Vinte Linhas 612

Algumas memórias com José Roquete no Chiado

O que distingue para mim um dia cinzento de um dia luminoso é aquele pequeno intervalo de tempo e circunstância a que muitos chamam acaso.

Encontrei José Roquete no Chiado um dia ao fim da tarde na semana passada. O ex-presidente da Direcção do Sporting Clube de Portugal cruzou-se comigo no largo na zona dos táxis, entre as duas igrejas – Loreto e Encarnação.

Muitas foram as memórias que desfilaram por ali nas nossas palavras. Particularmente uma certa viagem a Castelo Branco, na semana santa do ano de 2000. O padre Sanches, chamado a abençoar as instalações do Núcleo Sportinguista de Castelo Branco, apresentou-se de estola verde sobre a branca sobrepeliz.

Terminada a cerimónia, perguntei discretamente ao sacerdote qual a razão de não ter utilizado a estola roxa da semana santa na bênção do novo espaço.

José Roquete estava ao lado, ouviu e sorriu perante a resposta: «Para mim a cor é sempre verde! Sou leão e sempre serei! Não mudo!»

No jantar que se seguiu num antigo quartel da tropa, tive o enorme prazer de ouvir um grupo de mulheres de Idanha a Nova, um grupo heterogéneo com avós, filhas e netas. As suas belíssimas canções e o som dos seus adufes fizeram-me lembrar a voz da Terra, uma vez que dificilmente alguém a poderá definir mas que a intuição me avisava de estar ali bem perto. Tão perto que José Roquete se levantou, de súbito, enérgico, muito emocionado para beijar e abraçar a mais idosa das cantadeiras de Idanha a Nova. Nela saudou e beijou a voz da Terra – da qual os dois temos muitas saudades, 11 anos depois.

8 thoughts on “Vinte Linhas 612”

  1. hoje temos o roque & amiga. deves ter ido a castelo branco em trabalho sindical com o patrão e isso marcou-te mais que a primeira comhnhão. se fosse verdade e se tivesses vergonha estavas caladinho com essas cenas vichyssoise, mas não resistes à tua dose diária de pedantismo militante. amanhã temos mario conde na grelha com azeite do esporão.

  2. JCF:

    O que eles querem é corda. Faça o que fizeram aos bonecos de publicidade das pilhas alcalinas: tombaram por falta dela.

  3. JCF, quando este visconde entrou e tomou conta do meu Sporting, deixei de ser sócio. Imediatamente. O motivo digo-o neste poema Zen, que aqui deixo:

    Onde vivem as gentes
    Eu não vivo.
    Por onde outros caminham,
    Eu não caminho
    Não porque recuse a associação aos demais,
    Mas porque quero que o branco e o negro se diferenciem.

  4. Caro Zé Maria: tem todo o direito de pensar e de agir assim mas por favor leia todos os aspectos do texto. José Roquete apenas foi o elemento que precipitou as memórias mas o que conta são as memórias em si. Aquela do padre de Castelo Branco em Semana Santa usar alfaias litúrgicas verdes em vez de roxas é um caso…

  5. Este gajo ultrapassa todos os limites do bom senso!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Já imediatamente após um tipo denunciar aqui o seu fanatismo comuna-vermelhusco toca de vir bojardar destemperadamente um post a fazer-se amigalhaço da alta-nobreza com lambidelas ao padralhismo serôdio com evocações de minúcias que não lembram ao diabo quanto mais ao menino jesus de Braga.

    Tu consegues mijar nos penicos todos e virar a casaca mais desenfreadamente do que um camaleão de suspensórios.

    Arre!

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