Sortido praliné:
Quem és tu? – Henrique Manuel Bento Fialho
Charles Bukowski… – Manuel A. Domingos
Emprestar a voz ))) – Maria João Freitas ao telefone com Nuno Artur Silva
Sortido praliné:
Quem és tu? – Henrique Manuel Bento Fialho
Charles Bukowski… – Manuel A. Domingos
Emprestar a voz ))) – Maria João Freitas ao telefone com Nuno Artur Silva
Continua a operação de resgate de Passos Coelho, agora com a abertura de um novo túnel pelos maiores banqueiros nacionais. Já é o quinquagésimo túnel escavado nas duas últimas semanas, e são cada vez mais largos – será desta? O líder dos sociais-democratas está preso numa gruta desde 15 de Agosto, altura em que foi ao Pontal chantagear o Governo com a data de 9 de Setembro. Assim que proferiu essas palavras, abriu-se um buraco debaixo dos seus pés e não voltou a ser visto. Num acto de enorme coragem, uma dezena de garimpeiros que lhe são próximos saltou para o abismo e ficaram todos juntos num ambiente de completa escuridão. Alimentam-se de tubérculos e pequenos roedores. Para desanuviarem, jogam à macaca e cantam ao desafio.
De acordo com uma fonte do partido, Passos Coelho terá dito que aqui na superfície estávamos bem enganados, pois ele tinha a certeza de que o espaço não era uma gruta natural, antes uma mina. Os especialistas dividem-se quanto à possibilidade da mina continuar a ser explorada.
EDP – de vão de escada em vão de escada até ao absurdo
Dirigi-me no passado dia 11-10-2010 aos balcões da EDP na loja do cidadão dos Restauradores. Levava na mão um cheque e um documento com o timbre da EDP com datas que são para cumprir. O pagamento estava marcado para 11-10-2010 e eu não queria falhar. Pois a menina do atendimento não me quis indicar uma das cinco mesas onde cinco solícitos empregados não tinham ninguém para atender e obrigou-me a ir pagar a verba em causa numa tabacaria que me indicou dentro do Metro dos Restauradores. Fiquei furioso e senti-me enganado: dirijo-me a um balcão de uma empresa com um cheque emitido em seu nome e com um documento a indicar uma data limite para o pagamento e sou obrigado (sem qualquer explicação) a dirigir-me a um outro espaço que se dedica a outro negócio e onde tive uma longa fila de espera – coisa que não acontecia no balcão da EDP na loja do cidadão. Sou levado a pensar que isto traz água no bico. Ao desviar os pagamentos do seu balcão, a EDP está a fazer com que alguém receba uma comissão de modo artificial. Faz-me lembrar um incidente com um banco comercial da Rua do Ouro que mandava alguns clientes no ano de 1966 para Algés. As letras entregues nesse balcão pagavam uma comissão extra porque Algés pertence a Oeiras – não Lisboa. Só que a Inspecção Geral de crédito e Seguros multou o dito banco comercial. E a EDP quem a multa por este abuso? É um abuso de posição dominante pois uma pessoa acaba por se dirigir à tal tabacaria porque se não o fizer incorre numa multa. E a EDP quem a multa? Afinal como será se a tabacaria delegar o negócio numa firma de vão de escada entre pedintes, saxofones velhos e pandeiretas?
Dias atrás, Paulo Rangel foi à porqueira dizer que o Conselho da Europa rejeitou a candidatura de Portugal a um lugar no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, alegando falta de qualidade nos nomes propostos, apenas porque o País tinha perdido a credibilidade internacional. Causa? As finanças públicas. Responsável? Sócrates.
Paulo Rangel chegará ao poleiro do PSD logo antes ou logo depois de Rui Rio. Vai ser um vendaval de bacoradas, o homem é capaz de largar as maiores enormidades a um ritmo sem paralelo nos bípedes actualmente identificados pela ciência. Entretanto, haja alguém que lhe pergunte onde foi que a comunidade internacional falhou para ter eleito Portugal membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU, superando o Canadá.
A Internet é um imparável e desvairado laboratório de ciência política. Temos agora acesso à privacidade de alguns agentes políticos como nunca antes, apenas porque os próprios – e, particularmente, aqueles com quem privam – se expõem muito mais, tanto nas ocasiões como na extensão da informação veiculada. As conversas de almoçaradas e jantaradas, as tonteiras dos copos e das raivas, aparecem agora impressas nos ecrãs a cru, sem filtros temporais a mediarem e arrefecerem os ânimos. A interioridade destes bravos surge disponível para diagnósticos vários.
Dessa forma, basta ler o que escrevem as figuras menores do PSD e CDS para se estar sentado junto aos líderes respectivos a ouvir as conversas com os conselheiros. Inevitavelmente, uns repetem os outros. E o espírito de manada a todos conduz para um único ponto no horizonte: Sócrates.
Para além do culto de personalidade a contrario donde não conseguem sair, afastam-se cada vez mais do eleitorado com as narrativas simplistas e desmioladas que fazem do PS o partido de um homem só. Não são apenas as ofensas que atingem milhares de portugueses de cada vez que se pinta Sócrates como um super-bandido que estranhamente ninguém consegue apanhar, nem sequer o Pacheco, é o próprio futuro da direita portuguesa que se esboroa na estupidez de uma caça ao homem.
Claro, o pavor é enorme, por isso eles saem para os campos com cães e tochas. Não têm é cabecinha para perceber que a Cidade tem mais o que fazer do que aturá-los.
Azeredo Lopes brindou-me com uma resposta directa, a qual tem o mérito de resolver a questão. E basta citá-lo:
Evidentemente, o alargamento colossal (embora menos infinito do que, piamente, alguns crêem) da possibilidade “pública” da expressão e circulação de opiniões e informações – por exemplo, através da blogosfera e das redes sociais – porá em crise a liberdade de imprensa “tradicional” nas suas diferentes dimensões e afecta o seu peso social, se o cidadão deixar de poder distinguir, com clareza, aquilo que é a função jornalística, e a sua especial responsabilidade, por um lado, e a expressão de opinião e até da informação fornecida por um cidadão (no seu blogue, por exemplo).
Até por isso, tenho defendido que o mito do “cidadão-jornalista” é desafiante para o jornalismo. Também pela mesma razão, aliás, detesto a ideia de poder perder, por diluição, acesso a conteúdos balisados pelo conjunto de exigências éticas, deontológicas e legais que definem o jornalismo, tal como o concebo.
Quer isto dizer que, segundo o próprio Azeredo, os blogues não produzem jornalismo. Ou seja, que não fazem parte da imprensa. Portanto, que não podem ser objecto de um direito de resposta pensado para se aplicar à comunicação social implícita no texto constitucional.
Como curiosidade final, dizer que a sua contra-argumentação inicial inverte o sentido do meu raciocínio, omitindo que se discorria apenas a respeito da regulação para efeitos de garantia do direito de resposta, não para efeitos de regulação da liberdade de expressão. É nesse intento primeiro que o art. 39º aparece, como especificidade só compreensível à luz dos artigos anteriores. Mas isto é discussão para se ter em Bizâncio, com muita calma.
Ana Paula Fitas ficou indignada com o fiasco em que resultou a manifestação contra a pena de morte, marcada para este domingo passado no Largo Camões. O seu protesto tem a acrescida autoridade de quem esteve presente.
Ora, há uma inevitável embriaguez nos agrupamentos de rua. Os participantes entram num estado de fusão com a mole, sentem-se seguros e poderosos. Este estado tende a ser alucinatório e potencialmente violento, como se viu ainda recentemente nas manifestações de professores. Apareciam frente às câmaras insuspeitas personagens de olhos revirados, de ambos os sexos, extasiadas com o poder da rua. Elas eram sinceras, viviam esse poder. Algumas, se apanhassem a ministra pela frente, tratariam logo de resolver o conflito com recurso aos materiais com que se faz a heróica rua: paralelepípedos e alcatrão.
Num outro plano de encantamento, as manifestações são organizadas para se transformarem em material visual difundido pela comunicação social. O critério é básico e brutal: números. Como não há máquinas para contar manifestantes, os organizadores e aproveitadores inventam à toa, mas preferindo números redondos, daqueles com muitos zeros ou zeros suficientes para evitar uma vergonha. Na hora do telejornal, e mesmo que as imagens não suportem a megalomania, importa é que o locutor repita os números da sorte.
Dito isto, é impossível não simpatizar com o lamento da Ana Paula Fitas. Mas igualmente me parece impossível ignorar que essa manifestação só interessava aos que nela participaram. As boas e as más acções ficam para quem as pratica, como ensinavam os medievais.

Dois mundos em confronto – passado e presente
Descobri na Livraria 1870 «Nos bastidores do jornalismo» de Rafael Ferreira, edição Romano Torres com data de 1945. O nasceu em 1865; tinha 80 anos quando o volume surgiu. Um dos temas é a comparação entre dois mundos: «Os rapazes de hoje são, na sua maioria, criaturas de muito mais juízo do que nós fomos, mas julgo que menos felizes do que nós. São pessoas práticas, muito pautadas, que gozam até metodicamente. Arrastam-se nos tangos e nós estonteávamo-nos nas valsas. As nossas ilusões, as nossas ingenuidades, até as nossas tolices ou loucuras, eram próprias da mocidade: E nós queríamos vive-la, para mais tarde não nos arrependermos de não termos sido novos. Mas não aconselho os de hoje a seguirem o nosso exemplo. Os tempos são outros, as responsabilidades muito maiores e cada vez mais se adivinha menos um futuro de tranquilidade e é preciso pensar em faze-lo melhor. Entendo que os velhos não têm o direito de embirrar com os novos, quando nestes reconhecem talento ou vontade de acertar e probidade na maneira de proceder. Em relação aos novos, sou de opinião de que não devem esquecer-se que nem todos os velhos dão maus exemplos e que alguns fornecem lições, senão de inteligência e saber, ao menos de atitudes morais e cumprimento de deveres que à mocidade convém aproveitar». De uma ideia curiosa («Se O Dia foi a minha instrução primária do jornalismo, O Século foi o meu liceu») evoca histórias e nomes: Raul Brandão, José Sarmento, João Correia de Oliveira, Francisco Tavares, Hermano Neves, Adriano Merea, Sousa Costa, Amadeu Cunha, António Guimarães, Câmara Manuel, Machado Correia, Júlio de Lacerda e outros.
A Parada foi o centro mundano de Cascais. No tempo de El-Rei D. Luís havia apenas em cada ano dois bailes na cidadela – um a 28 de Setembro, anos de D. Carlos, outro a 16 de Outubro, anos da Rainha D. Maria Pia. A Rainha D. Maria Pia ia, às vezes, à Parada, jogar o crocket ou atirar ao alvo. As grandes damas, com vestidos compridos, mangas compridas, chapéus seguros por véus de gaze, jogavam o tennis na Parada. Os seus courts de tennis tinham e têm fama e ainda hoje se realizam ali os nossos campeonatos internacionais de tennis, em festas que são um dos últimos e mais fechados redutos do mundanismo lisboeta.
Os duques de Palmela, os marqueses de Ficalho, de Alvito, de Belas, de Castelo Melhor, de Borba, os condes de Galveias, Vila Real, Castro Guimarães, Melo, Sabugal, Redondo, Atalaia, Lapa, Vimioso, Lumiares, Balsemão, Azambuja, Guarda, os viscondes de Lançada, Luz, Ovar, Atouguia, Asseca, Mossâmedes, Silva Carvalho, Abrançalha, os barões de Sabroso, Regaleira, D. Sofia de Almeida, D. Eugénia de Avilez, D. Eugénia de Almeida e Vasconcelos, D. Fernanda Atalaia, D. Maria Antónia Ferreira Pinto, enfim, tôda a nobreza freqüentava a «Parada», dava às suas festas, às suas reüniões, um brilho e uma elegância de grande quilate e que para sempre desapareceram da vida portuguesa.

Minha casa, minha vida
Sendo antiga é moderna
Fica longe não esquecida
Como a água da cisterna
Bebida no púcaro de barro
Entre o curral e o palheiro
Antes de guardar o carro
Com as artes de garageiro
Casa de empena fechada
Duas lojas e um balcão
Quase lhe chega à entrada
O mar em rebentação
Forno exterior, chaminé
Desenho em proporção
Empurra a vida esta fé
Todo o dia em oração
Giesta em flor, rasteira
Cheira bem entre os muros
Socalcos da vida inteira
Onde os frutos são seguros
Casa entre mar e terra
Limites da geografia
Onde o vento faz a guerra
E é relógio todo o dia
Toda a oposição culpou a maioria socialista dos males nacionais, e a oposição toda recusou-se a assumir qualquer parte na obrigatoriedade do País ter quem o governe. O resultado só pode ser um para Executivos sem maioria parlamentar: cada Orçamento funciona como uma moção de confiança ou de censura. Repete-se, pois, a dramatização do 1º, onde então se chegou logo a falar na possibilidade de eleições em caso de reprovação. Nesse como neste, o PSD podia escolher o cenário mais favorável aos seus interesses. Com Ferreira Leite de saída e o partido sem saber quem viria a seguir, a única decisão lógica era a viabilização do Orçamento, cobrindo o utilitarismo com a bandeira da responsabilidade. Com Passos Coelho à deriva e o partido pronto para o cuspir na primeira oportunidade, a única lógica é a de vender o mais caro possível a abstenção. Não tem nada a ver com qualquer questão que interesse aos portugueses, tão-só o último recurso do grupo que tomou conta do leme apenas para repetir os mesmos erros de navegação a que assistimos atónitos desde 2004.
Mas o problema mais grave da política nacional respeita ao papel do PCP e do BE. Num caso temos um partido onde as individualidades fingem que representam o colectivo, no outro um colectivo que finge não estar dependente de uma única individualidade. Ambos se enclausuram em fanatismos messiânicos. O BE, uma mixórdia de assanhados que vive da rapina, sonha com a destruição do PS. O PCP, uma seita imune à modernidade e ao efeito das telecomunicações, abancou no Kodesh Hakodashim da História e não tem qualquer vontade de sair. Consequentemente, por não dependerem do real para criarem a sua identidade, estes partidos satisfazem-se fodendo a governabilidade de todas as maneiras ao seu alcance – o que, no caso da manipulação sindical pelo PCP, pode causar continuado e poderoso desgaste às equipas ministeriais.
Nas próximas eleições legislativas, as quais ocorrerão assim que o calendário o permitir, veremos se o eleitorado aprendeu alguma coisa com esta experiência de um Governo minoritário e ostracizado. Se nós, os cidadãos cheios de dúvidas, não chegarmos a certezas depois deste espectáculo da demissão cívica da oposição, esses partidos, da esquerda à direita, permanecerão conservados em formol. E o País político com eles.

É o soneto que mais nos aproxima – talvez.
Fiz hoje esta descoberta extraordinária
Enquanto me escondia atrás da secretária
A fazer as contas deste meu fim do mês.
Enquanto tu trazes os livros com ternura
Numa grande mala onde cabe quase tudo
Eu fico aqui sem dizer nada – quase mudo
Não sei se a fugir da rima se à procura.
No elevador da Glória sem lugares sentados
Há apenas lugares em pé na plataforma
Que é onde te fui encontrar no outro dia.
Daqui te mando dois abraços apertados
Do poeta-funcionário a pensar na reforma
Para poder andar na rua com a poesia.
O estudo que faltava para comprovar aquilo que descobri há muito, muito tempo:
Estou numa área profissional que me permite contactar com o mundo empresarial por dentro, pessoas e realidades comerciais. De um lado e do outro da minha actividade, vive-se o dia-a-dia no máximo da capacidade. Trabalha-se com entusiasmo, generosidade e sacrifícios. O profissionalismo mais apurado é a regra, não a excepção. A competitividade estimula, atrai, alimenta, tanto nas agências por onde passei como nos clientes que conheci. E damos por nós a constatar que conseguimos fazer o mesmo, ou melhor, do que os nossos colegas internacionais quando participamos em concursos.
O Portugal dos decadentes mudou-se para a oposição, é para lá que lhe devem enviar o correio.
Expresso, 6 de Outubro de 2015
O primeiro-ministro Rui Rio desvalorizou hoje as sondagens que dão vantagem ao PS nas próximas legislativas, salientando que os portugueses necessitam ainda de algum tempo para se aperceber das vantagens produzidas pelas reformas do SNS e educação, algo que acredita que poderá acontecer quando forem conhecidos os números da poupança produzida pela privatização destes serviços. Realça também que os problemas com a introdução do “cheque-escola” deverão estar ultrapassados até ao Natal, pondo fim a um episódio que sobressaltou o início do ano escolar e contribuiu para um clima de mal-estar entre os concessionários escolares, que não põem completamente de parte a hipótese de recorrer aos tribunais para reclamar juros sobre os montantes em atraso.
Em clima de crispação mantêm-se no entanto os agentes judiciais, que continuam a contestar o programa de reformas em curso, nomeadamente a introdução dos GTP (Gabinetes de Triagem de Processos), salientando que a atribuição de códigos coloridos aos processos “não dignifica” a justiça, e promove a descriminação entre “juízes brancos”, que julgam os chamados processos prioritários, e “juízes azuis” que se vêm inundados de processos considerados de baixa prioridade, introduzindo um factor de desmotivação entre a classe profissional que terá consequências “imprevisíveis”. Muito contestada continua também a ser a chamada “Via Verde Judicial”, que acusam de gerar graves desigualdades no acesso à justiça por parte dos cidadãos em detrimento das empresas. No entanto, Rio salienta que os valores substancialmente mais elevados pagos nos processos deste sistema são “um factor decisivo” no financiamento da justiça, e são “essenciais” para a rapidez no tratamento de processos que envolvem o sector empresarial, rejeitando que se trate de uma “justiça de luxo” apenas ao alcance de alguns, como acusam os sindicatos e o bastonário da ordem dos Advogados, Garcia Pereira.

Os Estados existem com seus rituais, suas fronteiras e seus hinos mas as pessoas, sejam essas pessoas cidadãos ou súbditos, não se regem pela mesma norma. Um exemplo: em Abril de 1897 disputou-se entre Madrid e Ávila o primeiro campeonato de Espanha de ciclismo de estrada, a prova que ficou conhecida como os «100 quilómetros de Ávila». Apesar de os favoritos serem oriundos de Réus, Valência e Torrijos, o vencedor foi José Bento Pessoa que veio com a sua bicicleta Raleigh duma cidade portuguesa chamada Figueira da Foz. Outro exemplo: já em 1829 o pintor Bernardo López Piquer tinha registado em óleo sobre tela a figura de Maria Isabel de Bragança, portuguesa, mulher de Fernando VII, grande aficionada das Belas Artes e fundadora do Museu do Prado.