A de que, se o quisesse, Portas teria feito Passos em papa de bolacha com banana.
Arquivo mensal: Maio 2011
Os finlandeses, esses simplórios
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Teve justo sucesso a peça mui bem esgalhada de promoção da marca Portugal lançada no encerramento das Conferências do Estoril. E sucesso entre portugueses, a quem se dirigia inconscientemente num lapsus video que Freud não precisa de maçar-se a explicar, pois nós compreendemos bem que algumas daquelas informações, mesmo trabalhadas como discurso humorístico, não são do conhecimento público nacional ou nele não encontram memória, nem celebração, nem imaginário. Daí, estarmos perante um falso título, cuja versão original se lê em palimpsesto: O que os portugueses precisam de recordar acerca de si próprios.
Uma das provas de que o filme se estava a marimbar para os finlandeses consiste na ausência de qualquer referência ao facto de termos Portugal, enquanto nome e património histórico, associado a um dos mais importantes fabricantes de relógios de luxo: IWC Schaffhausen. A sua colecção mais valiosa e reputada chama-se Portuguese. E um dos modelos da família leva a extraordinária designação de Portuguese Grande Complication. Extraordinária porque descreve uma característica técnica desse relógio relativa ao número de funções que desempenha (quantas mais complicações, mais complexo e raro é o relógio), e extraordinária porque se aplica na perfeição ao tempo que vivemos e ao povo que somos quando toca a ter de assumir responsabilidades colectivas.
Os finlandeses, excelentes rapazes e ainda melhores raparigas (são gostos, calma), não têm nada que consiga rivalizar com esta opulência lusitana que inspira os suíços e se passeia no pulso de milionários dos sete mares. A vulgaridade dos seus Nokias provoca-nos uma homérica gargalhada e revela-os como simplórios que são, ignaros do fausto a que se pode chegar após 8 séculos de grandes, enormes, complications.
Guerras de interesse
No primeiro dia da operação da NATO na Líbia, os EUA dispararam 122 misseis Tomahawk para destruir o sistema de defesa anti-aéreo de Khadafi. Cada míssil custa entre 600.000 a 1.5 milhões de dólares, dependendo da versão. Para abrir caminho aos caças, que custam 13.000 dólares por hora, não contando com munições, e voam uma média de 10 horas por dia. Um deles, um F-15E, despenhou-se. Custou 55 milhões. No total, os EUA despenderam entre 200 a 250 milhões de dólares, apenas no primeiro dia. Mais de 600 milhões ao fim da semana inicial. Manter a zona de exclusão aérea custa 40 milhões de dólares por semana.
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A única super-potência global não é invencível nem dispõe de recursos ilimitados. Se procurasse intervir em cada conflito armado no mundo, rapidamente iria à falência. Se não interviesse em nenhum – e pensando apenas em custos, não haveria ninguém que o fizesse por ela – teríamos que assistir impotentes enquanto os vários actores, sem nenhum tipo de consequências a recear, teriam livre-trânsito para poderem chacinar à vontade tanto as suas populações como as dos países vizinhos. O factor de dissuasão que a mais poderosa força militar no mundo impõe é considerável, e talvez o mais importante da relativa paz mundial que vivemos.
Tudo isto para constatar o óbvio: apenas devido aos custos financeiros, fora os custos humanos, a intervenção só é possível em alguns casos, não todos. Sendo assim, é natural que os EUA escolham os países com interesse estratégico para operações de resolução de conflitos, manutenção de paz, ou missões humanitárias. Interesses esses incluindo naturalmente petróleo, do qual depende a sua economia, que financia tudo isto. E do qual depende também a economia do resto do mundo. A Líbia é importante, a Costa do Marfim não. Qual é a alternativa?
São estas pequenas grandes faltas de vergonha na cara
No “i de ontem Catroga dá uma grande entrevista e brinda-nos com estas duas afirmações:
“O Governo de Sócrates assenta numa estratégia de meter medo às pessoas”.
Quando perguntado sobre o por quê das sondagens que não reflectem o horror ao PS, responde:
– “Hitler, até ao final, também resistiu”.
Palavras para quê? Leiam a entrevista e maravilhem-se com a evidência de que, quem imputa o medo aos outros é quem usa, esse sim, o medo como arma, ou não estivesse o citador terrivelmente amedrontado.
Ciclo Eduardo Catroga – Poesia para as massas
Adorna hirsuto ríspido pentelho
Os ardentes colhões do bom Ribeiro,
Que dão duas maçãs de escaravelho,
Não digo na grandeza, mas no cheiro:
Ali piolhos ladros tão vermelho
Fazem com dente agudo o pau leiteiro,
Que o cata muita vez; mas ao tocar-lhe
Logo o membro nas mãos entra a pular-lhe.
Estrofe de Ribeirada – poema de um só canto
Há sempre quem goste de baralhar aquilo que é simples
Louçã – Eu queria ter aqui já uma conversinha sobre a questão da Segurança Social. […] Mas olho para o que o PS aprovou, e pró que está no documento da troika, e vejo que até Outubro vai ser proposto uma nova proposta sobre a Taxa Social Única. Mas vejo mais, Eng. Sócrates. O que eu olho é quando vejo a carta que o Governo escreveu ao FMI, que ninguém citou até agora, eu vou-lhe citar. A carta é do Governo, não é do FMI, e não é da troika, é do Governo. […] Eu queria saber como é que vai ser paga essa proposta que o senhor se comprometeu na sua carta ao FMI.
Sócrates – […] Aquilo que o Governo negociou com a troika está no Memorando de Entendimento e nada mais. […]
Louçã – […] O que o Eng. Sócrates diz é que está um memorando da troika que afirma uma posição. Certo.
Sócrates – É a única coisa que estabelecemos.
Louçã – Mas estabeleceu mais. É que fez uma carta do Governo, assinada pelo Ministro das Finanças. Eu tenho-a aqui, vai-me desculpar… […] mas é o que o Eng. Sócrates escreve na carta, uma grande redução, a major reduction… […]
Sócrates – […] e nessas fórmulas que o Francisco Louçã leu, que são igualzinhas às que estão no Memorando […]
Louçã – Aqui diz que é uma pequena redução, na carta que escreveu diz que é uma grande redução. Está escrito na carta.
Sócrates – É o que está no memorando, não é a carta.
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Segundo o ministro da Presidência, nesse debate, quarta-feira, na SIC, Louçã confrontou o primeiro-ministro com um dado falso: uma suposta carta escrita pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, ao FMI com compromissos adicionais sobre redução da taxa social única.
“O truque [de Francisco Louçã] foi o de procurar sugerir que [os excertos que lia] não estavam no memorando estabelecido com as instituições e que se trataria de uma coisa escondida – essa ideia é falsa. O que o dr. Francisco Louçã leu não foi carta nenhuma e apenas leu o memorando estabelecido com o FMI e com as outras instituições internacionais”, contrapôs Pedro Silva Pereira.
Em conferência de imprensa, Luís Fazenda contrapôs que Louçã confrontou isso sim o secretário-geral do PS com o que está escrito no ponto 39, página 12, do memorando económico e financeiro subscrito pelo Governo (e pelo PSD e CDS) no acordo de assistência financeira a Portugal e que, segundo o Bloco de Esquerda, constitui “uma carta de garantia” ao FMI.
Interrogado sobre como se gerou o equívoco de que Francisco Louçã se referira a uma carta desconhecida escrita alegadamente pelo ministro das Finanças ao FMI, Luís Fazenda respondeu que “há sempre quem goste de baralhar aquilo que é simples”.
Great minds think alike
I have tried to avoid writing about Darren Aronofsky’s pirouetting parody Black Swan, but, having been a professional ballet dancer for George Balanchine, I keep getting asked what I think of the movie. And now that it has garnered a huge audience, numerous passionate fans and five Oscar nominations, it is time to put on my toe shoes, wrap my ribbons, paint on my four-inch black eyebrows, lace-up my wet-tutu suit and take a grand jeté into Aronofsky’s swamp. I mean lake.
[…]
One hundred and eight minutes later, as the movie ended, the friend I took — not a dancer — turned to me and asked in all seriousness, “Was that supposed to be camp?” There, on the screen, was a beautiful, bleeding-into-her-tutu Portman as the White Swan, uttering those portentous dying words: “Perfect . . . It was perfect.” As a dancer, I have never been so perfectly insulted.
DN, um exemplo no combate à crise
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O jornalismo do DN também vive as agruras da crise. É por isso que se mostram muito económicos, muito poupadinhos. Veja-se esta fotografia acima, tirada no dia 8 de Maio aquando da apresentação do programa do PSD. Por sorte, espectacular acaso, o fotógrafo conseguiu apanhar o homem e o slogan num feliz enlace. É o três em um: Passos, PSD e campanha. Faria algum sentido desperdiçar este boneco tão bem composto para, sei lá, usar antes fotografias que retratassem a actualidade e, portanto, fossem obtidas nos locais onde, supostamente, as notícias referem que os acontecimentos respectivos, alegadamente, tiveram lugar? Sentido algum, para mais numa crise destas; terrível, terrível. Assim, o facto de Passos Coelho ter dito não sei o quê não sei onde é indiferente para o DN desde que se continue a usar a mesma foto, ou variantes. É que ter de andar sempre a disparar a máquina fotográfica por dá cá aquela declaração, aquela conferência, aquele encontro, isso é irresponsável, é uma loucura, é pós ricos. Os ricos que tirem fotos, mas não venham chatear a malta do jornalismo de referência com as suas manias e vícios.
No DN reina uma feroz política de controlo de custos e redução da pegada ecológica. Os coelhos agradecem.
Um Coelho no País das Maravilhas
Esta notícia fresquinha – Portuguese Software Enables Automatic Analysis of Mammograms – serve de aperitivo para o texto da Palmira.
Catroga, pá, vais curtir esta, ó bacano
O Spitfire
Nada mais triste, sinceramente, do que ver velhas glórias de guerras passadas arrastarem-se penosamente pelas guerras presentes, com tremendo barulho e a babar óleo por todos os lados, enquanto todos os que o aplaudiam reconhecidos pelo serviços prestados não têm coragem de lhe dizer o óbvio: já não serves para a guerra, as metralhadoras enferrujadas fazem mais mal do que bem. E pior, todos começam a recordar-se que o motor, realmente, nunca foi grande coisa.
Sondagem
Perde-ganha
Louçã, faltavam 13 minutos para acabar o debate com Sócrates, exclamou que tinha finalmente percebido qual era a estratégia do seu adversário para esse páreo: não responder. Mas, ao dizer essa inócua banalidade, estava simultaneamente a espelhar a sua natural e inevitável preocupação: ter uma estratégia vencedora, não voltar a perder.
A estratégia de Louçã consistia em demonstrar que Sócrates, mais o seu Governo, mentia. E mentia numa área onde o BE vende o seu peixe: a Segurança Social. A mentira parecia indesmentível, estava escrita numa carta. Dizia: grande redução na Taxa Social Única. Toma lá. Toma lá 20 dos 50 minutos disponíveis. A defesa de Sócrates consistiu em remeter para o acordo assinado com o FMI, confirmar a necessidade de reduzir a TSU, informar que tal carece de estudo dentro de três opções possíveis, e diferenciar-se do PSD nessa matéria quanto ao modo e dimensão do corte a efectuar. À denúncia baseada na semântica, Sócrates respondeu com factos relativos à pragmática.
Teoria do clique
PSD aumenta vantagem sobre PS, indica Barómetro
A excelente prestação política de Passos Coelho, a superior qualidade da sua equipa, o magnífico programa que pacientemente elaboraram, tudo isso mais as saudades de vermos Portas como ministro, levaram o Barómetro a registar uma justíssima subida da direita. PSD e CDS juntos obteriam maioria absoluta, e até Cavaco recupera a sua popularidade.
Não fosse a teoria do clique que Relvas criou, seria motivo para algum alívio no palacete da Lapa.
Vinte Linhas 613
Alain Donnat – ver a exposição a partir do Blues Jazz Club
Com o arranque previsto para 19 de Maio às 18h 30m na Rua da Misericórdia nº 30 (ao Chiado) para comemorar o segundo aniversário da Allarts Gallery, os quadros de Alain Donnat (n.1947) já podem ser vistos antes da inauguração formal.
Com mais de 50 exposições desde 2001, este francês que nasceu na Alemanha começou a interessar-se por este tipo de pintura incentivado por Jacqueline Bricard.
As paredes da galeria estão povoadas por quatro universos – memórias, música, circo e imaginação. Vasco da Gama e as suas caravelas, um concerto no Pólo Norte, um circo cor-de-rosa e uma árvore que dá mulheres. Quatro exemplos.
Uma fanfarra nocturna tem a ver com o Pierrot ou com os frades provadores de vinho: as coisas são sempre diferentes do que parecem com as pessoas à noite a tocarem música em vez de dormirem ou os frades a provarem vinho em vez de rezarem.
Se o tocador de flauta encanta os elefantes, os pássaros que voam sobre um pic nic são intrusos numa realidade cinzenta e sempre igual.
Os burros que se organizam em viagem num dos quadros são, afinal, no mundo do campo, animais pacíficos e com algum poder de sabedoria – embora relativa.
Diferentes e intrusas são também as cores fortes – o azul, o castanho, o cor-de-rosa. Num certo sentido invadem uma ordem estabelecida com cada cor no seu lugar.
Num certo sentido criam uma nova gramática no modo como olham o mundo à sua volta. O azul da música e dos músicos instala o insólito nos clientes do Clube e nos espectadores do quadro na parede da galeria.
F-se! #ILoveSocrates
Louçã prolongou a onda epistolográfica inaugurada pelo Catroga e levou uma carta para o debate. Era uma carta de amor, por isso não se conseguiu afastar dela. Ora, se esta campanha se resume a esse género literário, eis mais uma razão para irmos a correr ter com a De Puta Madre.
Inspirar desconfiança
Estava aqui a imaginar uma pessoa qualquer, mais uma vez, a tentar perceber minimamente as propostas e o rumo do maior partido da oposição. Hoje vê-se confrontada com o fim da taxa intermédia do IVA para compensar a fortuna que representa a redução da taxa social única proposta (anúncio de Catroga) – peça fundamental na elaboração do programa do PSD – e com Passos Coelho a negar tal disparate.
Diz que não vai tocar em qualquer taxa, que Catroga é Catroga, mas que quem manda, afirma: – “sou eu”.
Putrefacção
Esta entrevista de Catroga, para além de ética e politicamente soez, é um documento que evidencia o ponto a que chegou o Cavaquismo: putrefacção. E de tudo o que lá aparece, só gostava que uma passagem fosse fundamentada:
José Sócrates, honra lhe seja feita, é um grande actor, um mentiroso compulsivo, que vive num mundo virtual em que só ele tem razão. Tem uma máquina de propaganda montada há seis anos, poderosa. E o PSD tem uma máquina artesanal no campo da comunicação.
O PSD conta com a SIC, TVI, RTP-N, parte da RTP, Expresso, Público, DN, Correio da Manhã, Sol, Renascença, parte da TSF. Onde está a poderosa máquina de propaganda de Sócrates? Será o Prós e Contras? Será o Jornal da Tarde da RTP e aqueles 2 segundos a mais que consegue meter nas peças que falem do Governo e do PS? Ou será que Catroga também está a referir-se ao Câmara Corporativa, como fazem os outros macaquinhos de imitação?
Diz um especialista em política de medo
Em declarações à Agência Lusa, Aguiar-Branco condenou o facto de Francisco Assis usar o “chavão recorrente” de acusar o PSD de querer acabar com o Estado Social, acusando-o de “ter uma política de medo em relação aos portugueses”.
“Nós temos em Portugal um Governo sob suspeita e isto corrói as instituições e mina a autoridade do Estado. Pretendem o Estado não para servir os portugueses, mas para servir o Partido Socialista. É um Estado que visa estar em todos os sectores da sociedade portuguesa. Isso é uma visão retrógrada, uma visão sovietizada, afirmou ontem o vice-presidente do PSD, Aguiar-Branco.
Aguiar-Branco, que falava na festa do PSD, no Algarve, recordou os casos do Freeport e das alegadas pressões sobre os magistrados, que envolvem figuras ligadas ao PS, incluindo o primeiro-ministro.
Um livro por semana 231
«O mágico pressentir do artista – entrevistas com José Marmelo e Silva»
Depois de «Leituras de José Marmelo e Silva», Ernesto Rodrigues edita neste volume de 144 páginas as 21 entrevistas concedidas a jornais e revistas entre 1943 e 1987 por José Marmelo e Silva (1911-1991). Um centenário pode servir para homenagens municipais mas também para revisitar um autor e uma obra; as palavras deste livro são uma boa oportunidade. Numa entrevista de 1968 afirma José Marmelo e Silva: «Escrevo porque vivo e quero merecer a minha dignidade humana. Essa dignidade alcança-se criando. Criar é a melhor forma de agir». Sobre o seu trabalho de escritor, responde em 1965: «Sou contra toda a espécie de rotina, nomeadamente, a de escrever assiduamente. Não aceito a arte como um ofício.» As condições da chamada vida literária são assim comentadas em 1943: «Grandes inimigos são o êxito fácil e a pressa de chegar. Os camaradas de café, as luminárias do editor, a crítica inconsciente, quando não abusiva, e fumos semelhantes, embotam a ânsia e a límpida alegria do aperfeiçoamento. Em suma: esquecemo-nos de que triunfo e êxito não são a mesma coisa. O êxito é agradável mas o que vale é o triunfo, ainda que se espere um século». Por fim um exemplo de uma entrevista de 1948: «O descrédito do livro português é a sequência lógica da má orientação editorial e cultural dos últimos anos. Em tempo de paz, éramos um país literariamente ocupado pela França; em tempo de guerra fomos constantemente invadidos pelo lado do mar…»
(Editora: Centro de Estudos José Marmelo e Silva, Edição: Ernesto Rodrigues)




