Voulez-vous?

Cortesia da Shyznogud
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ADENDA

A Shyznogud diz que respirou três vezes para não se mandar à do “encontro viril”, referindo-se a uma passagem na reportagem do JN sobre Miguel Relvas, e quando li o artigo pela primeira vez, na diagonal, nem me preocupei em encontrar esse naco de prosa. Mas há minutos deu-me um peso na consciência e fui saciar a curiosidade. Bom, o que encontrei é indescritível. De facto, não se aguenta sem partilhar este delirante momento entre dois cabeleireiros da política:

A derrota apertada de Manuela Ferreira Leite nas legislativas de 2009 tratou de soltar as habituais divergências conjugais na São Caetano à Lapa. Mas Pedro Passos Coelho lá conquistou a liderança, apesar das rivalidades domésticas. O nervo da vitória – mais de sessenta por cento dos votos – deixava pouca margem para dúvidas. Amigos como dantes. Agora, a São Caetano à Lapa é de Passos Coelho e dos seus acólitos. E, entre estes, Relvas é o que goza de mais proximidade e até intimidade com o líder. O suficiente para que, num dia difícil em que acabou de chegar de um encontro viril com José Sócrates por causa do resgate financeiro do país, Passos atire despreocupadamente ao amigo: «Tens o cabelo diferente, Miguel. O que é que fizeste?» Interrompendo a combinação do habitual almoço com Miguel Macedo, o secretário-geral do PSD ensaia uma resposta de algibeira: «Mudei de shampô, deve ser isso. Mas já se nota?» O líder sorri, com a franqueza só possível em dois amigos de longa data. «Não é isso, o cabelo está diferente», e os dedos avançam à frente das palavras na direcção da cabeça do secretário-geral. «Estás a dizer que estou melhor?» Passos concorda: «Se era para ficares melhor, ficaste.» Riem os dois. É esta cumplicidade que permite mudar de imediato a conversa para um registo sério quando desatam a acusar José Sócrates de ter entrado por uma política de terra queimada e assumem que a entrada do FMI em Portugal será acompanhada por medidas de austeridade muito severas.

14 thoughts on “Voulez-vous?”

  1. E porque não o voulez-vous coucher avec moi, ce soir? Já passou de moda?!…
    Aqueles dois a governar isto deve ser bonito, deve, deve…
    Que gajos foleiros…

  2. Ai a minha vida! Ide lá ouvir isto antes que o apaguem. “Já está no site oficial do PSD o “Jingle Legislativas 2011”. Uma espécie de hino para a campanha social-democrata. Só que tem uma gafe. No refrão principal, diz que “está na hora de mudar… o Passos Coelho”.
    Palavra de honra…

  3. Já estou como o Pacheco: Sei lá o que é que eu hei-de dizer…

    E o hino, meu Deus, o hino. Está na hora de mudar Passos Coelho??? Mas não há ninguém naquela casa a verificar minimamente as coisas?

    Como, mas como é que é possível?

  4. Estão tão distraídos a inventar ‘estórias’ sobre Sócrates e a compilar listas de perguntas(requentadas) que estas gaffes lhes passam ao lado.

  5. Sinceramente, e agora fora de brincadeiras, comeco verdadeiramente à acreditar que isto é feito de propósito para perder as eleicões! Não encontro outra explicacão, eles não podem ser tão burros assim!

  6. Mas por que é que estes dois não se lembraram antes de abrir um restaurante? Um cozinhava e o outro dedicava-se aos doces. Sempre se livravam de preocupações como esta do hino. E todos sabemos o que as preocupações fazem ao cabelo…

  7. Esta do Voulez-vous? está ao nível de terem metido um charro nos queixos do Passas Coelho e, prontos, ter ficado a sua experiência com drogas feita. São verdadeiros mitos urbanos. Hinos à sociedade que temos.
    No que diz respeito às questões capilares, a verdade é que não existe português no mundo que não esteja, neste momento difícil, muito preocupado com o cabelo do Relvas e as consequentes implicações nas queimadas, desflorestação global, sustentabilidade e por aí fora.
    É reconfortante saber o destaque que a comunicação social dá à temática e já não surpreende ninguém o quanto esta rapaziada da são caetano procura manter o debate a um nível surpreendentemente elevado. Parafraseando uma das nossas maiores eminências actuais, estes homens são invulgares. Muito.

  8. hum , já percebi. isto é à troca do “Oh luis fico melhor assim ou assado” , né?

    (credo , será que a transparência de que falam na política é isto ? é que são realmente transparentes)

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