Palpites

Não sou analista de sondagens. Não vou deter-me nessa matéria.

Passos, a 10 de Maio, ao ser confrontado por Judite de Sousa com os valores do PSD nas últimas sondagens

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A ideia de que um político não sabe interpretar sondagens, mesmo que fosse candidato a presidente da Junta, é equivalente à de um médico declarar-se incapaz de entender as análises e radiografias que os pacientes lhe levam, reenviando-os para os técnicos que produziram tais registos. Porém, tratando-se do Passos Coelho que preside ao PSD, é altamente provável que nos esteja a dizer a verdade: sondagens é coisa para analistas, ele prefere ocupar o seu tempo a falar do que conhece por experiência própria, directamente, não liga a estas confusões estatísticas feitas sabe-se lá como e com quem.

Para encontrar uma hipocrisia de calibre tão boçal como esta temos de recorrer a esse paradigmático momento em que Passos invocou o seu indescritível currículo de gestor para largar postas de pescada acerca da avaliação de professores:

Eu fui gestor de empresas, vários anos, apliquei sistemas de avaliação de desempenho, e posso-lhe garantir que nem numa mesma empresa o sistema de avaliação de desempenho é igual para todas as unidades de negócio.

A perspectiva de ter o País entregue nas mãos deste reputado avaliador de desempenhos que nada percebe de sondagens é capaz de não ser a melhor opção.

10 thoughts on “Palpites”

  1. estavamos feitos ao bife , morriam os doentes todos , se analises e radiografias fossem equivalentes a sondagens . por exemplo , tinhamos morrido se o médico nos tivesse tratado de marocas em vez de manel. nem o house nos safava.
    isso é mas bem interpretação de horoscopos , a “ciência” da sondagem.

  2. Será que para Pedro Passos Coelho as escolas são unidades de negócio diversificadas?
    O programa que se ensina na escola básica de Caminha será diferente do que se ensina na escola básica de Alter do Chão?
    Será a língua de ensino diferente, serão os cérebros dos alunos incapazes de assimilar de modo idêntico? O grau de profissionalismo exigivel aos professores de Lavra será porventura diferente do que terá de ser exigido aos de Penacova?
    Este senhor saberá do que está a falar?

  3. Comentários sobre a inexistência de uma tradução para português do memorando da troika e sobre a segunda demissão na Lusa em menos de dois meses aguardam-se com ansiedade…

  4. João Dias, explica lá qual é a importância desses assuntos. Se o que disseres fizer algum sentido, publico em post. Venham daí os teus avisados e pertinentes comentários.

  5. A menina da SIC que orientou ontem o debate entre Sócrates e Jerónimo também confrontou o primeiro ministro com esse “grande” problema da não tradução do memorando, e fê-lo com assinalável enfase, e uma outra menina, essa do Público, considerou que foi esse o momento-chave do debate. Já estou a imaginar que a não tradução na íntegra do famoso memorando vai servir aos comentadores do costume para mais uma ataque descabelado a Sócrates. A eles e, de certo, a Passos Coelho.

  6. É exactamente como diz Teófilo M.. Não gostaria de ser muito violento mas o certo é que PPC pela forma sobranceira como atira para o ar as sua esparvoadas afirmações intensifica a gravidade dos dispautérios com que todos os dias nos vai atormentando.

    É evidente que o critério de avaliação de um vendedor tem necessáriamente que ser muito diferente do de um técnico administrativo. Isto é tão elementar que, nada mais tendo para dizer mais útil do que isto, melhor seria ter ficado calado. Mas, não! O homem gosta de se afirmar e, como primeiro-ministro que já se julga ser, acha que não pode deixar por mãos alheias a sua enorme experiência de gestor!

  7. Este PSD está transformado num colosso de boçalidade. É a política nonsense no seu melhor.

    Nada que admire quando o patego do Rebelo de Sousa, esse mourinho de bancada da nossa actividade política, põe a carne toda no assador: o PSD só tem que defender sempre o oposto daquilo que defende o PS. Palavras para quê?

    O que vale é que os portugueses já perceberam bem a estratégia. Quando confrontados com a palermice das suas próprias propostas e afirmações a resposta dessa cambada vem com um sorriso: – Ai isto não está bem? Altere-se. Ou então, vem peremptória e ditatorial: -Quem manda aqui sou eu!

    Tudo depende da dimensão do escândalo. Talvez nem tudo.

  8. Quais terão sido os resultados e crescimento económico das empresas que PPC geriu?
    Essas contas é que os Portugueses gostavam de ver, e que não nos viesse com a desculpa da crise dos últimos anos para justificar contas, que essa (para ele) não cola!

    Espero no entanto, que não tenha pedido um apoio PME Invest para aguentar a sua tesouraria, senão teria (tal como eu) de agradecer a Sócrates, e isso claro seria admitir uma boa medida do governo PS, coisa que é impensável para PPC e para PSD.

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