Mascarilhas e máscaras

O legado de Sócrates para a cultura política nacional está aí à disposição de investigadores, jornalistas, intelectuais, fogareiros e meros curiosos para quem a cidadania em Portugal for parte essencial da sua identidade. Para o aproveitar é preciso abdicar dos juízos de valor ideológico e ousar a intenção da objectividade científica. Claro que será completamente legítimo fazer uma crítica a respeito dos pressupostos, modos e resultados da governação socialista sob um prisma ideológico, qualquer que ele seja. Não só legítima, essa análise seria também útil e bondosa – sendo apenas de lamentar que mal se tenha visto, tendo sido substituída pelos assassinatos de carácter no todo, à direita, e em grande parte, à esquerda. Se a oposição ao PS tivesse sido um confronto de ideias, de projectos e de talentos, Sócrates poderia ter à mesma perdido as eleições em 2011, ou logo em 2009, mas nós estaríamos agora muito melhor e os vencedores também. Mas não foi nada disso que se passou, pois não?

A conjugação de um Governo PS com a necessidade histórica de alterar sectores do Estado e da sociedade anquilosados, porque ineficientes ou ineficazes, provocaria sempre homéricas convulsões políticas. Essa reforma seria inevitavelmente catalogada como de direita pelo PCP e BE, recolhendo a anuência silenciosa, ou avulso protesto hipócrita, do PSD e CDS. E assim andámos enquanto não chegaram as crises sucessivas, nacionais e internacionais. Recorde-se que até aos começos de 2008 foram dadas provas de que Sócrates, apesar da maioria absoluta, podia ceder e aceitar derrotas: casos da candidatura de Soares às presidenciais de 2006, do novo aeroporto em Alcochete e da queda de Correia de Campos como exemplos maiores. Todavia, o movimento das placas tectónicas do Cavaquismo era imparável e estava disposto literalmente a tudo. Os mandantes das campanhas negras e das conspirações mediático-judiciais não tinham tempo, e muito menos cabeça, para estarem a desenvolver soluções políticas que fizessem sentido, nem das que lançavam se esperava que tivessem real ligação às aspirações dos portugueses. Tanto em 2009 como em 2011, o PSD andou sem programa eleitoral até quase ao dia das eleições, não tendo ele servido como matéria de discussão pública nem tendo sido factor de preferência eleitoral. O que havia a fazer era outra coisa, uma coisa que se faz há milhares de anos em qualquer sociedade onde pulhas e desesperados disputem o poder. Tratava-se de destruir aquele que os ameaçava fáctica e simbolicamente. E foi isto que fizeram:

– Mancharam o percurso escolar e profissional de Sócrates com insinuações e calúnias do foro moral e legal.

– Mancharam o exercício governativo de Sócrates com insinuações e calúnias do foro criminal.

– Mancharam a reputação de familiares de Sócrates com insinuações e calúnias várias.

– Tentaram criminalizar Sócrates a partir de escutas ilícitas e irrelevantes.

– Exploraram as fragilidades cognitivas da população, e as consequências das crises, para manterem um crescente estado de ódio contra Sócrates, Governo, PS ou qualquer um que lhes manifestasse publicamente o seu apoio.

– Usaram a Presidência da República, e o papel do Presidente da República, para o lançamento de uma conspiração mediática contra o Governo nas vésperas de dois actos eleitorais.

– Usaram as prerrogativas constitucionais do Presidente da República para a perversa transformação do seu papel institucional no de chefe da oposição a exigir a queda do Governo na própria Assembleia da República.

– Mantiveram o Governo minoritário apenas para o desgastar até ao momento que considerassem adequado para novas eleições, ao arrepio dos interesses nacionais.

– Denegriram Portugal internacionalmente ao longo de todo o processo de agravamento da crise das dívidas soberanas e dos mercados de financiamento.

Quem fez isto pertence à elite da direita triunfante (que também há uma direita derrotada, mas jamais vencida), não é a arraia-miúda dos jornais e da Internet. São portugueses como todos os outros, sim, embora com um conjunto de vantagens sociais que o centro e a esquerda não possuem. Naturalmente, velam pelos seus interesses, a sua riqueza, a sua família, o seu futuro. Não há nada de errado no que fazem, incluindo o modo como o fazem. Porque eles fazem tão-somente aquilo que sabem fazer, eles são isto: conspiradores furiosos, venenosos, tinhosos. Foi assim que subiram, uns, é assim que se mantêm, outros. E conhecem-se de ginjeira, por isso vivem num mundo de invejas, ressentimentos e vinganças.

Ora, toda esta gigantesca operação, um misto de ataque à outrance por parte de soberbos egos oligárquicos com maquinações de pormenor e longo fôlego planeadas no Palácio de Belém, não teria alcançado o seu objectivo não fosse a preciosa colaboração do BE e PCP, a que se juntou uma parte importante do PS. Estes puros da esquerda pura consideraram, alucinados, que era igual ter o País nas mãos do PS ou do PSD. E embora não se imaginassem a governar, pois ainda não estão totalmente desmiolados, só um objectivo os entusiasmava: derrubar Sócrates. A distorção da sua verrina era proporcional ao facciosismo que os cristalizava numa posição de mera resistência e boicote. Eles próprios não queriam negociar nada com o PS ou com Portugal, por isso faziam do adversário uma figura caricatural e monstruosa que lhes garantia a coerência mental da praxis.

A sucessão de transformações reformistas que se faziam desde 2005 no intento de provocar o menor dano social, e outras que eram investimentos fundamentais para a requalificação da sociedade e seus tecidos produtivos, nunca obtiveram qualquer reconhecimento por parte do BE e PCP. Pois é… se reconhecessem que o PS não era igual ao PSD, se aceitassem a possibilidade de aumentar a justiça social através de uma governação ao centro que atendesse ao maior número de cidadãos e seus díspares interesses, se admitissem que quem votou em Sócrates pela segunda vez não votou na direita mas contra ela, lá se ia a máscara que esconde um rosto de olhos vazos.

33 thoughts on “Mascarilhas e máscaras”

  1. Força, caro Val.
    Um balanço a fazer mas que ninguém quer fazer.
    É penos ver e ouvir , como ainda agora vi e ouvi na RTP ( comentadores e o Sr. Autarca Macário ) , quem nunca falou da situação europeia e global mas apenas do “malandro” do Sócrates mostrarem-se muito preocupados com o mundo. Então p Sr. Macário devia ter vergonha na cara.
    Cumprimentos

  2. Ocasional mas não ausente e sempre posso achar que o retrato está perfeito. Julgo mesmo que esta quietude que por aí anda, em contraste com a histeria permanente que até há meses atrás arrasava Sócrates, é também em parte um mea culpa daqueles que ingenuamente ajudaram à festa da imolação. Não adianta torcer a orelha embora, seja útil aprender e mostrar vergonha pelo desamparo em que deixaram Sócrates e também pela ajuda que deram aos seus gananciosos adversários políticos. A vida é assim, interessa aprender. E esperar que até os Media que foram suporte do embuste e da perseguição sintam alguma falta de ar. É que há mar e mar mas também ir e voltar. Com uma dúvida:a mão de obra que ajudou à festa, deontologicamente podre, arrepender-se-á?

  3. Excelente texto, Val. Mas sabes bem que podes esperar sentado, até deitado, de acordo com a tua rotina, pela análise rigorosa, digas histórica ou que te apetecer, sobre a governação Sócrates.

    À esquerda o sorriso é radioso. Venceram o monstro. Querem lá saber se o PS era mesmo igual ao PSD ou não. Eles têm a sua coerência própria e só queriam circunstâncias favoráveis à sua contestação. Querem lá saber de coerências e se a realidade parece mostrar que não. Mas que raio, é Verão. Depois Outono e a seguir Inverno.

    À direita é de orelha a orelha. Finalmente pés e mãos no pote! Se os favos não estão cheios ao jeito, corta-se na arrecadação do 13º. Não chega? Corta-se no bater de asas porque quem decide até vai de económica, pá. Depois, esta ideia de um país para a terceira idade é bestial. Portugal deve ser todo em rampa, cheio de caniches amestrados, almoço com sopinha a euro e meio e muito Sol e felicidade. O Álvaro merece produzir os itinerários e fornecer os medicamentos que estão quase, quase, a expirar o prazo. Tem é que cortar com as Americas Cup’s e a energia nuclear associada. Convençam os espanhóis. Eles são mesmo baris.

    Quem vai perceber a diferença na pele é o país eleitoral. Mas o Presidente agora, já quer lá saber disso, ele nem sequer pode ser reeleito. E no entretanto, dá-lhe jeito. Tipo BPN. Mhamm.

  4. E assim se chega a este assalto em que “Coligação governamental aprovou ontem na Assembleia da República alteração à Lei Orçamental para subir despesas ministeriais “; Governo aprova lei para tirar receitas da Segurança Social sem aprovação do Parlamento, para cobrir aumento de despesas dos ministérios. É isto, não é?

    Que atenção jornalística foi dada? Que conferência de imprensa foi convocada pela oposição? (ah, Seguro, não vales a espinha dorsal de um caracol)

    http://www.dinheirovivo.pt/Mercados/Artigo/cieco009725.html

  5. Gostei muito do texto do Valupi, mas podia ter destacado mais o papel do presidente Cavaco. Penso que sem a sua plena cobertura e activa “militancia” dificilmente a matilha teria rasgado os calcanhares de Sócrates.
    Agora, está feito. É um fartar vilanagem. O Édie traz mais um exemplo.

  6. Muito bom este texto. Não demorará muito para que a maioria das pessoas compreendam
    que foram vítimas duma comunicação social de esgoto com gente muito importante atrás. Parabéns Vale – Zé Almancilense

  7. Bem rasgado,Val! Parabéns! Mas fico a matutar onde anda o PS que, apesar do lamaçal em que chafurdam as secretas em benefício dos porcos de sempre, da lata do super Álvaro que resolve compor um ministério com super funcionários e ordenados à sua super medida, mas com jogo de cintura suficiente para lançar a bacorada do ambiente de ostentação que encontrou no ministério, do cambalacho que foi a venda do BPN, etc.
    Fosse com Socrates e o que não se ouviria do misero professor, das manuelas, relvas, portas, moedas, frasquilhos, louçâs, jerónimos e outras carpideiras encartadas.
    Contudo, do PS, apenas um silêncio aterrador!

  8. Pois é, KKBM, o PS está de nojo e está muito bem assim. O seu ex-lider Sócrates foi cobardemente assassinado, ao fim de uma tortura que durou seis anos. Os assassinos controlam, agora, tudo o que havia para controlar.
    Há dias, lucidamente, o Valupi escreveu aqui que, mesmo que Sócrates ganhasse novamente as eleições em Junho pp, não iria longe porque os assassinos haviam tomado de assalto todas as instituições da nossa democracia. A politização da presidencia da republica e da justiça são emblemáticas na estratégia seguida.
    Depois de tudo isto compreende-se que o homem das secretas não esteja ainda preso e Rui Machete transite quase directamente do BPN dos ladrões para a CGD e o mesmo BPN seja entregue nas mãos do cavaquista Mira Amaral. (Alguém sugeriu que é para encobrir o lamaçal perigoso que podia salpicar, ainda, muito colarinho alvíssimo ou muita honra empoleirada).
    O PS faz muito bem em não armar uma bravata. Para quê?
    Ouço as pessoas aflitas, muitas e cada vez mais, e só lhes digo: vocês não têm culpa porque foram enganados por quem menos esperavam, tanto à esquerda como à direita.

  9. Bom post. Há quem queira incluir mais o PR, mais a Justiça, mais os jornaleiros, mais as tvs mas para quê? Só os cegos é que não veem.
    Uma análise exaustiva far-se-á mais tarde, com mais dados, com o pó assente e quando tivermos tempo disponível, relaxados ao sol, com o lulu ao lado, num motel para pobres cedido pelo ministro Álvaro, e com mais uma batelada de euros na reforma (para aí 2 ou 3 euros) se sobrarem alguns dos que o atual ministro da segurança social que não sei o nome do gajo, aumentou agora as pensões dos desgraçados (+ 4 euros mensais, isto é, 12 cêntimos por dia) que viram aumentar os transportes, medicamentos, irs, combustíveis, gaz, eletricidade, água, etc., etc. Só não aumenta o vestuário se for comprado no chinês, claro!

  10. Algumas perguntas inocentes:

    Então o engº Sócrates tira uma licenciatura em engenharia por correspondência (mas era o único da turma, já que os outros tinham de frequentar a universidade), sendo grande parte do curso dado por um seu amigo, e com diploma passado ao domingo e não se acha estranho??? Realmente na Universidade Independente aquilo era muito trabalhador, se todos fossem assim a produtividade em Portugal duplicava.

    O engº Sócrates andou 4 anos a ser prepotente e arrogante para a oposição, raramente respondia a uma pergunta da oposição que não fosse do seu agrado, e queria fazer pactos com quem? Ainda por cima recebe todos os partidos no mesmo dia para saber se estavam interessados em apoiar o governo. Queria governar com o Portas e o Louçã?? Brincadeirinha..

    Quem denegriu a imagem de Portugal foi o PS que não cumpriu os objectivos orçamentais que se propões ao longo destes últimos. Por exemplo em 2009 não se apercebeu que o défice previsto não seria atingido, e só quando as eleições estavam ganhas é que se apercebeu do buraco atingido. Foi pena não terem pedido ao Constância que ele em Janeiro já tinha decerto o valor do défice do final do ano.

    O caso das escutas, existem magistrados que acharam que eram relevantes. Decerto que esses eram menos sérios que os outros….. É pena não termos só magistrados como os segundos.

    Os problemas do eng Sócrates, os problemas das campanhas negras, é que nunca ficam esclarecidos, nunca se percebe como acabam.

  11. Pelos argumentos tolos acima papagueados pelo Osvaldo (diploma de licenciatura “passado ao domingo” e outras imbecilidades, como a famosa “arrogância” de Sócrates e até o desplante de em 2009 ter ouvido os partidos todos, imagine-se!) podes ver, Valupi, que a cabeça desta canalha é como um caldo que azedou, só serve para alimentar porcos.

  12. Amigos, com aspirina não vão lá! Compreendo que estejam com muita dor de cabeça, no entanto recomendo Alkazerser para a indigestão.

  13. Querias dizer Alka Seltzer, grunho campestre? Gajos como tu não precisam de aspirina, a cabeça só dói a quem a tem.

  14. É verdade que está uma análise perfeita. É verdade que falta a atuação indigna dos juízes e magistrados sindicalistas,e do Cavaco e outras igualmente injustamente agressivas, mas acabou por produzir o efeito pretendido pelos respetivos atores. Muita gente foi enganada,e começa a ter consciência disso mas não se nanifesta,porque sente que colaborou.Só quando as coisas se tornarem insuportáveis é que verão o logro em que caíram e reconhecerão o erro. Só espero que não seja tarde demais.

  15. Osvaldo, tens provas das calúnias que lanças? Ou és mais um que levou com o clister de ranho nos neurónios?

    Se tens provas, venham elas. Chega-te à frente.

  16. Val, eu disse alguma mentira?

    Qual delas é mentira?

    O diploma foi passado a um domingo …. nunca foi desmentido

    O Sócrates não respondia a muitas das perguntas incomodas da oposição (eu ouvi muitos debates na assembleia e é verdade)

    Que fez reuniões com todos os partidos com assento parlamentar para saber se estavam dispostos a apoiar o governo (decerto que convicto que ia convergir em muitas medidas com o BE e PC)

    Que desmentiu n vezes que o valor do défice de 2009 ia ser bem superior ao previsto (como se veio a verificar)

    Que havia magistrados que achavam que as escutas (entre Vara e Sócrates) obtidas no processo face oculta tinham relevância (veio em todos os jornais…)

    Eu enumerei alguns casos públicos, que vieram nos jornais, nada mais que isso.

  17. Osvaldo, explica qual é, para ti, o significado de um diploma ter sido passado ao domingo. Se falas no assunto em registo de insinuação, deves ter algum conhecimento que está a escapar aos procuradores que investigaram o caso.

    Depois, traz um exemplo de uma dessas perguntas que não foram respondidas, para sabermos do que estás a falar.

    A seguir, elucida-nos acerca do modo como se calcula o défice ao longo do ano e também a respeito do que seja para ti a política, posto que há várias implicações políticas a que um governante tem de atender quando faz previsões do défice.

    Por fim, gostava de saber qual é o teu entendimento do caso das escutas. Que existiam magistrados que queriam criminalizar Sócrates, todos o sabemos porque é público. Mas tu insinuas que essa intenção é tão séria quanto a daqueles – Procurador-Geral da República e Presidente do Supremo – que declararam repetidamente estarmos perante uma golpada política, pois não existia nas escutas nenhum indício que justificasse a acusação de “atentado ao Estado de direito”.

  18. Senhor Osvaldo,
    “Os problemas do eng Sócrates, os problemas das campanhas negras, é que nunca ficam esclarecidos, nunca se percebe como acabam.”
    Nas suas perguntas “inocentes”, para começo de conversa, nem se percebe onde começam as perguntas e onde acaba a inocência.
    Mas, sigamos adiante.
    Vamos ao naco da sua posta, que é esta frase que eu cito.
    Em que ficámos? Nos “problemas” do eng.º Sócrates (eu sei quais são, ou melhor dito, quais foram e pagou por eles)? ou nos “problemas” das campanhas negras?
    Eu ajudo.
    Quanto aos problemas do eng.º Sócrates, se eles os tem ainda, há-de corrigi-los, para bem de Portugal e dos portugueses. Sossegue, o “homem”, menos ainda o “politico, não está morto.
    Quanto às campnhas negras, como se viu, resultam quase sempre, quando os alarves de direita, se juntam de conúbio com as esquerdas estalinistas, trotskista e assim assim, com magistrados vendidos, jornalistas falsários e grupos económicos interessados em sugar o país até ao tutano.
    Fica uma dúvida.
    Em que categoria joga o sr. Osvaldo?

  19. Sobre calcular o défice é muito simples é falar com o dr Vítor Constâncio que determinava isso em poucos dias (como fez em 2005) e arredondado às centésimas. Se no tempo do Santana era possível determinar o défice em 2009 também, até porque o ministro de 2005 (e que tinha feito mal as contas) em 2009 disse que o défice ia ser muito superior ao previsto (parece que o pessoal na oposição sabe fazer contas no governo é que não).

  20. Osvaldo, não fazes ideia de como se calcula o défice, né? Nem entendes a diferença entre estabelecer um défice passado e apontar um défice futuro, certo? Tudo bem, continua a mandar postais.

  21. eu não percebo nadinha de macroeconomia mas portugal, porque a culpa nunca é de uma só pessoa, não fez nem faz boa aplicação da política económica anticíclica: invertem-na e, desta feita, o déficit público, como seu principal instrumento, anda atrofiado.

  22. Meu caro Val, não faça os outros burros para defender o teu ídolo. Se eu não souber estabelecer défice passados faço como o Sócrates que não incluía todas as despesas e depois apresentava um défice inferior ao real, como fez em 2010 (ele a pensar que ia fazer o brilharete dos anos anteriores e apresentava um défice inferior ao previsto.. à custa do fundo de pensões da PT, teve mas foi azar e teve de contabilizar as dividas das empresas publicas e o buraco do BPN), só que a União Europeia trocou lhe as voltas. Já agora o fundo de pensões foi uma operação de cosmética daquelas tipo Manuel Ferreira Leite que o PS tanto criticava. Sobre apontar défice futuros se as previsões económicas forem as correctas (como diz o ministro das finanças… é tempo complicado para previsões) as contas vão bater certo. Contudo, no caso de 2009 nem era nenhum destes 2 casos, mas um mix dos 2, pois o ano já decorria e já se sabia a execução orçamental de alguns meses e as previsões para os restantes meses eram mais realista e por isso já se tinham indicadores que não se ia atingir o défice previsto, como muitos respeitados economistas afirmavam. Contudo dava jeito desmentir para ganhar as eleições.

    Para defender os nossos não é mandando postais, mas sim valorizando o que de bom foi feito e sobretudo saber reconhecer os erros. E para o val, tudo o Sócrates fez tudo correcto, foi grande, tudo o que os outros façam ou digam é tudo péssimo.

  23. Osvaldo, és dado à repetição e à invenção. Papagueias o que os adversários do PS dizem e ficas contente, mas não mostras entender o problema. Tu falas como se a política correspondesse a uma actividade mecânica, bastando fazer contas certinhas para se adivinhar o futuro, mas a realidade não tem nada a ver com essa fantasia. Na realidade, os resultados económicos são afectados pelas percepções pessimistas ou optimistas, podendo um Governo comprometer decisões de investimento e consumo – factores decisivos para as contas públicas, como espero que tenhas presente – se for irresponsável ao ponto de assustar os agentes económicos. Por razões eleitorais em 2009, tanto a oposição como o Governo utilizaram os dados que iam saindo para defenderem os seus interesses. É esta parte que te está completamente a escapar, pois tu julgas que o Governo – e seja quem for que lá esteja – não deve fazer política.

    Já agora, e para me rir, diz-me aí os nomes dos “respeitáveis economistas” a que te referes. Gostava de saber quem são e se eles sempre acertaram nas suas previsões ao longo dessa respeitabilíssima carreira como profetas ou se o seu talento se esgotou no ano de 2009.

  24. Val, RESUMO MAGISTRAL!
    Que nunca lhe doa voltar ao tema da perseguição a Sócrates e a todas as reformas dos seus governos – ainda agora foi publicado um estudo de uma organização internacional independente que conclui que Sócrates foi o 1º Ministro que mais reduziu o nº de dirigentes da admistração central.
    Considero até que deve manter nessa análise o detalhe e os adjectivos aqui usados para identificar a direita – a matilha dos cães raivosos, cujo chefe continua em Belém – e a esquerda – aquela que de tão pura que é, passou a pó de droga que alimenta as visões dos “amanhãs que cantam”!
    Só, assim, talvez, os “Oswaldos” deste país acabem por perceber que por mais mentiras que continuem a vomitar, a força da razão que nos assiste há-de vencer!
    Lamentavelmente – mas isso é a consequência dos anos do salazarismo – o português anónimo, não tem uma opinião própria, sendo “presa fácil” de toda a nossa comunicação social, que – voltamos ao principio – está nas mãos da direita instalada!

  25. Aí a Manuela Garçonne Pariga Mendes é que o disse com estilo, xim senhora. Não, minto, Don Albergaria espremeu melhor o frunco. A César o que é de Cesário.

  26. Caro Val
    Não faz qualquer sentido postares uma prosa como esta, lúcida que até dói, e depois perderes tempo a trocar argumentos com um exemplo acabado de uma parte da matilha que acabaste de criticar, a dos idiotas pretensiosos, bacocos e ignorantes como a criatura “Osvaldo”. Em verdade te digo que adianta tanto como entrar em animado diálogo com um penico cheio até à borda de caganeira fresquinha de um ilustre pensionista do Júlio de Matos!
    Em casos como este, o lema a seguir deve ser: “Deixá-los falá-los, que eles calarão-se-ão!”

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