Louçã-Passos

Este foi o melhor debate até agora, exclusivo mérito de Louçã que se apresentou com uma novidade absoluta, uma estreia mundial: a sua defesa do PS. Tudo se passou à volta do programa Novas Oportunidades, onde o vimos a desfazer a demagogia desmiolada de Passos e a partilhar testemunhos de pessoas que ele conhece e que muito aproveitaram com a possibilidade de aumentarem a sua escolaridade e formação. O sóbrio entusiasmo com que falava não deixou dúvidas, Louçã estava a enaltecer a necessidade, relevância e bondade de uma das mais importantes bandeiras políticas do PS. E daqui partimos para a seguinte reflexão: caso o BE tivesse seguido este realismo, em vez de diabolizar o PS numa estratégia megalómana e sectária, onde poderíamos hoje estar? Como seria Portugal se BE e PCP aceitassem compromissos com o PS e viabilizassem um amplo e versátil Governo de centro-esquerda?

Passos também esteve bem. Regista-se a sua cada vez mais apurada técnica para imitar Sócrates no modo discursivo, assim simulando uma autoridade que não tem nem vai ter. Como é um líder muito fraco, a máscara de chefe sai-lhe artificial, nada nele convence. Mas tem feito progressos na pose, estando no seu limite de capacidade expressiva. Continua é com o tal problema chato, o ter de dizer coisas. Aí, a sua fragilidade é aflitiva. De tal forma que um seu adversário de debate o poderia levar ao tapete apenas fazendo-lhe perguntas e ficando calado a assistir às respostas.

Palpites

Não sou analista de sondagens. Não vou deter-me nessa matéria.

Passos, a 10 de Maio, ao ser confrontado por Judite de Sousa com os valores do PSD nas últimas sondagens

__

A ideia de que um político não sabe interpretar sondagens, mesmo que fosse candidato a presidente da Junta, é equivalente à de um médico declarar-se incapaz de entender as análises e radiografias que os pacientes lhe levam, reenviando-os para os técnicos que produziram tais registos. Porém, tratando-se do Passos Coelho que preside ao PSD, é altamente provável que nos esteja a dizer a verdade: sondagens é coisa para analistas, ele prefere ocupar o seu tempo a falar do que conhece por experiência própria, directamente, não liga a estas confusões estatísticas feitas sabe-se lá como e com quem.

Para encontrar uma hipocrisia de calibre tão boçal como esta temos de recorrer a esse paradigmático momento em que Passos invocou o seu indescritível currículo de gestor para largar postas de pescada acerca da avaliação de professores:

Eu fui gestor de empresas, vários anos, apliquei sistemas de avaliação de desempenho, e posso-lhe garantir que nem numa mesma empresa o sistema de avaliação de desempenho é igual para todas as unidades de negócio.

A perspectiva de ter o País entregue nas mãos deste reputado avaliador de desempenhos que nada percebe de sondagens é capaz de não ser a melhor opção.

A estratégia da calamidade

 

 

Este cartaz não faz sentido. Todos sabem que não faz sentido, a começar pelo economista Louçã. E isso intriga-me, porque a malta do BE, sendo fundamentalmente burra, é também malta que exibe alguma inteligência laboriosamente construída em cima da burrice primordial. Embora não o compreendendo, eles sabem como o mundo funciona. E por isso têm a perfeita consciência das consequências para os cidadãos desta proposta. Não ignoram o enorme sofrimento que causaria uma reestruturação da dívida. Não ignoram que o que aconteceria às pensões, salário e emprego caso seguíssemos essa via. Conhecem, porque é impossível não conhecerem, o que se passou na Argentina. A taxa de desemprego de 25%. As milhares de pessoas empurradas para a miséria, forçadas a recolher cartão para vender, os Cartoneros. As milhares e milhares de falências súbitas de PME. A corrida aos bancos, as contas congeladas, os limites de levantamentos, a fuga em massa de capital. E a desvalorização brutal da moeda, que estilhaçou de um dia para o outro o nível de vida de um pais inteiro. E no nosso caso, a provável expulsão do Euro, e talvez da própria UE.

Eles sabem isso perfeitamente bem, a começar pelo líder, o economista Louçã. E eles sabem que nós sabemos tudo isso também. Porquê então este caminho, esta proposta que oferece um alvo de tal maneira gordo e suculento ao PS que mais parece um suicídio eleitoral? Que sabem que é tão radical, que assusta tanto as pessoas, que iria inevitavelmente  provocar uma fuga em massa dos eleitores para o partido rival, precisamente o que está a acontecer? É isso que me intriga cada vez que passo pelos cartazes na 2ª circular. Não faz sentido, e eu não gosto de coisas que não fazem sentido.

Continuar a lerA estratégia da calamidade

Os portugueses são suficientemente inteligentes

Já começou a estudar o regimento da Assembleia?

Já. Quem conseguiu estudar todos os tratados de Medicina, de Cirurgia Geral e de Urologia, pode perfeitamente estudar o regimento. Nesta fase tenho muitas coisas para estudar, como por exemplo o programa do partido, e tudo o que vai acontecendo no dia-a-dia do nosso país.

Quanto a outras reacções, houve uma que foi um ataque concertado, político, e partidário, no sentido de me atingir pessoalmente, na minha ética, na minha integridade enquanto ser humano e não só a mim a título pessoal, à minha família e à instituição que fundei há 27 anos e que foi sempre louvada.

Que partido lançou esse ataque?

Não vale a pena dizer o partido. Os portugueses são suficientemente inteligentes.

Está a falar do PS?

Assim o disse. Como se diz na gíria da criminologia, pensa-se logo em quem aproveitou o acto. Esse acto foi desencadeado para me desacreditar e para atingir este partido. Foi um ataque concertado, disso não tenho dúvidas.

É possível tornar o cargo de presidente da Assembleia da República mais interventivo?

No respeito pela lei, pode ter uma intervenção cívica mais actuante. Eu faria uma intervenção lata no quadro real dos meus poderes e da minha representação. Se for eleito, vou fazer tudo para que a AR seja a casa da democracia e da cidadania. Faria questão de pugnar por uma legislação muito mais transparente e eficaz, por uma transparência do portal da AR, e para que cidadãos independentes credíveis pudessem ser chamados amiúde ao Parlamento, de acordo com a conferência de líderes.

Nobre, o rei da cidadania

Balada do Gato Preto (Caldas da Rainha)

Gato preto a meio da rua
Do Hospital para a Praça
Memória que continua
Infância, estado de graça
Cavacas são mais duras
São macios os beijinhos
Se a festa fica às escuras
Vinho é luz dos caminhos
Taberna do Clementino
É paragem derradeira
Minha terra, meu destino
Eu espero aqui a carreira
Foi lá abaixo à estação
Apanhar a automotora
Nunca falha a ligação
E não se pode ir embora

Caldas na segunda-feira
O pai, a mãe, as crianças
Numa carroça ronceira
São décimas das Finanças
Ou as letras reformadas
No Banco de Portugal
Com colheitas queimadas
Em quinzena de temporal
Altifalante diz a viagem
Segue o desdobramento
Nunca chove na garagem
Quente abrigo de cimento
Gato Preto que resiste
Ao tempo, grande erosão
Mesmo num dia triste
Adoça o meu coração

A enxada e o tractor

Jerónimo explicou o plano do PCP para aumentar a produtividade, a riqueza e os salários recorrendo ao seguinte exemplo: um trabalhador precisará de um dia inteiro para cavar um terreno, mas com um tractor o trabalho fica feito num instantinho. Clara de Sousa, benemérita, tentou ajudá-lo dizendo que se estava perante uma metáfora, só para ser admoestada em protesto. Metáfora coisa nenhuma, indignou-se Jerónimo, aquilo era o que havia de mais concreto para dizer ao povo.

O debate trouxe uma novidade do foro científico: revelou que os dinossauros falavam e que se extinguiram afogados no Alqueva.

Viva o Bloco Central

Que é que fez Eduardo Catroga? Só montou ruído, fez ruído em cima de ruído e mais ruído. Foi a história da cerveja a 23%. Depois foi contar – uma coisa que fica pessimamente, pessimamente – histórias particulares, conversas privadas, que teve com Manuel Pinho e outros. Uma coisa horrível. Contradição na questão do IVA que embaraçou, e muito, Pedro Passos Coelho; ele dizia que ia acabar a taxa intermédia e Passos Coelho teve que vir dizer que não e depois dizer outra vez que não. E acabou com uma das cenas mais indignas dos últimos anos na democracia portuguesa, que foi a comparação, ou a espécie de comparação, entre Hitler e José Sócrates, a insultar as pessoas que votaram… […] Quer dizer, nós não podemos vulgarizar, não podemos vulgarizar, palavras e homens como Hitler, como Staline, como Mao Tsé-Tung. Não podemos fazer essas comparações, porque não são viáveis, porque não são sérias. E esse tipo de discurso dentro do espaço público é a pior coisa que pode acontecer. Isto não pode acontecer. Isto num aspirante a político era muito grave, muitíssimo grave. Num político experimentado como Eduardo Catroga é incompreensível e sinistro. Acho sinistro.

Quando ouvi isto, eu esperava que Pedro Passos Coelho viesse dar uma conferência, ou falasse e dissesse — Olhem, nós estamos muito gratos ao Dr. Eduardo Catroga, ele fez um excelente trabalho no programa, tem sido um excelente colaborador, mas a partir de agora está afastado, pelo menos durante bastante tempo, do Partido Social Democrata e de falar em nome do partido. […]

[…]

Eu gostava de ter visto a classe política unida neste ponto, gostava que tivesse havido um repúdio geral. E as primeiras pessoas que eu gostava que tivessem repudiado isto eram os líderes do PSD. […]

Pedro Marques Lopes

Continuar a lerViva o Bloco Central

Pequeno episódio revelador do todo

Sábado, na feira do livro, coincidiram vários cabeças de lista e candidatos a deputados por Lisboa.

Nada de anormal.

Presenciei o cumprimento democrático entre Ferro Rodrigues e Fernando Nobre, porque se cruzaram e os candidatos a Deputados fizeram o mesmo, trocando, num espírito de abertura normal, os “jornais” ou “panfletos” de cada Partido.

Evidentemente, os encontros são rápidos, cordiais, e cada um segue o seu caminho.

Faltava, claro, encontrar o Bloco de Esquerda. Estava eu com Alberto Costa a olhar um livro ou coisa assim, quando um membro da comitiva do BE me pergunta, proporcionando o diálogo que se segue:

– aceita um panfleto nosso?

– com todo o gosto.

Agarrei o panfleto do BE e, como é da praxe, ofereci-lhe o “jornal” do PS.

– já agora, se quiser, fique com o nosso também.

– olhe, sabe? O vosso serve apenas para eu forrar o meu caixote do lixo, é o que é.

Quase que fiquei estupefacta, mas logo me veio à cabeça estar perante um dos membros da delegação do BE. Disse apenas que o espírito democrático do BE confirma-se a cada pequeno ou grande gesto e que eu, ao contrário dele, leria o panfleto bloquista com todo o gosto.

Porque é isso que nos separa.

Um livro por semana 232

«O homem do turbante verde» de Mário de Carvalho

Mário de Carvalho (n.1944) celebra 30 anos de vida literária neste seu 21º título. Trata-se do regresso às origens – depois do romance e do teatro, volta ao conto. São dez histórias no estilo que o autor afirmou ao longo dos tempos – o máximo de rigor vernáculo na narrativa com a imaginação mais desenfreada nos lances do enredo.

São vários os tempos destas histórias. No conto que dá titulo ao volume um grupo de arqueólogos aprisionados é trocado por uma criança («várias culatras a serem puxadas») mas tudo acaba bem: «O que lhe valeu é que os tipos daquele lado também têm amor aos miúdos». Tempo africano. A luta política antes de 1974 surge no conto «A rua dos Remolares» com um cadete-aluno a envolver-se nas actividades clandestinas: «Deixo-te dois cheques assinados. Daqui a uns dias alguém telefona a dizer que é o Eduardo Lopes e a dar-te um endereço no estrangeiro. Memorizas, levantas o dinheiro e remete-lo pelo correio para a morada que for indicada. Não tomes nota. Fixa!» Tempo clandestino. Em «O celacanto» o insólito está presente com o peixe que fugiu da Faculdade de Ciências (velha) onde integrava uma exposição/instalação mas «ao chegar junto à galeria entrou decidido, porta adentro, raspando desajeitadamente a ombreira que ficou com brilho de escamas. Tempo imaginário. Os contos finais passam-se no mundo actual povoado de absurdos (burocracia), de morte (pedofilia) e solidão (divórcio). Em «O cochman» existe um edifício de escritórios onde a portaria deixa entrar o empregado sem cochman («O senhor não está dispensado») mas já não o deixa sair e coloca-o numa sala diferente: «Esta é a única sala que não está ligada à rede de multissom». Tempo absurdo. Africano, clandestino, imaginário e absurdo – são os quatro tempos do livro cuja leitura é um prazer.

(Editora: Caminho, Capa: Rui Garrido, Foto: José Carlos Aleixo)

Prioridade do BE: nacionalizar a Apple

6.1. O problema de Portugal é a sua burguesia. O objectivo do socialismo é derrotar os donos de Portugal.

Moção de orientação A, cujo primeiro subscritor é Francisco Louçã, aprovada na VII Convenção do BE

__

Como toda a gente sabe – refiro-me àquela gente que aceita com grande sofrimento ir à televisão iluminar o povo com os seus palpites e humores – Sócrates perdeu o debate com Louçã por causa de uma carta inexistente. Todavia, apesar dessa derrota indesmentível, ainda conseguiu dizer ao interlocutor que ele era responsável pela vinda do FMI, que ele tinha sido uma muleta da direita, que a sua desejada reestruturação da dívida acarreta desgraças económicas colossais e que as promessas de nacionalizações são pura fraude. Last but not least, Sócrates trouxe para a ribalta uma passagem do actual programa politico do BE que estaria condenada a passar ignota para a posteridade.

De facto, se aquele eleitorado urbano, jovem, socialmente sofisticado e profissionalmente integrado, mas politicamente iletrado, que tem votado Louçã já desde os tempos do PSR por adesão impulsiva ao protesto ou genuína esperança de alternava lírica à esquerda, soubesse no que se estava a meter, tivesse noções básicas de História e ciência política, jamais o BE teria sequer entrado no Parlamento, quanto mais ter conseguido ser uma réplica do PCP para o boicote à governabilidade e à democracia, aumentando ainda mais a disfuncionalidade político-social da esquerda portuguesa. Ocasião, pois, para um passeio à origem da retórica marxista contra a burguesia*.

Continuar a lerPrioridade do BE: nacionalizar a Apple

Seis anos negros

Temos que nos livrar destes seis anos negros do PS e olhar para a frente.

Passos

__

É possível que um dia, num futuro próximo ou longínquo, Passos venha a entender que a repetição desta frase lhe dá um voto por cada cinco que perde. É possível que, depois das eleições, um amigo, ou um estranho caridoso, lhe explique que os portugueses não são assim tão broncos como ele pretende. É possível que a própria imagem fantasmagórica dos tais seis anos negros, que algum desmiolado do PSD inventou para a campanha, o atormente e persiga nos sonhos.

É possível, mas não é certo.

Governo de perdedores

A questão, depois do Presidente da República ter dito que só dá posse a um governo com apoio maioritário, é saber como é que se forma uma maioria. E uma maioria, Dr. Passos Coelho, não se forma com o PSD com 40 e o CDS com 10. Também se forma, e era bem melhor para o país, com o CDS com 23,5 e o PSD com 23. Forma-se, sabe perfeitamente que é assim. Quem é que forma maioria no parlamento. Quem é que leva ao Presidente da Republica uma solução maioritária.

Paulo Portas, no debate Passos-Portas

 

Temos estado em animação suspensa. Fomos o único país até agora que teve o privilégio de negociar um plano de resgate com o FMI sem governo definido, o que teve por um lado o condão de responsabilizar todos os partidos pela aceitação desse plano (excepto o PCP, que tem permissão do seu eleitores para viver noutra realidade, e o BE, que cai a pique porque essa permissão não o engloba) e por outro protelar a aplicação das medidas para depois do acto eleitoral, o que também as legitimiza de certo modo aos olhos do eleitorado. Mas uma coisa é saber que vem aí a pancada, outra é levar com ela, e todos sabem que mesmo com estas atenuantes, vêm aí tempos conturbados e de contestação.  E vai ser necessário mão firme e determinação de ferro para governar nos próximos dois anos, porque algumas das reformas são muito difíceis. O mercado de arrendamento é complicado pelos dramas pessoais que vão ser explorados à exaustão, a extinção de autarquias nem se fala, a justiça é o poço de víboras que se conhece, só para referir algumas. Mas se a determinação é uma qualidade pessoal, a mão firme tem a sua génese na força da legitimidade democrática. Eu faço, eu decido, eu imponho porque para tal me mandataram os portugueses. Faço a minha obrigação, cumpro o meu papel, mesmo que não gostem, porque foram vocês que mo pediram. Neste país podes ser autoritário, é até uma qualidade apreciada num político, mas com um senão: tens que ter autorização expressa.

É por isso que esta ideiazinha é muito perigosa. Eu sei que da parte do CDS é provavelmente o início das negociações para formar governo, e serve para tentar encostar o PS à parede: ou cedem a todas as exigências ou formamos governo com outros e temos legitimidade para isso. Mas no PSD nasce do desespero de quem se apercebeu que vai perder e recusa-se a aceitar tal facto, e tenho a impressão que vai começar a ser mais falada, tentando impô-la ao eleitorado, levantando a barra mais uma vez para Sócrates: já não basta ganhares, tens que ter mais votos que a direita junta, senão não tens legitimidade. Nós não deixamos, não aceitamos que ganhes. Como se os eleitores tivessem de engolir um governo de dois perdedores, em vez de serem estes a engolir as escolhas do eleitorado. Mas vamos assumir que sim, que a ideia ia avante, porque há gente na direita cuja fome de poder os leva a terem acessos de estupidez: alguém acredita que fosse um governo com a mínima força, minimamente legitimado perante os portugueses? Que conseguisse passar as reformas necessárias? Que as conseguisse impor? Que aguentasse uma contestação essa sim legitimada com o inevitável argumento do “golpe eleitoral”?

Cuidado com o que desejam. Falem com o Santana Lopes, ele explica.

Vinte Linhas 614

Dissertação para uma memória da Colónia Penal (a Manuel Pacheco)

Era muito fresca a água da fonte das barreiras.

Fresca e pura pois saía do interior da terra castanha da herdade na barreira daquela sua praia privativa no Oceano Atlântico. Foram os reclusos da colónia penal (e alguns guardas com jeito para pegar na pá de pedreiro) que a construíram com tijolos que vinham de Alcoentre numa camioneta verde.

Os velhos púcaros de latão lavavam-se com areia e ficavam a brilhar da limpeza tão simples e tão eficaz. O sol batia de chapa e fazia faíscas nos velhos púcaros que pareciam novos e a estrear.

Está tudo abandonado. O bairro já teve 50 famílias com as suas casas e os seus quintais, as suas pequenas hortas, as árvores pequeninas que o tempo fez crescer e que o abandono matou de secura e aridez. O bairro já teve uma capela que tem as portas fechadas; nunca mais houve baptizados nessa capela do bairro dos guardas prisionais.

O Clube Desportivo ainda tem nas paredes a equipa de futebol da colónia penal numas fotografias antigas, tudo a preto e branco, como são as memórias e as lágrimas. Sim; há pelo menos essa certeza, não há lágrimas a cores. O Clube Desportivo ainda não fechou porque ainda há uma pessoa a servir as bicas escaldadas.

São 1.800 hectares de memórias amargas, uma praia privativa, uma adega repleta de bom vinho. Universo apetecível para especuladores do turismo como indústria. Sei de um antigo guarda prisional que ficou com os olhos marejados e nem o vento do Algarve lhe secou as lágrimas amargas perante aquela desolação e aquele abandono.

Impressionar no emprego, seduzir em festas, brilhar nos jantares

Sexy Clothes — Too Much, Too Young: Study Reveals That a Significant Proportion of Young Girls’ Clothing Is Sexualized
.
Personality Affects How Likely We Are to Take Our Medication, Swedish Study Finds
.
Breastfeeding leads to better behaviour in children, researchers claim
.
Coffee Reduces Breast Cancer Risk, Study Suggests
.
Twinning Is Winning: Moms of Twins Live Longer, Study Finds
.
On 9/11, Americans May Not Have Been as Angry as You Thought They Were
.
Musical Experience Offsets Some Aging Effects: Older Musicians Excel in Memory and Hearing Speech in Noise Compared to Non-Musicians
.
If You Get Along With Your Co-Workers You May Live Longer, Researchers Find
.
Pooh, Peter Rabbit & Clifford: Males Dominate Children’s Books
.
The Pain Of Ostracism Can Be Deep, Long-Lasting
.
From Legal Defense to Rallying Cry: How ‘SlutWalks’ Became a Global Movement
.
Whales Have Accents and Regional Dialects: Biologists Interpret the Language of Sperm Whales
.
Forty-eight women raped every hour in Congo, study finds
.
The Ties That Bind: Grandparents and Their Grandchildren