Good food for good thought

Dr. Ghaemi looks at the careers and personal plights of figures like Sherman, Lincoln, Churchill, John F. Kennedy, Mahatma Gandhi, and Martin Luther King, Jr,. What Ghaemi uncovers is that our great heroes were neither “normal” nor were they special in the sense of being better, or more perfect, than the rest of us. They often suffered from mental illness, but these afflictions actually proved beneficial by boosting the very traits they needed to excel as leaders during hard times. In the case of Lincoln and Winston Churchill, depressive realism and empathy helped these men tackle both personal and tremendous national challenges. For General Sherman and Ted Turner, mania proved a catalyst for the design and execution of some of their most creative and successful strategies. Depression built resilience in King and Gandhi.

As Dr. Ghaemi concludes, “We should not be seeking leaders who are like us – our leaders should be different from the norm and possess the qualities that come naturally to those persons with mental illnesses.”

We Need a Bipolar President

Prevenção de violência

É compreensível que haja uma revolta latente na sociedade, e que esta se possa tornar violenta. Afinal, os trabalhadores, os jovens, os precários, os desempregados, os estudantes, os professores, os funcionários públicos, boa parte da classe média, toda uma imensa massa de gente que vê um futuro cada vez mais negro e sem esperança, todos eles foram traídos por gente sem escrúpulos que mentiu, enganou, e se serviu deles, da sua boa-fé, e da boa-fé do sistema democrático, para avançar as suas agendas submissas ao grande capital, aos banqueiros, ao FMI, aos grandes empresários exploradores, ao capitalismo liberal e selvagem, ao assistêncialismo degradante.

Quando se promete uma vida melhor e se trai essa promessa de maneira tão descarada, entregando as riquezas da maioria a uma minoria de poderosos de sempre, e depois se tem a suprema lata de vir clamar que nos defendem, que é para nosso bem, é natural que o ressentimento e a revolta  se acumulem e possam acabar por explodir de maneira violenta e imprevisível. É por essa razão, e para evitar vítimas e destruição de propriedade, que o governo tem de estar muito atento a eventuais ataques às sedes do PCP e do BE. Afinal, mesmo os piores oportunistas têm direito a serem protegidos da revolta do povo, por muito justa que seja.

Fernando Pessoa na Rua da Madalena

A minha vida cabe dentro do escritório
E na sobreloja da leitaria alentejana
Nada nos meus poemas é provisório
Que escrevo nesta concreta geografia

Rua dos Fanqueiros, da Conceição
Rua da Madalena, dos Douradores
Abel Pereira da Fonseca ao balcão
Aquece o meu peito com os calores

Hoje Ofélia chama-se Inês ou Teresa
Sai às seis e desliga o computador
Cesário Verde aparece de surpresa
Na loja de ferragens fala ao vendedor

No Bairro Alto, no Hospital de S. Luís
O poeta antigo, afinal o mais moderno
É lúcido uma vez mais quando nos diz:
Eu preciso de morrer para ser eterno

Cineterapia


The Girlfriend Experience_Steven Soderbergh

Soderbergh filmou em finais de 2008, apanhando em cheio as consequências da crise do Lehman Brothers e o clima da campanha presidencial norte-americana. Todos os actores estão a representar-se a si próprios de alguma forma, incluindo o único elemento profissional do elenco: Sasha Grey, actriz porno, aqui no papel de prostituta de luxo. Foi-lhes pedido para improvisar, foram deixados à solta – e isso nota-se a um ponto que chega a surpreender e incomodar. Gastou pouco mais de 1 milhão de euros e usou uma pequeníssima equipa de produção. Em 16 dias fez a versão negra do Sex, Lies and Videotape.

20 anos antes, um triângulo romântico ligava jovens adultos na descoberta da inexistência do amor. O amor não passava de instinto, medo e narcisismo. Mas havia um final feliz à espera dos iniciados. Quem conseguisse descer aos infernos da lucidez, aí tomando posse de si pelo verbo, regressaria à superfície afectiva para ser aspergido pela abençoada chuva da confiança. A confiança era superior ao amor da mesmíssima forma como o ser é superior ao nada.

20 anos depois, temos também um triângulo amoroso que levará ao desaparecimento de um casal, porém sem redenção no horizonte. Adultos abastados usam dinheiro para tentar adquirir confiança sob o pretexto de quererem sexo. Sexo e dinheiro são já elementos destituídos de qualquer fascínio. Deixaram de atrair, embora não possam deixar de existir. Mas é preciso continuar a acumular dinheiro e a consumir sexo, tal como é preciso continuar a respirar e a comer. Não há, literalmente, mais nada para fazer no topo da pirâmide. E ninguém o sabe melhor do que uma prostituta que trabalha como namorada. Oferece a suprema ilusão, o simulacro do bem maior: a tal salvífica confiança. Tão precioso é este bem que também ela o procura apesar de já o ter encontrado. E nessa ganância o irá perder através de um investimento amoroso falhado.

Soderbergh filma personagens assustadas com a crise económica, dando conselhos para se comprar ouro, zangadas porque perderam negócios, tentando criar esquemas para aumentar os seus rendimentos, discutindo o funcionamento da Reserva Federal, mandando palpites acerca de McCain e Obama, expressando a sua descrença no bailout aos bancos americanos. Estão apavoradas, o seu mundo ameaça ruir. Compram mulheres só para as poderem abraçar. E dão-lhes abraços desesperadamente sinceros, porque sinceramente desesperados.

Nesta nova economia do amor, a confiança é apocalíptica.

Canção para um Império em S. Carlos

Dia de bodo não há querela
Senhor Luís venha à janela
Que um foguete está no ar
Venham sopas a preceito
O vinho de cheiro no peito
Esta alcatra é um manjar
E eu saúdo a Impanatriz
Luísa de mão dada com Luís
Dois confeitos num copinho
Eu cheguei do Continente
E no meio desta gente
Nunca me sinto sozinho
Eu peço a este Imparador
Papel de seda por favor
Tal como manda a canção
Peço loiro, cebolas doiradas
Toicinho em taliscas tiradas
Pau de cravo, pimenta em grão
Mas não canto ao desafio
Faço meus versos com brio
E não passo dum amador
Acabou a brincadeira
Viva a bela Ilha Terceira
Luís Bretão Imparador

Mascarilhas e máscaras

O legado de Sócrates para a cultura política nacional está aí à disposição de investigadores, jornalistas, intelectuais, fogareiros e meros curiosos para quem a cidadania em Portugal for parte essencial da sua identidade. Para o aproveitar é preciso abdicar dos juízos de valor ideológico e ousar a intenção da objectividade científica. Claro que será completamente legítimo fazer uma crítica a respeito dos pressupostos, modos e resultados da governação socialista sob um prisma ideológico, qualquer que ele seja. Não só legítima, essa análise seria também útil e bondosa – sendo apenas de lamentar que mal se tenha visto, tendo sido substituída pelos assassinatos de carácter no todo, à direita, e em grande parte, à esquerda. Se a oposição ao PS tivesse sido um confronto de ideias, de projectos e de talentos, Sócrates poderia ter à mesma perdido as eleições em 2011, ou logo em 2009, mas nós estaríamos agora muito melhor e os vencedores também. Mas não foi nada disso que se passou, pois não?

A conjugação de um Governo PS com a necessidade histórica de alterar sectores do Estado e da sociedade anquilosados, porque ineficientes ou ineficazes, provocaria sempre homéricas convulsões políticas. Essa reforma seria inevitavelmente catalogada como de direita pelo PCP e BE, recolhendo a anuência silenciosa, ou avulso protesto hipócrita, do PSD e CDS. E assim andámos enquanto não chegaram as crises sucessivas, nacionais e internacionais. Recorde-se que até aos começos de 2008 foram dadas provas de que Sócrates, apesar da maioria absoluta, podia ceder e aceitar derrotas: casos da candidatura de Soares às presidenciais de 2006, do novo aeroporto em Alcochete e da queda de Correia de Campos como exemplos maiores. Todavia, o movimento das placas tectónicas do Cavaquismo era imparável e estava disposto literalmente a tudo. Os mandantes das campanhas negras e das conspirações mediático-judiciais não tinham tempo, e muito menos cabeça, para estarem a desenvolver soluções políticas que fizessem sentido, nem das que lançavam se esperava que tivessem real ligação às aspirações dos portugueses. Tanto em 2009 como em 2011, o PSD andou sem programa eleitoral até quase ao dia das eleições, não tendo ele servido como matéria de discussão pública nem tendo sido factor de preferência eleitoral. O que havia a fazer era outra coisa, uma coisa que se faz há milhares de anos em qualquer sociedade onde pulhas e desesperados disputem o poder. Tratava-se de destruir aquele que os ameaçava fáctica e simbolicamente. E foi isto que fizeram:

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As batalhas do Euro

Esta notícia é o exacto oposto desta opinião, e de outras parecidas. Os alemães e os franceses não vão deixar cair o Euro nem a UE, pelo menos não estes dois, a decisão de ajudar a Espanha e Itália através do BCE é de uma coragem assinalável – mesmo que não tivessem outra hipótese – e desmente quem acusava esta geração de responsáveis politicos de “falta de visão europeia”. O problema, a meu ver,  é se os respectivos eleitores não têm o mesmo entusiasmo e acabam por correr com eles, ou o que acontece quando os mercados atacarem França. Isto é uma guerra financeira à escala global, e não há certezas, excepto que nada ficará como antes.

Luís Veiga Leitão

Luís Veiga Leitão

– Uma memória feliz em algumas histórias exemplares

De Luís Veiga Leitão guardo diversas memórias, todas felizes. Comecei por ter o gosto de incluir um poema seu no livro «O Trabalho – Antologia Poética» que organizei com Joaquim Pessoa e Armando Cerqueira para o Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas. Mais tarde encontrámo-nos em Vila Viçosa num encontro poético promovido por Orlando Neves e no qual participavam (entre outros) Mendes de Carvalho, Raul de Carvalho e Manuel Lopes. Num divertido almoço com um grupo de senhoras que gravitavam à volta dos poetas e queriam entrar no Círculo da Poesia Portuguesa, uma das senhoras dirigiu-se a Luís Veiga Leitão (que ostentava o seu nome na camisa e era de longe o poeta mais bonito do nosso grupo) perguntando com alguma ingenuidade: «O senhor fez parte do processo dos 254 e esteve preso em Caxias, não esteve?» A resposta do nosso poeta foi de um fino humor que arrasou por completo a senhora: «Não minha senhora! Eu sou muito mais antigo. Eu estive preso mas em São Julião da Barra!» A senhora em vez de sorrir com a piada que colocava Luís Veiga Leitão ao lado de Gomes Freire de Andrade no século XIX, respondeu apenas: «Desculpe!»

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Boyzone

A introdução do vocábulo “boys” no discurso jornalístico dito de referência, usado para identificar nomeados pelo Governo que passem por terem anteriores ligações de proximidade com partidos ou ministros, é sintoma de uma grave doença política e social. É a continuação do ataque moral às instituições democráticas utilizado pelo PSD e CDS como táctica contra o PS, e pelo PCP e BE como estratégia contra quem calhar estar a governar. Não traz nenhum tipo de bem para a comunidade, apenas promove a impotência cívica de tudo e de todos.

Por outro lado, isso permite concluir que os tempos estão de feição para quem quiser assumir a missão de uma imprensa culta, criativa e livre. Não há, sequer, concorrência.

Impressionar no emprego, brilhar nos jantares, seduzir em festas

Female Victims of Male Violence Show High Rates of Mental Illness
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Harnessing the Power of Positive Thoughts and Emotions to Treat Depression
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Getting to the Heart of the Appeal of Video Games
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Neighborhood Status Influences Older Women’s Cognitive Function, Study Finds
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Some Exercise Is Better Than None: More Is Better to Reduce Heart Disease Risk
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Painful Pessimism: Our Expectations Influence How Well Drugs Work
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Prescriptions for Antidepressants Increasing Among Individuals With No Psychiatric Diagnosis, U.S. Study Finds
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Locally Owned Small Businesses Pack Powerful Economic Punch
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When Irrational Thinking and Emotion Prevail, the Economy Suffers
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A Patient’s Own Skin Cells May One Day Treat Multiple Diseases
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Chinese Consumers Help Luxury Retailers Rebuff Sluggish Economy
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Word Choice Detects Everything from Love to Lies to Leadership, According to Psychology Research
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Lifestyles of the Old and Healthy Defy Expectations
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Italian Academia is a Family Business, Statistical Analysis Reveals

Vinte Linhas 648

Ainda os primitos franceses – o raio que os parta!

Já se foram embora os miúdos, já vizinha. São diabólicos. E não nos deixaram saudades. O mais velho numa esplanada, depois de beber apenas parte de um sumo de laranja, recebeu na mão metade de um pastel de nata e, sem dizer nada a ninguém, atirou o pastel para os pombos. Veja lá, o cabrãozinho.

Depois deixaram um caderno de telefones todo giro, daqueles da EXPO 98, ou seja do Oceanário. Não sabemos quem foi mas foi um deles. A verdade é que o caderno apareceu no telhado do prédio vizinho. Alguém o atirou. Com muita paciência o meu marido tirou o caderno, pegou em duas vassouras e empurrou devagar até à última telha. Depois com jeito lá fez subir o caderno entre os dois paus. Percebeu-se que é deles pelo primeiro número da lista: MAMAN 003395011 – os últimos algarismos não se percebem nem isso é importante.

Continuar a lerVinte Linhas 648

A guerra contra o Paquistão

O derrube de um helicóptero no Afeganistão que transportava forças dos SEAL, resultando na morte de 31 soldados americanos, pode ter sido literalmente um tiro de sorte. Mas a possibilidade de ter sido uma operação conjunta dos Taliban e dos serviços secretos paquistaneses, assim vingando a morte de Bin Laden pelos mesmos SEAL, tem uma altíssima probabilidade.

O Paquistão, fruto da mistura de fanatismos nacionalistas e religiosos, é o país mais perigoso do Mundo. Os ataques terroristas que tem lançado contra a Índia revelam uma pulsão irracional dos estrategas ocultos que o encobrimento de Bin Laden só veio confirmar.

Colossal gargalhada

Ora, o actual líder de Governo é o primeiro que volta a incorporar características pessoais que nos perspectivam mais um ciclo marcante. Com tudo o que de controverso possa ter esta afirmação, Passos Coelho é carismático, tem um carácter férreo e soma a um humanismo, à imagem de Sá Carneiro, uma determinação austera muito ao jeito do actual Presidente da República. A ser consequentemente afirmada, trata-se de uma mistura excepcionalmente promissora.

Nestas primeiras semanas de trabalho, o primeiro-ministro pautou-se por um estilo muito eficaz. Nunca deixou de fazer declarações quando o devia fazer, e fê-lo sempre de forma natural e distendida; nunca se deixou pressionar pela opinião publicada e geriu o silêncio com particular sabedoria.

Diz que é uma espécie de Conselheiro de Estado

Vinte Linhas 646

Rua da Boavista – uma rua velha e triste como um ser humano

Esta manhã passei na Rua da Boavista no sentido São Paulo – Conde Barão e fiquei desolado. Uma rua que foi viva, cheia de gente atarefada, a rua por onde eu passei todos os dias úteis nos anos 90 quando trabalhava na Rua do Instituto Industrial, parece hoje morta, quase sem ninguém a cruzá-la, uma rua despovoada, muito triste, quase hostil.

A rua tinha muitas lojas, lojas grandes e pequenas de onde entravam e saíam homens de fato-macaco azul, trazendo nas mãos ferramentas e motores, torneiras e rebites, sacos de cimento e lata de tinta, as velhas lojas da Rua da Boavista estão hoje vazias e trancadas a cadeado. Em muitas delas o correio acumula-se sem ninguém o ler, muitos são os ferros que seguram o corpo esventrado dos prédios desocupados. Há um cheiro a mofo e a podre nos prédios abandonados desta rua que hoje percorri.

Já só passa nesta rua um eléctrico (o 25 dos Prazeres para a Rua da Alfândega) mas quando um qualquer manga- de- alpaca obscuro, fechado no gabinete, descobrir que o eléctrico não dá lucro, vai logo acabar com a carreira. Aqui passaram os carros eléctricos de Belém para o Poço do Bispo com direito a bilhete de operário se comprado até às sete e meia da manhã.

Uma rua na cidade é, afinal, como uma pessoa: também envelhece e fica doente. A Rua da Boavista é como uma pessoa: está velha e triste como se fosse um ser humano.

Deixei de lá passar em 1996 e voltei hoje mas o vazio assustou-me. Sei que o Mundo mudou mas não esperava que essa mudança fosse assim e tanto assim. Passar pela Rua da Boavista e encontrar uma rua desolada e vazia que outrora foi uma artéria viva e cheia de gente, não estava no meu programa.