O medo é muito mau conselheiro

A Internet é um imparável e desvairado laboratório de ciência política. Temos agora acesso à privacidade de alguns agentes políticos como nunca antes, apenas porque os próprios – e, particularmente, aqueles com quem privam – se expõem muito mais, tanto nas ocasiões como na extensão da informação veiculada. As conversas de almoçaradas e jantaradas, as tonteiras dos copos e das raivas, aparecem agora impressas nos ecrãs a cru, sem filtros temporais a mediarem e arrefecerem os ânimos. A interioridade destes bravos surge disponível para diagnósticos vários.

Dessa forma, basta ler o que escrevem as figuras menores do PSD e CDS para se estar sentado junto aos líderes respectivos a ouvir as conversas com os conselheiros. Inevitavelmente, uns repetem os outros. E o espírito de manada a todos conduz para um único ponto no horizonte: Sócrates.

Para além do culto de personalidade a contrario donde não conseguem sair, afastam-se cada vez mais do eleitorado com as narrativas simplistas e desmioladas que fazem do PS o partido de um homem só. Não são apenas as ofensas que atingem milhares de portugueses de cada vez que se pinta Sócrates como um super-bandido que estranhamente ninguém consegue apanhar, nem sequer o Pacheco, é o próprio futuro da direita portuguesa que se esboroa na estupidez de uma caça ao homem.

Claro, o pavor é enorme, por isso eles saem para os campos com cães e tochas. Não têm é cabecinha para perceber que a Cidade tem mais o que fazer do que aturá-los.

8 thoughts on “O medo é muito mau conselheiro”

  1. O Incêndio:
    Numa aldeia portuguesa que não interessa revelar o nome porque o que lhe aconteceu, acontece em várias, derivado a não se ter feito o que devia de ser no momento próprio. Chegado ao verão, deflagrou um incêndio na suas matas o que para nós portugueses não é de admirar.
    Foram chamados os Bombeiros e compareceram duas corporações quase em simultâneo. A dos vermelhos e a dos verdes. Os comandantes de cada corporação julgavam-se no direito de um deles ser o comandante e de pôr e dispor a seu belo prazer. Primeiro estavam as suas directrizes e que se danasse o incêndio, se ardia é porque a culpa era de alguém. Em lugar de se porem de acordo e combater o incêndio aliados, cada um puxava a brasa para a sua sardinha. Eram rivais e como noutros momentos o que importava, era demonstrar quem chefiava e o valor de tal chefia. É a signa do Português.
    O incêndio tomava proporções dantescas, as habitações estavam em vias de ser devoradas pelas chamas, interessava-lhes mais, fazer valer os seus pontos de vista. A população com os seus meios rudimentares tentava pôr cobro a tal infortúnio. Desesperavam com a indiferença com que estavam a ser tratados. Alguns mais eufóricos já pensavam em correr com as corporações à pedrada. Não fosse a intervenção de alguns mais lúcidos, na convicção de haver um entendimento entre ambos, não sei ao que aquilo chegava.
    Entretanto o País também sofria uma crise gravíssima com as contas públicas derivado à crise mundial. Os mercados, qual incêndio, devorava-nos como lume devora a palha. Aqui sucedia o mesmo que ao incêndio. Os comandantes não se punham de acordo e as achas eram devoradas lentamente sem qualquer intervenção de quem tinha responsabilidades e meios para o atenuar. Não era por não serem avisados do perigo que a qualquer momento o “incêndio” irrompia.
    Por vezes a vaidade e a casmurrice atira-nos para situações nunca antes pensadas. Interessa mais fazer valer a nossa aptidão, o que julgamos ser, mas não passa de inaptidão. Temos as achas (população) a serem devoradas e não achamos um espírito de entreajuda para valer a quem é o menos responsável pelo curso do incêndio. Estes dois comandantes parecem os madeireiros com interesse no quanto pior melhor.
    Voltando ao incêndio propriamente dito. As labaredas já tinham consumido a mata e não se mostravam saciadas. Continuava a irromper por tudo que estava à sua frente e agora só restava as habitações. Os donos estavam exaustos. Defendiam como podiam o que era seu e confundia-lhes a atitude destes dois comandantes. Os seus subordinados queriam entrar em acção mas receavam as punições a que estavam sujeitos impostas pelo estatuto. Não fosse isso outro galo cantaria. Mas os juramentos que fizeram e o seu não cumprimento levavam ao seu despedimento.
    Neste vai e vem o País entrava na mesma situação e já só restavam as cinzas. Quem devia acudir a tal infortúnio interessava-lhe mais o seu umbigo que a vida da sua população. Sabiam que não eram chamuscados porque tinham meios para o combater quando ele se aproximasse da sua habitação.
    No incêndio não houve consenso e tudo foi devorado a belo prazer das chamas. Os habitantes depois de verem todos os seus bens serem levados e ali à beira estarem os carros e o material de combate intactos resolveram chegar-lhes lume para arderem como lhes aconteceu. Se estavam na miséria e quem não se interessou para pôr termo a tal calamidade também não se ia ficar a rir.
    Espero que não venha a acontecer o mesmo a quem tem responsabilidades para tudo fazer e assim evitar o incêndio que grassa no País e não lhes aconteça o mesmo que aos outros dois pirómanos.

  2. no que se refere a culto de personalidade ha um que bate aos pontos o socras….morto ha muitos anos e ainda toda a gente fala nele , sobretudo no ps e pcp. , como se de um papao fabuloso se tratasse. sera que nao curtem este por motivos parecidos ? ate ha pouco tempo ” quem se mete com o ps , leva” , e esta frase foi dita sob o consulado socretino.

  3. Não me identifico com nenhum partido político do meu país e, como muitos comatriotas, vou votando “caso a caso”, mas esta do “espírito de manada” fez-me sorrir. A minha avó tinha uma expressão gira para isto: fala o roto para o rasgado…

  4. Exactamente, ofendem milhares de portugueses (todos assessores) que votaram e que afirmam que se as eleições fossem hoje continuariam a votar no PS de Sócrates. Claro que o baratatontismo de Passos Coelho ajuda bastante, agora que já não pode apresentar nenhuma é que fala de moção de censura…

  5. O discurso centra-se em Sócrates e não nas políticas do PS porque o PSD sabe que, quem for hoje para o poder, não tem alternativa às políticas a executar, pois elas já não são definidas pelos partidos que concorrem às eleições mas sim pelos “investidores de referência” (IDR), pelos credores do País.
    O que está em causa é QUEM está no poder, quem beneficia das benesses desse poder.
    Porém, infelizmente para o PSD, só poderá haver alternância quando o líder do PSD e a sua equipa passar no casting dos IDR. E não é provável que isso aconteça nos próximos anos, sobretudo porque houve uma grande sangria de militantes elegíveis (como Mira Amaral) que não estão a ser substituídos.
    Estrebuchar contra Sócrates é uma atitude para consumo interno do PSD. Pacheco Pereira & CIA (incluindo o PR) ficam com a careca à mostra sempre que os IDR lhes mandam um recadinho para terem cuidado com a língua…

  6. São eles e mais uns trinta e tal por cento, estes ou gostam da palha, ou acreditam que Passos Coelho é a reencarnação de D. Sebastião, ou estão loucos. Mas que esperam eles do querido líder? Que provas deu P. Coelho que é uma alternativa melhor que o actual Primeiro Ministro. Passinhos, o povo está cada vez menos ignorante, já não vai lá com essa gincana política. Acorda!

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