Fernando Pessoa na Rua da Madalena

A minha vida cabe dentro do escritório
E na sobreloja da leitaria alentejana
Nada nos meus poemas é provisório
Que escrevo nesta concreta geografia

Rua dos Fanqueiros, da Conceição
Rua da Madalena, dos Douradores
Abel Pereira da Fonseca ao balcão
Aquece o meu peito com os calores

Hoje Ofélia chama-se Inês ou Teresa
Sai às seis e desliga o computador
Cesário Verde aparece de surpresa
Na loja de ferragens fala ao vendedor

No Bairro Alto, no Hospital de S. Luís
O poeta antigo, afinal o mais moderno
É lúcido uma vez mais quando nos diz:
Eu preciso de morrer para ser eterno

7 thoughts on “Fernando Pessoa na Rua da Madalena”

  1. pois, essa coisa do póstumo faz-me comichão. mas também há quem vivo mate para ser eterno – deve ser a coisa do antesumo. :-)

    (se o Fernando lesse isto havia de querer ter sido Pessoa: eterno de vida) :-)

  2. anonimo, assim, não, garantidamente. Embora o zézinho já tenha escrito «morre!», a um dos seus comentadores. Teria sido a si? Só de desse modo se compreende…

  3. oh primo! estamos a falar de coisas diferentes, enterros literários & caixões poéticos, coisas a que se assiste vivinhos da costa.

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