Primeiro entranha-se, depois estranha-se

Não há guerra mais estranha do que a da Líbia. No início, no romance provocado pela embriaguez da Praça Tahrir, sugeria-se que o exército do Coronel estava em debandada e seria um passeio até os revoltosos conquistarem Tripoli. Entrávamos em Fevereiro. Três meses depois, com a Nato a bombardear, conselheiros militares ocidentais a orientar os rebeldes, serviços secretos com permissão para agir e a cobertura tecnológica que permite saber tudo acerca do poder militar de Kadhafi, suas posições e movimentações, o conflito parece empatado. É absurdo.

Contudo, é no plano do tratamento dado pela comunicação social que a estranheza atinge o seu auge. Não temos imagens reais, ou em infografia, que transmitam uma noção do que se esteja a passar. Nem sequer a dimensão da violência e destruição é captada mediaticamente, faltando relatos locais, ou de representantes do povo líbio no exterior, com dados concretos e de conjunto. Tendo em conta a facilidade em registar imagens por qualquer telemóvel, pelo menos, este deserto mediático não encontra paralelo em nenhum outro palco de guerra onde as forças ocidentais tenham estado envolvidas.

Finalmente, tal como o Francisco Clamote regista, a estratégia da Aliança está a passar pela tentativa de assassinato de Khadafi. Ou, no mínimo, por uma forma de chantagem que consiste em lhe mostrar que tal é possível a qualquer momento.

A apatia que se instalou na opinião pública internacional, e especialmente na europeia, assinala a contrario o poder do jornalismo.

Dissonância fotográfica

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O texto diz-nos que Sócrates exibia um semblante carregado e Portas um leve sorriso. A fotografia que o DN escolheu mostra Portas de cabeça baixa e sério, enquanto Sócrates é apanhado com um rasgado sorriso ou a rir. Que se passa neste jornal? Que andam a pôr na água canalizada?

Também teria graça que alguém contasse as ocasiões em que cada um sorriu, e como sorriu e qual o contexto. Não que tal contabilidade tivesse importância fosse para o que fosse, mas por ser interessante para quem se interessa.

Abanar o cão

Why does the dog wag its tail?
Because the dog is smarter than the tail.
If the tail were smarter, it would wag the dog.

Do filme Wag the dog

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(Nota: o post é longo, mas não consigo fazê-lo mais pequeno. As minhas desculpas)

Na sequência da discussão que aqui trouxe neste post, li entretanto dois artigos que acho que são bem demonstrativos do ponto perigoso onde se encontra a União Europeia. Vale a pena lê-los a ambos com atenção.

O primeiro é de um professor irlandês, Morgan Kelly, que se tornou famoso por prever o rebentamento e as consequências da bolha especulativa do seu país. A bancarrota da Grécia e a da  Irlanda são explicáveis com palavras simples: os gregos foram aldrabões e irresponsáveis, e os irlandeses foram estúpidos à n potência. A situação da Irlanda é espantosa: o país sofreu basicamente uma explosão de uma bolha imobiliária, à semelhança dos EUA, que destruiu o seu sistema bancário. De um momento para o outro, os poderosos bancos irlandeses ficaram com dívidas gigantescas incobráveis garantidas por propriedades cujo valor era, para efeitos práticos, zero. A diferença para a Grécia é que, à semelhança da Islândia,  isto era uma crise de capitais exclusivamente privados. O estado estava bem e recomendava-se, sem problemas de financiamento e sem défice. E o que é que os irlandeses resolveram fazer?  Em vez de deixar os bancos falir, mesmo com consequências nefastas, e reconstruir a partir daí, resolveram nacionalizá-los, e assumir todas as dívidas. Todas, sem excepção, e sem perdas para os investidores que lá tinham posto o dinheiro. De um momento para o outro, os cidadãos irlandeses eram responsáveis por uma dívida que está agora em 160 mil milhões de Euros. E ainda nos queixamos do BPN.

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A raiz da dissonância cognitiva

Aqueles que dizem ter Portas ganhado o debate com Sócrates agarram-se a frases vácuas, insultos infantilóides, números parlamentares gastos. O resto é filtrado. E o resto é a ausência de programa e propostas, a confusão discursiva que levou Judite de Sousa a instigar Portas por mais de uma vez para ser claro, a exibição de fragilidade política em directo ao hesitar confrangedoramente na resposta à questão da eventual coligação com o PS e a cobardia de não olhar Sócrates nos olhos quando este o interpelava. Tal foi o desnorte de Portas que até desperdiçou por completo o minuto final, falando para a Judite em vez de se dirigir à audiência e não conseguindo sequer deixar uma mensagem perceptível.

Aqueles que dizem ter Portas ganhado o debate com Sócrates são os mesmos que andam desde 2008, dia sim dia sim, a declarar que Sócrates está acabado. São os mesmos que se deliciaram com as campanhas de assassinato de carácter que foram lançadas por jornalistas e magistrados. São os mesmos que aplaudiram a Inventona de Belém e foram a correr reeleger Cavaco. São os mesmos que estão dispostos a afundar Portugal na bancarrota desde que tal sirva para derrubar Sócrates e o PS. São os mesmos que não entendem as sondagens, o que quer dizer que não entendem o eleitorado, não entendem o País, não se entendem a eles próprios. Por isso andam neste carrossel da exaltação do ressabiamento e da depressão da impotência. Por isso alucinam.

Aqueles que dizem ter Portas ganhado o debate com Sócrates não vivem na estratosfera. Estão amochados na toca do Coelho a roer a cenoura.

Vinte Linhas 612

Algumas memórias com José Roquete no Chiado

O que distingue para mim um dia cinzento de um dia luminoso é aquele pequeno intervalo de tempo e circunstância a que muitos chamam acaso.

Encontrei José Roquete no Chiado um dia ao fim da tarde na semana passada. O ex-presidente da Direcção do Sporting Clube de Portugal cruzou-se comigo no largo na zona dos táxis, entre as duas igrejas – Loreto e Encarnação.

Muitas foram as memórias que desfilaram por ali nas nossas palavras. Particularmente uma certa viagem a Castelo Branco, na semana santa do ano de 2000. O padre Sanches, chamado a abençoar as instalações do Núcleo Sportinguista de Castelo Branco, apresentou-se de estola verde sobre a branca sobrepeliz.

Terminada a cerimónia, perguntei discretamente ao sacerdote qual a razão de não ter utilizado a estola roxa da semana santa na bênção do novo espaço.

José Roquete estava ao lado, ouviu e sorriu perante a resposta: «Para mim a cor é sempre verde! Sou leão e sempre serei! Não mudo!»

No jantar que se seguiu num antigo quartel da tropa, tive o enorme prazer de ouvir um grupo de mulheres de Idanha a Nova, um grupo heterogéneo com avós, filhas e netas. As suas belíssimas canções e o som dos seus adufes fizeram-me lembrar a voz da Terra, uma vez que dificilmente alguém a poderá definir mas que a intuição me avisava de estar ali bem perto. Tão perto que José Roquete se levantou, de súbito, enérgico, muito emocionado para beijar e abraçar a mais idosa das cantadeiras de Idanha a Nova. Nela saudou e beijou a voz da Terra – da qual os dois temos muitas saudades, 11 anos depois.

Dou 100 euros a quem me conseguir explicar isto

Segundo o líder social-democrata, o Governo de José Sócrates “não tem perdão”. Isto porque, explicou, “teve todas as condições para evitar que Portugal chegasse onde chegou. Não teve nenhum Orçamento de Estado chumbado, nenhum Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) chumbado, excepto o PEC 4, nunca apresentou uma medida relevante que não tivesse tido acolhimento no Parlamento”.

Fonte

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Ora, bá lá ver. Passos declara que Portugal chegou onde chegou, seja lá o que isso queira dizer, porque o Parlamento sempre acolheu as medidas relevantes apresentadas pelo Governo. Ou seja, chegámos onde chegámos à pala do PSD que foi aprovando a política seguida pelo PS. É isto?

Ou será que Passos está a dizer que Portugal chegou onde chegou, presumivelmente ao chumbo do PEC 4, porque o PSD aprovou o Orçamento para 2011 e, perante os resultados muito positivos da sua execução nos dois primeiros meses, e a tomada de posse de Cavaco, ficou cheio de vontade de ir ao pote antes que o Governo fechasse o acordo que evitava a necessidade da ajuda externa?

Está a valer 100 euros a explicação que faça luz sobre a verdadeira mensagem que se pretende transmitir ao eleitorado. Militantes e simpatizantes do PSD também podem participar, apesar de serem aqueles com maiores dificuldades para entender as afirmações de Passos Coelho.

O amante de Sócrates

Não existem oradores mais insuportáveis do que a maltósia do Bloco de Esquerda. Até no PCP e no CDS, se procurarmos com tempo e paciência, encontramos quem se oiça com agrado; ou no Partido de Todos os Portugueses, aposto. Mas não se aguenta o matraquear canino de Francisco Louçã e Ana Drago, ou a sobranceria irrisória de Fernando Rosas e João Semedo, ou o contágio depressivo de Luís Fazenda e Helena Pinto. O mesmo problema com os satélites mediáticos, Daniel Oliveira e Joana Amaral Dias, que estão sempre num registo hipertenso e belicoso, numa gritaria que não conhece descanso. Fazem das suas intervenções, por mais insignificante que seja a matéria ou ocasião, uma ideológica questão de vida ou de morte. Precisam de acreditar que estão a exibir a sua irredutibilidade ao adversário de forma peremptória, fatal. Com eles não há negociações nem se fazem prisioneiros – ou seja, não se dialoga nem se constrói a democracia. Não reconhecem interlocutores para partilha de responsabilidades e projectos, só vêem trafulhas à sua volta. Por isso a vitória tem de ser obtida a cada locução, a cada frase, através do poder mágico das palavras. Caso fracassem e deixem de se fazer ouvir, não resta mais nada para alcançar. A luta chegará ao fim quando se apagarem os holofotes e o público dispersar, este partido é um espectáculo.

Louçã abriu a VII Convenção do Bloco de Esquerda com um discurso dirigido a Sócrates. Mas a qual Sócrates? Àquele que discursou na abertura do XVII Congresso Nacional do Partido Socialista – nem mais, nem menos. Foi de tal forma uma resposta directa a esse preciso momento que Louçã glosou expressões nele proferidas e acabou em registo de citação literal, fazendo um pasticho ao modo como Sócrates terminou o seu discurso. Quer este número patético dizer que Louçã vive num mundo minúsculo onde apenas o que o actual Secretário-Geral do PS diz, e como o diz, lhe desperta o entusiasmo. Por isso se esfalfa na comparação, assoberbado no afã de mostrar-se superior aos dotes retóricos e oratórios de quem, afinal, o assusta e fascina.

Os aplausos da praxe que recebeu, depois de um exasperante lençol proclamatório de vacuidades e demagogia, são a prova de que o Bloco está rendido à sua paixão.

Isto anda tudo ligado

Até onde pode ir o jornalismo? – Estrela Serrano faz a súmula de um gravíssimo caso (um de vários, um de muitos, um que espelha quem o faz e com ele aproveita) que é escandaloso em si e ainda mais escandaloso pelo silêncio de tantos a seu respeito. O Correio da Manhã, uma escola de pulhices, não por acaso é um maníaco perseguidor de quem persegue e um fervoroso apoiante de quem apoia.

Jerónimo o “semi-analfabeto” – José Albergaria, que fala a partir da autoridade atestada pela sua experiência directa do partido e da História, reduz Jerónimo de Sousa a um farrapo. Independentemente do acerto do retrato, afira quem para tal tiver competência, este humilde leitor só pode aplaudir um olhar verdadeiramente original sobre o actual líder do comunismo português. De facto, e vendo o PCP reduzido a fórmulas evangelistas (Mais produção/Melhores salários) sem qualquer ligação à realidade, urge desmontar a farsa que levou à sua cristalização anti-marxista.

Barack Obama — sob o signo do Rei Leão e Bin Laden em video (entre múltiplos e frequentes textos) – João Lopes traz um olhar educado e apaixonado pelas imagens para a análise política, a sua qualidade intelectual quase parecendo alienígena quando comparada com publicistas medíocres que enxameiam o debate público. Nestes dois exemplos, regista dois modos – só aparentemente distintos – de gerir a relação com a comunicação social, seus agentes e seus efeitos. Esta competência transformou-se numa responsabilidade e numa exigência da democracia. Ou seja, a democracia pede um domínio estatal sobre as forças mediáticas sob pena de não se realizar na sua plenitude ou ficar mesmo ameaçada. Esse domínio começa por ser legal e regulador, logo no garantir constitucionalmente a liberdade de expressão, mas é ao nível disciplinar que se coloca o maior desafio para os Governos. Quem não souber lidar com as imagens, não saberá lidar com as ideias.

Vinte Linhas 611

Ladrões de bicicletas

São quatro e três quartos de uma tarde de sol. Chegam ao café os ruídos de um trânsito mastigado pelos semáforos. Perto de nós e longe ao mesmo tempo. Há uma melancolia misturada com a espuma branca no balde que a empregada empurra devagar.

O italiano recolhe os produtos não vendidos do balcão de vidro como um ritual a celebrar a tristeza dos dias – a mulher está muito longe e as filhas estão perto mas seguem cada uma a sua vida.

Numa das mesas do café dorme o jornal do dia com a reportagem de um rapaz abandonado num aeroporto em 1986 que hoje posa frente ao mar, já casado com uma rapariga de aspecto simpático e com uma filha ao colo.

Falávamos às vezes, noutros anos de férias londrinas, dos velhos filmes da velha Itália – «Ladrões de bicicletas» dava pano para mangas e a conclusão do senhor Carmine era sempre a mesma – pois já não há em Itália filmes como antigamente.

O rapaz abandonado em Gatwick com dez dias viveu, com o polícia que o recolheu nas casas de banho do aeroporto, um filme de mistério e de aventuras – sabe hoje o preço do seu leite em Gatwick comprado com o dinheiro do chá da esquadra local.

No intervalo entre a melancolia e o desespero, um poema por escrever desenha o inesperado ponto convergente do meu e nosso olhar sobre o jornal no café que começa a fechar às quatro e três quartos na tarde de sol no The Royal Standard bem perto do Sooters Hill Road. Tão perto que se ouve o som do trânsito maior a caminho de Dover, lá para o lado do Canal da Mancha.

Este ódio ao Estado que em tempos de crise pede uma mão à demagogia

Desde quando? Desde sempre. A direita, efectivamente, não gosta do Estado. Dessa coisa que foi inventada, concretamente o Estado-Administração, que serve os cidadãos e que é instrumento da prossecução dos fins que caracterizam o Estado Social.

A direita gosta do Estado no sentido de substrato filosófico, o Estado-nação, o Estado português, o tal Estado de tantos anos de história, o do orgulho, invocado com o peito cheio de vazio em discursos com palavras que são só palavras, como “Portugalidade”.

É a direita agora tão bem representada no PSD que quer mudar a terminologia constitucional para que se leia, não “Constituição da República Portuguesa”, mas “Constituição da República de Portugal”. Diz que é mais patriótico.

Estes peitos vazios gostam dessa ideia de Estado, assimilada a país, a pátria, e tropeçam com horror na noção precisa de Estado-Administração, no Estado que é prestador dos serviços que nos permitem falar de serviço nacional de saúde, de assistência social, enfim, de tudo o que sabemos que não constava do orçamento do Estado novo, que teve tempos tão equilibradinhos.

Não por acaso, a primeira medida do programa do PSD que aparece em destaque nos rodapés das notícias é a proposta da proibição de contratação de um funcionário público sem que “saiam”  pelo menos cinco.

Não deve ser possível apresentar uma proposta feita sem calculadora mais poupadinha, mas mais um eco daquele horror ao Estado-Administração, horror cego, aqui dando a mão à demagogia, em face do momento actual de crise.

Quem conhece a orgânica da Administração pública sabe que esta medida é absurda. Se aplicada sem mais, podemos vir a ter serviços essenciais aos cidadãos em ruptura, sem capacidade de resposta, e outros a funcionarem talvez bem. A questão é que sem um estudo profundo das necessidades reais de cada serviço administrativo, não se pode dizer com espantosa leviandade “entra um, saem cinco”.

Não vale a pena. Nós sabemos que se a direita pudesse, ficava só com a Pátria.

É bom que alguém continue a objectar ao discurso demagógico e culpablizante do Estado que a todos serve e que, de resto, permitiu a palavra “todos”.

Impressionar no emprego, seduzir em festas, brilhar nos jantares

Think It’s Easy to Be Macho? Psychologists Show How ‘Precarious’ Manhood Is
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Too Much Or Too Little Sleep May Accelerate Cognitive Aging By 4 To 7 Years
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Washing With Contaminated Soap Increases Bacteria on Hands, Research Finds
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For Small Business Owners, Consultation Means Fewer Missteps
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Helping more disabled people get into politics
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When Self-Esteem Is Threatened, People Pay With Credit Cards
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Pundits Predict No More Accurately Than a Coin Toss, Students Find
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Domestic Violence Taken Less Seriously in Older Couples
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‘Fatting In’: Immigrant Groups Eat High-Calorie American Meals to Fit In
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Health Vs. Fitness: Why Fitness Does Not Necessarily Equate to Health
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Life Satisfaction and State Intervention Go Hand in Hand

Objectivos de vendas

Já ninguém se lembra que também chumbou o PEC IV, sendo tão responsável como os outros. Anda numa passeata entre os pingos da chuva, e parece o cupido a espalhar amor, respeito e “sentido de responsabilidade” por todo o lado. Ontem, julguei que ia levantar-se e dar um valente abraço, quiçá um beijinho, ao velho comunista. Sabe que após as eleições vai ser cortejado, que todos o querem, que ninguém o vai atacar muito, e todos o elogiam. Ah, o “estadista”.

Por isso, só para ser mauzinho, deixo aqui a pergunta. Tendo em conta que beneficia de uma oportunidade única na história do partido, com o PSD em Hara-Kiri acelerado e o PS a deixá-lo em paz, qual é o resultado mínimo para que estas eleições não sejam consideradas uma oportunidade histórica falhada? 20%?

Uma união mais perfeita

A dívida da Grécia aos bancos, por países:

Japão: 500 milhões
Espanha: 600 milhões
EUA: 1.8 mil milhões
Itália: 2.6 mil milhões
Inglaterra: 3.2 mil milhões
França: 19.8 mil milhões
Alemanha: 26.3 mil milhões
Portugal: 1.7 mil milhões
Restantes países da zona Euro: 14 mil milhões

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A economia europeia valia, em 2008, 16.6 triliões de dólares. Uma reestruturação da dívida Grega dificilmente acabaria com ela, e embora pusesse alguns países, sobretudo França e Alemanha, em dificuldades pontuais, a Europa tem mais que capacidade para absorver a dívida dos três países que até agora pediram ajuda, pondo-os novamente no caminho do crescimento. A dificuldade é, isso sim, politica. É os líderes explicarem aos eleitores porque é que têm de ser eles a absorver a dívida dos outros, eleitores esses que já começaram a assinalar o seu descontentamento com esta situação através da extrema direita. Será sobretudo isso que desencadeia o famoso “efeito de contágio”, quando todo o mundo se apercebe que hoje, na Europa unida, é cada um por si, não estão para dar cobertura aos outros. A questão é que a União Europeia não é uma família no sentido de parentesco directo, não somos todos irmãos uns dos outros, o “europeu” não existe no mesmo sentido que existe o “americano” ou o “chinês”. Se nos perguntarem de onde somos e respondermos “da Europa”, perguntam-nos a seguir “de onde” e não “onde vives”. A “Europa” é um casamento de conveniência entre povos de diferentes culturas, identidades e linguagens que se juntaram porque perceberam que juntos, seriam mais fortes e prósperos. E resultou espectacularmente numa primeira fase, mas apenas na parte em que jurámos ficar juntos “na riqueza”. Continuar a lerUma união mais perfeita

Obrigada a todos os que estiveram comigo ontem na feira do livro

Amigos, amigas, familiares, ex-alunas de há tantos anos que me fazem chorar, colegas, anónimos. Obrigada ao Rui Nunes por um dos textos mais extraordinários que ouvi na minha vida, escrito com a evidente dificuldade para todos por quem já quase não vê, lido com a força da convicção, ali e ali onde os seus olhos doentes, que vêem o mundo inteiro meticulosamente, não conseguem, ao nosso ritmo, juntar as letras. Uma plateia em silêncio pasmada com a lição de Rui Nunes, daí que alguém lhe dissesse no fim:- a inteligência não se agradece, só a amizade.

Obrigada à Babel, que publicou oAnsiedade através da arcádia.

Obrigada ao meu editor, Hugo Xavier.

Gente que não muda

Cabe-nos demonstrar que somos capazes de aproveitar este tempo difícil e fazer dos compromissos agora assumidos uma oportunidade para mudar de vida e construir uma economia saudável.

O acordo é o sinal mais evidente da necessidade de alterarmos o rumo das políticas e de mudarmos de atitudes e de comportamentos.

De uma forma muito clara, quero dizer aos Portugueses que, se não mudarmos, estaremos, daqui a três anos, ou até antes disso, pior do que nos encontramos hoje.

Está nas mãos dos agentes políticos e dos cidadãos agarrar esta oportunidade de mudança.

Não será fácil mudarmos hábitos instalados, acabarmos com vícios que afectam o funcionamento do Estado, das empresas e dos mercados. No entanto, não temos outra opção.

Cavaco

O que achei [da comunicação de Aníbal Cavaco Silva] é que o senhor Presidente disse que é preciso mudar o engenheiro Sócrates.

Marcelo

A comunicação ao País do Presidente da República foi clara, concisa e mobilizadora. Recusando deixar-se enredar na luta política pré-eleitoral em curso, Cavaco Silva tratou de falar à generalidade dos portugueses na semana em que se conheceram os termos do acordo com a troika convocando-os para o essencial: vai ser preciso “alterar atitudes e comportamentos”, para que esta oportunidade que nos é dada durante dois a três anos possa produzir todos os efeitos necessários, esclareceu através da televisão.

Editorial do DN

Está na hora de mudar

Lema de campanha do PSD

A festa da inocência

No assassinato de Bin Laden a parte menos importante é a da operação militar. Variadas unidades do exército poderiam ter sido usadas, as forças especiais não eram sequer necessárias para cumprir a missão. E até a vexata quaestio da legitimidade e moralidade do ataque letal ao terrorista mais famoso de sempre acaba por ser algo irrelevante perante o real triunfo desta operação: a CIA recupera a sua credibilidade.

O 11 de Setembro e o caso da alegada existência de armas de destruição maciça no Iraque revelaram uma CIA não só incompetente como perigosa para os interesses dos EUA e seus aliados. Pior do que terem provocado uma invasão errada com provas falsas, só se começassem a conspirar para derrubar o Presidente americano, tal o descalabro na sua reputação. Assim tem estado a CIA, humilhada durante quase 10 anos por não conseguir decapitar a al-Qaeda. Renasceu para a glória no dia 1 de Maio, o dia do trabalho.

O que a captura de Bin Laden mostra é uma organização que conseguiu lidar com aquele que é um dos maiores desafios para a sua segurança: o secreto poder militar paquistanês, o qual protegia o alvo mais cobiçado da América. Obviamente, nada poderia ser partilhado com as autoridades de Islamabad antes de se concluir o plano. A guerra contra o terrorismo é também contra quem o apoia ou defende, são outras as regras.

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Bin Laden não pretendia conquistar recursos naturais, fundar um Estado autónomo ou expulsar um invasor do seu território. Pretendia destruir a civilização. Nada havia para negociar, o compromisso seria impossível. A festa que alguns fizeram pela sua morte, para além de ser uma catarse natural e inevitável, e para além de ser uma manifestação pungente na sua assimetria face ao horror sofrido, é um direito civilizacional – como sempre foi e será – é o direito à inocência.