3 thoughts on “Alice#3”

  1. Gostei muito do trabalho do Henrique Fialho. Um dia (a convite de um mestrando a trabalhar numa tese sobre a minha poesia) fiz um trabalho algo parecido e penso que todos nós uma vez na vida deveríamos enfrentar essa questão: elaborar uma cronologia de nós mesmos, espécie de trabalho de campo para uma autobiografia futura. Um abraço até Caldas da Rainha!

  2. O antologia do esquecimento é um blog com a tesão criativa no sitio.
    Tanto de lavra propria como impropria.

    Amigos quero ejacular
    Toda a esporra acumulada
    Na loja dos meus colhões
    Sinto enrijar o chouriço
    Já não posso recuar
    Macho, fêmea, asno ou abóbora
    Esta noite vou enrabar

    É na igreja que quero
    Sodomizar esses ranhosos
    Enfiemos as sotainas negras
    Iguais às bolas dos plátanos
    Os tomates negros estão nervosos
    Estamos nus por baixo das batinas
    Passa um borracho de cabelos compridos

    Desembainhemos o pau roxo
    Que relincha e rompe o freio
    Escapando aos costureiros
    Levanto o meu avental preto
    A bela lambe-me a pila
    E atiça o fogo mortífero
    Com a língua rosada e limpa

    Eis que o corvo crocita
    Eis que o engenho se baba
    E que já bramem os chantres
    Ora saio e ora entro
    E espalho a acre aguadilha
    Do dedo que tenho no ventre
    Na água-benta da conassa

    O esperma cuspiu-lhe no túmulo
    E já a matraca me pende
    Mas a bela sabe muitas manhas
    E estende-me o cu de veludo
    Cu de virgem cu de pomba
    Que se oferece rosado e sem rodeios
    E entro nele como uma bomba

    Como uma flecha entra no alvo
    E um protestante na Bíblia
    A cauda palpita-me de gozo
    E a bela ri de dor
    Cu de curvas indizíveis
    Mais rijo que um cu de carteiro
    De esporra te vou crivar

    Libertando-se num golpe de rins
    Ela vira-se e debruça-se
    Sobre o pauzinho engelhado
    E enojado de gatinho
    Tem grandes olhos azuis
    E vai-me chupando a pilinha
    Milagre! Amigos, eram dentes brancos!

    A apoteose então rebenta
    Um belo cardeal escarlate
    Enraba os meninos de coro
    Que desafinam com alma
    Batendo pívias num tomate
    O cura descarrega ─ vencedor…

    …………………………………………………

    Um espectáculo oferecido por Colgate!

    Boris Vian, in Escritos Pornográficos, trad. Rita Sousa Lopes, ilus. Pedro Vieira, Guerra & Paz, Setembro de 2010, pp. 67-71.

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