Não deixa de ser incrível

Que uma super-potência, com a ajuda de dezenas dos mais poderosos países do Mundo, tenha levado 10 anos para apanhar um homem que era, na sua individualidade e simbolismo, o seu maior inimigo desde a Segunda Grande Guerra.

22 thoughts on “Não deixa de ser incrível”

  1. Bom-dia, Val :)
    Fiz link em jeito de actualização do Leituras Cruzadas…
    Obrigado.
    Grande Abraço.

  2. Porquê incrivel?
    era crível que o fizesse do pé para a mão
    ainda por cima
    no quadro dos problemas diplomaticos, religiosos e outros envolvidos?
    abraço

  3. Caro Val,
    estou admirado pelo homem estar apenas a meia centena de quilómetros da capital do Paquistão, o que levanta sérios problemas sobre o seu apoio entre a população e os serviços secretos afegãos.
    Por outro lado, mais uma vez, os EUA preferiram criar um mártir para os seus seguidores, tornando-se simultâneamente juízes, júri e carrasco em nome da democracia.
    A coboiada continua e não augura nada de bom.
    Quanto ao Osama, sendo um ser humano como qualquer outro, preferiria que o mesmo tivesse sido preso, e que nessa situação ficasse até ao fim da vida, isolado, sujeito a condições mínimas de subsistência e sem qualquer espécie de conforto.
    Assim, teria tempo para ver se o seu Deus lhe agradeceria as malfeitorias que por cá andou a fazer.
    P.S.: Deitar o corpo ao mar não lembraria a ninguém, ficamos com mais uma foto para provar que alguém está morto. BVerdade, mentira? Quem o saberá?

  4. Ele conhecia bem o terreno, esgueirava-e nele e confundia-se com ele, como as raias na areia no fundo do mar. Também devia ter muito bons desinformadores…

    Teófilo M., parece que o homem foi morto porque ofereceu resistência e levou um tiro na cabeça, mas teria sido mais interessante e útil capturá-lo vivo, claro. Agora li que deitaram o corpo ao mar. Acho estranho. Ali nem mar há. Tão depressa, porquê? Levaram o corpo depressinha de avião até à costa, com receio que alguém o roubasse? Acredito que esteja morto, se Obama o diz. A foto que vi no jornal mostra-o efectivamente esfacelado e, pormenor, com as barbas pretas. Numa foto de 2009, mostrada ao lado, além de mais composto, tem as barbas grisalhas. Não sei se esta última era uma projecção de aparência.

  5. Conservar o cadáver iria contra os costumes muçulmanos, que creio que exigem o enterro em 24h. E não me parece que os americanos quisessem fazer algo contra a lei islâmica com uma figura simbólica como Bin Laden, que pudesse dar pretextos aos fundamentalistas, muito menos numa região daquelas.
    Quanto ao deitar o corpo ao mar, cumpre-se esse preceito sem criar uma sepultura que seria alvo de peregrinações. Parece-me uma boa opção.
    Claro que, a partir de agora, mil teorias da conspiração florescem. O Elvis islâmico, se calhar.

  6. Enfim, o Elvis não diria (comparação algo despropositada…), mas o seu Che Guevara sim, parece-me mais do que óbvio.

    E uma coisa fica definitivamente provada pelo sinistro discurso de B. Obama: os Estados Unidos estão mesmo em guerra e, com eles, o Mundo. Preparemo-nos pois, muito bem, para as próximas batalhas, que poderão até ocorrer na Europa.

  7. Ficar com o cadáver seria promover a profanação e/ou a idolatria… Acho que os peixinhos nem mereciam esse petisco, de qualquer forma antes eles que nós.

  8. Ana Paula Fitas, grande abraço.
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    aires, o golpe perpetrado contra os americanos foi de tal ordem que por cada dia de atraso na sua vingança estavam a acrescentar humilhação à dor.
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    Primo, explica lá isso melhor, please. Não que discorde à partida, estou é curioso pela tua análise.
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    Teofilo M., independentemente da questão de ele ter sido executado deliberadamente, é um facto que a sua presença vivo em território norte-americano iria provocar uma onda de ataques terroristas, de mártires, como nunca se viu até hoje. Seria ainda, e paradoxalmente, uma vitória sobre os americanos, pois estariam a contribuir para a sua iconologia de guerra.
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    Penélope, tudo isso de conhecer o terreno e ter muitas ajudas, claro, mas o que sempre me surpreendeu foi a assimetria de meios ao dispor dos seus perseguidores, os quais tinham urgência em capturá-lo. Quando se fala dos virtualmente ilimitados recursos humanos, monetários, tecnológicos, bélicos e de inteligência secreta ao dispor dos EUA e seus aliados, parece impossível que alguém consiga fugir durante tanto tempo.
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    Vega9000, nem mais.
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    Marco Alberto Alves, referi-me à 2ª Guerra Mundial porque só aí encontras um ataque no solo norte-americano contra os seus interesses e cidadãos. Aliás, o 11 de Setembro até foi mais grave por ter sido feito por terroristas, com um impacto maior quanto à vulnerabilidade exposta e sentida. Na Guerra Fria não existiram mortes directas, ou públicas, entre as potências.

  9. Caro Val e demais compinchas,
    hoje em dia é fácil para quem tenha os meios capturar alguém vivo, mesmo que este esteja disposto a morrer, salvo se ninguém souber o que se passa – que é o caso dos homens-bomba.
    Uma operação como esta, feita por especialistas altamente adestrados ou vai com ideias de matar, ou não. Creio que neste caso a ideia seria ter o homem morto.
    Até porque era mais fácil. O Val, o João Pedro, o Vega e a Rosa tem razão ao dizer que manter o corpo ou apanha-lo vivo seria mais complicado e perigoso, porque ou mantinham o local secreto o que era difícil no mundo em que vivemos ou o risco de atentados seria potenciado, mas como nunca defendi execuções sumárias seja de quem for, custa-me sempre ver a ligeireza com que os políticos tratam destes assuntos e por vezes estranho a oportunidade em que eles acontecem.
    O Arafat foi preso diversas vezes e aguentou-se a bronca. No camarada Estaline ninguém tocou e no entanto se contabilizarmos as mortes de um e outro não sei quem ficará a ganhar. Ainda há bem pouco tempo o Saddam foi preso e julgado, do mesmo modo que o Milosevic foi preso e morreu.
    Como sou contra a pena de morte, prefiro acreditar na versão da Penélope, que o homem resistiu e por isso lhe deram um tiro na cabeça, assim sempre acalmo a consciência.

  10. Pois passaram dez anos sobre o ataque às Torres Gémeas, muito tempo para a mais poderosa nação do mundo. Quase dez anos…

  11. Quantas vezes é que Bin Laden Já foi morto.

    Não será difícil recuperar esta informação.

    O que não se aguenta é este ataque de desinformação de que somos vitimas todos os dias

  12. Teofilo M, parece óbvio que não era do interesse dos EUA apanhar Bin Laden vivo. O que configurará uma acção de guerra e não uma acção policial. A ideia de que Bin Laden ficaria numa prisão norte-america a aguardar julgamento seria, por si só, uma incalculável ameaça à segurança de todo o Mundo, pois em qualquer local poderiam acontecer ataques contra o “Ocidente”, o “Cristianismo”, os “americanos”, os “aliados dos americanos”, o “Grande Satã”.

    Aproveito para dizer que também sou contra a pena de morte, mas entendo que os EUA têm direito a responder com um acto de guerra aos ataques que sofreram (não foi só a morte de civis no 11/9, também já morreram muitos militares em ataques terroristas).
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    Sinhã, percebido. E bem.
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    Carmim, a qual desinformação te referes?

  13. Caro Val,
    aqui divergem os nossos caminhos. Enquanto achas que os EU tem direito a responder com um ato de guerra aos ataques que sofrem, recordo-te a noção de proporcionalidade.
    O Osama atacou um símbolo do imperialismo americano, matando estado-unidenses, mexicanos, indianos, chineses, japoneses, italianos, noruegueses, ingleses, e outras nacionalidades diversas.
    Declarou guerra ao infiel.
    Porque é que os estado-unidenses tem o direito de reagir deste modo e os restantes não? Não será por uma questão de não sermos terroristas e não respondermos na mesma moeda porque a nossa cultura o não permite? Ou será que a lei do colt ainda está vigente como preyendia o republicano Bush e este democrata limita-se a seguir-lhe as pisadas?
    Não acontecerão mais atentados depois deste desaire, sim porque para mim isto foi um desaire?
    E se o governo espanhol começar a bombardear os etarras em vez de os aprisionar ou os britânicos o fizerem ao IRA? Não terão eles o mesmo direito? Porque se bombardeia a Líbia e não se bombardeia a Síria? Porque se matou Saddam por ser um ditador e não se matou Mao por sê-lo? Será que tanto um como outro não mataram milhares do seu povo em demontrações de força bruta?
    E se recuarmos um pouco, porque é que aconteceu Nagasaki, não tinha chegado Hiroshima? E porque se bombardeou Dresden e não se julgaram os mandantes? Ou aconteceu Katyn e tudo se resumiu a uma vaga recordação.
    Muita das vezes a lei do mais forte associado aos seus interesses imediatos prevalece sobre todas as coisas e muitos de nós olhamos para o lado. Mas para mim ficam sempre aquelas palavras finais de Niemoller:

    Então vieram buscar-me a mim,

    e nessa altura,

    já não havia ninguém para falar por mim.

  14. Teofilo M., estás a levantar fascinantes questões civilizacionais, que nunca geraram qualquer jurisprudência aceite por todos os países ou sequer consenso filosófico. Do que sabemos, cada país tem como primeira missão defender o seu povo e o seu território. O modo como se implementa a segurança em situações de conflito extremo, e apesar das convenções internacionais e legislações nacionais, continua a ser uma dimensão selvagem e pejada de ambiguidades éticas, dúvidas políticas, falhas jurídicas.

    A lei da bala é usada por todas as democracias. Neste caso de Bin Laden, não se trata de apoiar o que os EUA fizeram e como fizeram, trata-se de reconhecer a lógica do acto na sua história. Por exemplo, talvez para ti seja consensual que nunca se deva ceder a chantagistas que façam reféns, dentro da evidência de que essa especial cobardia, caso tenha eficácia, gerará crescentes imitações. Contudo, o interesse dos reféns é só um e todos o compreendem: salvarem as suas vidas. Esta é uma clara situação de contradição irresolúvel entre dois interesses e dois direitos. O resultado, muitas vezes, é trágico, mas não pode evitar o princípio que é bondoso, apesar de cruel para as vítimas inocentes. Ora, o mesmo paradoxo está presente nesta acção do assassinato de Bin Laden, onde se podem apontar várias razões para a censurar (eventualmente) ao mesmo tempo que se reconhecem razões para a legitimar.

  15. Legitimar, é a palavra chave. Como Portugal, a seu tempo, também legitimou o assassinato político de Amílcar Cabral, ou o massacre de Wiryamu (e sabe-se lá que mais…). Ou os cóbóis legitimaram o genocídio dos Índios. Legitimar, só isso. Até os Alemães no meio de uma guerra aniquiladora devem ter sentido como legítimo o holocausto dos seus “inimigos”. Pois é, como eu compreendo o Teófilo M. (e gostava de compreender todos os que legitimam este tipo de “justiça”)…

  16. ai, ai.:-)

    já nas narrativas de Homero, até os heróis acabavam punidos por conta das suas atitudes – era fundamental respeitar o Olimpo. e Atlas foi condenado a carregar o peso do mundo nas costas por toda a eternidade. e não é por acaso que ainda hoje a vingança, pela punição, continua a ser o pilar de sustentação do equilíbrio para a ordem e para a justiça. fica sempre, no entanto, a dúvida: é a retaliação o remédio para a solução dos conflitos sociais? é um mal necessário? a violência, sendo sempre uma negação da humanidade, compensa?

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