económicas. Vejam como o cronista considera isso facílimo de resolver: matrimónios indissolúveis com mulheres férteis, de preferência muito férteis e submissas, fim do divórcio e pronto, aí iríamos nós rumo a um futuro glorioso!
“Pior é que o diagnóstico da situação, os males considerados e as curas recomendadas são tão laterais, incipientes e tolas que, em si mesmas, manifestam o vício que destrói Portugal. A razão por que tantos bramam que se arruína o País tem a ver com… dinheiros. É espantoso, mas muitos estão mesmo convencidos de que a recessão será irremediável e as dificuldades económicas fatais. O nosso problema é, afinal, falência de lojas e restaurantes, desemprego alto, dívida pública.”[…]
“De facto, a destruição de Portugal não tem nada a ver com isso. Esta crise estará esquecida dentro de anos, como tantas para trás, a maioria bastante pior. Aquilo que o tempo não pode apagar, aquilo que chega para aniquilar o País é a destruição da família e a extinção da natalidade. Com a taxa de fertilidade mais baixa da Europa Ocidental e das mais baixas do mundo, o casamento em vias de extinção, o divórcio em níveis nunca vistos e a educação na quinta década sucessiva de crise, não admira que as próximas gerações acusem este tempo dos seus males.”
Temos pois que o problema de Portugal neste momento não é o desemprego, nem as falências, nem a fuga dos jovens mais qualificados, nem a precariedade, nem o empobrecimento, nem a estrutura do euro, nem a concorrência chinesa, nem sequer o excesso de austeridade. Nada disso. Quem assim pensa tem vistas curtas. O problema é a destruição do casamento, a facilidade dos divórcios, o egoismo que não leva à reprodução. Resolvidos estes males, certamente à força (provavelmente através da imposição de uma “Sharia”), as gerações futuras sentir-se-iam orgulhosas da nossa, porque esta crise económica afinal nem é nada de especialmente grave.
E prossegue, agora para o seu tema predileto:
“Nos cinco anos desde 2007 já houve mais de 80 mil abortos, cerca de dez vezes os soldados portugueses mortos nos 14 anos de Guerra Colonial. Muitos se queixaram das cicatrizes que esse conflito deixou na geração que a suportou. Mas ninguém ouve sequer a voz da geração que hoje é sacrificada a “razões socioeconómicas” e à “opção da mulher”. E o genocídio não demora apenas 14 anos. Sem fim à vista, continua galopante.
Entretanto, muita gente acha Portugal perdido pela concorrência chinesa, reforma do Estado ou participação no euro. O disparate chega para revelar a infantilidade. Quando souberem que pensamos assim, os futuros habitantes desta terra perceberão a mesquinhez da nossa atitude. Os nossos poucos descendentes e todos aqueles que vierem de longe tapar o buraco populacional que deixámos vão entender como foi possível que fizéssemos esta desgraça.”
Deduz-se que, para JCN, a importância da morte de 8000 soldados em África prende-se exclusivamente com o rombo que tal provocou na população em termos numéricos e só por isso se compara ao rombo que significa a falta de nascimento de uns recentes 80 000 porque as mulheres assim decidiram (para ele, nada menos que “genocídio”). Para cristão, estamos conversados. O sofrimento dos referidos militares e das famílias é irrelevante. JCN quer números, quer contar portugueses. A geração que hoje é sacrificada é, para ele, vítima de umas alegadas razões socioeconómicas e da opção das mulheres – duas idiotices, aos seus olhos. Mulheres com opções? Uma vergastadas e elas aprendem a obedecer. Que as pessoas não tenham filhos justamente por não terem as tais condições socioeconómicas é uma questão irrelevante para este senhor. Obrigar as mulheres a ter os filhos, nem que depois os vão entregar a algum asilo, os abandonem ou, ficando com eles, os tratem mal, num círculo de infelicidade e desamor mútuos, isso é que é correto – é preciso é que haja portugueses a nascer. Sobretudo para mais tarde haver serviçais.
Estas pessoas como JCN benzem-se e não têm vergonha nenhuma do que dizem.
