Agradeço o destaque, Valupi

 

Antes de mais, agradeço ao Valupi por esta fabulosa introdução. Sempre fiz questão de lhe agradecer desta forma quando ia publicando o que escrevia na caixa de comentários – a primeira vez, com enorme surpresa –  por isso será da mais elementar justiça à sua generosidade que o primeiro post tenha este título.

Descobri a blogosfera portuguesa tarde a a más horas, quando iniciei o primeiro blogue, dedicado às eleições presidenciais americanas de 2008, mas foi graças ao Aspirina (e ao maradona…) que fiquei viciado, e a partir daí foi só explorar. Hoje leio regularmente uns 20 a 30 por dia, incluindo ranhosos e alucinados. Dá-me um gozo tremendo participar na caixa de comentários, com as suas fabulosas discussões. Para mim pelo menos, isso é a essência deste blogue. Estou nisto pelo prazer que me dá escrever, mas sobretudo aprender com os outros, os que sabem mais do que eu, e me obrigam a pensar muito antes de responder. Pelo que a todos os que tiveram a generosidade de trocar argumentos comigo até agora também agradeço. Muitas mais discussões virão, espero.

Para terminar, não podia faltar a imagem oficial da minha contratação, de que muito me orgulho pela honra que o grande líder me deu em me receber pessoalmente. Dizem-me  que ele dá toda a liberdade para eu escrever o que quiser, e mesmo criticar o que entender. Pareceu-me simpático, não tenho razões para duvidar da sua palavra. Ei-la:

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Mais insanidades no PSD: hoje é a vez do cabeça de lista pelos Açores

São circunstâncias gravíssimas que imporiam que tivesse havido um governo de
gestão nomeado pelo Presidente da República, com a imediata demissão e
afastamento do poder de José Sócrates e do seu governo”

Eis o reconhecimento implícito de que não foi bom alinhar numa coligação negativa contra-natura que chumbou o PEC IV, aprovado por quem de direito a nível europeu, e o único instrumento que havia à disposição para evitar a ajuda externa. Mota Amaral, em todo o seu esplendor, vem então dizer que quem devia ter dado a cara pela expulsão do Governo e afastamento imediato de José Sócrates era Cavaco. Ele ajudou, andou calado, mas não chega. Depois, o PR que nomeasse um Governo de gestão. Podia alguém explicar a Mota Amaral que o PR não pode demitir o Governo nos mesmos termos em que pode dissolver a AR. Por exemplo, não basta que o PR perca a confiança política no executivo para que possa demiti-lo. Se Cavaco tivesse demitido o Governo, antes do número inesquecível que o PSD fez na AR, teria sido apenas por interesses partidários. Tem de estar em causa, seriamente, o regular funcionamento das instituições: guerra; caos social incontrolável; incapacidade de se fazer passar uma lei que seja; resultados de inquéritos parlamentares gravíssimos; rompimento de uma coligação governamental; enfim, o país não estava assim, pelo que Mota Amaral, tal como todos os apoiantes do PSD nestas eleições, têm de viver com o feito e, sobretudo, responder por ele.

“A dissolução do parlamento impede-nos de interpelar formalmente o governo sobre a recente visita aos Açores do ministro da Defesa, deslocando-se em avião
privativo, com custos significativos e utilidade mais do que duvidosa”,
salientou Mota Amaral.

O PSD fala a tantas vozes que aflige. Mota Amaral está descontente com o desejo expressado pelo seu líder ao PR, o de irmos a eleições, com a consequente dissolução da AR. Então? Queriam eleições ou não? E francamente…Se o Dr. Passos Coelhos anda a fazer dezenas de perguntas ao Governo, em competição com aqueles senhores que nos vieram visitar, se ele anda a escrever cartas, sem  estados de alma, alguém diga ao Dr. Mota Amaral para ele escrever a sua perguntinha ao Ministro da Defesa, ou todo o esforço e empenho na demissão do Governo terá sido em vão.

Social-democratas pelo socialismo

As 10 melhores razões que o PSD encontrou para irmos todos votar PS

1ª – Se Sócrates ganhar, Cavaco terá de se demitirSantana Lopes

2ª – Se o PSD não obtiver maioria com o CDS, Passos não fará parte de um eventual Governo de coligação onde esteja SócratesPassos Coelho

3ª – Se o PSD não tiver deputados suficientes para conseguir eleger Nobre como Presidente da Assembleia, Nobre abandona o ParlamentoFernando Nobre

4ª – O PSD quer substituir o líder do PS e até tem uma lista dos nomes que pretende ver nesse lugarMiguel Relvas

5ª – Os governantes que têm lidado com as crises económicas e financeiras desde 2008 devem ser julgados em tribunalEduardo Catroga

6ª – Os parentes de Sócrates devem sentir vergonha e esconder essa relação familiarMiguel Relvas

7ª – Quem recebe benefícios sociais são os aldrabõesDiogo Leite de Campos

8ª – O recurso ao subsídio de desemprego deverá implicar uma redução de direitos na pensão de reformaMais Sociedade

9ª – Precisamos de um sobressalto cívicoCavaco Silva

10ª – O hino do PSD para a campanha de 2011 pede para que nos unamos de modo a conseguir mudar o Passos CoelhoEquipa de marketing do PSD

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Este é um top dinâmico. Pedimos a colaboração dos estimados ouvintes para uma permanente avaliação das melhores razões que o PSD, sem falha, continuará a disponibilizar aos eleitores até ao dia 5 de Junho, inclusive.

Vega9000 vendeu a alma ao demónio

O nosso amigo Vega9000 acaba de ser recrutado para um dos blogues de proa na Frente da Calúnia, essa tenebrosa organização a mando do Gabinete onde pululam empregados do governo, e às vezes mais acima, tal como oportuna e em 1ª mão o Pacheco denunciou. Ora, tive de ir ao Rato tratar da papelada e dinheiros para este novo agente. Deixo aqui a conversa de modo a que se possa apreciar o profissionalismo com que o Gabinete conduz operações de informação, contra-informação e desinformação, usando técnicas dos serviços secretos. Aprendam, seus barrascos da oposição:

Pedro Silva Pereira (disfarçado com bigode, nariz e óculos à Groucho Marx) – Olá, Valupi! Que bom apareceres. Olha, toma lá esta saca cheia de dinheiro que ainda sobrou do BPN. Sim, é das autênticas e tudo. Olha aí de lado o Made in Puerto Rico… Hahaha… Aqueles gajos eram uns pândegos… hehehe… Leva-a que bem mereces, tens trabalhado tanto. E então, que há?

Valupi – Bom, Senhor Director Ministro, era, faxavor, para Vosselência autorizar a contratação de mais um anónimo lá para o Aspirina… É que com a campanha eleitoral a aproximar-se, e isto do PSD não nos dar descanso com as suas anedotas diárias, um tipo já nem consegue ir a todas…

Pedro Silva Pereira – Como é que esse anónimo se chama?

Valupi – Vega9000, Senhor Director Ministro.

Pedro Silva Pereira – Sim, bem esgalhado, é um óptimo nome para um anónimo. Tem qualquer coisa de informático, de choque tecnológico… Mesmo como a gente gosta… Não é, Valupi?…

Valupi – É, sim, Senhor Director Ministro.

Pedro Silva Pereira – E ele sabe o que tem de fazer?

Valupi – Já lhe expliquei como é que a coisa funciona: cada texto tem de ter pelo menos três elogios ao nosso grande líder e nove insultos aos ranhosos ou aos imbecis, é opcional. Se não cumprir, é despedido e nunca mais poderá sequer entrar nas caixas de comentários da nossa magnífica e rosácea Frente da Calúnia.

Pedro Silva Pereira – Rosácea… Tu levas jeitinho com as palavras, Valupi! Qualquer dia ainda te metemos num jornal e tudo, vais ver. Tens é de ter um pouco mais de paciência.

Valupi – Sim, Senhor Director Ministro.

Pedro Silva Pereira– E quanto aos pagamentos? Está a par do esquema?

Valupi – Por acaso ele pergunta se pode ser um seu primo, o Abílio, a recolher os envelopes castanhos, porque esse primo trabalha num café do Montijo e assim pode ir ao Freeport levantar o dinheiro, pois fica a caminho de casa e tal… Sabe como é, o trânsito na Margem Sul…

Pedro Silva Pereira – Mas claro, mas claro, não tem problema nenhum. Um primo! Vem mesmo a calhar, temos muita experiência a lidar com primos, é ginja. Olha, já sabes aquela do quanto mais prima, mais se lhe arr…

Valupi – Sim, Senhor Director Ministro.

Pedro Silva Pereira – Pois, não interessa… Então, temos o assunto resolvido e só me resta desejar-vos bom trabalho. Sempre a malhar neles, hã? Vamos!… Tenho de ir agora tratar da nova carta do Catroga. Que chatice de homem, já estou farto de triturar papel, ufa… Adeusinho.

Valupi – Muito obrigado, Senhor Director Ministro.

Canção da nova casa

Sanefas e cortinados
Outros diversos tecidos
São aqui fotografados
E mais tarde escolhidos

No reduzido conselho
Feminino e singular
Fazer novo do velho
Numa casa a mudar

Novas paredes pintadas
Pequena revolução
Janelas modificadas
Dão uma nova visão

A quem vem de surpresa
E descobre novo espaço
Onde sossego e beleza
Se formam passo a passo

Ângulo aberto à serra
E às nuvens do oceano
Coração em pé de guerra
Prepara um novo plano

Num usufruto profundo
Do espaço, novo cenário
Todo o tamanho do Mundo
Na casa vista ao contrário

Com o sim de Margarida
Toda a mudança prospera
Nova casa é nova vida
Na estação da Primavera

Perante o vazio de soluções, voltaram à “verdade” e acrescentaram mais populismo cara-de-pau

“E nós vamos fazer de outra maneira, falando verdade, trazendo para cima da mesa as contas verdadeiras e dizendo aos portugueses que chegou à altura de o Estado fazer os sacrifícios que andou a impor aos cidadãos e de apostar na economia, mas na economia que cria emprego, não na economia que cria rendas aos amigos do Estado (…) Temos a cara lavada e os bolsos lavados. E é porque estamos e somos livres que traremos essa liberdade a Portugal”, disse.

Pedro Passos Coelho

A voz apavorada de quem diz não ter medo

Quem hoje ameaça o Estado Social é quem anda a fazer TGV’s a todo o custo, é quem anda a endividar o país, é quem anda com o dinheiro que não lhe pertende a diminuir as possibilidades de apoiarmos os que mais precisam.

Escuta a gritaria deste valentão

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Quem anda a fazer “TGV’s” é que ameaça o Estado Social? Os “TGV’s” que serão pagos em grande parte com dinheiros europeus, que são uma peça central da estratégia económica como país periférico e atlântico, onde só a ligação a Madrid pode ter um custo/benefício estimado em cerca de 10 mil milhões de euros, que continuam sem ter qualquer impacto nas contas presentes e não terão até 2013, pelo menos? Esta é a demagogia primária de quem entrou em desespero.

Impressionar no emprego, seduzir em festas, brilhar nos jantares

Brain Imaging Demonstrates That Former Smokers Have Greater Willpower Than Smokers
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Power and Choice Are Interchangeable: It’s All About Controlling Your Life
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Higher Levels of Social Activity Decrease the Risk of Cognitive Decline
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Botox Can Dull Ability To Read Emotion In Other
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Muslim women: beyond the stereotype
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Male Doctors More Likely to Be Disciplined for Misconduct, Australian Study Shows
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Kids with Savings Accounts in Their Name Six Times More Likely to Attend College
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Discovering the Healing Powers of Music, Music Therapy
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The Role of Spirituality in Modern Medicine
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Digging in Dirt, Arbor Day Planting, May Help Build Citizenship: UMD Study
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Prejudice and the President
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Wedding in White: Queen Victoria Set the White Wedding Trend in 1840
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When political speech turns profane

O trabalho da inteligência

Tirando as aparições de Augusto Santos Silva para malhar nos infelizes que calhem aparecer-lhe à frente, Pedro Marques Lopes e Pedro Adão e Silva protagonizam o único programa de debate político que tenho pleno gosto em ouvir: Bloco Central. Estamos perante dois independentes, cuja bondade cívica e honestidade intelectual é patente, indubitável. Do lado de Marques Lopes, PSD, há essa raríssima capacidade de se assumir contra todas as indecências, morais e intelectuais; venham elas do PSD, de Cavaco ou de figuras públicas da sua família política. Do lado de Adão e Silva, socialista, há uma especial autoridade para ser crítico do PS e do Governo, pois foi membro do Secretariado Nacional do PS na direcção de Ferro Rodrigues e foi convidado por Sócrates para integrar o grupo que redigiu a moção estratégica que o secretário-geral levou ao congresso de Fevereiro de 2009. O resultado do encontro destes perfis é um debate que não ofende, antes celebra, as regras básicas com que se faz uma comunidade – nomeadamente o respeito pelos valores da pluralidade democrática e da honorabilidade dos adversários. Um oásis na paisagem mediática entregue à actual decadência da direita e sectarismo da extrema-esquerda, portanto.

Dito isto, do que mais gosto é de discordar deles. E não por me crer com argumentos melhores, apenas por daí poder nascer uma ocasião de aprendizagem para mim. Como neste caso, tirado da mais recente emissão:

[…] Uma coisa é certa: a partir de Junho sabemos que não teremos um Governo minoritário. Não sei por que razão nem Cavaco Silva nem José Sócrates pensaram nisso há um ano e meio. Não consigo perceber, continua a ser uma coisa que me escapa, o entendimento. Na verdade, há um ano e meio ninguém se empenhou activamente naquilo que era uma necessidade imperiosa que era estabilidade para enfrentarmos este ciclo de austeridade. […] porque José Sócrates, enquanto Primeiro-Ministro, na verdade nunca os promoveu. E, portanto, ninguém vê José Sócrates como um promotor e actor activo da ideia de consensos e entendimentos. […]

PAS

[…] De Sócrates, estes apelos ao consenso… quer dizer… Eu acho que Sócrates ’tá convencido que as pessoas não têm memória, e às vezes parece que anda a brincar! […] Ver Sócrates a apelar ao consenso, quando Sócrates foi o responsável por aquela cena perfeitamente surreal de ter proposto coligações a todos os partidos do espectro parlamentar, quando, quer-se queira quer não, Sócrates é um dos grandes responsáveis pelo clima de crispação que existe na sociedade portuguesa e pelo afastamento, pela incapacidade que parece haver neste momento de fazer pontes, ver Sócrates agora neste papel de cordeirinho incomoda-me porque não bate a bota com a perdigota.

PML

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Voulez-vous?

Cortesia da Shyznogud
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ADENDA

A Shyznogud diz que respirou três vezes para não se mandar à do “encontro viril”, referindo-se a uma passagem na reportagem do JN sobre Miguel Relvas, e quando li o artigo pela primeira vez, na diagonal, nem me preocupei em encontrar esse naco de prosa. Mas há minutos deu-me um peso na consciência e fui saciar a curiosidade. Bom, o que encontrei é indescritível. De facto, não se aguenta sem partilhar este delirante momento entre dois cabeleireiros da política:

A derrota apertada de Manuela Ferreira Leite nas legislativas de 2009 tratou de soltar as habituais divergências conjugais na São Caetano à Lapa. Mas Pedro Passos Coelho lá conquistou a liderança, apesar das rivalidades domésticas. O nervo da vitória – mais de sessenta por cento dos votos – deixava pouca margem para dúvidas. Amigos como dantes. Agora, a São Caetano à Lapa é de Passos Coelho e dos seus acólitos. E, entre estes, Relvas é o que goza de mais proximidade e até intimidade com o líder. O suficiente para que, num dia difícil em que acabou de chegar de um encontro viril com José Sócrates por causa do resgate financeiro do país, Passos atire despreocupadamente ao amigo: «Tens o cabelo diferente, Miguel. O que é que fizeste?» Interrompendo a combinação do habitual almoço com Miguel Macedo, o secretário-geral do PSD ensaia uma resposta de algibeira: «Mudei de shampô, deve ser isso. Mas já se nota?» O líder sorri, com a franqueza só possível em dois amigos de longa data. «Não é isso, o cabelo está diferente», e os dedos avançam à frente das palavras na direcção da cabeça do secretário-geral. «Estás a dizer que estou melhor?» Passos concorda: «Se era para ficares melhor, ficaste.» Riem os dois. É esta cumplicidade que permite mudar de imediato a conversa para um registo sério quando desatam a acusar José Sócrates de ter entrado por uma política de terra queimada e assumem que a entrada do FMI em Portugal será acompanhada por medidas de austeridade muito severas.

Burros que nem uma porta

O PSD sabia o que fazer para resolver os problemas económicos e financeiros do País logo desde 2008, quando Ferreira Leite venceu Passos Coelho e se tornou Presidente do partido. O PSD continuava a saber o que fazer para nos salvarmos quando se recusou a governar com o PS e se recusou a qualquer acordo parlamentar para a reforma ou protecção do Estado em 2009. O PSD possuía as soluções que deviam ser aplicadas já em 2010 mas resolveu aprovar dois Orçamentos com o quais não concordava e nunca apresentou uma moção de censura. O PSD chegou a 2011 e derrubou o Governo quando este tinha acabado de obter o apoio de toda a Europa para um plano que teria evitado o colossal prejuízo económico e social da ajuda externa.

Não foi o PSD que nos trouxe até aqui, claro. O PSD nem com bússola, mapa e tabuletas na estrada consegue encontrar o caminho. Um caminho. Qualquer.

A loucura da impotência

O pedido de ajuda externa ficou decidido no final da semana anterior ao seu anúncio, segundo se percebe apenas olhando para os acontecimentos públicos: a reunião do Conselho de Estado, a 31 de Março, donde saiu a marcação de eleições, e a declaração de Fernando Ulricht, a 1 de Abril, onde pedia que a ajuda externa viesse urgentemente. Isto passa-se à quinta e sexta-feira. Na segunda-feira, dia 4, os principais banqueiros reuniram com o Governador do Banco de Portugal e anunciaram-lhe a decisão conjunta de interromper a compra de dívida pública. Esta reunião foi imediatamente publicitada e tinha uma única leitura: o pedido de ajuda externa já estava em marcha, seria apenas uma questão de acerto no calendário político para ser assumido pelo Governo. No terça-feira, dia 5, Durão Barroso reafirmava que a União Europeia estava pronta para responder ao pedido de Portugal. Também nestes dias, os juros da dívida soberana continuavam a bater recordes e o rating dos bancos tinha ficado a um nível de ser considerado junk. Na manhã de quarta-feira, dia 6, Jorge Lacão afirmava que o pedido poderia estar iminente. Sócrates anunciou o pedido à noite.

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Balada das locomotivas paradas

(a Francisco José Viegas)

Comboios em cemitério
Tanto tempo enferrujado
Segundo novo critério
Já não vão a todo o lado

Debaixo dos pavilhões
Ou nas linhas canceladas
Há memórias de estações
Despedidas, namoradas

Beijo cortado na pressa
Que um apito anuncia
Amor dos pés à cabeça
A bandeira é a alegria

Comboio para a História
Duas guerras mundiais
A certeza é a memória
Da guerra de nunca mais

Despedidas de soldado
Chamado pelo regimento
As cartas do namorado
Perfume do sentimento

Tal como as linhas vazias
Dos comboios a vapor
Há no olhar destes dias
A memória dum amor