Não há guerra mais estranha do que a da Líbia. No início, no romance provocado pela embriaguez da Praça Tahrir, sugeria-se que o exército do Coronel estava em debandada e seria um passeio até os revoltosos conquistarem Tripoli. Entrávamos em Fevereiro. Três meses depois, com a Nato a bombardear, conselheiros militares ocidentais a orientar os rebeldes, serviços secretos com permissão para agir e a cobertura tecnológica que permite saber tudo acerca do poder militar de Kadhafi, suas posições e movimentações, o conflito parece empatado. É absurdo.
Contudo, é no plano do tratamento dado pela comunicação social que a estranheza atinge o seu auge. Não temos imagens reais, ou em infografia, que transmitam uma noção do que se esteja a passar. Nem sequer a dimensão da violência e destruição é captada mediaticamente, faltando relatos locais, ou de representantes do povo líbio no exterior, com dados concretos e de conjunto. Tendo em conta a facilidade em registar imagens por qualquer telemóvel, pelo menos, este deserto mediático não encontra paralelo em nenhum outro palco de guerra onde as forças ocidentais tenham estado envolvidas.
Finalmente, tal como o Francisco Clamote regista, a estratégia da Aliança está a passar pela tentativa de assassinato de Khadafi. Ou, no mínimo, por uma forma de chantagem que consiste em lhe mostrar que tal é possível a qualquer momento.
A apatia que se instalou na opinião pública internacional, e especialmente na europeia, assinala a contrario o poder do jornalismo.






